Páginas

quarta-feira, 7 de março de 2012

Macanudo (Liniers) e outras coisas


(...)

Me sentei aqui para escrever e as palavras foram embora. Engraçado como não me acostumei com isso. Dizem que a gente só sente conforto no silêncio se o interlocutor nos é caro. Se o sujeito não está à vontade em presença de alguém fatalmente dispara a falar, a contar história sem pé nem cabeça para não deixar nenhuma lacuna. Acho que é isso: aqui me sinto tão à vontade que, talvez me passe pelo insconsciente que as palavras não são necessárias.

A tirinha acima parece que foi feita sob medida para mim. A mudança súbita de ânimo e a borboleta amarela. Quem me conhece assim, intimamente, sabe desta minha fixação (não sei se a palavra é bem essa mas vá lá) por borboletas. Por borboletas e joaninhas. Vira e mexe alguma destas criaturinhas adoráveis resolve pousar em mim. E eu faço farra! Se bem me lembro, da última, eu e uma amiga caminhávamos perto de um hipermercado longe-longe de casa quando uma joaninha pousou no meu braço. Era uma preta com bolinhas vermelhas - nunca tinha vista destas e fiquei abestalhada olhando... Não tinha árvore no lugar nem nada, ela apareceu fanfarronamente e desapareceu do mesmo jeito, obviamente depois de me arrancar muitos sorrisos e exclamações.

As borboletas me alegram o dia. Só vivem em lugares onde a qualidade do ar é boa, por isso quando as vejo respiro fundo - se está bom para elas deve estar bom pra mim também. E sigo em frente. Acho altamente motivador saber que serezinhos tão frágeis vivem um bocado de dias apenas (quiçá de horas) mas ainda assim honram o propósito e a oportunidade de estar vivo, passar por aqui, contribuir de alguma forma depois ficar para a história... Melancólico isso? Não acho. Acho inspirador...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Hoje vamos de Coldplay

Coisas Que Eu Não Entendo

Como as marés controlam o mar,
e o que acontece comigo?
Como as coisas pequenas podem escorregar das suas mãos?

Com que frequência as pessoas mudam?
duas não continuam as mesmas
Por que as coisas não saem sempre como você planejou?

Estas são coisas que eu não entendo
sim, estas são coisas que eu não entendo

Eu não posso (e eu não posso)
decidir
Errado
ou certo
Dia
ou noite
Escuridão
ou luz
Eu amo, (mas eu amo)
esta vida.

O quão infinito é o espaço?
E quem decide seu destino?
Por que tudo vai se dissolver em areia?

Como evitar a derrota?
Onde a verdade e a ficção se encontram
Por que as coisas nunca saem sempre como você planejou?

Estas são coisas que eu não entendo
sim, estas são coisas que eu não entendo

Eu não posso (e eu não posso)
decidir
Errado
ou certo
Dia
ou noite
Escuridão
ou luz
Eu amo, (mas eu amo)
esta vida.


domingo, 4 de março de 2012

As cobras

sábado, 3 de março de 2012

Surtose cíclica: fim

Tudo que existe tem nome. Assim como as coisas que não existem devem ter também, eu acho assim. Semana que passou coincidiu com inícios e términos de ciclos na minha vida e na vida dos ao meu redor. Me dei conta disso hoje, ao dobrar as sacolinhas plásticas recém-chegadas do supermercado: meu pai e minha mãe acabavam de chegar das compras em casa, bem na hora em que eu (também recém-chegada em casa, só que do estágio da pós-graduação) abria a panela para saborear um mexido que a minha irmã mais nova acabara de preparar. Mudança de planos: ao invés de matar a fome, descarregar as compras do carro e ajudar a guardá-las. Em seguida, dobrar as sacolinhas.

Foi nesta hora (a das sacolas) que parei para pensar em algumas coisas, acontecimentos corriqueiros da semana. Por exemplo, o fato de eu ter levantado cedo para ir ao meu primeiro atendimento clínico (supervisionado) e o guri não ter dado as caras. Paciência.

Descobri que o surto que me assalta de quando em vez tem nome: surtose cíclica. Não, não tem nada a ver com os manuais de Psicologia antiga nem  moderna, tampouco contemporânea. Inventei o nome mesmo. Reparando bem, algumas coisas na vida da gente seguem um padrão cíclico interessante - e é isto que me deixa intrigada. O bom mesmo é que o ciclo passou. O surto me rendeu subtração de alguns objetos pessoais: roupas, sapatos, etc. Por outro lado, obtive ganhos na área não-material. Toda situação traz sua cota de perdas e compensações... É a vida.

Eu pensava nas vantagens e desvantagens de morar na casa do pai e da mãe. Inegavelmente tem suas maravilhas! Em compensação, em alguns momentos paro e me pergunto: o que deu errado na ordem das coisas? Que diabos ainda estou fazendo aqui?! Viver em comunidade é coisa que demanda dose reforçada de paciência e tolerância. Paciência até tenho mas sou fraca de tolerância. Obviamente esse papo de tolerânciaXpaciência não tem nada a ver com o relacionamento (meu) com meus pais!!! Que fique bem claro! A aprendizagem maior, não só com relação a eles mas à convivência com as pessoas nos mais variados ambientes é que, se eu começar a eliminar pessoas dos meus círculos de conviência tendo como critério as "chaticezinhas" particulares (que todo mundo apresenta), em pouquíssimo tempo ficarei só (fatalmente)! E como a intenção não é bem esta, toca a fazer vista grossa às implicâncias e hábitos irritantes das pessoas ao redor (a começar pelos meus pais)...

A semana foi densa: teve teatro (prestigiando o trabalho dos amigos), um trabalho de ilustração (depois posto as fotos) , aniversário da mãe, muita coisa acumulada dos dois cursos de especialização... A cada dia o cerco vai se fechando e pra falar verdade, estou lutando contra um vício: o ativismo! Fazendo força para não cair na besteira de preencher (novamente) todos os horários livres e ter que arcar com as consequências depois da falta de tempo para descanso, lazer ou até mesmo ócio produtivo. Às vezes pagamos caro por não conseguir manter o limite saudável da arte do produzir coisas: muito fácil cair na tentação de estar em todas, participar de tudo, saber "de tudo"... Eis algo que realmente me preocupa!

Sei que não tem nada a ver o que vou escrever mas enquanto digito, meu vizinho toca bateria. É, ba-te-ri-a! Dessas que têm pedal, bumbo, caixa, tons, pratos, etc, etc. Não sei exatamente quem é. Quando souber tratarei de recomendar ao mancebo que procure (com certa urgência) um instrutor profissional. Sim, porque se é para ouvir (por livre e espontânea pressão) os recitais do rapaz nas escaldantes tardes do Planalto Central, que seja com um mínimo de técnica, ora bolas!

Enfim, esqueci os outros assuntos. Sem mais por hora.

 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ainda bem!

Ainda bem que o horário de verão encerrou-se (pelo menos por enquanto).
Ainda bem que tenho amigos preciosos, e que boas notícias sempre chegam,
 não importa por quanto tempo esperamos por elas.
Ainda bem que toda fase ruim é, potencialmente, 
um prenúncio de uma outra fase (boa),
que desfrutaremos - caso não morramos antes, rs.
Ainda vem que temos a chance de parar de reclamar
antes de descobrir que nem tudo está perdido;
e com isso, apresentar um coração mais grato, menos amargo.
Ainda bem que algumas pessoas permanecem na nossa vida
mesmo quando 'tudo' vai mal: elas desfrutam juntamente conosco
da alegria quando as coisas vão tomando rumo, se ajeitando, dando certo.
Ainda vem que um dia discursa outro dia.
Ainda bem que existem outras possibilidades.
Ainda bem que a arte de bem-viver está um tanto além
de tentar compreender os mistérios e a complexidade das coisas.
Ainda bem que as coisas que mais satisfazem e agregam felicidade
estão (ainda) na lista dos que não se podem comprar!
Ainda bem...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Caia em si, tatuí!

Foi essa música que mencionei no post passado. Minha porção tauí falando alto madrugada a dentro. Eu tenho dormido pouco nestes dias, e o sono que consigo, é entrecortado por sonhos estranhos. tem horas em que me vejo meio na pele do Raskolnikov (Crime e castigo). Falando nele, li umas 50 páginas deste mais umas 40 de outro livro, de temática completamente diferente de ontem pra hoje. Ainda assisti metade de um filme. Lá pelas tantas desmontei exausta espalhada pela cama. Entrei em estado de hibernação até agora há pouco.


Aproveitando que o post além de dramático é musical, em seguida compartilho o trabalho de amigos muito especiais. Eles são de um Grupo Teatral chamado Cabeça Feita, daqui de Brasília - eles põem em discussão a questão do preconceito contra os negros e incentivam a valorização dos traços característicos da negritude. Coisa linda de se ver! O clip é um protesto "cabeça" e muito bem-humorado contra a ditadura do cabelo liso (que cá pra nós, não oprime só as mulheres negras)... Vale a pena conferir.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Segue a esquisitice dos dias

......"Cortar a cafeína."
.................."Dias estranhos."
................................"Caia em si, tatuí..."
.............................................."Mas que dia é hoje mesmo?"

(...)

Por que é que não consigo me alegrar com a desgraça alheia?! Eu sei o post não faz o menor sentido: não foge à realidade. Nada faz muito sentido quando você está caindo de sono mas os seus pensamentos não te deixam descansar. Passam milhares de cenas coloridas pela mente, como um desenho da Technicolor mas não há intervalo comercial - minha antena não falha e a programação não sai do ar! Foi aquele refrigerante de cola que tomei acompanhando a pizza, só pode!
A mesma lista de músicas está no player desde cedo e tocam repetidamente. É o cúmulo! Preciso rever a dose das vitaminas; em que clínica o doutor atende mesmo?!

(...)

Hoje durante o banho pensei em algo intrigante: não tenho queixa contra ninguém. Nenhuma mágoa ou ressentimento, nenhuma restrição. Convivência pacífica, se necessária, mesmo com quem porventura tenha me ofendido em algum ponto de coexistência. Não sei porque estou escrevendo isso mas é que eu até gostaria de ter algum desafeto, de quem falar mal vez ou outra; alguém que eu ache brega ou de profunda ignorância e mau gosto, mas não! O que acontece é que acabo levantando do sujeito alguma característica digna de respeito, quiçá de admiração. Pronto, está feito o acordo diplomático. Observando alguns registros escritos, verifiquei que tenho a séria mania de elogiar e encorajar os outros! (Cara de espanto).

(...)

"Parecia a vida me dizendo: caia em si, tatuí..." Trechinho de música não sai da cabeça. É de uma banda linda, de pernambucanos (olhaí a minha paixão pela gente daquela terra). A vida já me mandou este recado algumas vezes e repete o lembrete quando necessário. Eu a vi e ouvi num programa de TV (que por sinal eu não assisto mas 'baixo' da internet) duas cantoras (a Céu e a Karina Buhr) interpretando a tal música (Tatuí) e algo aqui dentro de mim se (co)moveu. Musiquinha que parece comigo! Eu sei que com o Google fica fácil achar, digitando, mas vou deixar o nome: 3 NA MASSA. Vale a pena conferir o trabalho da galera. Dizem que são dois ou três garotos integrantes da Nação Zumbi, eu não confirmei: são de Pernambuco, a música é boa, então está tudo certo.

(...)

...........Mas que dia é hoje mesmo?
...................................Carnaval já acabou?

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
Copyright 2009 Viviane Zion. Powered by Blogger
Blogger Templates created by Deluxe Templates
Wordpress by Wpthemescreator
Download Royalty free images without registering at Pixmac.com