quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Baseado em fatos reais =P

Fui ver um amigo esses dias. Sabe essas coisas qua a gente sabe que precisa fazer mas demora a ter coragem, e tem uma voz aqui dentro dizendo pra ir mas vem logo outra sugerindo o contrário - e a decisão vai sendo empurrada pra mais adiante? Então... Tenho muita vontade de tocar pra frente um antigo projeto mas não acho gente maluca o suficiente pra fazer a coisa acontecer. E esse amigo é assim: maluco o suficiente pra me ajudar, pra me respaldar mesmo sem ganhar coisa nenhuma com isso. Aliás, ele, o Thi (vamos chamá-lo assim por aqui, ok?) é uma únicas e raras pessoas - na face da Terra - em quem eu (ainda) confio.
Toquei o interfone logo cedo. Ele mora sozinho por uma série de razões; uma delas é que ele tem um problema raro (e sério) de saúde. A ex-mulher quando descobriu, ajuntou as coisas e foi embora. Eles não chegaram a ter filhos. A questão da saúde não impede que ele leve uma vida normal: aliás, ele é uma das pessoas mais produtivas que eu conheço em matéria de trabalho... mas o Thi não é uma pessoa comum, não tem uma vida comum - e as pessoas, em geral, não assimilam bem as "diferenças", não conseguem conviver tranquilamente com as pessoas IN-comuns. O fato é que o Thi é pra mim uma espécie de "irmão mais velho", um mentor, um porto seguro a quem eu (também) posso recorrer de tempos em tempos. E eu estava com saudades! Muitas saudades...
Quando ele veio abrir a grade do prédio, abriu aquele sorrisão: "Visita de um oficial da sua patente logo cedo, eu devo estar em dia de sorte mesmo..." Quando ele me abraçou eu nem sei o que me deu, só sei que desatei o choro, enquando ele com uma mão me apertava contra o peito e com a outra apoiava a minha cabeça: "É... tem gente que andou se machucando seriamente por aqui..." - Foi a única coisa que ele disse; não me bombardeou de perguntas e nem me ofereceu conselhos...



Nem sei por quanto tempo fiquei por ali, em prantos, mas aos poucos fui me restabelecendo, ele me puxou pela mão e nós subimos as escadas. Uma vez instalada no sofá, ele me estendeu uma toalha pra enxugar o rosto e foi fazer um café. Dali a a alguns minutos eu já estava refeita, sorridente, sentada na mesa da cozinha com uma caneca de café quentinho entre as mãos, enquanto contava as novidades (minhas) e ouvia as dele...
- E a Igreja, como estão as coisas, Vivis?
- Não sei, faz tempo que não apareço por lá...
- Hã??? Que aconteceu?
- Uai, larguei tudo!
- Mas... tudo-tudo? Assim... Nem os jovens, nem a música? Nada???
- Nada-nada...
E aos poucos fui colocando ele a par das coisas que aconteceram na minha vida de janeiro pra cá...
- Meu-Deus-do-céu!!! Eu pensei que você tivesse criado um pouquinho que fosse de juízo, menina! Mas tô vendo que continua igualzinha... Ou pior! Agora eu entendi o chororô...
- Ai, Thi! Não me censura, vai! (...)
E foi conversa e café que não bastava.
- Mas 'cê não veio aqui só pra me contar as peripécias do ano de 2009 não, né???
- Hummm... Você continua esperto, velhote (rsrsrs)! Não-mesmo! Preciso muito de uma ajuda sua...
- Ai (ele disse, passando as mãos pelo rosto) - tenho ate medo do que vem por aí...
- Então... (eu fui explicar o que era e o que eu queria que ele fizesse).
- Mas lindinha... (nessa hora eu tasquei um beijo na bochecha dele) - isso pode dar uma m... tão grande que eu tenho até medo!
- Adoro quando você me chama de lindinha! ^^ Mas veja bem, é por minha conta e risco! Você só me passa os contatos...
- E se eu não quiser te "ajudar"?
- Eu procuro outra pessoa...
- Ah, tá! Você esqueceu que eu te conheço de outros carnavais, né? Desconfiada do jeito que é, bem capaz mesmo que vai atrás de alguém...
- Ai Thi... Por favor! Por favor! Por Favor!
(...)
Tempos depois:
- Tá bom, tá bom... Não sei onde eu ando com a cabeça pra embarcar nas suas maluquices!
E enquanto ele fazia alguns contatos por telefone eu fiquei ali parada, olhando, com aquele sorriso do gato da história de Alice no País das Maravilhas... Não conseguia me conter de tanta alegria. Depois fui embora. Já era quase hora do almoço e eu não queria dar ainda mais trabalho ao meu amigo. Já estou com saudades. O resultado da empreitada só vou saber daqui a alguns dias...

2 comentários:

Angel disse...

Que amizade mais linda, Viviane...

"Quando ele me abraçou eu nem sei o que me deu, só sei que desatei o choro, enquando ele com uma mão me apertava contra o peito e com a outra apoiava a minha cabeça: "É... tem gente que andou se machucando seriamente por aqui..."."

Acredita que meus olhos "encheram d'agua" quando li esse trecho da sua narrativa?! Nossa, é muito bom quando temos um porto seguro, alguém em quem podemos confiar, não é mesmo?! Espero que dê tudo certo com seu projeto, e tenho certeza de que vai dar!

Vim retribuir seu carinho e desejar, aqui também, um ano excelente. Que este seja o melhor ano da sua vida!

Abraços!

osvjor disse...

baseado em fatos reais NÃO PODE... hahahaa

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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