sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Problema, paradoxo, perplexidade... e FÉ

Quer uma resposta pronta?
Quem quer resposta pronta não encontra no cristianismo seu melhor caminho. Depois de seguir o Eclesiastes em sua peregrinação existencial, peço licença para refletir sobre três dimensões da vida, três modos de viver. São as dimensões do problema, do paradoxo e da perplexidade, que me foram ensinadas por Osmar Ludovico.
Estamos na dimensão do problema quando tentamos controlar o mundo e a vida como se fossem uma máquina com engrenagens a serem ajustadas ou modificadas. Estamos mais acostumados a tratar a vida assim. Se o carro está com problemas, procuramos um mecânico. Se o problema é pneu, procuramos o borracheiro. Se o coração já não bate como deveria, rocuramos o cardiologista. É simples. Esses profissionais sabem como as coisas funcionam. Eles identificam o problema, trocam ou consertam a peça com defeito e tudo volta ao normal. Nem sempre o problema se resolve com uma peça nova ou com remédio. Se o problema é auto-estima, só precisamos ouvir com atenção para identificar a emoção danificada e propor rotinas mentais para restabelecer a ordem. Nesse caso, não há ferramentas, mas a ideia e a mesma: identificar a engrenagem faltosa e substitui-la. Por etarmos acostumados a essa dimensão, tendemos a tratar tudo da mesma maneira, colocando no mesmo saco carros com defeitos, pneus furados, corações descompassados e emoções desvirtuadas. Problema identificado, prescrição feita, problema resolvido. Mas o mundo não é tão simples assim.
Na dimensão do paradoxo, percebemos que no mundo há verdades contraditórias - pelo menos na aparência - e que não se pode eliminar nenhuma delas. Por exemplo, há quem queira abrir mão da justiça de Deus e ficar com seu amor. Há quem queira abrir mão do amor de Deus e ficar com sua justiça. Mas a Bíblia insiste que Deus é amoroso e justo, e não temos a opção de ficar com uma coisa ou outra. Em outras palavras, coisas que parecem contraditórias precisam andar juntas. Deus perdoa e sua graça é abundante, mas isso não quer dizer que ninguém será julgado e condenado. A Bíblia insiste que haverá condenados, apesar da graça e do perdão de Deus. Parecem coisas contraditórias, mas ambas coexistem sem problemas dentro de Deus.
Na dimensão da perplexidade, é mais fácil compreender do que explicar. É muito mais natural compreender os efeitos de um beijo de amor mas é muito difícil explicar os sentimentos e sensações. Por um lado, a experiência é clara e bem definida. Por outro lado, descrever a experiência não faz o ouvinte eperimentar as mesmas sensações. A perplexidade é a dimensão em que há admiração, êxtase, alegria. Diante de um pôr-do sol, de uma obra de arte ou da pessoa amada, não estamos lidando com problemas ou paradoxos. Estamos perplexos.
Temos que aprender a viver nas três dimensões, e não apenas (em) uma delas.
A linguagem do problema é a linguagem do engenheiro, do físico e do matemático. A linguagem do paradoxo é a do filósofo, do teólogo e talvez até do psicólogo. E a linguagem da perplexidade é a linguagem do poeta, do amante, do afeto; é a voz do coração, do encantamento, do deslumbramento e do queixo caído. Algumas coisas podem ser organizadas e administradas na dimensão do problema, outras na dimensão do paradoxo, mas há coisas com as quais lidamos apenas na dimensão da perplexidade.
Somente a nos faz caminhar entre os problemas, paradoxos e perplexidades sem muito risco. O universo é inteligente porque Deus é racional, mas é preciso ter fé nessa racionalidade para compreender o cosmos. A vida está cheia de eventos aleatórios, e é preciso ter fé para conviver com o aleatório.
De que nos valemos na perplexidade? Da fé. Em que termos afirmamos que obedecer aos mandamentos de Deus é um caminho de vida? Nos termos da fé. Porque afirmamos que a Bíblia Sagrada é revelação de Deus aos homens? Por causa da fé. Como dizemos que por trás de todo esse universo existe um Deus? Com base na fé.
Tenho sempre a impressão de que estamos sempre correndo, só para constatar o óbvio: só nos satisfaremos na vida vivendo em fé. Somente vivendo em fé somos completos e experimentamos tudo o que a vida tem para nos dar. É por este motivo que a Bíblia ensina que "sem fé é impossível agradar a Deus", pois, "é imprescindível que aqueles que o buscam creiam que ele existe e que é bom (Hb 11:6).
Assim, vou viver e pensar, mas refletir de maneira humilde. Vou viver e me entregar à vida, mas pedir a Deus que modere minha coragem de viver. Vou viver, mas em temor a Deus e andando com reverência diante dele. Vou viver e me submeter a ele, mas de maneira inteligente com o que aprendo na Palavra. Vou viver e crer que, por trás de todas as realidades, há um Deus. É nesse caminho de fé que pretendo encontrar meu próprio caminho.
Resposta pronta é exigência de quem ainda tem medo de viver por fé. O Eclesiates não era medroso. O Eclesiastes não era covarde.
Ed René Kivitz, em O livro mais mal-humorado da Bíblia
>>>
Capítulo final. Palavras finais. Caiu em minha vida (o livro) - circunstância melhor não haveria. É sobre espiritualidade, apesar de já ter postado alguns trechos, não sei se ceguei a comentar sobre o conteúdo. Mistura de teologia com filosofia, com um tanto das vivências pessoais do autor; ele fez uma compilação de mensagens de um estudo ministrado por ele, estudo esse que foi resultado de um questionamento de uma adolescente (que eu suponho ser a sua própria filha) acerca do "sentido da vida". É um daqueles livros que me envolvem tanto que eu acabo pensando - muito pretenciosamente - que até poderia ter sido escrito por mim.
O fato é que as interpretações que ele faz, as reflexões sobre a vida, sobre as coisas materiais, sobre os relacionamentos (e essa parte é a que mais me interessa na maioria dos livros que leio) são inquietantes e ao mesmo tempo confortantes - um PARADOXO! A minha estrutura "religiosa" terminou de ser pulverizada. O que me parecia claro, ficou mais ainda evidente - e mais ainda incompatível com a estrutura eclesiástica (bem no sentido grego de "assembléia", "reunião solene" contra a qual eu tanto luto. A lógica perdeu completamente a lógica mas de alguma forma entrou no eixo porque a leitura veio a calhar no justo momento em que as minha convicções são provadas. Um PROBLEMA.
Fora da proteção, das 4 paredes é que se prova a base sólida. O que parece não ter lógica nem nexo, me parece muito coerente agora. Não por causa do livro mas toda a circuntância ao meu redor. Eu até escreveria mais mas no momento, estou em plena estação da PERPLEXIDADE.
Sabe o que me sustenta em meio a isso tudo? Tá fácil! Chuta...
>
>
>
>
>>>>> FÉ! <<<<<

0 comentários:

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
Copyright 2009 Viviane Zion. Powered by Blogger
Blogger Templates created by Deluxe Templates
Wordpress by Wpthemescreator
Download Royalty free images without registering at Pixmac.com