terça-feira, 30 de março de 2010

O silêncio - parte III e outras coisas...

Olá. Eis-me aqui novamente contemplando, perplexa, as voltas que a vida dá. As surpresas e as cartas marcadas, os revéses (nem sei se isso tem acento) e as vitórias ainda no primeiro turno. Nem perca o seu tempo tentando me entender (e isso é pra você, especificamente - você que vive me tentando me decifrar...) esqueça, pois nem eu mesma consigo! Dos tantos acontecimentos nos dias que se passaram desde a última postagem, talvez eu não tenha competência de eleger o que daria uma boa crônica mas sei que se eu sentasse à sua frente para contar as maluquices que me acontecem ao atacado diariamente, talvez nem você soubesse selecionar os "causos" pra publicar num livro.
O fato é que eu abri o meu baú com algumas coisas do ano passado (papéis, cartas, bilhetes e composições dos meus alunos) pra dar uma olhada. Mais um a surpresa daquelas: era um desenho ainda sobre o SILÊNCIO, tema exaustivamente "batido" no último semestre de 2009 com as minhas turminhas. O desenho era bastante expressivo mas continha uma frase, ao meu ver, ainda mais impressionante: "O silêncio... esse misterioso... ele é um fantasma que rouba a voz das pessoas." Fiquei pensando. E mais pensando. Dividi com algumas pessoas a minha intrigação mas é muito estranho falar uma língua que ninguém entende. Ninguém acompanha as minhas viagens, cara! Ninguém. A solidão (às vezes) é a melhor companhia que eu consigo arranjar por conta das minhas palas. Parece que muito do que eu falo causa desconforto nos demais à minha volta então prefiro ficar calada. Despejo as minhas maluquices aqui no blog. Ou não!
Pra você ver: a minha irmã publicou no blog que ela vai (entenda "nós vamos") ver a Vanessa da Mata, que vai fazer show aqui em Brasília daqui a alguns dias. Confesso que tenho sofrido de comichões. A Vanessa é uma das poucas cantoras de voz "fininha" (é aguda, eu sei!) que eu realmente gosto de ouvir. É de uma doçura que me enternece. Gosto dela. Pra mim, é realizar um sonho ir a um show onde ela vai dividir palco com a Fernanda Takai (essa é mais pro gosto da mana) e mais outra lá que não me recordo o nome. Vamos de área VIP e tudo, maior doideira! Poxa, e eu saí flutuando, contando pra Deus e o mundo do nosso programinha cult pra gente toda fazer pouco caso, tipo: "aham... hum, que bom, mas me passa o sal aí por favor." Aff! De matar... E me rendeu um aborrecimento esses dias porque eu acabei fazendo uma brincadeira de péssimo gosto com uma pessoa que eu gosto muito por conta disso. Me arrependi amargamente e obviamente fui pedir perdão. Detesto magoar as pessoas. Dói mais em mim quando sei que feri alguém, esteja certo disso.
E lá vou eu com essa "febre" de sensibilidade... Eu que sou a mais velha (ou primeiramente nascida) dos quatro filhos que meus pais puseram no mundo, ganhei de presente, há três anos atrás uma amiga que se auto-entitulou minha irmã mais velha - e eu achei isso o máximo! Domingo passei o dia na casa (nova) que ela mais meu cunhado alugaram, aqui bem pertinho de onde eu moro. Flavinha é uma dessas pessoas únicas, na casa de quem eu não me sinto constrangida de passar o dia inteiro deitada no chão da sala vendo filme na TV, e foi exatamente como passei o domingo inteiro. Olha! Até ver filme na Tv é coisa que eu ando fazendo nessa vida, minha gente (considerando que eu não suporto ver filme, até por que a minha capacidade de concentração não permite)! Pois então... eu vi pela décima-sei-lá-qual vez o Patch Adams e pra variar, chorei pela décima-sei-lá-qual-vez o filme inteiro. É uma lado da vida me puxando pra esses arroubos emocionais e o outro lado me empurrando pro abismo da indiferença e insensibilidade. É cruel ser eu às vezes, sabe...
Tenho muito a escrever: uns trechos de livros que às vezes me roubam a tranquilidade com pensamentos que vão se espiralando até onde a minha "visão" não mais consegue acompanhar. São anotações em um caderninho que tenho feiro à parte. Muita idéia, muita inquietação, muita coisa boa pra coisa nenhuma que costumo tomar nota pensando no blog, pensando no livro e pensando em ninguém; so pensando mesmo. O pessoal do Blogger poderia colocar uma opção de publicação em áudio, né? Sei lá. Eu experimentaria contar alguma historinha do cotidiano por aqui ou quem sabe gravar alguma conversa mais animada do pessoal daqui de casa pra vocês saberem que eu tenho mesmo a quem puxar nesse jeitinho maluco de ser...
(...)
Minutos depois.
(...)
Aff, quanta bobagem eu escrevi aqui, meu Deus! Mas vou apagar não! Deixo-vos com as minhas bobagens e com a Annie Lennox (No more I love yous). É que durante um comercial do filme, o Lucas, passado os canais com o controle remoto parou nesse clip. Fazia tempo que não ouvia. Fiquei com a letra "na cabeça".

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tipo isso...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cotidiano

Tá, tá certo que eu sou insuportável às vezes... Também é verdade que ultimamente eu ando meio fora do ar, caladona, sem dar muita trela pra brincadeira e tal... E além disso, eu sou intolerante pacas com as pessoas (até que sou paciente mas a minha tolerância tem um limite bem reduzido). Não bastasse, ela me pegou num dia mal! Poxa mas também, né?! Eram nem 6:30h da manhã e ela já entra no carro contando as desgraças do dia anterior, cara!!! Mal dá bom dia e já vai assim... falando de coisa ruim nem bem a gente acordou direito.
Explico: é que tem uma carona que vai com a gente pro trabalho. Eu acho ela meio resmunguenta (veja bem: eu acho ela resmunguenta... não saia por aí difamando a criatura nem espalhando que eu falei mal dela palamordeDeus!). Tem mania de falar de coisa ruim e, sinceramente, não gosto de más notícias: nem de dar nem de receber e fico extreeeeeemamente irritada com quem parece que tem vocação pra arauto da desgraça própria - ou alheia. E ainda tem gente que parece que vestiu a capa do "infeliz", achou que caiu bem e ainda por cima desfila na nossa frente exibindo a vestimenta pra ver se provoca alguma reação! Isso é que não.
Dia desses a nossa amiga entrou no carro já reclamando da vida: "- Ah, sabe, tem dias que eu levanto de manhã e olho no espelho... me dá uma vontade de ser outra pessoa, de viver outra vida pelo menos por um dia, ter outra profissão..." e blablababla que não para nunca! Foi a deixa. Eu esperei ela terminar a choradeira e brinquei: "- É... eu também tenho esse problema! Tem dias que eu levanto da cama, olho no espelho e pergunto a Deus por que eu sou tão bonita? É difícil mas eu tenho que conviver com isso! Eu queria ser feia só por um dia pra ver como é mas nem dá né?" Fez-se um silêncio sepulcral dentro do carro. Tá bom, peguei pesado, eu sei. Fui indelicada e nem quero me justificar. Mas não deu pra segurar. Sinto muito.

terça-feira, 23 de março de 2010

O silêncio - parte II

Liturgia do silêncio, por Rubem Alves
Muitos anos atrás, passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grands Champs. Eu e algumas pessoas ali estávamos, para juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio não total, mas de uma fala mínima. Só falar quando a fala fosse melhorar o silêncio. Isso me deu um enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa sem pé nem cabeça com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Fui então informado que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes ao dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci. Tenho horror a sermões. Mas me conformei.
O lugar era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminada por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos, arranjados em "U" definiam um espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre uns tapetes. Cheguei alguns minutaos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio. Nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas pelo ventos impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram.
Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuávamos do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: "Meus irmãos, vamos cantar o hino". Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estava lá para se alimentar do silêncio. E eu comecei a me alimentar do silêncio também. Silêncio tem gosto bom. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. E comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência e referiu-se a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. É preciso que todos o ruídos cessem. (...)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Um caos dentro de mim

"Eu vo-lo digo: é preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançarina.
Eu vo-lo digo: tendes ainda um caos dentro de si".
(Nietszche, em Assim falou Zaratustra)

domingo, 21 de março de 2010

São as águas de março fechando o verão...

Cara, como choveu em Brasília esses dias!!!

O silêncio - parte I

Amo o silêncio. É fato e nenhuma novidade por aqui. Ano passado, eu estive um pouco preocupada com a excessiva inquietação dos meus alunos. Acabei por preparar algumas aulas sobre o silêncio. É... eu queria forçá-los a pensar sobre o silêncio, sobre o não-barulho, sobre o não-falar, sobre os sons que se pode ouvir quando os nossos ruídos externos são silenciados.
Fiz várias provocações: contei história, lancei alguns questionamentos pra eles pensarem, expliquei, entre outras coisas, que na música "as pausas" têm um sinal específico que aparece quando os instrumentos devem parar por um período de tempo. Devo lembrar que eu trabalho com crianças e especificamente neste caso, as crianças tinham de oito a onze anos de idade. Pedi a eles que ao final, fizessem uma interpretação pessoal do silêncio através do desenho (surgiram algumas definições escritas também).
Esses dias eu estive revirando alguns papéis, alguns trabalhinhos da moçada (do ano passado) que eu faço questão de guardar - aleatoriamente ou por algum significado pessoal. Dei de cara com algumas pérolas...
Essas duas aí em cima sou eu. Tinha duas alunas gêmeas na 4ª série, ano passado. Uma delas (não me pergunte qual porque eu sempre confundo, só sei quem é quem olhando de perto, rs...) e mais a Bebella me desenharam assim no quadro branco: sorrindo e chorando. Confesso que fiquei intrigada (com o desenho). Fui saber o porquê da interpretação assim tão dramática. Fiquei surpresa. As meninas me explicaram que era assim que elas imaginavam o silêncio: eu sorrindo e principalmente, eu chorando. Será que elas sacaram o meu estado emocional no finalzinho do ano passado? Vai saber... criança parece que adivinha as coisas.

domingo, 14 de março de 2010

Se tivesse ido eu voltaria... ou não!

Pois bem... essa coisa de blog de certa forma vicia. E eu não alimento vícios. Tenhos hábitos e manias mas quando percebo que algo me toma mais tempo e energia do que deveria, quando desconfio que a minha atenção foi capturada por alguma coisa (ou pessoa) e que está se tornando difícil me abster de tal objeto ou companhia - é a deixa - saio de fininho. Tudo me interessa e nada me domina. Não foi assim que eu aprendi. Eu aprendi que "todas as coisas são lícitas mas nem tudo me convém; todas as coisas me são permitidas mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (Isto está escrito na Bíblia, em I Coríntios 10:23). Precisei mesmo daqui me afastar uns dias por vários motivos, um deles, pra saber a quantas anda o meu apego por estas maltraçadas linhas! Outro motivo: gastei tempo sonhando com a viagem a Recife: andei pesquisando preço de passagens aéreas, sondando conhecidos que moram por lá pra não ficar avulsa na cidade e desperdiçar meu precioso tempo... E fiz e refiz as contas, examinei cuidadosamente o calendário. Apesar dos meus esforços ainda não reuni todas as condições favoráveis pra definir a data. No mais, fiquei lendo, e escrevendo, escrevendo e lendo. Conversando com gente, vendo gente, chorando junto e chorando separado. Vezenquando alguém me perguntava (na vida extrablog) se eu não ia mais postar ou atualizar e blablabla... Vou sim - respondia - e toca a falar da vida.
Trabalhei muito estes dias. Muito! O que sobra além da canseira é uma preguiça de dar medo. E fora isso, as pessoas daqui de casa resolveram fazer festa dois finas de semana seguidos: e foi farra gastronômica, porres de Coca-cola com gelo e limão, conversa e mais conversa com a família, com os amigos, sessão de fotos pra Orkut (odeio Orkut, só pra constar!), e mais comilança capaz de fazer até com que eu me preocupasse com o excesso de peso (olha a que ponto chegamos...).
Santiago viajou pra Alemanha. Depois voltou da Alemanha. Trabalho e mais conversas. Dia desses ele me deu um conselho. Pausa. Detesto conselho! Odeio com todas as forças. Não assinei procuração pra fih'dua'égua nenhum dando permissão pra controlar a minha vida! Mas eu andava meio encafifada com umas coisas aqui que não se resolviam dentro de mim, umas desconfianças e umas vontades frustradas que foram dando forma a mais uma crise querendo se instalar nas minhas nada equilibradas emoções... Enfim, aceitei o conselho! Ele me disse pra não me preocupar (aliás, rendeu até post no blog dele, com som de Dire Straits e tudo mais). Além de não me preocupar: parar e observar os gestos, os olhares, as atitudes das pessoas. Ele disse pra me entregar à contemplação silenciosa até que fossem esclarecidas as minhas dúvidas. Batata!!! O silêncio e a contemplação tem me feito muito bem. Principalmente o silêncio! Ele ensurdece as pessoas inquietas ao nosso redor e isso é fantástico.
Como se não bastasse a primeira intromissão consentida, ele foi mais além: me disse pra parar de ler conto de fadas, disse que eu estava precisando de um pouco de realismo literário! Olha que impertinente!!! E me indicou Balzac, A Mulher de trinta anos... Na hora fiquei meio com raiva porque achei que ele tava me sacaneando por causa da minha idade mas fui comprar o bendito do livro e estou terminando de ler. Realmente muito esclarecedor. Vale um agradecimento tímido.
Então... não estou viciada no Blog. Senti falta mas consigo viver perfeitamente sem ele. Pensei até em deletar este e começar outro, com outro nome, outra cor, outros temas... mas desisti. Ah! Apesar de não ter postados esse dias para trás, li tudo dos blogs que acompanho! Isso eu tenho que deixar bem claro. No mais... voltei e até mais.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Onde "beneditino", leia ZION!

A um poeta (Olavo Bilac) . Longe do estéril turbilhão da rua, beneditino escreve! No aconchego do claustro, na paciência e no sossego, trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! . Mas que na forma se disfarce o emprego do esforço: e a trama viva se construa de tal modo que a imagem fique nua, rica, mas sóbria, como um templo grego. Não se mostre na fábrica o suplício do mestre. E, natural, o efeito agrade, sem lembrar os andaimes do edifício. . Porque a Beleza, gêmea da Verdade, arte pura, inimiga do artifício, é a força e a graça na simplicidade.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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