sábado, 31 de outubro de 2009

Sinto sua falta...

Da última vez que a vi, estava "daquele jeito"... Encolhida num canto, olhar parado... dava 'té medo! Fiquei ali um tempo observando. Cheguei perto e disse, resoluta: "- Reage!" Era quase uma ordem mas... nada! Da segunda vez foi um pedido humilde, de quem sentia falta daquela alegria, daquela vitalidade tão característica, perdida desde sabe lá quando:
"- Reage..." Olhou pra mim e simplesmente esboçou um sorriso. Ver o esforço dela me fez mal. Doeu em mim, mais ainda... Na terceira vez o pedido soou como uma súplica meio sussurrada, pois eu tentava conter as lágrimas que vinham chegando à tona, com muita força: "- Reage, por favor..." Ela não disse nada. Se encolheu abraçando as pernas, escondeu a cabeça entre os joelhos e desatou um choro "sentido"... um choro de minutos, horas, dias e anos. Depois levantou (muda) e saiu. Não sei para onde foi mas sei que volta; ela sempre volta! E volta nova, inteira, diferente... Tomara volte logo. Sinto falta dela.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"A valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens." (Karl Marx)
>>> sem mais, é isso! importei do twitter da Eveline Siqueira (SENTA QUE EU TE CONTO).
tem na minha lista de indicações

Problema, paradoxo, perplexidade... e FÉ

Quer uma resposta pronta?
Quem quer resposta pronta não encontra no cristianismo seu melhor caminho. Depois de seguir o Eclesiastes em sua peregrinação existencial, peço licença para refletir sobre três dimensões da vida, três modos de viver. São as dimensões do problema, do paradoxo e da perplexidade, que me foram ensinadas por Osmar Ludovico.
Estamos na dimensão do problema quando tentamos controlar o mundo e a vida como se fossem uma máquina com engrenagens a serem ajustadas ou modificadas. Estamos mais acostumados a tratar a vida assim. Se o carro está com problemas, procuramos um mecânico. Se o problema é pneu, procuramos o borracheiro. Se o coração já não bate como deveria, rocuramos o cardiologista. É simples. Esses profissionais sabem como as coisas funcionam. Eles identificam o problema, trocam ou consertam a peça com defeito e tudo volta ao normal. Nem sempre o problema se resolve com uma peça nova ou com remédio. Se o problema é auto-estima, só precisamos ouvir com atenção para identificar a emoção danificada e propor rotinas mentais para restabelecer a ordem. Nesse caso, não há ferramentas, mas a ideia e a mesma: identificar a engrenagem faltosa e substitui-la. Por etarmos acostumados a essa dimensão, tendemos a tratar tudo da mesma maneira, colocando no mesmo saco carros com defeitos, pneus furados, corações descompassados e emoções desvirtuadas. Problema identificado, prescrição feita, problema resolvido. Mas o mundo não é tão simples assim.
Na dimensão do paradoxo, percebemos que no mundo há verdades contraditórias - pelo menos na aparência - e que não se pode eliminar nenhuma delas. Por exemplo, há quem queira abrir mão da justiça de Deus e ficar com seu amor. Há quem queira abrir mão do amor de Deus e ficar com sua justiça. Mas a Bíblia insiste que Deus é amoroso e justo, e não temos a opção de ficar com uma coisa ou outra. Em outras palavras, coisas que parecem contraditórias precisam andar juntas. Deus perdoa e sua graça é abundante, mas isso não quer dizer que ninguém será julgado e condenado. A Bíblia insiste que haverá condenados, apesar da graça e do perdão de Deus. Parecem coisas contraditórias, mas ambas coexistem sem problemas dentro de Deus.
Na dimensão da perplexidade, é mais fácil compreender do que explicar. É muito mais natural compreender os efeitos de um beijo de amor mas é muito difícil explicar os sentimentos e sensações. Por um lado, a experiência é clara e bem definida. Por outro lado, descrever a experiência não faz o ouvinte eperimentar as mesmas sensações. A perplexidade é a dimensão em que há admiração, êxtase, alegria. Diante de um pôr-do sol, de uma obra de arte ou da pessoa amada, não estamos lidando com problemas ou paradoxos. Estamos perplexos.
Temos que aprender a viver nas três dimensões, e não apenas (em) uma delas.
A linguagem do problema é a linguagem do engenheiro, do físico e do matemático. A linguagem do paradoxo é a do filósofo, do teólogo e talvez até do psicólogo. E a linguagem da perplexidade é a linguagem do poeta, do amante, do afeto; é a voz do coração, do encantamento, do deslumbramento e do queixo caído. Algumas coisas podem ser organizadas e administradas na dimensão do problema, outras na dimensão do paradoxo, mas há coisas com as quais lidamos apenas na dimensão da perplexidade.
Somente a nos faz caminhar entre os problemas, paradoxos e perplexidades sem muito risco. O universo é inteligente porque Deus é racional, mas é preciso ter fé nessa racionalidade para compreender o cosmos. A vida está cheia de eventos aleatórios, e é preciso ter fé para conviver com o aleatório.
De que nos valemos na perplexidade? Da fé. Em que termos afirmamos que obedecer aos mandamentos de Deus é um caminho de vida? Nos termos da fé. Porque afirmamos que a Bíblia Sagrada é revelação de Deus aos homens? Por causa da fé. Como dizemos que por trás de todo esse universo existe um Deus? Com base na fé.
Tenho sempre a impressão de que estamos sempre correndo, só para constatar o óbvio: só nos satisfaremos na vida vivendo em fé. Somente vivendo em fé somos completos e experimentamos tudo o que a vida tem para nos dar. É por este motivo que a Bíblia ensina que "sem fé é impossível agradar a Deus", pois, "é imprescindível que aqueles que o buscam creiam que ele existe e que é bom (Hb 11:6).
Assim, vou viver e pensar, mas refletir de maneira humilde. Vou viver e me entregar à vida, mas pedir a Deus que modere minha coragem de viver. Vou viver, mas em temor a Deus e andando com reverência diante dele. Vou viver e me submeter a ele, mas de maneira inteligente com o que aprendo na Palavra. Vou viver e crer que, por trás de todas as realidades, há um Deus. É nesse caminho de fé que pretendo encontrar meu próprio caminho.
Resposta pronta é exigência de quem ainda tem medo de viver por fé. O Eclesiates não era medroso. O Eclesiastes não era covarde.
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia
>>>
Capítulo final. Palavras finais. Caiu em minha vida (o livro) - circunstância melhor não haveria. É sobre espiritualidade, apesar de já ter postado alguns trechos, não sei se ceguei a comentar sobre o conteúdo. Mistura de teologia com filosofia, com um tanto das vivências pessoais do autor; ele fez uma compilação de mensagens de um estudo ministrado por ele, estudo esse que foi resultado de um questionamento de uma adolescente (que eu suponho ser a sua própria filha) acerca do "sentido da vida". É um daqueles livros que me envolvem tanto que eu acabo pensando - muito pretenciosamente - que até poderia ter sido escrito por mim.
O fato é que as interpretações que ele faz, as reflexões sobre a vida, sobre as coisas materiais, sobre os relacionamentos (e essa parte é a que mais me interessa na maioria dos livros que leio) são inquietantes e ao mesmo tempo confortantes - um PARADOXO! A minha estrutura "religiosa" terminou de ser pulverizada. O que me parecia claro, ficou mais ainda evidente - e mais ainda incompatível com a estrutura eclesiástica (bem no sentido grego de "assembléia", "reunião solene" contra a qual eu tanto luto. A lógica perdeu completamente a lógica mas de alguma forma entrou no eixo porque a leitura veio a calhar no justo momento em que as minha convicções são provadas. Um PROBLEMA.
Fora da proteção, das 4 paredes é que se prova a base sólida. O que parece não ter lógica nem nexo, me parece muito coerente agora. Não por causa do livro mas toda a circuntância ao meu redor. Eu até escreveria mais mas no momento, estou em plena estação da PERPLEXIDADE.
Sabe o que me sustenta em meio a isso tudo? Tá fácil! Chuta...
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>>>>> FÉ! <<<<<

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Para a "Neguinha"

>>> Tava aqui pensando... Eu tenho uma Neguinha na minha vida, que é dessas Neguinhas assim mesmo com N maiúsculo! Dessas amizades de longa data, de desde sempre, não de circunstância nem de qualquer hora... Já brigamos muito! Já andamos juntas. Já andamos separadas. Mas quando a ligação é forte, não há quem desate o laço! Não é me desfazendo nem desmerecendo os meus amigos (e amigas de todos os tempos, modos e lugares): amo particularmente cada um em sua singularidade mas falemos francamente, neste mundo onde as pessoas se tornam (curiosamente) muito parecidas umas com as outras em suas escolhas e atitudes, qualquer gesto nobre sobressai. E esses dias para a minha felicidade, as circunstâncias adversas da vida (minha e dela) nos colocaram novamente ombro a ombro. Quem diria que faríamos uma parceria novamente... Foi um desabafo - para ambos os lado - o que me incomoda e o que incomoda a ela! Pedi ajuda (a gente tem que ser humilde mais vezes... faz bem), expliquei os termos, os riscos, as vantagens (na verdade, nenhuma - coisa pra maluco mesmo) e ela topou: "tô contigo e não abro"! Fazia tempo que eu não sentia tanta firmeza na atitude de uma pessoa! Quando ninguém queria se compromenter nem se envolver, ela foi capaz não só de estender a mão mas se doar 100% sem exigências, condições nem expectativa de receber nada em troca. E belo dia, em plena madrugada eu recebo uma mensagem de texto - dela (!), dizendo o seguinte: "O FARDO ESTÁ PESADO MAS EU ANDO CONTIGO QUANTAS MILHAS VOCÊ QUISER". Precisou mais de nada. Engoli o choro e dormi tranquila porque os próximos dias seriam, com certeza menos, traumáticos com ela por perto. Ela não abre guarda! Tem uma das qualidades mais impressionantes em uma pessoa >>> LEALDADE (tem um bocado de defeitos também, alguns bem irritantes - isso pra não ficar aqui só "enchendo a bola dela"!) =P . Mas a Neguinha morre mas não rói a corda! Passa sufoco mas não volta atrás na palavra dada (ela deve ter aprendido com alguém muito "turrona" também, rs)! Eita bichinha dura na queda!!! Sorte a minha.
Ela tem me dado um "suporte" esses dias. E olha que os dias têm sido difíceis, exatamente como tinha de ser. Ela sabe, eu sei, nós sabemos (...) - compramos uma briga séria em meio a uma tribulação que parece que não finda nunca! Eu já deveria ter me acostumado com o caos repentino que cai sobre mim de tempos em tempos. Parece que quando uma coisa começa a desandar, todas as outras embarcam na "deixa" e resolvem degringolar também. Se eu perder a paciência, perco as batalhas - todas! Sigamos em frente... Quando a coisa apertar, pelo menos somos duas.
Por hoje, eu só queria (mesmo) agradecer a Deus pela vida dela!
>>> esse eu importei do blog do arte-educador Giuliano Tierno.
O menino que chorou verdade
Ele olhava para algodão e via feijão. Um dia caminhando por um campo de plantação de algodão ficou com medo de tanto feijão que poderia dali nascer. Quando sonhava-algodão-nuvem-do-céu sua cabeça pensava feijão. Quando comia algodoava-seu-paladar. A professora-da-escola-verdade ensinara que no fundo dos copos cobertos de algodão-fertilidade nascia feijão. Era preciso cuidar! O menino tinha medo de cuidar. Achava que tudo que era cuidado viraria feijão. E ele mesmo não gostava de comer feijão. Havia uma comida que na vida de todos que ali viviam era A Verdade: arroz com feijão! Mas o menino não gostava de comer verdades. Ele gostava de inventar verdades. Um dia o menino cresceu tanto que descobriu verdades. Descobriu que feijões não nascem de pés-de-algodões ou copinhos úmidos-de-mentira. Descobriu que brotar não é amadurecer e colher. Descobriu que brotar podia ser mentira. Descobriu! Tirou a coberta de cima de si e levantou-se da cama. Espreguiçou-se. Abriu a boca e todo mundo viu uma lágrima saindo dos seus olhos. Quem olhava aquela lágrima dizia que era de verdade! Mas o menino nunca disse que era A Verdade!
>>> tão simples e tão profundo isso...
,,,O.õ,,,

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nem tão simples assim...

Nuvem negra (Djavan) Não adianta me ver sorrir Espelho meu Meu riso é seu Eu estou ilhada Hoje não ligo a TV Nem mesmo pra ver o Jô Não vou sair Se ligarem não estou À manhã que vem Nem bom-dia eu vou dar Se chegar alguém A me pedir um favor Eu não sei Tá difícil ser eu Sem reclamar de tudo Passa nuvem negra Larga o dia E vê se leva o mal Que me arrasou Pra que não faça sofrer mais ninguém Esse amor que é raro E é preciso Pra nos levantar Me derrubou Não sabe parar de crescer - e doer

Não existe Superman

(...)
Mesmo tropeçando eu tô aprendendo
Tô descobrindo que pra tudo existe um tempo
Por isso eu tô na luta, tô sobrevivendo
São nessas horas que eu me lembro
Que às vezes eu machuco, às vezes me machuco
Explodindo por fora, explodindo por dentro
Mas eu tô aprendendo, tô aprendendo...
(...)
(Fruto Sagrado, em SUPERMAN)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

XVIII
O principezinho atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha à-tôa...

- Boa dia, disse o príncipe. - Boa dia, disse a flor. - Onde estão os homens? perguntou polidamente. A flor, um dia, vira passar uma caravana: - Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os há muitos anos. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes. - Adeus, disse o principezinho. - Adeus, disse a flor.
Para início de conversa, para você estar aqui agora, trilhões de átomos agitados tiveram que se reunir de maneira intrincada e intrigantemente providencial a fim de criá-lo. É uma organização tão especializada e particular que nunca antes foi tentada e só existirá desta vez. Nos próximos anos (esperamos), essas partículas minúsculas se dedicarão totalmente aos bilhões dos esforços jeitosos e cooperativos necessários para mantê-lo intacto e deixá-lo experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não damos o devido valor, conhecido como EXISTÊNCIA.
(Bill Bryson, em Breve história de quase tudo)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

AMOR (Khalil Gibran) Quando o amor te chamar, segue-o. Mesmo que seus caminhos sejam difíceis e íngremes. E mesmo quando suas asas te envolverem, deixa-te vencer, Mesmo que a sua espada oculta te fira e te prenda. E quando ele falar, acredita nele, Mesmo que a sua voz possa abalar teus sonhos como o vento Norte agride o jardim. Porque o amor, mesmo quando te coroa pode te crucificar. Ele te ajuda a crescer, mas também faz a poda. [...] E ele então te oferece como sacrifício no seu fogo Para que te tornes o pão santo da festa sagrada de Deus. Todas essas coisas o amor te fará para que possas conhecer o segredo do teu coração e, nessa descoberta, te tornes um fragmento do coração da vida.

domingo, 25 de outubro de 2009

Resposta ao absurdo

O fato não anula o feito...
nem o efeito.
(por Zion em resposta ao absurdo tardio - p... dois anos depois é meio tarde né? já foi.)

Depois a louca sou eu...

conversas com ela sempre rendem... ela >>> vc é louca!!!! eu >> ok. essa parte eu sei, vc sabe e a torcida do mengão todinha tb sabe... eu quero a novidade! ela >>> aff... vc não tem jeito mesmo! (cara de reprovação) *************** ou então... ela >>> cara, deu vontade de te dar um soco bem no meio da cara!!! eu >> e pq não deu???!!! ela >>> tive pena. eu >> (indignada) aaaah não véi!!!! próxima vez bate! pelamôrdiDeus!!!! ...

sábado, 24 de outubro de 2009

Sensação de urgência II

Faça todo o bem que puder
Por todos que puder
De todas as maneiras que puder
Em todos os lugares que puder
Todas as horas que puder
Para todas as pessoas que puder
...
Enquanto você puder.
(John Wesley)

Para rir (ou não)

.......................................................................................................................................................boxe chinês
>>>
Treino de boxe I
primeiro dia:
vivi (olhinhos brilhando) >>> vc vai me ensinar a bater???
prof. (rindo) >>> CAAAALMA... hoje não, mas a gente chega lá.
vivi (pensando) >>> agora eu quero aprender a bater pq a apanhar eu já aprendi... :P
>>>
Treino de boxe II
ainda no primeiro dia:
prof. >>> pode começar a correr... enquanto isso vai respondendo o que eu te perguntar.
vivi >>> (correndo) OK.
prof. >>> (...) vc faz alguma atividade física?
vivi >>> caminhada. de vez em quando eu pedalo...
prof. >>> e esse corpo? pq magra desse jeito?
vivi >>> metabolismo acelerado, professor. perco massa muito rápido...
prof. >>> hum... então procura um nutricionista urgente pq o treino aqui é pesado, senão vc não aguenta...
vivi >>> ai!!!!
>>>
Treino de boxe III
prof. >>> bom, a aula tá acabando. agora vai ali pro cantinho da parede e faz umas sessões de abdominais...
vivi >>> quantas, professor?
prof. >>> até morrer!
vivi >>> aaaaaai...
>>>
Treino de boxe IV
(o assunto eram "dores emocionais")
vivi>>> (passando pomada antiinflamatória no pescoço e no ombro lesionados) sabe o que é bom pra dor emocional?
as meninas>>> o q?
vivi>>> dor física! (pausa) dói tanto que a gente esquece a outra...
todas>>> kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!
(...)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

.. Poema infantil O poema tem que ser feito a lápis, para que a criança apague uma guerra e construa um castelo. O poema tem que ser preto e branco, para que a criança ponha mar e floresta, ou faça um sol azul e uma lua dourada. O poema tem que vir sem pontuação para que a criança ponha ponto final naquela bronca, e abra um parêntese imenso, cheio de canção. O poema tem que ser curto, para que, sobre muitas linhas em branco, a criança construa um outro mundo.
(Raquel R. de Souza - Uberaba/ 1984)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Estrutura e flexão

Caro leitor (ou cara leitora),
conjugue,
por favor,
o verbo SURTAR,
no pretérito perfeito...
*** (não, eu não surtei! ;P)

sábado, 17 de outubro de 2009

Falando a verdade, eu não consigo ficar com raiva de ninguém por muito tempo, eu geralmente me iro com a atitude e não com a pessoa. E tem atitudes de algumas pessoas que me irritam profundamente! Uma dessas atitudes é quando o "ser humano" resolve se comportar de maneira inconveniente e não respeita o espaço dos outros. Se mexer comos meus então, é encrenca na certa... Se mais especificamente o problema atinge a minha irmã do meio, pode sair de perto porque eu fico a pouco de perder a compostura!!!!
Hoje eu me indignei! Mesmo... Ela se chateou, eu me chateei. Espero que seja a última vez...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Eu dou um valor absurdo na vida!"

**Já tem alguns dias que eu tô com essa música na cabeça...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Do capítulo: "Vencendo a religião"

Não é evidente que precisamos vencer a religião. Ninguém duvida de que precisamos vencer a injustiça ou o tédio. Mas será mesmo que a religião apresenta algum tipo de perigo? As pessoas religiosas não costumam ser mais educadas e prestativas do que as outras? O senso comum não nos diz que ir à igreja faz bem para a alma e purifica o espírito? Então, por que a religião deve ser tratada como algo traiçoeiro e venenoso?
A natureza pode ser venenosa e traiçoeira. Duas aranhas são bons exemplos disso. A aranha chamada Portia fimbriata se aproxima da teia de outra aranha e imita os movimentos de um inseto preso. A outra aranha, sem saber que aquele movimento é de uma aranha predadora, corre para o local onde a "vítima" está. A Portia captura a outra aranha fingindo ser outra coisa. Seus movimentos mimetizam o de um inseto preso, de uma refeição certa, mas na verdade representa a morte inevitável. A Portia é traiçoeira.
A aranha-marrom representa outro tipo de perigo. É uma aranha pequena, não é agressiva e costuma se acomodar nas casas. Lá se arruma dentro de roupas, calçados ou outros lugares. Os acidentes acontecem quando, por exemplo, alguém coloca uma roupa onde a aranha-marrom se acomodou. Pressionada, ela pica. Ao contrário de outras aranhas, a picada da aranha-marrom não é dolorida. Nas primeiras horas surge uma pequena bolha no local da picada e o aspecto da região em torno parece ser uma reação alérgica. Por parecer uma ferida inofensiva, a pessoa picada não toma providências. Só depois de dois dias é que os sintomas ficam graves e a pessoa procura ajuda médica, mas as sequelas são inevitáveis, especielmente nos rins. Em casos extremos, o veneno da aranha-marrom mata. É um veneno lento, indolor, mas mortífero.
A religião é uma aranha. O canto da sereia religiosa não segue os mesmos compassos de alma sincera em busca de alívio. Religião e anseio por Deus são linhas paralelas. A alma sincera quer encontrar o caminho que leva a Deus, olhando com atenção e reverência, mas a religião quer regulamentar, estabelecer rotas fixas e punir quem não segue seus ditames.
A religião é traiçoeira porque se faz passar pelo caminho verdadeiro para Deus, mas acaba engolindo quem se aproxima dela. A religião é venenosa porque a peçonha indolor só dá sinais de seus efeitos danosos com o tempo. E quando isso acontece, o estrago já está feito.
A religião é traiçoeira e venenosa. Em vez de ser uma caminho de virtude, na verdade é um caminho de tolice. É por isso que recisamos vencê-la.
Deixe-me explicar melhor o que entendo por religião. Dentre várias definições possíveis, sugiro que religião se constitui de cinco ingredientes fundamentais: experiência fundante, mito, símbolo, rito, dogma e tabu. Funciona mais ou menos assim: alguém tem uma experiência com o que entende ser o divino, e então nasce o mito, a história da experiência, narrada em linguegem simbólica, pois o que é experimentado não pode ser definido em outros termos, que passa a ser celebrado em ritos, nos quais participam os que se submetem às regras próprias, isto é, tabus - o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode - do elemento venerado. A religião é sempre uma sistematização e tentativa de controle e perpetuação de uma experiência espiritual. Mas toda experiência espiritual será sempre maior do que a religião que pretenda representá-la, pois se o que de fato foi esperimentado foi o divino - e toda religião assim acredita - o divino não pode ser contido por nada, pois a tudo contém.
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia, p. 83-85
* Meu queixo ainda tá no chão!

Eu não sou tão boa nisso...

Nickelback - Far away

Mais uma...

É imperativo que nos dediquemos a pensar que tipo de gente nós somos e que tipo de mundo estamos construindo, sob pena de: 1) nos tornarmos cínicos e/ou de nos entregarmos a um hedonismo irresponsável, próprios de uma sociedade que acredita que a felicidade, em termos egocêntricos de prazeres e de sucesso pessoal, é o mais digno propósito da existência; 2) nos refugiarmos nos clichês religiosos, semelhantes à massa que, que, omissa, assiste ao desfile do rei nu.
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia

Perfeita

Estava eu bem sentada no sofá, sábado à tarde, observando não muito atentamente uma (animada, diga-se de passagem) partida de dominó, quando o nosso anfitrião saca um DVD pra mostrar uns clipes. Era uma coletânea de vídeos dos anos 70, 80 e 90. A sala inteira parou pra ver esse! Particularmente eu, que fiquei boquiaberta, abismada com a beleza de voz grave da Amy Belle e dei um pulo de onde eu estava quando a loura do saxofone levantou tocando!!! Uhuuu... Que viagem, cara! Me empolguei...

O livro mais mal-humorado da Bíblia

Outro livro daqueles... Um achado! Combinei com a mana de ir ao Mercado Municipal dia desses experimentar... bom, melhor pularmos essa parte - até mesmo porque a gente nem foi! (rs...) Eu queira visitar uma dessas livrarias grandes em que a gente se perde lá dentro pra comprar um volume de um filósofo-teólogo judeu que faz tempo eu queria (tadinho... tanta ansiedade e ele tá agora encostado num cantinho qualquer do meu quarto porque eu acabei me envolvendo com outras leituras). Aconteceu que, depois de andarmos por toda a livraria, olharmos tudo (cheirando, folheando e naturalmente comentando) o nosso desejo maior era encontrar um caixa livre a fim de pagar e ir embora mais rápido possível... O bom da vida é poder contar com o elemento surpresa! Foi quando meus olhos foram atraídos por um livrinho de capa branca e um limão estampado na capa! Paixão à primeira folheada. E à segunda... E à terceira... Compramos às gargalhadas sabendo que era um presente especial que Deus tinha preparado para duas almas sedentas de refrigério. Dele eu tirei os trechos a seguir, dentre os tantos que eu gostaria de postar.
"Estamos pouco acostumados a discernir a (i)lógica da realidade da vida. Via de regra interpretamos os fatos repetindo as explicações corriqueiras: Deus fecha uma janela e abra uma porta; Deus escreve certo por linhas tortas; Deus dabe o que faz e outras tantas afirmações que sugerem que a vida tem mesmo uma lógica. Na verdade, repetimos essas coisas a respeito da vida dos outros. Quando acontece com a gente, a ladainha é outra: o que eu fiz por merecer isso? Por que foi acontecer justamente comigo? Isso não é justo! E assim vai, numa sucessão de perguntas quase retóricas e ao mesmo tempo sem respostas. Até que chega uma pessoa para quem a nossa vida é a vida dos outros e diz: 'Deus fecha uma janela, mas abre uma porta; Deus escreve certo por linhas tortas; Deus sabe o que faz'. E então chega a nossa vez de descobrir que esse blábláblá ajuda muito pouco. Queremos explicar o que vemos pelo que não vemos. Desejamos as razões metafísicas por trás dos fatos. E colocamos Deus como variável determinante dessa equação". (p. 17)
(...)
"Não somos espíritos desencarnados, pois vivemos em um mundo com coisas e pessoas. Quer agradar a Deus? Dê uma bicicleta de presente para o seu filho e vá passear no parque com ele. Chame seus amigos, curta a intimidade, dê muitas risadas e saboreie a melhor pizza que puder comprar. Leia Fernando Pessoa como melhor vinho que puder adquirir. Sinta a brisa do mar no rosto. Se você não estpa servindo a Deus enquanto está tomando um bom copo de vinho, não tem outro jeito de servir a Deus. Se você não está servindo a Deus fazendo compras no shopping, não tem outro jeito! Deus não é o oposto das coisas. Ele é o pleno sentido de todas elas: por Ele são todas as coisas". (p. 53)
(...)
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia
"Aliás, coisa boa é a liberdade própria de quem chega ao ponto de se desobrigar a dar respostas. As perguntas nos levam mais longe que as respostas. As perguntas abrem conversas. As respostas fecham".
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia
"Contemplar não é perder tempo,
é perder-se em pensamento por causa de alguma paisagem.
E quando ela é humana nos leva embora mais ainda
porque é complexa até nos quandrantes mais simples".
Fernanda Takai, em Nunca subestime uma mulherzinha
"Deus é massa e religião é um saco!"
(by Tânia Godoi)
=)
*** e a minha irmã continua surpreendente pra minha total alegria!!!

sábado, 10 de outubro de 2009

ALÍVIO IMEDIATO
(Humberto Gessinger)
.
O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Líbia é bombardeada, a libido e o ví­rus
O poder, o pudor, os lábios e o batom
Que a chuva caia
Como uma luva
Um dilúvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alívio imediato
Que a noite caia
De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Alí­vio imediato
Há espaço pra todos, há um imenso vazio
Nesse espelho quebrado por alguém que partiu
A noite cai de alturas impossí­veis
E quebra o silêncio e parte o coração
Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide, todos se separam
Duas Alemanhas, duas Coreias
Tudo se divide, todos se separam
Que a chuva caia
Como uma luva
Um dilúvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alívio imediato
Que a noite caia
De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Alí­vio imediato

Já vai tarde...

Ela veio. Indigesta. Indesejada. Insistente. Não me deu tempo de protestar nem de dizer não à sua entrada triunfal. Colocou uma pesada capa sobre os meus ombros e tem me obrigado a carregar. Zombou de mim e ainda zomba. Disse que queria ver quem é que zomba de quem agora...
Foi como encarar uma velha e bem conhecida inimiga que eu já venci mais que dúzia de vezes. Nem ficou espreitando, foi logo entrando com mala e tudo - se instalando aqui dentro, pelos cantos, por trás das portas e paredes... Comprimindo o peito, alterando o ritmo: do coração, da respiração e das horas silenciosas (por vezes cortadas pela voz de alguém me trazendo de volta à realidade).
Não sei bem o que ela quer. Aliás, o que ela (sempre) quer é destruir a esperança e me fazer parar de lutar - pela vida, pelas pessoas, por tudo o que eu tenho de mais precioso e que não se guarda em cofres de bancos. Quer me fazer baixar a cabeça. Quer que eu pare de sorrir. Esses dias quando olhou pra mim, reconheci o (meu) sorriso nos lábios dela. Indignação! Faltou força pra reagir, ainda corri atrás - "volta aqui, isso me pertence"! Quem disse. Fui roubada.
Mas ela fraqueja de vez em quando. Por vezes a capa escapa, escorrega por um breve instante pelas minhas costas. Então o sorriso volta. Pálido, meio sem-graça mas volta. Quando ela se dá conta do deslize, trata logo de se consertar - volta ao "seu" posto e me relembra sobre quem é que "manda"!
De uma coisa ela não sabe, nem sequer desconfia... Que ela não é resistente ao tempo e ele é (bem) maior do que ela! O tempo é meu amigo - dos melhores que tenho. Ele é quem afasta e quem traz pra perto. Ele é quem apaga e escreve coisas novas nas páginas da vida, da história... e se hoje escrevo sobre a muitíssimo inconveniente visita da tristeza (esta criança inensata), é por que o tempo já me disse que a estada dela está chegando ao final e que novo dia, nova visita já vem.

Desde que o samba é samba - Caetano Veloso

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O reverso sem verso...

Dias mui estranhos... Muito assunto pra postar, pouca disposição e internet dando pala. Complicadas essas coisas de tecnologia: elas parecem facilitar muito a nossa vida mas de fato viciam e nos deixam na mão quando precisamos delas. Sábado passado eu aproveitei que não tinha ninguém em casa, me sentei em frente ao computador para (realmente) trabalhar - precisava baixar o áudio de um musical e o texto pra montar (quem sabe) um espetáculo - mas o modem daqui é altamente "temperamental" (deve ser por isso que veio parar justamente aqui em casa). O"bichinho" resolveu não mais funcionar toda vez que "esquenta"... Vai vendo! Parece alguém que eu conheço e vejo todos os dias quando olho no espelho - que não consegue fazer (absolutamente) nada certo se estiver de "cabeça quente". >>>>>>>>>>>>>>>>> E foi num dia desses - de cabeça quente que fui parar num passeio de escola junto com um monte de crianças. O destino era uma fazenda. A complicação toda foi na viagem de ida. Tocaram lá no ônibus umas músicas de "gosto duvidoso", totalmente inapropriadas para crianças mas eu tenho cá a minha mania de não criar caso por causa da opinião alheia. Deixa cada um gostar do que bem entender... Lá pelas tantas uma (outra pessoa) também se incomodou a gentilíssima pessoa que vos escreve sacou de dentro da mochila dois CDs: um do U2 e outro dos Engenheiros do Hawaii. A opção foi a segunda, que eu fui muito contente pedir pra colocar no som. Minha surpresa foi perceber que incitadas pelas minhas colegas, as crianças simplesmente me deram uma bela salva de - VAIAS!!!! (...) Nem tenho como descrever a minha sensação. Foi péssimo. Nem sei o que aconteceu depois. Deletei da minha memória. Bem mais tarde me lembro que respondi com ironia misturada com (...) o questionamento de uma das minhas colegas de equipe sobre o por quê de terem tirado o CD... A última frase que eu disse foi: "Bem, se esse é o padrão de moralidade que a gente tem a oferecer pros filhos dos outros, então é f***! O demais é melhor deixar pra lá. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> No mesmo dia eu ganhei um presentaço! Um não, vários... Falando sério mesmo, eu não posso reclamar da vida... Percorrendo com os olhos o lugar onde estávamos, notei que havia uma trilha que levava a um lugar com muitas árvores agrupadas. Pensei "Ali deve ter água!" e fui até lá pra ver. Ninguém mais se ateve a isso nem teve curiosidade de ver. Por que será que as coisas que mais me chamam a atenção são justamente aquelas que parece ninguém mais enxerga??? Um mistério... Pois bem, à medida que eu ia avançando na trilha, conseguia ouvir o barulho das águas. Lembrei-me de ter visto umas fotos na entrada de umas corredeiras mas quando vi a imagem foi bem melhor do que ver por foto. Era muito bonito mesmo e eu talvez não devesse ficar tão impactada mas fiquei. E agradecendo a Deus pelo privilégio de ver acabei chorando um pouquinho... Mais impressionante depois foi avançar por outro lado da trilha e ver as corredeiras. Não sei se era rio ou córrego mas fazia um barulhão aquela água toda! Pra finalizar, o encontro com uma colônia (nem sei se posso chamar assim) de BORBOLETAS!!! Meio extasiada, meio emocionada eu fui ficando ali sentindo elas voarem do meu lado, sobre a minha cabeça, os meus braços e pernas, ora querendo pousar em mim... Uma pena precisar voltar. Uma pena não poder ficar ali - quem sabe pra sempre. Uma pena. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Hoje foi susto. Depois alívio. Uma pena mesmo é eu estar tão cansada senão escreveria (e tentaria, quem sabe descrever) as sensações "multicolorfacetadaseetc" dos últimos dias...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Acima do medo.
Acima da dor.
Acima da aflição."

sábado, 3 de outubro de 2009

VII

"No quinto dia, sempre graças ao carneiro, este segredo da vida do pequeno príncipe me foi de súbito revelado. Pergunto-me, sem preâmbulo, como se fora o fruto de um problema muito tempo meditado em silêncio: - Um carneiro, se come arbusto, come também as flores? - Um carneiro come tudo que encontra. - Mesmo as flores que tenham espinho? - Sim. Mesmo as que têm. - Então... para que servem os espinhos?
Eu não sabia. Estava ocupadíssimo naquele instante, tentando desatarraxar do motor um parafuso muito apertado. Minha pane começava parecer demasiado grave, e em, breve já não teria água para beber... - Para que servem os espinhos? O principezinho jamais renunciava a uma pergunta, depois que a tivesse feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa: - Espinho não serve para nada. São pura maldade das flores. - Oh! Mas após um silêncio, ele me disse com uma espécie de rancor: - Não acredito! As flores são fracas. Ingênuas. Defendem-se como podem. Elas se julgam terríveis com os seus espinhos... Não respondi. Naquele instante eu pensava: "Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo". O principezinho perturbou-me de novo as reflexões: - E tu pensas então que as flores... - Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo com coisas sérias! Ele olhou-me estupefato: - Coisas sérias! Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objeto. - Tu falas como as pessoas grandes! Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável: - Tu confundes todas as coisas... Misturas tudo! Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento cabelos de ouro: - Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo! - Um o quê? - Um cogumelo! O principezinho estava agora pálido de cólera. - Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?!
Corou um pouco, e continuou em seguida: - Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância! Não pôde dizer mais nada. Pôs-se bruscamente a soluçar. A noite caíra. Larguei as ferramentas. Ria-me do martelo, do parafuso, da sede e da morte. Havia numa estrela, num planeta, o meu, a Terra, um principezinho a consolar! Tomei-o nos braços. Embalei-o. E lhe dizia: "A flor que tu amas não está em perigo... Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro... Uma armadura para a flor... Eu...". Eu não sabia o que dizer. Sentia-me desajeitado. Não sabia como atingi-lo, onde encontrá-lo... É tão misterioso, o país das lágrimas!"

High and dry

Achei a música! Essa melodia ficou martelando na minha cabeça durante a semana inteira e eu não conseguia lembrar nem a letra nem a banda. Que coisa!

Nem gosto de Radiohead mas essa...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O mestre e a flor

Existem pessoas que têm o poder de resgatar a nossa alma e trazer de volta a nossa sensação de estar vivo e inserido neste Universo (que pode não ser o ideal mas ainda não me apresentaram lugar melhor para viver - ainda)... Essas pessoas neutralizam o amortecimento, a cãimbra (nem sei se é assim que se escreve) que o estresse e as dores do dia-a-dia vão causando na gente. Conheço algumas (poucas) dotadas com tal habilidade. Hoje gostaria de escrever sobre duas dessas preciosidades. Um adulto e uma criança. Um homem e uma menina. O mestre e a flor.
Pela manhã estive fazendo das tripas coração para conseguir dar conta de um dos trabalhos mais maçantes da minha profissão. Eram 16 "tormentos" e eu apenas dei cabo em 14! Uma manhã inteira organizando, escrevendo, rubricando, atualizando, conferindo... essas coisas nas quais eu não tenho nenhuma motivação, habilidade e menos ainda: satisfação em fazer. Mesmo entre suor e alguma irritação, fui eliminando as cadernetas uma a uma e apesar da dificuldade em manter o foco, estive bastante concentrada no trabalho que estava fazendo: burocrático e desumanizador-desumanizante (ou a que melhor couber).
Duas interrupções, entretanto, me trouxeram de volta ao mundo dos sensíveis. Primeiro o mestre. O mestre é uma pessoa dessas simples por quem eu tenho uma admiração imensa. Simples e sábio. Fala baixinho maior parte do tempo. Os olhos azuis observam tudo calmanente por trás dos óculos e o melhor de tudo: ele sempre conta histórias ou piadas. Hoje ele contou duas histórias e uma piada - ou será que foi uma piada e duas histórias? Não lembro, mas isso também não tem tanta importância. Ele entrou na sala, me cumprimentou muito respeitosamente como sempre, examinou alguns livros na estante e foi falando das coisas... contando os seus "causos". Pena que foi muito rápido. A alegria durou alguns poucos minutinhos; em seguida ele teve que ir pra sala de aula e eu apenas suspirei resignada e mergulhei novamente no mar da burocracia.
Da outra vez foi a Flor. Eu já me havia transportado para uma outra sala carregando as pastas e os papéis. Ela chegou e ficou parada na porta me olhando um tempinho que eu não tenho como dizer quanto tempo foi. Sei que quando me dei conta tinham dois olhinhos e um sorriso apontados na minha direção e foram como que as primeiras gotinhas de chuva após um extenso período de seca. Há pessoas por quem a gente simplesmente se apaixona... Ela é assim. Tão pequenininha e tão frágil... A voz fininha nem dá pra ouvir direito tão baixinho que fala mas aquela criaturinha tem o poder de alegrar o meu dia de maneira impressionante! Ela lê livros (e de vez em quando me empresta alguns também). E também conta histórias... Hoje ela me contou que gosta de lavar a garagem da casa de sua avó. Que liga a mangueira, molha bem o chão, faz bastante espuma e fica brincando de patinação. Poxa, bateu uma saudade da minha avó (que já faleceu), dos tempos em que eu também fazia essas brincadeiras na varanda da casa dela... A minha Flor. Ela sempre preenche os meus dias com ternura. Pena que foi pouco também. Logo em seguida me abraçou e teve que ir.
...
Depois da manhã inteira de trabalho restou cansaço e uma sensação ruim. Só. A vida segue curso... Saudades da Flor. Vontade de conversar mais tempo com o mestre; quem sabe um dia chego num estágio próximo de leveza, de maturidade, de sabedoria...

Sensação de urgência...

"Porque nós...
Nós não estamos aqui por muito tempo, Nosso tempo é apenas um fôlego Então é melhor respirá-lo".
(Brooke Fraser - C.S. Lewis Song)

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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