terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da tragédia e da beleza

*** Por Rubem Alves.
Toda pérola esconde uma dor no fundo de sua beleza. Ostra feliz não faz pérola. Ostra que faz pérola é uma ostra que sofre. Porque a pérola, lisa esfera sem arestas, a ostra produz para deixar de sofrer, para se livrar da dor das arestas de um grão de areia que se aninhou dentro dela. Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos.
(...)
A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas.
(...)
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Então... Estou megaapaixonada pelos escritos de Rubem Alves. Não é crítico nem cientista - nem teórico - ele é poeta. Ouvia falar muito dele, lia alguns trechos mas os livros mesmo vieram parar na minha mão por acaso, no dia em que entrei em uma livraria depois do almoço pra..., pra...- mas o que fui mesmo fazer lá??? Nem lembro. Sentei com a Lya em uma das mesas e ficamos conversando sobre as nossas insanidades (mais minhas do que dela - a Lya é uma "certinha ortodoxa"). Não acredito em acaso, coincidência. Quer dizer - acredito e não acredito! Neste caso não creio que tenha sido mera coincidência que aqueles livros com exatamente aqueles conteúdos tenham "saltado" diante dos meus olhos de maneira tão evidente. Observei os livros sobre a mesa - do Rubem Alves - e fui folhear. Algo me atraiu automaticamente e acabei levando dois dos quatro volumes naquele dia e mais dois na semana seguinte, tão forte foi a identificação com o autor.
O trecho acima eu retirei de um livro chamado Pensamentos que penso quando não estou pensado. Olha só que coisa! Ele joga muito com as palavras, conta histórias, trabalha com imagens, com memórias pessoais, co citações - e fui vendo que o meu próprio estilo de escrever é muito parecido com o dele... fiquei comovida! Algumas citações e frases que até já utilizava mesmo sem nunca ter lido livros dele até então. Essa história, da "formação" da pérola mesmo - eu constumava contar às pessoas que estavam passando por lutas e dores. Pra quê? Pra nada! Talvez pra tentar inspirar um pouquinho que fosse de dignidade, de esperança no meio das crises. Não gosto da postura derrotista. Acredito - mesmo - que enquanto a criatura está respirando ainda tem jeito! A gente sempre encena tragédias, é bem verdade. Maior parte da nossa vida passamos tentando aliviar as dores que vem em consequência das nossas escolhas ou das atitudes das pessoas com relação a nós (os nossos pais, amigos, colegas de escola, de trabalho...). Mas, e daí? É só isso mesmo que a gente recebe da vida? Tem uma parte do texto que eu não postei; ela fala sobre o teatro grego - da tragédia, especificamente. Os gregos eram experts transformar as cenas reais das intempéries da vida em grandes espetáculos trágicos. O que prova que eles conseguiam extrair das tragédias um "sumo" de beleza, ao invés de se entregar ao derrotismo, ao negativismo.
Então... "Ostra feliz não faz pérola!" Impressionante isso.

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