quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Baseado em fatos reais =P

Fui ver um amigo esses dias. Sabe essas coisas qua a gente sabe que precisa fazer mas demora a ter coragem, e tem uma voz aqui dentro dizendo pra ir mas vem logo outra sugerindo o contrário - e a decisão vai sendo empurrada pra mais adiante? Então... Tenho muita vontade de tocar pra frente um antigo projeto mas não acho gente maluca o suficiente pra fazer a coisa acontecer. E esse amigo é assim: maluco o suficiente pra me ajudar, pra me respaldar mesmo sem ganhar coisa nenhuma com isso. Aliás, ele, o Thi (vamos chamá-lo assim por aqui, ok?) é uma únicas e raras pessoas - na face da Terra - em quem eu (ainda) confio.
Toquei o interfone logo cedo. Ele mora sozinho por uma série de razões; uma delas é que ele tem um problema raro (e sério) de saúde. A ex-mulher quando descobriu, ajuntou as coisas e foi embora. Eles não chegaram a ter filhos. A questão da saúde não impede que ele leve uma vida normal: aliás, ele é uma das pessoas mais produtivas que eu conheço em matéria de trabalho... mas o Thi não é uma pessoa comum, não tem uma vida comum - e as pessoas, em geral, não assimilam bem as "diferenças", não conseguem conviver tranquilamente com as pessoas IN-comuns. O fato é que o Thi é pra mim uma espécie de "irmão mais velho", um mentor, um porto seguro a quem eu (também) posso recorrer de tempos em tempos. E eu estava com saudades! Muitas saudades...
Quando ele veio abrir a grade do prédio, abriu aquele sorrisão: "Visita de um oficial da sua patente logo cedo, eu devo estar em dia de sorte mesmo..." Quando ele me abraçou eu nem sei o que me deu, só sei que desatei o choro, enquando ele com uma mão me apertava contra o peito e com a outra apoiava a minha cabeça: "É... tem gente que andou se machucando seriamente por aqui..." - Foi a única coisa que ele disse; não me bombardeou de perguntas e nem me ofereceu conselhos...



Nem sei por quanto tempo fiquei por ali, em prantos, mas aos poucos fui me restabelecendo, ele me puxou pela mão e nós subimos as escadas. Uma vez instalada no sofá, ele me estendeu uma toalha pra enxugar o rosto e foi fazer um café. Dali a a alguns minutos eu já estava refeita, sorridente, sentada na mesa da cozinha com uma caneca de café quentinho entre as mãos, enquanto contava as novidades (minhas) e ouvia as dele...
- E a Igreja, como estão as coisas, Vivis?
- Não sei, faz tempo que não apareço por lá...
- Hã??? Que aconteceu?
- Uai, larguei tudo!
- Mas... tudo-tudo? Assim... Nem os jovens, nem a música? Nada???
- Nada-nada...
E aos poucos fui colocando ele a par das coisas que aconteceram na minha vida de janeiro pra cá...
- Meu-Deus-do-céu!!! Eu pensei que você tivesse criado um pouquinho que fosse de juízo, menina! Mas tô vendo que continua igualzinha... Ou pior! Agora eu entendi o chororô...
- Ai, Thi! Não me censura, vai! (...)
E foi conversa e café que não bastava.
- Mas 'cê não veio aqui só pra me contar as peripécias do ano de 2009 não, né???
- Hummm... Você continua esperto, velhote (rsrsrs)! Não-mesmo! Preciso muito de uma ajuda sua...
- Ai (ele disse, passando as mãos pelo rosto) - tenho ate medo do que vem por aí...
- Então... (eu fui explicar o que era e o que eu queria que ele fizesse).
- Mas lindinha... (nessa hora eu tasquei um beijo na bochecha dele) - isso pode dar uma m... tão grande que eu tenho até medo!
- Adoro quando você me chama de lindinha! ^^ Mas veja bem, é por minha conta e risco! Você só me passa os contatos...
- E se eu não quiser te "ajudar"?
- Eu procuro outra pessoa...
- Ah, tá! Você esqueceu que eu te conheço de outros carnavais, né? Desconfiada do jeito que é, bem capaz mesmo que vai atrás de alguém...
- Ai Thi... Por favor! Por favor! Por Favor!
(...)
Tempos depois:
- Tá bom, tá bom... Não sei onde eu ando com a cabeça pra embarcar nas suas maluquices!
E enquanto ele fazia alguns contatos por telefone eu fiquei ali parada, olhando, com aquele sorriso do gato da história de Alice no País das Maravilhas... Não conseguia me conter de tanta alegria. Depois fui embora. Já era quase hora do almoço e eu não queria dar ainda mais trabalho ao meu amigo. Já estou com saudades. O resultado da empreitada só vou saber daqui a alguns dias...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

De volta ao planeta blog

Entonces. Passadas as festividades natalinas, para as quais eu tenho tolerância limitada, é hora de reorganizar a vida e decidir o que fazer dos dias de férias que ainda tenho pela frente. Se bem que eu não posso reclamar do meu Natal! Achei que seria ruim mas não foi. Tava tudo leve pra mim... uma pessoa - não lembro quem - me disse certa vez que não há fase ruim que perdure (assim como acontece com a fase boa), e cá prá nós, eu andei meio borocoxô esses dois últimos meses... Não que tenha passado, esteja tudo resolvido, "digerido", equacionado aqui dentro de mim as coisas que aconteceram durante este ano (e olha que foi um ano muito-muito bom!!!) mas eu não sou de ficar arrastando correntes nem me fazendo de vítima das circunstâncias... não mesmo! Tenho cá pra mim, que quando a coisa não anda boa aí é que a gente tem que subir no salto mesmo (no meu caso, desnecessário o salto, pois eu descalça já meço 1,80m), levantar a cabeça e andar com a coluna reta! Postura e atitude positiva (pelo mesnos no meu caso), ajudam muito a enfrentar as intempéries da vida.
Por falar em INTEMPÉRIES, dia desses eu tava lendo no blog do osvjor uma postagem titulada EFEMÉRIDES. Tá bom que assim à primeira vista parece mesmo não ter nada a ver... Mas veja bem, eu lembrei de quando eu fazia a 8ª série e uma professora de Português encrencou comigo porque segundo ela, INTEMPÉRIES não era uma palavra comum ao vocabulário de uma adolescente de 14 anos! Havia uma questão no livro didático mais ou menos assim: "Para que servem os guarda-chuvas, as sombrinhas, as capas de chuva?" Eu levantei a mão pra responder - e respondi: "Eles nos protegem contra as intempéries." Pronto! Foi o escarcéu! Ela veio olhar o meu livro, me acusou de ter copiado do livro do professor (porque a resposta era idêntica à que constava no maldito livro do "mestre". Ela berrou e esbravejou comigo na frente da turma toda (aquela louca! depois a louca sou eu!), tentou arrancar de mim uma "confissão"... Faz-me rir! Eu não copiei a m... da resposta! Fui parar na direção, ligaram na minha casa, deu a maior confusão mas depois, inteligentemente, resolveram olhar o meu histórico escolar e constataram que realmente as minhas notas em Língua Portuguesa sempre foram acima da média. Humpf! Que vexame. Mas bola pra frente.
Voltando ao Natal, a ceia deste ano me trouxe surpresas. Eu vi ali reunidos debaixo do mesmo teto, os blogueiros mais cuti-cuti (rs) deste mundo virtual! E tive o privilégio de conhecer pessoalmente a Rafa (que eu já tinha visto em uma livraria aqui em BSB mas não tive coragem de falar com ela) e o Sr. Overground, que por sinal me mandou o link do vídeo que eu posto logo abaixo, agradecendo muito a visita, a atenção e o carinho.
Por hora, é isso! Shalom.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mãe, tô voltando!

Quinto dia da viagem mais ousada, mais maluca que eu já fiz (até hoje porque depois dessa, com certeza virão outras). Não sei se sou uma pessoa covarde que vezenquando tem uns acessos de coragem ou uma pessoa corajosa que é acometida pela maldição da covardia de tempos em tempos...

Estou agora em Campinas mas já passei por Americana, Santa Bárbara D'Oeste (casório da minha amiga), Americana novamente, Campinas, fiquei um dia e meio no litoral norte de SP (Ubatuba), voltei pra Campinas (postando de uma lan house num Shopping perto do aeroporto de Vira Copos) daqui a pouco embarco (de ônibus) pra Brasília, encerrando com chave de ouro a temporada de viagens 2009. Tá bom, né?!

Detalhes da viagem não dá pra escrever agora por conta do cansaço e do tempo curto. Deixo pra quando estiver em casa. Queria só deixar um videozinho de uma cantora chamada Keren Ann. As músicas dela me "embalaram" durante a viagem... Eu não a conhecia mas esses dias o osvjor postou uma lista de cantoras e eu fiquei de conferir uma por uma durante as férias. Comecei pela K.A. e não me arrependi! Depois, às outras...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Em Sampa! Uhuuuuu...

OK, tô em São Paulo. Mandei mensagem pra mana avisando pra demitir todo mundo da agência de Meteorologia... tá um SOL de rachar!!!!!!!! hahahahahahaha... Fala pros agourentos e invejosos aí que eu volto viu... :)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Amei isso

***Importei do SOLOMON

Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação.O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.

(C. S. Lewis, em Os 4 amores)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A primeira a gente nunca esquece...

Fui agraciada! Recebi um convite para ilustrar
a capa do livro da Família da escola onde eu
trabalho. Poucas coisas me rendem tanta
satisfação, tanto bem-estar como escrever
e desenhar! É um pedacinho de mim que
escorre pro papel... É um retrato da minha
alma, uma tranparência do meu subconsciente
que desliza pelo braço, passando pelos dedos,
giz e chega nítida, no giz, no lápis, no Canson...
Eis a arte! A imagem que me apareceu clara
em tarde quente de outubro. Freud, olhando
para o desenho talvez explicasse alguma coisa,
identificasse algum desejo reprimido, mas como
bem escreveu aquela que me fez a dedicatória,
é o reflexo de um sorriso, do meu sorriso
- estampado - em tudo o que eu faço!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Será que tem?

Tem, tem sim. Eu achei que não existisse mas de duas semanas pra cá descobri que existe. É um ser-humano cuja presença me causa aversão, cujas atitudes me causam espanto, cuja voz me causa náuseas. Sério mesmo, fico verde! Não é comum acontecer. Geralmente, consigo conviver bem com QUAL-QUER criatura na face da Terra e, quem sabe, tecer algum tipo de relacionamento, nem que seja o trivial-cordial-diplomaticamente-correto. Mas com este "ser" não acontece! Não tem pra onde...
Esses dias eu tentei! Juro que tentei! Sentei do lado pra ver no que dava, fiquei prestando atenção no papo da galera, fiz menção de dar um "pitaquinho" que fosse só pra ser simpática... mas quando a figura despencou a falar foi automático: a comida veio na garganta eu tive que sair de fininho. "Não consigo, não consigo, não consigo... Uuuuuuuuuuuuuughh"
Pior é que nem dá pra disfarçar! Comentei o mal-estar com uma amiga há umas semanas atrás. Contei o milagre mas não contei o santo. Hoje ela chegou bem na hora do sufoco, bem na hora da crise! Sondou o ambiente, percebeu o clima tenso, olhou pra minha cara e disparou a rir! Eu corei da cabeça aos pés, de vergonha mesmo - e o estômago revirando. Virei as costas e saí. Alguém ainda perguntou: "- Viviane, você ainda vai ...?" Minha amiga respondeu: "Vai não! Viviane 'tá de saída" - e dá-lhe risada!
Não-gosto-não-gosto-não-gosto-e-não-gosto!
Chama o Rauuuuuuuuuuuuuul! Aff...

A águia e a serpente

"Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz." (Autor desconhecido).
...
Por mais absurdo que possa ser, eu sinto que se aproxima um tempo diferente. Desculpe mas eu não me enquadro na definição de "pessoa comum"; eu penso coisas nas quais ninguém pensa, vejo coisas que ninguém vê, me importo com coisas com as quais ninguém se importa, acredito em coisas - e sobretudo em pessoas (!) - nas quais ninguém acredita... Sou uma pessoa desajustada e pessoas assim são taxadas como subversivas, rebeldes - como loucas!
Me consola um pouco ler os escritos de Rubem Alves. Esses dias (após passados os estresses típicos das programações de final de ano na escola), estive lendo um trecho assim: "As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer a máquina funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros mundos. A criatividade vem do desajustamento. Imagine que nossa sociedade é louca. As evidências dizem que sim. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado à loucura. Então, há um tipo de 'saúde mental' que é uma manifestação de loucura. Mas aqueles que são lúcidos, que percebem a loucura da sociedade e sofrem com ela, desajustados, são os que verdadeiramente têm saúde mental".
Volto ao pensamento inicial. Há um anseio profundo na minha alma por um tempo/ espaço diferente. E parece que está próximo, parece que está ás portas, parece que o cenário se configura para um acontecimento, um marco, uma coisa qualquer que eu não sei definir mas sei que é "real".
Estive conversando com uma amiga. Ela sempre me liga: "Passa'qui em casa pr'agente conversá!" Eu vou mas já com o coração saindo pela boca. Sempre tem coisa nova. Sempre uma pulguinha atrás da orelha. Mas por que será que as pessoas que me fazem pensar me causam esse fascínio, essa atração!!??? Conversávamos sobre propósitos de vida, sobre planos, sobre "destinos", sobre amor e ódio. Ela me dizia que não importa o que eu faça, eu não tenho pra onde fugir nem como me esconder - e que tem coisas na nossa (no caso, na minha) vida, que simplesmente vão acontecer - é bobagem ficar correndo, me escondendo. Eu fiquei pensando na águia (o desenho tá terminado e guardado num fundo de gaveta qualquer, esperando a hora de sair). Fiquei pensando na serpente, e de como a interpretação do autor sobre o livro de Nietzsche (de um blog que eu visitei esses dias mas já perdi de vista), e a relação de oposto-complementaridade que pode existir entre os dois animais pode ser interessante... Fiquei pensando, pensando... E ela me disse mais coisas, algumas se perderam nos labirintos da minha mente.
Mas o dia tá chegando. Disso eu tenho certeza. Certeza tão certa que quando ela me disse ontem que o que eu preciso fazer é DESCANSAR, eu ri, de tão simples que era a solução. Mas por dentro eu chorei também, sabendo que essa é a parte mais difícil: DES-CAN-SAR. E deixar que as coisas aconteçam.
Aí vem os dias. Depois que isso tudo passar. Depois que a transformação se completar. Quando enfim eu completar a missão que me foi dada em sonho. Quando eu ouvir os tambores e o som de festa por cima do muro que eu não vou derrubar mas passar pro outro lado, deixando pra trás, e definitivamente, os rastros de uma longa jornada (que hoje, olhando de dentro, parece que nunca termina). Quando completar a renovação, a metaorfose, a transformação que vai me habilitar a voar ainda mais alto em uma segunda (e frutífera) fase de vida...
Tá chegando. Eu sinto isso. Eu sei disso. Eu creio nisso.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estresse, por Rubem Alves

Estresse é uma palavra usada na física dos materiais. Ela tem a ver com o comportamento dos materiais submetidos à pressão, à distensão, à torção. Aplicada a nós, a palavra estresse revela a nossa condição de seres submetidos às pressões, distensões e torções que as 10.000 coisas no impõem. Inúteis são as técnicas de relaxamento. Alívio provisório - como os descansos entre as sessões de tortura. As 10.000 coisas voltam sempre... Só existe uma solução: libertar-nos do domínio das 10.000 coisas... Mas isso é difícil, porque elas nos fazem promessas de prazeres no futuro. "Tudo isso te darei..." Somente nos libertamos do estresse quando compreendemos que ele é um sintoma do domínio da morte sobre a nossa vida. A consciência da morte nos faz abrir os olhos. E aí, então, estamos em condições de olhar para dentro, à procura do desejo mais profundo que as 10.000 coisas enterraram. "O que é que se eu tivesse, me daria alegria?" Essa é uma pergunta que toda pessoa deveria se fazer diariamente.
(Em, Ostra feliz não faz pérola)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aprende, Zion!

...
"O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre no meio da tristeza! Só assim, de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem."
(Guimarães Rosa)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tô aqui

Eu sou uma eterna aprendiz da vida. Ela tem me ensinado coisas... Essa semana foi muito intensa, muito cansativa, muito tensa mas também muito produtiva. Momentos de dor intensa revesavam com outros tantos de alegria. A ansiedade não me deixava dormir e nem raciocinar direito. Tinha dia em que a única coisa que eu conseguia fazer era curvar a cabeça sobre a mesa e esperar as forças voltarem pra poder continuar. As coisas na minha vida não pegam senha nem fila pra acontecer - eu deveria ter me acostumado com isso...
Era uma semana comum. Quero dizer, deveria ter sido. Não foi. Domingo passado eu vislumbrei o que seria a semana quando fiquei horas longe de casa num lugar desconhecido, tarde da noite. Deu medo. Daqueles medos que protegem a gente. Que fazem pensar se vale a pena arriscar mesmo passar sufoco e ficar de madrugada na rua sem saber se vai chegar em casa por causa de uma ideiazinha maluca que aparece num dia chuvoso.
O restante dos dias foram de (muito) trabalho. Muito mesmo. E uma baita ansiedade. Parecia que uma família de mariposas tinha se mudado gentilmente para dentro meu estômago; para não deixá-las sem nenhuma vizinhança, digamos que uma lebre tenha se instalado confortavelmente na minha garganta e ficou por lá, entalada. Não passava nem ar nem comida. Nem peguei nos livros, não li nada durante a semana. Se a minha concentração já é limitada em dias normais, imagine em dias de ensaios e festas de encerramento, fechamento do ano letivo.
Eu detesto despedidas. Fim-de-ano dá uma sensação de perda indescritível. Eu ia olhando a gurizada da escola saindo, alguns, pra voltar no ano que vem, outros que possivelmente não vou encontrar mais - nem na escola, nem na vida e ia me dando uma angústia, uma vontade de me esconder num buraquinho qualquer onde eu não tivesse que ver passar pela minha vida pessoas que eu simplesmente desejo muito que fiquem.
E foi tanta emoção pra uma semana só! Teve o dia do meu aniversário - ganhei tanto abraço que eu gostaria de poder guardar em estoque pra poder ir "gastando" um pouquinho de cada vez. E teve... ah nem vou contar. Não cabe aqui.
(...)
Esses dias estive conversando com Deus sobre isso: sobre essa "sensação de urgência" que me acompanha. Eu perguntei a Ele se eu ainda tenho muito tempo por aqui, porque a saudade que eu sinto de um lugar que eu não conheço é muito grande. A impressão clara que eu tenho é que eu sou "forasteira", estrangeira, que eu não sou daqui "deste mundo" e isso pode ser uma forma meio maluca de sentir mas é latente, é latejante! Ele não me respondeu - mas deve ter dado boas risadas com as minhas maluquices (eu tenho cá pra mim que Deus ri de mim e sorri pra mim - qualquer dia eu escrevo a respeito).
(...)
Tem mais coisa pra postar mas agora preciso sair pra comprar o presente de casamento da minha amiga (*-*). Adoro dar presentes! Aprendi com a minha Maninha Gourmet, que vive dando presente pra todo mundo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Versão 3.0

*** Sábado pela manhã, na escola:
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Thierry - tia, você tem 19 anos, né?
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Eu (rindo) - tenho não, béim... (pausa pro nascimento da piada) acabei de rejuvenescer mais 5!!! Tenho 14 aninhos...
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Thierry (rindo tb) - ???????
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Eu (agora rindo de verdade) - tenho 29 anos meu lindo! (e ria mais ainda!) quer dizer... só até terça-feira que vem, dia 8, quando eu completo 30.
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Thierry (cara de espanto) - mentira!!!!
>
Eu (rindo-rindo-rindo...) - verdade! depois te mostro a minha identidade...
***E é isso!

Bom dia, diaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!! :)

FAUSTO. Nas veias pulsa a vida palpitante,
Saudando o raiar da meiga aurora;
Esta noite também te achei constante
Terra que a meus pés viva arfas agora;
Já de prazer me cercas, já me inspiras
Resolução, que em mim cresce e vigora,
De à mais alta existência erguer as miras.
O mundo acorda à voz da madrugada,
Ressoam na floresta aladas liras,
Do val no fundo a névoa está pousada;
Eis nas covas penetra a luz do dia;
Toda fresca e gentil surge a ramada
Do perfumado abismo em que dormia;
Já cor e vária cor no chão diviso,
À folha a fresca pérola rocia,
Faz-se tudo o que vejo um paraíso!
Ao alto as vistas! - As vastas cumiadas
Da mais bela das horas dão aviso;
É-lhes dado do sol serem banhadas
Primeiro que a nós desça radioso.
Às pastagens nos montes abrigadas
Novo brilho ilumina caloroso,
Que pouco a pouco baixa, até nós chega! -
O sol surgiu! - Ai, que me é forçoso
As costas dar à luz que os olhos cega.
Assim na vida, quando esperança ardente,
Quando ao mais alto desejo se une e apega,
Do cumprimento a porta se acha patente;
Eis que do fundo abismo um mar de chamas
Rebenta, que nos pára em continente;
Procuras inda ver se o facho inflamas
Da vida, o fogo cerca-te, e que fogo!
O sentimento de amor ou ódio chamas
Que entre gosto e pesar te agita logo,
Tão tremendo, que à terra sem demora
Te acolhes e da infância ao desafogo!
Pois nas costas me fique o sol embora!
A cascata nas rochas rebramando
Com crescente delícia encaro agora.
De queda em queda salta ressoando,
Em mil e mil torrentes repartida,
No ar flocos de escuma dispersando.
Serenando esta fúria, quão luzida
Surge a curva do arco matizado,
Ora clara e distinta, ora esvaída,
Destilando rocio perfumado!
O arco representa a humana lida;
Bem o sentes, se nele hás meditado;
Um corado reflexo é a nossa vida!
(Goethe, em Fausto)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Valerie

Menino, que esses dias a mana chegou em casa com o CD da Amy Winehouse no pen drive e eu fui conferir! Não é que essa baixinha, magricela e maluca canta que nem gente grande???!

Uma pena mesmo ser tão descompensada na vida... um grande talento que a gente não sabe se dura tempo pra contar história...

Mas por que será que a maioria das pessoas talentosas (que eu conheço) têm que ser assim, assim... sei lá... Aff!

Essa é a minha preferida! Valerie.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Pecca fortiter, sed crede fortius"

***Engraçado... na igreja ninguém manda esse tipo de carta pra gente...
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.
"Se és pregador da graça, então pregue
uma graça verdadeira, e não uma falsa;
se a graça existe, então deves cometer
um pecado real, não fictício. Deus não sal-
va falsos pecadores. Seja um pecador e
peque fortemente, mas creia e se alegre
em Cristo mais fortemente ainda... Se
estamos aqui (neste mundo) devemos
pecar... Pecado algum nos separará do
Cordeiro, mesmo praticando fornicação
e assassinatos milhares de vezes ao dia."
.
***(cartas de Lutero a Melanchton, 1521)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quanto mais idiota melhor

Ela me liga chamando pra conversar. Desata um monólogo interminável. Reclama por que eu não respondo, nem retruco. Reclama do meu silêncio. Me passa um sermão e depois reclama - da minha cara. Não aguento! Para a carroça que eu quero descer!!!!!!!!!!!!!
(...)
-Ei, não faz essa cara!
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-Que cara?
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-Essa daí, que você tá fazendo!
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-Eu só tenho essa cara! (humpf!)
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-Para de gracinha... Você sabe do que eu tô falando...
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-Que cara então vc quer que eu faça??? (eu, já irritada)
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-Uai, a sua cara... normal...
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-Ah, sim, entendi... a cara de IDIOTA, vc quer dizer! (já p. da vida)
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-Não, não é nada disso! Mas por que vc vive sempre com o pé atrás com todo mundo, hein!!!???
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-Ah, deve ser porque... (essa parte é melhor não postar, foi desabafo mesmo, tadinha, ouviu o que não queria nem precisava...)
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Geeeeente! Sem nenhuma brincadeira... faz uns dez anos que eu não ouvia essa música mas a frase "aproveite o dia" não me sai da cabeça desde sempre... Eu nem lembrava mais da letra... Essa é uma dessas músicas que me fazem querer sair pulando pelo corredor de casa e gritando: "vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai, coração dizer - Ele está aqui,
APROVEITE O DIA!!!"
APROVEITE O DIA.
APROVEITE O DIA.
APROVEITE O DIA.
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.....
...
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Carpe Diem (Catedral) Quem chegou à liberdade da razão Se sente como um andarilho, mas que não está perdido . Toda convicção é crença de estar Em algum ponto do conhecimento, na posse da verdade incondicionada . Não se entra duas vezes no mesmo rio Estamos ainda no tempo dos indivíduos, só depois de deixarmos a cidade É que veremos a que altura estão as torres, acima das casas... acima das casas . Paz na Terra e aos homens de todo coração Há tantas auroras que não brilharam ainda . Eu moro em minha casa, não imitei de ninguém E a porta dela está aberta pra você também! Ohhhoohhh . Vai coração dizer que Ele está aqui, aproveite o dia . Todo espelho mostra apenas o que queremos ver, a palavra fez ao homem, muito mais que ele fez por ela.

Sabedoria de família

Minha mãe é afeita a pérolas...
Almoço de domingo, a gente em volta da mesa, esperando o musse de maracujá (!) que a minha irmã caçula tinha feito. Mãe aparece antes com um saco cheio de picolés e vai distribuindo. Meu irmão, por sua vez, vai até o quarto, pega um Toblerone e vai explicando enquanto traz, que o chocolate foi uma menina que lhe deu de aniversário, que custou tanto e tanto - tava contando vantagem o rapaz... deixa ele se achar... Minha mãe ouvindo a história solta uma pérola daquelas:
"- Ah, mas se for gostoso vale a pena!"
Ah, sim... concordamos morrendo de rir! "Vou lembrar disso, viu mãe?! Belo conselho..." - eu falei pra provocar, enquanto todo mundo ria e emendava uma piada pior ainda, uma atrás da outra.
"- Mas eu tô falando do chocolate!" - tadinha, protestou. "-Vocês levam tudo pro buraco da maldade..."
Hahahahahahaha... Agora já era! Virou lema. Virou piada. Virou prato do dia.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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