segunda-feira, 16 de novembro de 2009

(...) Curioso, mas até hoje não soube que um poema tenha gerado ortodoxias ou inquisições. Talvez a palavra de um poema seja diferente da palavra da verdade. De fato, não se exige de uma declaração que se afirma verdadeira que ela seja bela, e nem de um texto belo que ele seja verdadeiro... Jogos diferentes. . . . No jogo da verdade, exige-se que o falado seja um reflexo/ imagem da coisa sobre que se fala. E da fidelidade desse reflexo dão testemunho aqueles que têm a última palavra. Os que vêem diferentemente e não concordam são silenciados e declarados amigos do erro. . . . No jogo da poesia, entretanto, as regras são outras. O que se pede de cada palavra é que ela seja uma confissão, e que, juntas, formem uma rede simbólica capaz de acolher o outro também. Poemas são estruturas verbais boas para que nelas os outros também se abriguem. . . . (...) . . . É que a verdade habita o mundo do determinismo e os poemas constituem o mundo da liberdade.
(Rubem Alves, em Variações sobre a vida e a morte ou O feitiço erótico-herético da teologia)

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