quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Baseado em fatos reais =P

Fui ver um amigo esses dias. Sabe essas coisas qua a gente sabe que precisa fazer mas demora a ter coragem, e tem uma voz aqui dentro dizendo pra ir mas vem logo outra sugerindo o contrário - e a decisão vai sendo empurrada pra mais adiante? Então... Tenho muita vontade de tocar pra frente um antigo projeto mas não acho gente maluca o suficiente pra fazer a coisa acontecer. E esse amigo é assim: maluco o suficiente pra me ajudar, pra me respaldar mesmo sem ganhar coisa nenhuma com isso. Aliás, ele, o Thi (vamos chamá-lo assim por aqui, ok?) é uma únicas e raras pessoas - na face da Terra - em quem eu (ainda) confio.
Toquei o interfone logo cedo. Ele mora sozinho por uma série de razões; uma delas é que ele tem um problema raro (e sério) de saúde. A ex-mulher quando descobriu, ajuntou as coisas e foi embora. Eles não chegaram a ter filhos. A questão da saúde não impede que ele leve uma vida normal: aliás, ele é uma das pessoas mais produtivas que eu conheço em matéria de trabalho... mas o Thi não é uma pessoa comum, não tem uma vida comum - e as pessoas, em geral, não assimilam bem as "diferenças", não conseguem conviver tranquilamente com as pessoas IN-comuns. O fato é que o Thi é pra mim uma espécie de "irmão mais velho", um mentor, um porto seguro a quem eu (também) posso recorrer de tempos em tempos. E eu estava com saudades! Muitas saudades...
Quando ele veio abrir a grade do prédio, abriu aquele sorrisão: "Visita de um oficial da sua patente logo cedo, eu devo estar em dia de sorte mesmo..." Quando ele me abraçou eu nem sei o que me deu, só sei que desatei o choro, enquando ele com uma mão me apertava contra o peito e com a outra apoiava a minha cabeça: "É... tem gente que andou se machucando seriamente por aqui..." - Foi a única coisa que ele disse; não me bombardeou de perguntas e nem me ofereceu conselhos...



Nem sei por quanto tempo fiquei por ali, em prantos, mas aos poucos fui me restabelecendo, ele me puxou pela mão e nós subimos as escadas. Uma vez instalada no sofá, ele me estendeu uma toalha pra enxugar o rosto e foi fazer um café. Dali a a alguns minutos eu já estava refeita, sorridente, sentada na mesa da cozinha com uma caneca de café quentinho entre as mãos, enquanto contava as novidades (minhas) e ouvia as dele...
- E a Igreja, como estão as coisas, Vivis?
- Não sei, faz tempo que não apareço por lá...
- Hã??? Que aconteceu?
- Uai, larguei tudo!
- Mas... tudo-tudo? Assim... Nem os jovens, nem a música? Nada???
- Nada-nada...
E aos poucos fui colocando ele a par das coisas que aconteceram na minha vida de janeiro pra cá...
- Meu-Deus-do-céu!!! Eu pensei que você tivesse criado um pouquinho que fosse de juízo, menina! Mas tô vendo que continua igualzinha... Ou pior! Agora eu entendi o chororô...
- Ai, Thi! Não me censura, vai! (...)
E foi conversa e café que não bastava.
- Mas 'cê não veio aqui só pra me contar as peripécias do ano de 2009 não, né???
- Hummm... Você continua esperto, velhote (rsrsrs)! Não-mesmo! Preciso muito de uma ajuda sua...
- Ai (ele disse, passando as mãos pelo rosto) - tenho ate medo do que vem por aí...
- Então... (eu fui explicar o que era e o que eu queria que ele fizesse).
- Mas lindinha... (nessa hora eu tasquei um beijo na bochecha dele) - isso pode dar uma m... tão grande que eu tenho até medo!
- Adoro quando você me chama de lindinha! ^^ Mas veja bem, é por minha conta e risco! Você só me passa os contatos...
- E se eu não quiser te "ajudar"?
- Eu procuro outra pessoa...
- Ah, tá! Você esqueceu que eu te conheço de outros carnavais, né? Desconfiada do jeito que é, bem capaz mesmo que vai atrás de alguém...
- Ai Thi... Por favor! Por favor! Por Favor!
(...)
Tempos depois:
- Tá bom, tá bom... Não sei onde eu ando com a cabeça pra embarcar nas suas maluquices!
E enquanto ele fazia alguns contatos por telefone eu fiquei ali parada, olhando, com aquele sorriso do gato da história de Alice no País das Maravilhas... Não conseguia me conter de tanta alegria. Depois fui embora. Já era quase hora do almoço e eu não queria dar ainda mais trabalho ao meu amigo. Já estou com saudades. O resultado da empreitada só vou saber daqui a alguns dias...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

De volta ao planeta blog

Entonces. Passadas as festividades natalinas, para as quais eu tenho tolerância limitada, é hora de reorganizar a vida e decidir o que fazer dos dias de férias que ainda tenho pela frente. Se bem que eu não posso reclamar do meu Natal! Achei que seria ruim mas não foi. Tava tudo leve pra mim... uma pessoa - não lembro quem - me disse certa vez que não há fase ruim que perdure (assim como acontece com a fase boa), e cá prá nós, eu andei meio borocoxô esses dois últimos meses... Não que tenha passado, esteja tudo resolvido, "digerido", equacionado aqui dentro de mim as coisas que aconteceram durante este ano (e olha que foi um ano muito-muito bom!!!) mas eu não sou de ficar arrastando correntes nem me fazendo de vítima das circunstâncias... não mesmo! Tenho cá pra mim, que quando a coisa não anda boa aí é que a gente tem que subir no salto mesmo (no meu caso, desnecessário o salto, pois eu descalça já meço 1,80m), levantar a cabeça e andar com a coluna reta! Postura e atitude positiva (pelo mesnos no meu caso), ajudam muito a enfrentar as intempéries da vida.
Por falar em INTEMPÉRIES, dia desses eu tava lendo no blog do osvjor uma postagem titulada EFEMÉRIDES. Tá bom que assim à primeira vista parece mesmo não ter nada a ver... Mas veja bem, eu lembrei de quando eu fazia a 8ª série e uma professora de Português encrencou comigo porque segundo ela, INTEMPÉRIES não era uma palavra comum ao vocabulário de uma adolescente de 14 anos! Havia uma questão no livro didático mais ou menos assim: "Para que servem os guarda-chuvas, as sombrinhas, as capas de chuva?" Eu levantei a mão pra responder - e respondi: "Eles nos protegem contra as intempéries." Pronto! Foi o escarcéu! Ela veio olhar o meu livro, me acusou de ter copiado do livro do professor (porque a resposta era idêntica à que constava no maldito livro do "mestre". Ela berrou e esbravejou comigo na frente da turma toda (aquela louca! depois a louca sou eu!), tentou arrancar de mim uma "confissão"... Faz-me rir! Eu não copiei a m... da resposta! Fui parar na direção, ligaram na minha casa, deu a maior confusão mas depois, inteligentemente, resolveram olhar o meu histórico escolar e constataram que realmente as minhas notas em Língua Portuguesa sempre foram acima da média. Humpf! Que vexame. Mas bola pra frente.
Voltando ao Natal, a ceia deste ano me trouxe surpresas. Eu vi ali reunidos debaixo do mesmo teto, os blogueiros mais cuti-cuti (rs) deste mundo virtual! E tive o privilégio de conhecer pessoalmente a Rafa (que eu já tinha visto em uma livraria aqui em BSB mas não tive coragem de falar com ela) e o Sr. Overground, que por sinal me mandou o link do vídeo que eu posto logo abaixo, agradecendo muito a visita, a atenção e o carinho.
Por hora, é isso! Shalom.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mãe, tô voltando!

Quinto dia da viagem mais ousada, mais maluca que eu já fiz (até hoje porque depois dessa, com certeza virão outras). Não sei se sou uma pessoa covarde que vezenquando tem uns acessos de coragem ou uma pessoa corajosa que é acometida pela maldição da covardia de tempos em tempos...

Estou agora em Campinas mas já passei por Americana, Santa Bárbara D'Oeste (casório da minha amiga), Americana novamente, Campinas, fiquei um dia e meio no litoral norte de SP (Ubatuba), voltei pra Campinas (postando de uma lan house num Shopping perto do aeroporto de Vira Copos) daqui a pouco embarco (de ônibus) pra Brasília, encerrando com chave de ouro a temporada de viagens 2009. Tá bom, né?!

Detalhes da viagem não dá pra escrever agora por conta do cansaço e do tempo curto. Deixo pra quando estiver em casa. Queria só deixar um videozinho de uma cantora chamada Keren Ann. As músicas dela me "embalaram" durante a viagem... Eu não a conhecia mas esses dias o osvjor postou uma lista de cantoras e eu fiquei de conferir uma por uma durante as férias. Comecei pela K.A. e não me arrependi! Depois, às outras...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em Sampa! Uhuuuuu...

OK, tô em São Paulo. Mandei mensagem pra mana avisando pra demitir todo mundo da agência de Meteorologia... tá um SOL de rachar!!!!!!!! hahahahahahaha... Fala pros agourentos e invejosos aí que eu volto viu... :)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Amei isso

***Importei do SOLOMON

Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação.O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.

(C. S. Lewis, em Os 4 amores)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A primeira a gente nunca esquece...

Fui agraciada! Recebi um convite para ilustrar
a capa do livro da Família da escola onde eu
trabalho. Poucas coisas me rendem tanta
satisfação, tanto bem-estar como escrever
e desenhar! É um pedacinho de mim que
escorre pro papel... É um retrato da minha
alma, uma tranparência do meu subconsciente
que desliza pelo braço, passando pelos dedos,
giz e chega nítida, no giz, no lápis, no Canson...
Eis a arte! A imagem que me apareceu clara
em tarde quente de outubro. Freud, olhando
para o desenho talvez explicasse alguma coisa,
identificasse algum desejo reprimido, mas como
bem escreveu aquela que me fez a dedicatória,
é o reflexo de um sorriso, do meu sorriso
- estampado - em tudo o que eu faço!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Será que tem?

Tem, tem sim. Eu achei que não existisse mas de duas semanas pra cá descobri que existe. É um ser-humano cuja presença me causa aversão, cujas atitudes me causam espanto, cuja voz me causa náuseas. Sério mesmo, fico verde! Não é comum acontecer. Geralmente, consigo conviver bem com QUAL-QUER criatura na face da Terra e, quem sabe, tecer algum tipo de relacionamento, nem que seja o trivial-cordial-diplomaticamente-correto. Mas com este "ser" não acontece! Não tem pra onde...
Esses dias eu tentei! Juro que tentei! Sentei do lado pra ver no que dava, fiquei prestando atenção no papo da galera, fiz menção de dar um "pitaquinho" que fosse só pra ser simpática... mas quando a figura despencou a falar foi automático: a comida veio na garganta eu tive que sair de fininho. "Não consigo, não consigo, não consigo... Uuuuuuuuuuuuuughh"
Pior é que nem dá pra disfarçar! Comentei o mal-estar com uma amiga há umas semanas atrás. Contei o milagre mas não contei o santo. Hoje ela chegou bem na hora do sufoco, bem na hora da crise! Sondou o ambiente, percebeu o clima tenso, olhou pra minha cara e disparou a rir! Eu corei da cabeça aos pés, de vergonha mesmo - e o estômago revirando. Virei as costas e saí. Alguém ainda perguntou: "- Viviane, você ainda vai ...?" Minha amiga respondeu: "Vai não! Viviane 'tá de saída" - e dá-lhe risada!
Não-gosto-não-gosto-não-gosto-e-não-gosto!
Chama o Rauuuuuuuuuuuuuul! Aff...

A águia e a serpente

"Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz." (Autor desconhecido).
...
Por mais absurdo que possa ser, eu sinto que se aproxima um tempo diferente. Desculpe mas eu não me enquadro na definição de "pessoa comum"; eu penso coisas nas quais ninguém pensa, vejo coisas que ninguém vê, me importo com coisas com as quais ninguém se importa, acredito em coisas - e sobretudo em pessoas (!) - nas quais ninguém acredita... Sou uma pessoa desajustada e pessoas assim são taxadas como subversivas, rebeldes - como loucas!
Me consola um pouco ler os escritos de Rubem Alves. Esses dias (após passados os estresses típicos das programações de final de ano na escola), estive lendo um trecho assim: "As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros mundos. A criatividade vem do desajustamento. Imagine que nossa sociedade é louca. As evidências dizem que sim. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado à loucura. Então, há um tipo de 'saúde mental' que é uma manifestação de loucura. Mas aqueles que são lúcidos, que percebem a loucura da sociedade e sofrem com ela, desajustados, são os que verdadeiramente têm saúde mental".
Volto ao pensamento inicial. Há um anseio profundo na minha alma por um tempo/ espaço diferente. E parece que está próximo, parece que está ás portas, parece que o cenário se configura para um acontecimento, um marco, uma coisa qualquer que eu não sei definir mas sei que é "real".
Estive conversando com uma amiga. Ela sempre me liga: "Passa'qui em casa pr'agente conversá!" Eu vou mas já com o coração saindo pela boca. Sempre tem coisa nova. Sempre uma pulguinha atrás da orelha. Mas por que será que as pessoas que me fazem pensar me causam esse fascínio, essa atração!!??? Conversávamos sobre propósitos de vida, sobre planos, sobre "destinos", sobre amor e ódio. Ela me dizia que não importa o que eu faça, eu não tenho pra onde fugir nem como me esconder - e que tem coisas na nossa (no caso, na minha) vida, que simplesmente vão acontecer - é bobagem ficar correndo, me escondendo. Eu fiquei pensando na águia (o desenho tá terminado e guardado num fundo de gaveta qualquer, esperando a hora de sair). Fiquei pensando na serpente, e de como a interpretação do autor sobre o livro de Nietzsche (de um blog que eu visitei esses dias mas já perdi de vista), e a relação de oposto-complementaridade que pode existir entre os dois animais pode ser interessante... Fiquei pensando, pensando... E ela me disse mais coisas, algumas se perderam nos labirintos da minha mente.
Mas o dia tá chegando. Disso eu tenho certeza. Certeza tão certa que quando ela me disse ontem que o que eu preciso fazer é DESCANSAR, eu ri, de tão simples que era a solução. Mas por dentro eu chorei também, sabendo que essa é a parte mais difícil: DES-CAN-SAR. E deixar que as coisas aconteçam.
Aí vem os dias. Depois que isso tudo passar. Depois que a transformação se completar. Quando enfim eu completar a missão que me foi dada em sonho. Quando eu ouvir os tambores e o som de festa por cima do muro que eu não vou derrubar mas passar pro outro lado, deixando pra trás, e definitivamente, os rastros de uma longa jornada (que hoje, olhando de dentro, parece que nunca termina). Quando completar a renovação, a metaorfose, a transformação que vai me habilitar a voar ainda mais alto em uma segunda (e frutífera) fase de vida...
Tá chegando. Eu sinto isso. Eu sei disso. Eu creio nisso.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estresse, por Rubem Alves

Estresse é uma palavra usada na física dos materiais. Ela tem a ver com o comportamento dos materiais submetidos à pressão, à distensão, à torção. Aplicada a nós, a palavra estresse revela a nossa condição de seres submetidos às pressões, distensões e torções que as 10.000 coisas no impõem. Inúteis são as técnicas de relaxamento. Alívio provisório - como os descansos entre as sessões de tortura. As 10.000 coisas voltam sempre... Só existe uma solução: libertar-nos do domínio das 10.000 coisas... Mas isso é difícil, porque elas nos fazem promessas de prazeres no futuro. "Tudo isso te darei..." Somente nos libertamos do estresse quando compreendemos que ele é um sintoma do domínio da morte sobre a nossa vida. A consciência da morte nos faz abrir os olhos. E aí, então, estamos em condições de olhar para dentro, à procura do desejo mais profundo que as 10.000 coisas enterraram. "O que é que se eu tivesse, me daria alegria?" Essa é uma pergunta que toda pessoa deveria se fazer diariamente.
(Em, Ostra feliz não faz pérola)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aprende, Zion!

...
"O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim, de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem."
(Guimarães Rosa)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tô aqui

Eu sou uma eterna aprendiz da vida. Ela tem me ensinado coisas... Essa semana foi muito intensa, muito cansativa, muito tensa mas também muito produtiva. Momentos de dor intensa revesavam com outros tantos de alegria. A ansiedade não me deixava dormir e nem raciocinar direito. Tinha dia em que a única coisa que eu conseguia fazer era curvar a cabeça sobre a mesa e esperar as forças voltarem pra poder continuar. As coisas na minha vida não pegam senha nem fila pra acontecer - eu deveria ter me acostumado com isso...
Era uma semana comum. Quero dizer, deveria ter sido. Não foi. Domingo passado eu vislumbrei o que seria a semana quando fiquei horas longe de casa num lugar desconhecido, tarde da noite. Deu medo. Daqueles medos que protegem a gente. Que fazem pensar se vale a pena arriscar mesmo passar sufoco e ficar de madrugada na rua sem saber se vai chegar em casa por causa de uma ideiazinha maluca que aparece num dia chuvoso.
O restante dos dias foram de (muito) trabalho. Muito mesmo. E uma baita ansiedade. Parecia que uma família de mariposas tinha se mudado gentilmente para dentro meu estômago; para não deixá-las sem nenhuma vizinhança, digamos que uma lebre tenha se instalado confortavelmente na minha garganta e ficou por lá, entalada. Não passava nem ar nem comida. Nem peguei nos livros, não li nada durante a semana. Se a minha concentração já é limitada em dias normais, imagine em dias de ensaios e festas de encerramento, fechamento do ano letivo.
Eu detesto despedidas. Fim-de-ano dá uma sensação de perda indescritível. Eu ia olhando a gurizada da escola saindo, alguns, pra voltar no ano que vem, outros que possivelmente não vou encontrar mais - nem na escola, nem na vida e ia me dando uma angústia, uma vontade de me esconder num buraquinho qualquer onde eu não tivesse que ver passar pela minha vida pessoas que eu simplesmente desejo muito que fiquem.
E foi tanta emoção pra uma semana só! Teve o dia do meu aniversário - ganhei tanto abraço que eu gostaria de poder guardar em estoque pra poder ir "gastando" um pouquinho de cada vez. E teve... ah nem vou contar. Não cabe aqui.
(...)
Esses dias estive conversando com Deus sobre isso: sobre essa "sensação de urgência" que me acompanha. Eu perguntei a Ele se eu ainda tenho muito tempo por aqui, porque a saudade que eu sinto de um lugar que eu não conheço é muito grande. A impressão clara que eu tenho é que eu sou "forasteira", estrangeira, que eu não sou daqui "deste mundo" e isso pode ser uma forma meio maluca de sentir mas é latente, é latejante! Ele não me respondeu - mas deve ter dado boas risadas com as minhas maluquices (eu tenho cá pra mim que Deus ri de mim e sorri pra mim - qualquer dia eu escrevo a respeito).
(...)
Tem mais coisa pra postar mas agora preciso sair pra comprar o presente de casamento da minha amiga (*-*). Adoro dar presentes! Aprendi com a minha Maninha Gourmet, que vive dando presente pra todo mundo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Versão 3.0

*** Sábado pela manhã, na escola:
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Thierry - tia, você tem 19 anos, né?
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Eu (rindo) - tenho não, béim... (pausa pro nascimento da piada) acabei de rejuvenescer mais 5!!! Tenho 14 aninhos...
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Thierry (rindo tb) - ???????
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Eu (agora rindo de verdade) - tenho 29 anos meu lindo! (e ria mais ainda!) quer dizer... só até terça-feira que vem, dia 8, quando eu completo 30.
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Thierry (cara de espanto) - mentira!!!!
>
Eu (rindo-rindo-rindo...) - verdade! depois te mostro a minha identidade...
***E é isso!

Bom dia, diaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!! :)

FAUSTO. Nas veias pulsa a vida palpitante,
Saudando o raiar da meiga aurora;
Esta noite também te achei constante
Terra que a meus pés viva arfas agora;
Já de prazer me cercas, já me inspiras
Resolução, que em mim cresce e vigora,
De à mais alta existência erguer as miras.
O mundo acorda à voz da madrugada,
Ressoam na floresta aladas liras,
Do val no fundo a névoa está pousada;
Eis nas covas penetra a luz do dia;
Toda fresca e gentil surge a ramada
Do perfumado abismo em que dormia;
Já cor e vária cor no chão diviso,
À folha a fresca pérola rocia,
Faz-se tudo o que vejo um paraíso!
Ao alto as vistas! - As vastas cumiadas
Da mais bela das horas dão aviso;
É-lhes dado do sol serem banhadas
Primeiro que a nós desça radioso.
Às pastagens nos montes abrigadas
Novo brilho ilumina caloroso,
Que pouco a pouco baixa, até nós chega! -
O sol surgiu! - Ai, que me é forçoso
As costas dar à luz que os olhos cega.
Assim na vida, quando esperança ardente,
Quando ao mais alto desejo se une e apega,
Do cumprimento a porta se acha patente;
Eis que do fundo abismo um mar de chamas
Rebenta, que nos pára em continente;
Procuras inda ver se o facho inflamas
Da vida, o fogo cerca-te, e que fogo!
O sentimento de amor ou ódio chamas
Que entre gosto e pesar te agita logo,
Tão tremendo, que à terra sem demora
Te acolhes e da infância ao desafogo!
Pois nas costas me fique o sol embora!
A cascata nas rochas rebramando
Com crescente delícia encaro agora.
De queda em queda salta ressoando,
Em mil e mil torrentes repartida,
No ar flocos de escuma dispersando.
Serenando esta fúria, quão luzida
Surge a curva do arco matizado,
Ora clara e distinta, ora esvaída,
Destilando rocio perfumado!
O arco representa a humana lida;
Bem o sentes, se nele hás meditado;
Um corado reflexo é a nossa vida!
(Goethe, em Fausto)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Valerie

Menino, que esses dias a mana chegou em casa com o CD da Amy Winehouse no pen drive e eu fui conferir! Não é que essa baixinha, magricela e maluca canta que nem gente grande???!

Uma pena mesmo ser tão descompensada na vida... um grande talento que a gente não sabe se dura tempo pra contar história...

Mas por que será que a maioria das pessoas talentosas (que eu conheço) têm que ser assim, assim... sei lá... Aff!

Essa é a minha preferida! Valerie.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Pecca fortiter, sed crede fortius"

***Engraçado... na igreja ninguém manda esse tipo de carta pra gente...
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"Se és pregador da graça, então pregue
uma graça verdadeira, e não uma falsa;
se a graça existe, então deves cometer
um pecado real, não fictício. Deus não sal-
va falsos pecadores. Seja um pecador e
peque fortemente, mas creia e se alegre
em Cristo mais fortemente ainda... Se
estamos aqui (neste mundo) devemos
pecar... Pecado algum nos separará do
Cordeiro, mesmo praticando fornicação
e assassinatos milhares de vezes ao dia."
.
***(cartas de Lutero a Melanchton, 1521)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quanto mais idiota melhor

Ela me liga chamando pra conversar. Desata um monólogo interminável. Reclama por que eu não respondo, nem retruco. Reclama do meu silêncio. Me passa um sermão e depois reclama - da minha cara. Não aguento! Para a carroça que eu quero descer!!!!!!!!!!!!!
(...)
-Ei, não faz essa cara!
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-Que cara?
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-Essa daí, que você tá fazendo!
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-Eu só tenho essa cara! (humpf!)
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-Para de gracinha... Você sabe do que eu tô falando...
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-Que cara então vc quer que eu faça??? (eu, já irritada)
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-Uai, a sua cara... normal...
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-Ah, sim, entendi... a cara de IDIOTA, vc quer dizer! (já p. da vida)
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-Não, não é nada disso! Mas por que vc vive sempre com o pé atrás com todo mundo, hein!!!???
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-Ah, deve ser porque... (essa parte é melhor não postar, foi desabafo mesmo, tadinha, ouviu o que não queria nem precisava...)
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Geeeeente! Sem nenhuma brincadeira... faz uns dez anos que eu não ouvia essa música mas a frase "aproveite o dia" não me sai da cabeça desde sempre... Eu nem lembrava mais da letra... Essa é uma dessas músicas que me fazem querer sair pulando pelo corredor de casa e gritando: "vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai, coração dizer - Ele está aqui,
APROVEITE O DIA!!!"
APROVEITE O DIA.
APROVEITE O DIA.
APROVEITE O DIA.
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.....
...
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Carpe Diem (Catedral) Quem chegou à liberdade da razão Se sente como um andarilho, mas que não está perdido . Toda convicção é crença de estar Em algum ponto do conhecimento, na posse da verdade incondicionada . Não se entra duas vezes no mesmo rio Estamos ainda no tempo dos indivíduos, só depois de deixarmos a cidade É que veremos a que altura estão as torres, acima das casas... acima das casas . Paz na Terra e aos homens de todo coração Há tantas auroras que não brilharam ainda . Eu moro em minha casa, não imitei de ninguém E a porta dela está aberta pra você também! Ohhhoohhh . Vai coração dizer que Ele está aqui, aproveite o dia . Todo espelho mostra apenas o que queremos ver, a palavra fez ao homem, muito mais que ele fez por ela.

Sabedoria de família

Minha mãe é afeita a pérolas...
Almoço de domingo, a gente em volta da mesa, esperando o musse de maracujá (!) que a minha irmã caçula tinha feito. Mãe aparece antes com um saco cheio de picolés e vai distribuindo. Meu irmão, por sua vez, vai até o quarto, pega um Toblerone e vai explicando enquanto traz, que o chocolate foi uma menina que lhe deu de aniversário, que custou tanto e tanto - tava contando vantagem o rapaz... deixa ele se achar... Minha mãe ouvindo a história solta uma pérola daquelas:
"- Ah, mas se for gostoso vale a pena!"
Ah, sim... concordamos morrendo de rir! "Vou lembrar disso, viu mãe?! Belo conselho..." - eu falei pra provocar, enquanto todo mundo ria e emendava uma piada pior ainda, uma atrás da outra.
"- Mas eu tô falando do chocolate!" - tadinha, protestou. "-Vocês levam tudo pro buraco da maldade..."
Hahahahahahaha... Agora já era! Virou lema. Virou piada. Virou prato do dia.

domingo, 29 de novembro de 2009

Por outro lado...

Pressão faz diamante.

Action!

"No princípio era o Verbo" vejo escrito,
E aqui já tropeço! Quem me ajuda?
Tão alto sublimar não posso o verbo,
Devo doutra maneira traduzi-lo,
Se me inspira o espírito. Está escrito
"Que no princípio era o Pensamento". -
Medita bem sobre a primeira linha,
Apressada não seja a pena tua!
Anima, cria tudo o pensamento?
Devera estar - "Era ao princípio a Força!"
No momento, porém em que isto escrevo
Diz-me, uma voz que não pare. Inspira-me
Afinal, o espírito! Alvitre,
Solução enfim acho: satisfeito,
"No princípio era a Ação" - escrever devo.
Goethe, em Fausto
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Outra visita às livrarias. Desta vez motivada(?) por uns volumes com adaptações de grandes clássicos para crianças que peguei para dar uma olhada. Me interessei pela história do velho cientista que vende a alma ao diabo. Fiquei com aquela "coceira", aquela idéia fixa na cabeça, aquela sensação de que não poderia ser feliz nesta vida enquanto não lesse a versão completa do livro. Saí correndo (literalmente) do trabalho, plena sexta-feira à noite para comprá-lo: Fausto. Eis-me aqui com o livro nas mãos. Tenho hora que parar, respirar e depois retomar a leitura. Como diz Rubem Alves, é uma "grosseria" tomar um cálice de licor finíssimo de uma talagada só.
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Vou aproveitar então pra contar algumas insanidades. Tem coisas que só acontecem comigo mesmo. Não adianta nem esquentar a cabeça! Saindo da livraria, em posse do livro, resolvi caminhar até uma parada mais distante pra poder pegar o ônibus de volta pra casa. Ainda não tinha escurecido (o horário de verão proporciona isso) apesar de já ser noite no relógio - o fim-de-tarde estava realmente lindo e eu queria mesmo aproveitar. Passei umas três paradas, continuei andando (tem horas em que eu faço isso, de sair andando por aí - enquanto caminho coloco as idéias no lugar), pensando na vida, nas coisas (muitas) que não aconteceram do jeito que eu desejava ou esperava. Confesso que sentia um pouquinho de raiva da vida naquela hora (pssiiiiiu!, não conte isso a ninguem - foi só um momento de fraqueza). Sentia raiva de ser tão pequena e impotente diante de situações que estão muito além das minhas forças, das minhas escolhas, das minhas vontades...
Eu pensava na conversa que tive com uma amiga durante a semana (as minhas amigas sempre me pregam peças, me pegam desprevenidas e me desconcertam toda...). Lmbrei que eu estava ali quietinha, cortando uns papéis quando ela veio e desferiu um golpe certeiro na minha frieza e indiferença: "Sabe de uma coisa, eu tenho aprendido muito com você" - travei! Ela continuou: "Sabe aquele dia, (...) assim e assim-assado (...), você fez isso e aquilo-outro (...)" - "pois é... eu aprendi (...) com você". A essa altura, já chorando, eu nem ousava olhar pra ela, que continuou: "eu só queria dizer que te amo". Agradeci muito sem jeito. Mais recebi um abraço do que abracei. Chorei um monte e ainda chorei mais quando ela terminou de me nocautear: "Sabe, você marca a vida das pessoas!" ... É. Eu sei. E esse é um fardo muito pesado pros meus (quase) 60 Kg! Tem certas habilidades que a gente tem que se tornam verdadeiras maldições na nossa vida! Foi a resposta que dei a ela.
Voltando à minha caminhada inusitada, nem deu tempo de lamentar... fui interrompida em choro, baba e meleca por uma velhinha de 76 anos, mais perdida do que eu (no caso dela, geograficamente perdida). Ela estava tentando achar o caminho de casa caminhando em direção oposta. Pra você ter uma idéia, as superquadras do Plano Piloto (aqui em Brasília) seguem uma sequência numérica como no plano cartesiano. Temos o ponto zero e as quadras vão de 1 a 16. Nos encontramos na 202 Sul - eu estava indo em direção à 203 e ela caminhava na direção oposta quando me abordou: "Moça, a 208 Sul está perto?" "Olha - eu respondi enxugando o rosto e o nariz - não tá não. Tá meio longinho..." "Mas se eu for por aqui consigo chegar lá?" "É... (ainda fiz piada) se a senhora for por aqui, vai chegar primeiro no Banco Central, depois vai passar pela Rodoviária (...), vai ter que dar a volta lá 'por baixo', passando pelo Japão e... vai chegar na 208 sim - mas vai demorar um pouquinho... rs" "Ah... É que eu moro na 208 Sul, saí pra comprar umas coisinhas e me perdi do caminho de casa. E você? Mora aqui perto? Tá indo pra onde?" "Não, eu não moro aqui perto; e tô indo pro ponto de ônibus, na direção em que a senhora precisa ir - que por sinal é por aqui..." "Ah sim, então vamos juntas; eu te faço companhia".
Tudo o que eu não queria nessa hora era companhia. Mas o acaso mais uma vez me fez guardar na gaveta os meus queixumes pra atender à necessidade de alguém mais em apuros do que eu. Foi uma caminhada em tanto! Confesso que me diverti muito com Dona Ivete (esse era o nome dela), que me contou praticamente toda uma vida durante o trajeto de seis quadras que fizemos juntas. Por um momento esqueci as dores, esqueci as lágrimas, esqueci do Fausto e disponibilizei as orelhas e o resto a uma desconhecida que precisava encontrar o caminho de casa. E assim, eu que só queria escapar dos ônibus lotados da hora do rush, trabalhei de delivery de vovó, plena sexta-feira à noite.

sábado, 28 de novembro de 2009

Love, love, love...

Maninha Gourmet mandou versinhos...
*-*
"É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem
e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"
Cecília Meireles
***Muito-muito obrigada, mana! Amo vc infinito multiplicado à enésima potência...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Desse jeito mesmo...

"A melhor forma de crítica é a ação".
Luiz Amorim***, do açougue T-Bone, em Brasília
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*** Para a sua informação, Luiz Amorim, 41 anos, é o fundador do Açougue Cultural T-Bone em Brasília. Luiz trabalhou como vigia e engraxate antes de ser contratado aos 12 anos, por um pequeno açougue na 312 Norte. Durante o tempo em que morou nos fundos da loja, lia para passar o tempo e acabou apaixonado pelos livros. Em 1994, conseguiu comprar a loja e instalou uma estante com dez livros para emprestar e arrecadar doações e transformou-a no primeiro AÇOUGUE CULTURAL DO MUNDO. Ele conta que no começo foi difícil porque as pessoas ironizavam a idéia de um “açougue cultural”. Teve também, uma dificuldade com próprio Estado, quando a Vigilância Sanitária fechou o T-Bone por causa dos livros, que chegou a ter er um acervo de mais de 10 mil livros. No final de 2002, abriu a biblioteca comunitária na SQN 712/13, uma casa com mais atividades culturais e 45 mil livros à disposição da comunidade. (Leia mais)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sobre amor e iniquidade

“E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará” - palavras de Jesus no evangelho de Mateus, cap. 24, versículo 12 - falando sobre as coisas que aconteceriam nos últimos tempos.
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Gosto de ruminar as Escrituras. A Bíblia é uma grande fonte de inspiração e de edificação para a vida de qualquer pessoa. É um livro e tanto! Curiosamente estive pensando nesse texto de uns dias para cá. Que me desculpem os exegetas de plantão mas eu gosto de me arriscar a pensar sobre as coisas nas quais se baseiam a minha fé. E esses dias, fiz uma reflexão sobre o texto do início do post - lancei mão de toda a "minha" hermenêutica e veja só no que deu: mais pulgas para bem detrás das orelhas...
É que o texto (conforme eu aprendi nos 10 anos em que vivi inserida no contexto "evangélico") parece que segue uma ordem lógica de: primeiramente a iniquidade se multiplica e depois o amor se esfria. Penso que Jesus estava querendo dizer exatamente o contrário! Quando amor se esfria é que a coisa toda desanda. Comentei com a Neguinha. Comentei com a mana também. Elas também ficaram pensando...
Para mim é o amor que sustenta todas as coisas. Enquanto houver alguém disposto a "pagar o preço" - esse é um chavão evangelóide bem conhecido - o barraco não desmonta! E amor, no meu dicionário rima mais com atitude do que com palavras românticas bem-intencionadas (li um autor que dizia que de "boa intenção" o cavalo de Tróia estava cheinho...). A falta de amor é que faz com que a iniquidade se multiplique. Quando os primeiros gestos vão se perdendo, as primeiras obras vão caindo na rotina (entenda-se no caso do contexto eclesiástico: ROTINA=RELIGIOSIDADE), o sentido das coisas que fazemos vão se esfacelando... o que sobra é a iniquidade mesmo. Eu sei que esse é um termo bíblico teologicamente definido mas deixe eu tentar traduzir em miúdos o que vem a ser "iniquidade" num mundo como esse em que vivemos: I-NI-QUI-DA-DE hoje, sinônimo de indiferença. Olha!!! Mas não é a IN-DI-FE-REN-ÇA o antônimo de AMOR (e não o ódio, como podemos ser levados a pensar)??? Bingo! Iniquidade então é o não se importar, não se comover, não sentir compaixão, não fazer nada para mudar a realidade - mesmo que microscópica - dura em que se vive hoje em dia... e muito mais (des)atitudes que cabem dentro do significado.
Jesus, creio eu, não não fez apenas uma inversão de PALAVRAS (e Ele é mestre nas palavras, o próprio Verbo-Vivo de Deus). Minha intuição teológica (subversiva) me diz que Ele quis ilustrar a inversão de valores do final dos tempos (e diga-se de passagem, todos os dias nós vivemos um Final dos Tempos particular porque não sabemos exatamente quanto TEM-PO ainda nos resta por aqui). No sentido mais prático: você deixa de amar e logo nada mais importa (ou você não se importa com mais nada!). Fica indiferente. Sabe o que é certo mas resolve fazer o errado. Tem grandes tesouros nas mãos mas resolve jogar tudo pro alto. Possui habilidades fantásticas mas faz tudo de qualquer maneira. Nada te falta materialmente mas você nunca se sente satisfeito. Por aí vai...
Isso te lembra alguma coisa ou alguém? Pois a mim, lembrou a cara pálida que eu vejo todos os dias em frente ao espelho! A reflexão sobre final dos tempos era pra mim mesma!
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E no mais, o susto, eu levei ainda tempo de consertar algumas coisas... Meu Deus!!! Quase deixei de amar!!!

Chatice minha de cada dia

>>> Esses dias eu estava arrumando umas coisas pra um evento da escola e ouvi uma pessoa dizer sobre mim:
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"- Nosssa! A Viviane é muito crítica!"
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Permita-me discordar e retificar: EU NÃO SOU CRÍTICA. Eu sou é CHA-TA mesmo! Crítico é quem ganha dinheiro sendo chato. Tá cheio de gente assim nas revistas, nos jornais, na TV. Não ganho dinheiro nenhum (ainda) fazendo as minhas piadas. Sou chata... e só.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da tragédia e da beleza

*** Por Rubem Alves.
Toda pérola esconde uma dor no fundo de sua beleza. Ostra feliz não faz pérola. Ostra que faz pérola é uma ostra que sofre. Porque a pérola, lisa esfera sem arestas, a ostra produz para deixar de sofrer, para se livrar da dor das arestas de um grão de areia que se aninhou dentro dela. Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos.
(...)
A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas.
(...)
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Então... Estou megaapaixonada pelos escritos de Rubem Alves. Não é crítico nem cientista - nem teórico - ele é poeta. Ouvia falar muito dele, lia alguns trechos mas os livros mesmo vieram parar na minha mão por acaso, no dia em que entrei em uma livraria depois do almoço pra..., pra...- mas o que fui mesmo fazer lá??? Nem lembro. Sentei com a Lya em uma das mesas e ficamos conversando sobre as nossas insanidades (mais minhas do que dela - a Lya é uma "certinha ortodoxa"). Não acredito em acaso, coincidência. Quer dizer - acredito e não acredito! Neste caso não creio que tenha sido mera coincidência que aqueles livros com exatamente aqueles conteúdos tenham "saltado" diante dos meus olhos de maneira tão evidente. Observei os livros sobre a mesa - do Rubem Alves - e fui folhear. Algo me atraiu automaticamente e acabei levando dois dos quatro volumes naquele dia e mais dois na semana seguinte, tão forte foi a identificação com o autor.
O trecho acima eu retirei de um livro chamado Pensamentos que penso quando não estou pensado. Olha só que coisa! Ele joga muito com as palavras, conta histórias, trabalha com imagens, com memórias pessoais, co citações - e fui vendo que o meu próprio estilo de escrever é muito parecido com o dele... fiquei comovida! Algumas citações e frases que até já utilizava mesmo sem nunca ter lido livros dele até então. Essa história, da "formação" da pérola mesmo - eu constumava contar às pessoas que estavam passando por lutas e dores. Pra quê? Pra nada! Talvez pra tentar inspirar um pouquinho que fosse de dignidade, de esperança no meio das crises. Não gosto da postura derrotista. Acredito - mesmo - que enquanto a criatura está respirando ainda tem jeito! A gente sempre encena tragédias, é bem verdade. Maior parte da nossa vida passamos tentando aliviar as dores que vem em consequência das nossas escolhas ou das atitudes das pessoas com relação a nós (os nossos pais, amigos, colegas de escola, de trabalho...). Mas, e daí? É só isso mesmo que a gente recebe da vida? Tem uma parte do texto que eu não postei; ela fala sobre o teatro grego - da tragédia, especificamente. Os gregos eram experts transformar as cenas reais das intempéries da vida em grandes espetáculos trágicos. O que prova que eles conseguiam extrair das tragédias um "sumo" de beleza, ao invés de se entregar ao derrotismo, ao negativismo.
Então... "Ostra feliz não faz pérola!" Impressionante isso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É a furiosa paixão de viver que dá sentido aos meus dias.
***Albert Camus

domingo, 22 de novembro de 2009

One

Blog, meu querido blog... Um aninho!!!!!
Nasceu de uma dor, assim como as pérolas nascem da ostra tentando se livrar do grãozinho de areia que lhe provoca dores com suas arestas... Se não consegue se livrar das dores, pelo menos das arestas... e aqui tem sido um espaço onde eu aparo algumas arestas. Ano passado, como já citei, foi um ano muito dolorido. Essa época do ano então, eu 'tava numa de horror, precisando de uma válvula de escape, um lugar onde eu pudesse simplesmente depositar algumas palavras, algumas sensações, alguns incômodos...
Deu certo! O blog do Rafael Cortez serviu-me de fonte de inspiração primeiramente. Também o na época recém-inaugurado blog da maninha "diminuta" e o da prima Kézia (esse já tinha uma estrada). Devidamente instalada em frente ao nosso PC, as idéias foram surgindo, as postagens foram crescendo em seriedade e em infinitas bobagens também. Sempre escrevi diários - enchia cadernos e mais cadernos e depois jogava tudo fora. Pra escrever aqui eu tenho um pouquinho mais de cuidado, selecionar melhor as histórias... É como escrever um livro aos poucos e já ir publicando - página por página... Primeiramente pra mim mesma eu escrevia; depois foram se achegando os primeiros seguidores e eu - analfabeta funcional em assuntos de tecnologia - fui aprendendo a mexer no layout, acrescentar marcadores (mas isso me rendeu a infelicidade de deletar alguns posts), colocar fotos, vídeos, músicas, adicionar hiperlinks... ufa! Foi um ano bastante intenso. No blog e na vida real.
Gosto daqui. Continuo escrevendo primeiramente pra mim (um pouco de narcisismo e egocentrismo, eu sei) pelo simples prazer de escrever mesmo. Gosto de ler as postagens antigas e RE-sentir os momentos, as idéias... Tudo aqui é muito verdadeiro, no sentido mais RubemAlvesano que a palavra VERDADE pode ter - a verdade nascida do desejo, dos sonhos, das dores, das alegrias e dos amores que fazem parte da vida de qualquer pessoa...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prometi uma semana sem ler livros... Umazinha, só pra ver...
Já no primeiro dia, traí a mim mesma: folheei e acabei lendo alguns capítulos de um volume infanto-juvenil.
Droga!
Acabei por desistir da promessa.
Faltou força de vontade...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

“Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que odeia são enganosos”
(Pv. 27. 6)
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Estive pensando sobre...

Sobre sonhos, terra prometida e um ano de blog...

Esse mês o blog completa(mos) um ano de histórias... Da primeira postagem pra cá muita coisa acontedeu, muita inspiração, suor e lágrimas foram tranformadas em palavras e escritas aqui neste espaço.
Das muitas motivações que eu tive para começar a escrever num blog, dois sonhos que tive mais ou menos nesta época, no ano passado, me renderam o nome: Viviane Zion. Abre parêntese. Meus sonhos quase sempre trazem uma mensagem. Vale a pena prestar atenção neles, por razões que eu não vou colocar aqui porque consumiria tempo e uma capacidade de explanação (nem sei se é assim que se usa essa palavra) que não possuo. Fecha parêntese. Então... esses dois sonhos foram especiais; foram bem diferentes - primeiro porque eu me lembro detalhadamente de cada um deles com direito às sensações. Depois, porque eles me deram uma noção de sequência: o segundo complementava o primeiro - e isso me deixa bastante impressionada ainda hoje!
Certa vez, alguém me perguntou sobre o que significa ZION. Zion é uma antiga palavra hebraica que significa: local de refúgio ou santuário. Por isso o nome do blog, que eu adotei pra mim. Viviane é meu nome mesmo, de batismo. Zion por causa da cidade de Davi, um lugar de refúgio. Viviane, filha de Sião. Eis o nome! Profundo significado...
No primeiro sonho, uma jornada longa e árdua. Uma subida interminável carregando um peso superior ao do meu próprio corpo. Depois de várias fases, uma muralha para escalar - ainda carregando o "fardo". Lá em cima a compensação pelo penoso trabalho: lembro que no finalzinho do sonho, já de pé sobre a muralha e sem o peso nas costas eu dizia: "quando passarmos pro outro lado, estaremos em Sião!" Apesar de não ver ninguém ao meu lado, sabia que não estava só. Um pulo e a mudança. Em Sião eu pude ouvir som de alegria e sentir a chuva cair molhando o meu rosto. Era tanta dança e som de tambores e festa que ainda hoje, fechando os olhos eu consigo chamar de volta à mente aquelas imagens que não pareciam nada irreais. Não foram sonhos comuns...
O outro sonho foi em outra noite mas sei que estão intimamente ligados. Tem coisas que a gente sabe "porque sabe" - não tem necessariamente a ver com conhecimento formal, racional! Éramos "nós" também. Dessa vez eu vi a pessoa que estava comigo por visão periférica. Hoje eu sei quem é e o lugar onde estávamos - olhando uma árvore que parecia não ter começo nem fim, de tão alta e tão frondosa. Cheia de frutos. Grandes, pequenos, em flor... Maduros, verdes, amarelados... E era calmaria. Chuva fininha caindo depois do que penso ter sido uma forte tempestade. Chegamos à terra prometida: a Sião.
(...)
Suspiro profundo.
Me sinto como José, o príncipe do Egito, que suportou o cativeiro tendo como "garantia" apenas dois sonhos que teve ainda na casa de seu pai...
Sem mais por hoje.
=)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

(...) no mundo marcado pela produção o amor é caçado como subversivo.
(Rubem Alves)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

(...) Curioso, mas até hoje não soube que um poema tenha gerado ortodoxias ou inquisições. Talvez a palavra de um poema seja diferente da palavra da verdade. De fato, não se exige de uma declaração que se afirma verdadeira que ela seja bela, e nem de um texto belo que ele seja verdadeiro... Jogos diferentes. . . . No jogo da verdade, exige-se que o falado seja um reflexo/ imagem da coisa sobre que se fala. E da fidelidade desse reflexo dão testemunho aqueles que têm a última palavra. Os que vêem diferentemente e não concordam são silenciados e declarados amigos do erro. . . . No jogo da poesia, entretanto, as regras são outras. O que se pede de cada palavra é que ela seja uma confissão, e que, juntas, formem uma rede simbólica capaz de acolher o outro também. Poemas são estruturas verbais boas para que nelas os outros também se abriguem. . . . (...) . . . É que a verdade habita o mundo do determinismo e os poemas constituem o mundo da liberdade.
(Rubem Alves, em Variações sobre a vida e a morte ou O feitiço erótico-herético da teologia)

domingo, 15 de novembro de 2009

Lambada de Serpente Djavan e Cacaso
cuidá dum pé de milho, que demora na semente
meu pai disse meu filho, noite fria, tempo quente
lambada de serpente a traição me enfeitiçou
quem tem amor ausente já viveu a minha dor
no chão da minha terra, um lamento de corrente
um grão de pé de guerra, pra colher dente por dente

Mana é demais!

A mãe aproveita que domingo a gente 'tá em casa pra descontar a falta da semana toda...
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...e blábláblábláblábláblá... o dia IN-TEI-RO!
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A mana não deixa por menos:
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-"Mas, quanto é que será uma passagem pro Alaska mesmo?????"
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(kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! =P) Ela é demais!

Aniversário da Neguinha! *-*

Hoje é dia de assoprar velinhas. Uma das criaturas mais marrentas que eu conheço completa mais uma primavera... Não gosto de prestar homenagens no blog quando o assunto é aniversário. Como eu sempre esqueço das datas, das comemorações, de tudo (...) - o risco de ser injusta com alguém é muito grande, considerando que todos são importantes.

Mas essa música é que é especial, me faz lembrar dela e da trajetória de uma amizade que poderia muito bem ter sido completamente pulverizada se não fossem os "laços" invisíveis que unem as pessoas, as voltas e reviravoltas que a vida dá, somadas às NADA-coincidências que nos atropelam nos relacionamentos que "travamos" todos os dias... Sem mais.

Ketyllen, só queria repetir: você é muito importante na minha vida! Pra relembrar dos velhos tempos... Espero que goste da versão.

Li isso em algum lugar...

(...) E as crianças não se conformam com este mundo, seguindo a admoestação de Paulo, e, lá no fundo, ficam repetindo que "aquilo não é verdade" (Bloch). Não é possível que a seriedade e a crueldade adulta sejam aquilo de mais alto que a vida pode nos oferecer.
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Suspiro triste. Ponto de exclamação. Será que o meu desencanto com a humanidade um dia passa?
=(
Nem Zion nem Viviane sabem a resposta...

sábado, 14 de novembro de 2009

Nostalgia do exilado

Amo essa música (FIX YOU). Amo Coldplay e nem sei porque. Talvez seja o timbre de voz do vocalista, que é realmente marcante. Talvez porque quando ouço a música dos caras eu fico querendo voltar a tocar, a cantar a "fazer" música... sei lá! Hoje de manhã, peguei o violão e fiquei um tempinho dedilhando umas antigas, do tempo das bandinhas de Rock - e pasma - descobri que ainda sei tocar o solinho de Nothing else matter. Isso é que dá querer tudo, gostar de tudo, me interessar por tudo: a realidade é que não se pode (mesmo) ter tudo e vive-se uma certa "nostalgia do exilado" (e não me pergunte o que quer dizer isso, que não saberia definir bem - não hoje). O que eu gostaria de dizer hoje não cabe em palavras. As sensações são mais fortes do que a minha eloquencia. Talvez essa música consiga transmitir um pouquinho do que se passa comigo (agora).
O clip original não dá pra colocar aqui Tá bloqueado no Youtube. Compensa ir até lá e ver - legendado.
(Essa versão é muito boa também).
When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse.
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worse?
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
And high up above earth or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
Tears stream, down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face and I...
Tears stream, down your face
I promise you, I will learn from my mistakes
Tears stream down your face and I...
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you.
"Não tenho ensinamento nenhum a transmitir... Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo"
(Martin Buber)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tava assistindo (com a mana) dia desses uma entrevista com o Tony Ramos. Ele dizia a certa altura que "a gente vive num mundo em que é preciso ser muito macho pra ser correto".
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[É... neste sentido acho que sou muito "macho" mesmo...]

Depois a louca sou eu 33 e 1/3...

Entonces... a semana foi dura. Generosa continuidade da outra - duríssima. Idéias e lágrimas rolando fartamente. Risadas também. A gente se "fode" mas se diverte! Tenho lutado contra o BOI! O malfadado BOI-cote dos últimos dias. Tinha o costume de dizer que os leais-amigos que tenho são contabilizados nos dedos das minha mãos (da direita ou da esquerda - ou uma ou outra - jamais das duas). De uns dias para cá o estoque teve baixa: posso contá-los agora na mão do Lula (aquela que falta o "mindinho") ou na mão do E.T. do filme do Spielberg. Plena fase do "Gillette pouca; meu bigode primeiro!"
Dias atrás fui à casa de uma amiga combinar os detalhes de um evento marcado há quase um ano. Ficou tudo acertado. 24 horas depois ela me liga dispensando os meus "préstimos". Mudou de idéia. Engraçado que as pessoas combinam compromissos cara a cara, prometem mundos e fundos, fazem caras e bocas para em seguida - veja bem, a mudança ocorreu não em quase 12 meses de palavra empenhada mas em apenas VINTE E QUATRO HORAS! - lançarem mão da tecnologia (no caso o telefone) para DES-combinar e DES-tratar tudo! Humpf...
Esse tipo de atitude faz com que eu evoque todos o palavrões do meu já-quase-extinto dicionário! Veja bem, vou repetir sem medo de ser redundante: um ano de compromisso selado e confirmado (cujo benefício maior era dela - e não meu), SÉCULOS de amizade e... um TE-LE-FO-NE-MA pra dar a notícia do maior BOI-cote que eu vivi neste ano! E olha que ela me pediu pra não ficar triste... Sinceramente, a minha tristeza já evoluiu para um estágio de RESIGNAÇÃO e PERPLEXIDADE tão grandes que eu (já) não me espanto com (quase) nada nesta vida.
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E no mais, como diz a minha maninha "diminuta", o verbo SUR-TAR (no pretérito perfeito) não se conjuga na 1ª pessoa...
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Tu surtaste
Ele (ela) surtou
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Vós surtastes
Eles (elas) surtaram
Gracias, sr. Sete!

Eu fico com a pureza da resposta das crianças...

É mais ou menos isso... Passei uns dias fazendo um pequeno teste pra saber a quantas anda a minha vaidade e aparência. Abandonei cremes anti-isso-anti-aquilo, a chapinha, maquiagens e demais recursos "tapeatórios" comuns ao mundo das mulheres e dos METRO-sexuais. Cara lavada, xampu, creme de cabelo e de pele, escova e pasta de dente - só! Nem batom.
O mundo adulto cagou e andou. Se alguém percebeu alguma coisa, não teve coragem de falar. Curiosa mesmo foi a reação das crianças (meus alunos das diversas idades): vários me elogiaram, dizendo "como eu estava bonita" e coisa e tal durante os dias de abstinência. ^^
Ficou mais claro ainda pra mim: é mais desejável a feiura sincera do que a beleza falsa (pelo menos para as crianças).
Por Zion, agora, devidamente restabelecida ao mundo dos cosméticos...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Atividade cerebral intensa...

Idéias não são objetos que carregamos em nossos bolsos cerebrais. Elas são surpresas que nos ocorrem inesperadamente, como aquele palhaço que pula repentinamente de dentro da caixinha de música... E elas se apropriam do nosso corpo, a despeito da nossa resistência, como se fossem espíritos mais fortes que nós.
(Rubem Alves)

Protesto do fundo do "peito"...

Tava aqui pensando (redundância)... A vida não é justa (maioria das pessoas não gosta quando falo assim)... Mas veja bem (pausa grave): minha mãe contou meses atrás sobre uma prima nossa, mais ou menos distante, que estava se sentindo meio "diminuída", andava meio cabisbaixa por causa do tamanho dos seus seios. Abre parêntese. Diz um certo amigo meu que a "comparação é prima-irmã da inveja". Fecha parêntese. Então... a menina andava depressiva, triste, envergonhada diante das colegas (peitudas) da faculdade por causa do busto DES-avantajado. Novo parêntese. A génética foi muito benevolente com as mulheres da família da minha mãe, sob alguns aspectos: pernas torneadas, cintura fina, quadris largos, pele resistente às rugas e demais sinais da idade, de forma que de maneira nenhuma se aparenta ter a idade que tem... Entretanto, em matéria de SEIOS... Bem, este não é o nosso principal atributo. Geralmente nossas parentela feminina desenvolve plenamente as mamas após ter filhos (como no caso da minha mãe). A nós outras, ainda não abençoadas com o privilégio da maternidade, restam os sutiãs de enchimento pra dar um voluminho extra nas blusas. Fecha parêntese.
O fato é que a vovó da moça, comovida com o mal-estar provocado pelos não-peitos que ela tinha, desembolsou certa quantia para que esta fizesse a cirurgia para a implantação das próteses de silicone. Problema resolvido. Auto-estima elevada. Família feliz. Você me pergunta então o que a IN-justiça da vida tem a ver com isso ou comigo... Respondo: a pós graduação dos meus sonhos custa mais ou menos o equivalente ao valor dos "peitões" da minha prima. E eu sinceramente ando bastante complexada com o fato de ter conhecimento, experiência e vocação para uma área - maaaaaaaaaaaaaasss... ainda não ter o diploma que me abra portas mais largas, profissionalmente falando. Abre parêntese outra vez. Não recrimino nem acho absurdo. Seja ela feliz com o silicone e tudo mais. Fecha parêntese. Mas fica aqui o apelo. Quem sabe alguma alma boa não se compadeça e resolva empilhar algumas centenas de garoupas afim de que a deprimida Pedagoga aqui tenha muito mais que a sua auto-estima elevada?
^^

Rubem Alves me socorra II

Kant. O imperativo categórico. Dizer a verdade sempre. Batem à minha porta. Abro. Uma pessoa em pânico. Pede abrigo. Está sendo perseguida por qlguém que deseja matá-la. Escondo-a. Dentro de poucos minutos batem de novo. O possível criminoso. "Entrou, por acaso, aqui, há poucos minutos, uma pessoa...?" Que digo? Kant responde: "A verdade, qualquer que seja o seu preço. Consistência absoluta." Kant era um bom protestante. Sabia o que era a verdade e quais eram as suas exigências. Que teria feito quando tropas da Gestapo procuravam por judeus, escondidos em casas onde se julgavam protegidos pela compaixão? A consistência não conhece a compaixão.
(Livro e autor já citados em post anterior)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os ares podiam me poupar de alguns vexames...

Ando sem tempo e sem disposição para postagens. Irritada com algumas contrariedades, extremamente dolorida por causa dos treinos exaustivos, com a cabeça cheia de planos, idéias e vontades (algumas DES-vontades também). Apesar disso tudo o meu cansaço acabou! Não tô cansada. Não mesmo. Bem disposta fisicamente, até! E isso é ótimo, porque no ano de 2009 eu tinha como uma das metas, simplesmente DES-CAN-SAR! Nada de projetos faraônicos, nada de grandes "responsabilidades" (quem me conhece há mais tempo, que traduza BEM o que isso significa na minha vida), nada de levar (todo) o mundo nas costas ou resolver as grandes questões da humanidade - nada disso! Eu queria descanso (físico e mental)! Era isso. Consegui em parte porque, o corpo até que consigo disciplinar bem mas a mente... ela não pára nunca e me deixa louca!!! Se o meu querido blog anda meio carente das minhas insanidades, não é por falta de assunto nem de inspiração, é que a sensação de urgência anda cada vez mais latente na minha vida e parar na frente de um computador nestes dias não tem sido a minha prioridade! E tô me dando ao luxo de ficar em silêncio também - aliás, era outra meta para este ano. Tenho o direito a não-resposta, à não-reação (externa, pois dos "interiores" só eu e Deus sabemos)...
No mais a vida segue o curso. Voltei ao meu laboratório. Saí pra ver gente, conversar com gente, apreciar gente. Conheci um fotógrafo do RJ, que parou a GENTE (eu e minha amiga) no meio do Parque pra contar uma história muito engraçada sobre outro fotógrafo também do Rio. Sei nem o nome. Do mesmo jeito que entrou na conversa - saiu sem nem se apresentar mas deixou o rastro de boas risadas. Bem na semana que eu notei que estava cansada de chorar... E toca de conversa depois disso (eu e a Lya) a tarde toda sem pressa de olhar no relógio. Vida maluca essa nossa. Domingo passado caí na besteira de entrar em uma livraria depois do almoço. Gastei os últimos trocados que eu tinha em livros (o meu vício). Uns achados! Na volta, dentro do ônibus acabei "devorando" um deles. Qualquer dia posto alguma coisa sobre (ou não).
No mais, é muito trabalho de fim de ano, planos pras viagens (ou não-viagens) de férias - essa semana eu tomei um banho de DESLEALDADE de uma pessoa que eu tinha em alta conta em minha vida (outro baque, outro toco, outro motivo pra chorar... e gente "boazinha" só se f#d& mesmo), e mais choro, e comida mexicana com a mana, e cafeteria, e casa da Amiga e do Cunhado, e telefonema da Neguinha, telas pra pintar, o Miguelzinho que nasceu e eu ainda nem fui lá ver, e treino, treino, treino - 100, 200, 300 abdominais + sei lá quantas flexões, "jeb"-direto-cruzado-"upper"-suingada-e-chute, e mais choro - de vez em quando entrecortados por boas risadas também, que eu não sou de ferro, e uma falta e uma saudade que não passa, uma ferida aberta que parece que não fecha nunca, uma sensação de não ter pátria, de incompreensão que me acompanha desde que eu me entendo por gente, e por aí vai... (...) Se eu tenho certeza de alguma coisa na minha vida é que EU NÃO POSSO PARAR! Só isso. Enquanto sofro, amo. Enquanto penso, ajo. Enquanto descanso, trabalho. Enquanto respiro, inspiro. E que venha sempre um dia depois do outro - bem-vivido, que é pra não ter do que reclamar depois.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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