sábado, 9 de janeiro de 2010

Desabafo

Saí pre fazer uma coisa e acabei fazendo outra, não menos importante, mas que não estava prevista nem no itinerário nem no orçamento. Talvez a melhor frase que me defina hoje seja a da música dos Engenheiros do Hawaii, Infinita highway: "Minha vida é tão confusa quanto a América Central, por isso não me acuse de ser irracional..." Não sei quanto à de vocês mas a minha é muito confusa, muito estranha mesmo e isso não vem de agora - é de desde antes do meu nascimento, quando uma parte da família queria um nome (de uma santa cátólica, porque dizem que o dia em que eu nasci é dia de Imaculada Conceição) - e esse nome provavelmente seria Maria da Conceição. Bondoso Deus, já me conhecendo desde o ventre de mãinha, inspirou uma tia com o nome de Viviane. Pronto! Pelo menos esse vexame me foi poupado... Quanto aos outros: não mesmo. Cada dia é dia de passar por um aperto, por um apuro e agora é que eu fui entender algumas coisas, trazendo algumas memórias dos últimos três anos. Daí pra cá eu não tive mesmo nenhum sossego! Há quem pense que a minha situação é recente, que tem a ver com expectativas frustradas com relação à Igreja, a um namoro terminado recentemente, alguns probleminhas familiares (como por exemplo os meus avós revezando internações hospitalares)... Tá, tá... Tudo isso me entristeceu muito, sugou (e suga) muita energia e eu simplesmente não sei como resolver as coisas da minha própria vida - afinal de contas eu fui TREI-NA-DA e a ver solução pra vida dos outros e DEI-XEI (isso mesmo, literalmente) de pensar na minha vida, cuidar da minha vida, olhar pra mim no espelho, falar por mim, argumentar etc, etc... E na pior das hipóteses, pra fugir do combate, eu assumo a culpa, os riscos, as consequências e deixo pra lá as pendências. Vá lá... Quem se importa? Mas tá chegando um tempo em que os dez últimos anos de acumulação de entulho (alheio) na minha alma tá querendo voltar. E é por isso que eu estou quietinha no meu canto sem mexer com ninguém, cultivando o meu canteiro de flores e silêncios porque eu já imagino mais ou menos como é que isso vai repercutir daqui a muito pouco tempo.
(...)
Voltemos à vaca fria... Ontem eu saí pra ver umas armações bacanas pra mandar fazer os meus óculos. Depois de meses sofrendo com dor de cabeça, tonturas, enjôos, vista embaralhada, hipersensibilidade à luz... tomei coragem e fui fazer os exames... Positivo! Astigmatismo. Tenho que usar óculos. Mas quem disse???? Me enrolei por causa da fila no caixa eletrônico, me enrolei porque não queria - e nem quero - ver óculos coisa nenhuma... e blablabla... Fui afogar as minhas dores em uma livraria. Achei, por acaso, um livro que há meses eu procurava (!) pra começar o projeto de Teatro para crianças - e bem mais barato do que eu tinha pesquisado anteriormente. Depois fui procurar outro - já que estava ali mesmo - este outro não achei mas acabei comprando um outro-outro e encerrando a conta. (...) Uma vez em casa fui ler o outro-outro (do Rubem Alves, pra variar). As coisas que o Rubem escreve parecem que saíram de mim, porque conseguem traduzir fielmente o que eu sinto desde sempre mas não consigo colocar em palavras. Abre parêntese. As palavras me são inimigas. Elas não me obedecem! Não que os inimigos sejam aqueles que não nos obedecem mas tem uma infinidade de coisas que eu simplesmente não consigo expressar por meio de palavras, por mais que tente. É terrível! Temos a pretensão de achar, que como "intelectuais", "acadêmicos", "eruditos" (as aspas são pura ironia mesmo! qualquer dia eu escrevo - se elas me permitirem o que penso sobre intelectuais, acadêmicos, eruditos...), pessoas letradas, conhecedores da Palavra da Verdade (as maiúsculas também são ironia), as PA-LA-VRAS necessariamente têm que se sujeitar às nossas ordens, aos nossos caprichos... Mas não! Elas caem pelo caminho sem que tenhamos chance de catá-las, de colhê-las! Basta! Fecha parêntese. Tenho dificuldades com as palavras. Com sentimentos não! Sinto e só. Não consigo explicar. Ai de mim...
(...)
Lendo ontem, me deparei com um trecho que me fez entender muita coisa (está bem, nem tanta coisa assim... mas alguma coisa). Posto em seguida:
"É isto que nos diferencia dos animais. Os animais vivem em meio às presenças. Mas nós somos moradores das ausências. Desejo: reconhecer que algo está faltando. Saudade. Eu sugeriria que espiritualidade tem algo a ver com isto: viver em meio à presença de uma ausência. É daí que surge tudo de belo que fazemos: o amor, a poesia, os jardins, a música, as revoluções... Tudo. Fazemos essas coisas para completar esse pedaço que está faltando. Ah! Pedaço de mim que me arrancaram... Sou espiritual por causa disto: do meu corpo sai uma canção, um suspiro, um desejo, uma saudade de algo que não encontro, e penso que sinto, no vento, o cheiro dessa coisa..."
Não vou citar o nome do livro. Se alguém se interessar, pergunte.
(...)
É isso! E é por isso que vira e mexe eu me pego cantarolando o trechinho da música do U2: "I still haven't found what I'm looking for..." É porque eu não encontrei mesmo e talvez não encontre nunca. Não, eu não estou bem da cabeça - nem das pernas, nem do coração (:P)... Esqueça a compaixão. Meu caso não tem cura. Tá vendo, Santiago: MEU CASO NÃO TEM CURA! Somos iguais.

Vale a pena ver o vídeo!

3 comentários:

Eveliny Siqueira disse...

E eu adoro como seus pensamentos veem e vão, e você consegue fazer com que eu não me perca, como me perco nos meus próprios pensamentos.

beijoo Zion. ^^

Raffs disse...

muito pra pensar..
alguns anos de bagagem, passamos por muitas coisa que as vezes ficam mal resolvidas... e quando vem a avalanche, sai de baixo.

com relação a igreja, tenha calma. Deus está com você, sempre. um dia você encontra seu lugar.

eu mesma me converti, coisa que nunca pensei que fosse fazer. frequento a Bola de Neve e lá é o meu lugar...

Que Deus te dê sabedoria nessa fase turbulenta.

beijoss

Santiago disse...

Minha jardineira preferida!
Detão diferentes: IGUAIS! Tenho que concordar... E se não estivéssemos, ambos feridos, mortalmente envenenados na alma, não me espantaria se nos descobríssemos apaixonados (sorte no jogo...).

Deixa a maré subir! Deixa vir porque sei que o que emerge desses períodos de desatino...

É bom saber que está novamente debruçada sobre os livros, sobre os cadernos: coisa nova há de surgir. Espero que não tenha esquecido porque me lembro claramente que há quase um ano atrás nos prometeste um roteiro. Estamos ansiosos...

AMO-T

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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