quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sobre amor e iniquidade

“E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará” - palavras de Jesus no evangelho de Mateus, cap. 24, versículo 12 - falando sobre as coisas que aconteceriam nos últimos tempos.
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Gosto de ruminar as Escrituras. A Bíblia é uma grande fonte de inspiração e de edificação para a vida de qualquer pessoa. É um livro e tanto! Curiosamente estive pensando nesse texto de uns dias para cá. Que me desculpem os exegetas de plantão mas eu gosto de me arriscar a pensar sobre as coisas nas quais se baseiam a minha fé. E esses dias, fiz uma reflexão sobre o texto do início do post - lancei mão de toda a "minha" hermenêutica e veja só no que deu: mais pulgas para bem detrás das orelhas...
É que o texto (conforme eu aprendi nos 10 anos em que vivi inserida no contexto "evangélico") parece que segue uma ordem lógica de: primeiramente a iniquidade se multiplica e depois o amor se esfria. Penso que Jesus estava querendo dizer exatamente o contrário! Quando amor se esfria é que a coisa toda desanda. Comentei com a Neguinha. Comentei com a mana também. Elas também ficaram pensando...
Para mim é o amor que sustenta todas as coisas. Enquanto houver alguém disposto a "pagar o preço" - esse é um chavão evangelóide bem conhecido - o barraco não desmonta! E amor, no meu dicionário rima mais com atitude do que com palavras românticas bem-intencionadas (li um autor que dizia que de "boa intenção" o cavalo de Tróia estava cheinho...). A falta de amor é que faz com que a iniquidade se multiplique. Quando os primeiros gestos vão se perdendo, as primeiras obras vão caindo na rotina (entenda-se no caso do contexto eclesiástico: ROTINA=RELIGIOSIDADE), o sentido das coisas que fazemos vão se esfacelando... o que sobra é a iniquidade mesmo. Eu sei que esse é um termo bíblico teologicamente definido mas deixe eu tentar traduzir em miúdos o que vem a ser "iniquidade" num mundo como esse em que vivemos: I-NI-QUI-DA-DE hoje, sinônimo de indiferença. Olha!!! Mas não é a IN-DI-FE-REN-ÇA o antônimo de AMOR (e não o ódio, como podemos ser levados a pensar)??? Bingo! Iniquidade então é o não se importar, não se comover, não sentir compaixão, não fazer nada para mudar a realidade - mesmo que microscópica - dura em que se vive hoje em dia... e muito mais (des)atitudes que cabem dentro do significado.
Jesus, creio eu, não não fez apenas uma inversão de PALAVRAS (e Ele é mestre nas palavras, o próprio Verbo-Vivo de Deus). Minha intuição teológica (subversiva) me diz que Ele quis ilustrar a inversão de valores do final dos tempos (e diga-se de passagem, todos os dias nós vivemos um Final dos Tempos particular porque não sabemos exatamente quanto TEM-PO ainda nos resta por aqui). No sentido mais prático: você deixa de amar e logo nada mais importa (ou você não se importa com mais nada!). Fica indiferente. Sabe o que é certo mas resolve fazer o errado. Tem grandes tesouros nas mãos mas resolve jogar tudo pro alto. Possui habilidades fantásticas mas faz tudo de qualquer maneira. Nada te falta materialmente mas você nunca se sente satisfeito. Por aí vai...
Isso te lembra alguma coisa ou alguém? Pois a mim, lembrou a cara pálida que eu vejo todos os dias em frente ao espelho! A reflexão sobre final dos tempos era pra mim mesma!
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E no mais, o susto, eu levei ainda tempo de consertar algumas coisas... Meu Deus!!! Quase deixei de amar!!!

3 comentários:

Mini-Chef disse...

Nêga,

Olha o que a Cecília disse sobre o amor:

"É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem
e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"
Cecília Meireles

amo vc

osvjor disse...

taí, gostei da sua interpretação. quando vc fundar a sua igreja, farei minha inscrição... t++

Viviane Zion disse...

haha... só rindo mesmo. tô afastada de uma igreja justamente por não me adaptar ao "regime" oferecido. as nossas conversas vão continuar no âmbito extra-eclesiástico mesmo, pois eu dificilmente fundaria uma igreja - principalmente nos moldes que temos atualmente. a IGREJA, na verdade já foi fundada e edificada sobre uma pedra angular: o próprio Cristo, e que faz uma igreja não é o templo construído e sim a coesão, a sintonia proporcionadas pelo "sopro" do próprio Deus sobre a face da Terra (...) sobram argumentos teológicos mas eu não ando com paciência...

mas de qualquer forma, obrigada pela credibilidade. =)

shalom

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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