terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cheiro das águas

Dessa vez eu senti muito perto. Foi quase como quando o salmista fala sobre a corsa que anseia pelas águas no Salmo 42. Uma vez escutei alguém explicar sobre a corsa, que é um animal de monhanha, tem perninhas finas e tá acostumado a subir grandes alturas (algum professor de Português me corrija os excessos, por favor - a norma culta não é muito o meu forte, quase sempre eu quebro os protocolos em todas as áreas da minha vida...). Voltando à corsa: ela passa muito tempo sem beber água, passando portanto, por situação de sede extrema vezenquando. Dizem que ela sente "o cheiro das águas", e se estica todinha, equilibrando-se sobre a pontinha dos seus casquinhos pra farejar a direção de onde vem a umidade (algum riachinho ou corregozinho por perto). Não me entenda de maneira literal, é claro que a gente aprendeu na escola que a água é insípida, incolor e... I-NO-DO-RA (será que mais alguém além de mim lembra dessas lições "utilíssimas" do primário?). Ora bolas, a corsa não pode, então, "sentir" o cheiro da água! Mas estamos falando em linguagem figurada, poética: o sentir em questão é algo além dos sentidos físicos, é uma convicção que não se pode confirmar através da explicação puramente física... mas de alguma forma ela está lá (ou aqui) e faz diferença na nossa maneira de tomar decisões e de agir. Não tente me entender. Nem eu mesma consigo. Também não é intenção fazer-me entendida, veja bem, já me basta que as minhas idéias desconexas façam você pensar ou inspirem algumas outras idéias (claras ouconfusas - como as minhas). O fato (pensou que eu tinha perdido o fio da meada, né?)... o fato é que alguma coisa aconteceu, eu não sei (nem sei explicar) o que foi mas que de alguma forma me fez me esticar pra tentar ver de onde vem esse "cheirinho de água", essa sensaçãozinha boa de que algo muito maravilhoso vai acontecer daqui a muito pouco tempo (pra quem tem esperado por toda a vida)! É muito sério isso: quando eu digo que vai acontecer alguma coisa, pode esperar... Da última vez que postei aqui que algo aconteceria (no caso, imaginei um "terremoto" na minha vida), dias depois realmente aconteceu - não o que imaginei, nem do jeito que eu queria - mas aconteceu. Pra não te deixar voando, caro leitor, eu explico (apesar de não ser nenhum pouco fã das explicações): o finalzinho do ano passado foi muito ruim pra mim (por uma série de fatores que não vem ao caso, absolutamente, 'inda mais agora). Eu fui somatizando o estresse todo, guardando, armazenando... Dá última vez que isso aconteceu (há uns anos atrás), eu juntei toda a minha indignação e fúria de depois de uma fase ruim e transformei em vários roteiros pra Teatro (o Santiago - amigo de todas as horas - até comemorou por aqui, pensando que dessa vez sairia alguma coisa do nível de um Hamlet, rs...). Que nada! Passei o mês de janeiro inteirinho doente: correndo pro hospital, tirando "litros" de sangue pra todo tipo de exame, servindo de piada no consultório do meu clínico geral (ele é uma figura!)... emagreci pra caramba (e já não tinha mais pra onde), quase morri de dor, de medo de agulha, de consultório, de jaleco branco, de abrir os envelopes e achar um acenozinho da morte, sei lá... No final, "contando mortos e feridos: salvaram-se todos", quero dizer: fui salva. Mais dos medos do que qualquer outra coisa. A pane na minha saúde foi o capítulo final. Daí que o médico riu mesmo: "O pior é que você tem a saúde de uma criança! Eu não entendo, os exames não acusaram NADA!" Maravilha!!!! Mas os sintomas continuaram lá por muuuuuitos dias ainda. Hoje posso dizer que foram embora quase que por completo: estamos no finalzinho do tratamento. O que o clínico chamou de estresse, a minha terapeuta disse que era doença psicossomática (de fundo emocional) e a galera mais próxima agora danou pra me chamar de EMO. Vê se pode!? >>> Volto às águas: daí que sempre depois de uma noite, o sol da manhã brilha forte como se a escuridão não tivesse sequer existido e eu LI-TE-RAL-MEN-TE senti a proximidade de grandes sonhos da minha vida sendo realizados em um espaço de tempo muito curto. Projetos que estão em incubação há dez anos ou mais começaram a crescer sobre a mesa e os meus olhos foram se enchendo de esperança, os pulmões de uma alegria cristalina. Tudo muito bom! Quando saí da casa dela (da minha terapeuta) ontem, as lágrimas vieram fortes, com uma convicção tão grande crescendo dentro do peito, que foi quase como se uma ressurreição tivesse ali naquela horinha de conversa, de repente acontecido. Passou um filminho pela minha cabeça: cada dificuldade soou então como uma preparação pra suportar o que vem pela frente. Senti o cheiro das águas...

1 comentários:

Angel disse...

Bons ventos soprando pelos lados do Distrito Federal! Que bom, fico feliz, cara amiga. Conheço-te pouco, mas, o suficiente para dizer que você merece. Dizem que depois da tempestade vem sempre a calmaria, não é mesmo? Pois é, estou começando a acreditar nessa história.

Não sabia que janeiro tinha sido assim... Perdi algum post aqui ou você não chegou a falar diretamente sobre o que se passava? Enfim, pelo menos já passou.

Aguardarei as boas novas, que virão em breve!

Abraços!

Sejam bem-vindos!

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