segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tô brava!

Então... esses dias eu futucando umas coisas na net e dei de cara com as entrevistas com o Patch Adams no Youtube. Engraçado isso porque já assisti ao filme mais que uma dezena de vezes e nunca me dei conta de que o filme foi baseado em fatos reais, que ele ainda poderia estar vivo e coisa e tal... coisas da minha deficiência de atenção! Aliás, acho que eu prestava sempre mais atenção no poema do Neruda que ele passa o filme inteiro tentando recitar e só consegue depois que a mocinha morre. Mas voltemos à vaca fria: muita gente veio comentar que viu os videos e que achou legal, piririm-pororom (...) e que tem mesmo muito a ver com a visão de trabalho social (que é um projeto antigo - nosso - quase em trabalho de parto) que eu gostaria de fazer acontecer, algo voltado à melhoria da qualidade de vida da minha comunidade, mas ainda não começamos efetivamente. Primeiro porque não dá pra se basear apenas em boa vontade e um rostinho bonito (o meu, naturalmente, rs) pra fazer um a coisa assim funcionar; é preciso ter, além de amor, competência, convicção, caráter, boa formação e muita coragem: embasamento teórico-filosófico-sociológico-político-teológico... sei lá mais o quê! Não se sustenta um treco assim só com boa intenção. Alíás bem diz um amigo meu que "de boa intenção o cavalo de Tróia estava cheinho"! Foi isso o que mais me impressionou no Patch: a consciência política (nem conformista, nem ceticista, nem niilista, nem chovinista, nem derrotista, nem evangelista, etc-etc) e a visão ampla das coisas. Eu sou muito fã dos caras visionários!!! A minha terapeuta mesmo, há mais de vinte anos nos conhecemos e ela desde lá alimenta esse sonho de trabalhar pra melhorar a vida dos outros. Tô com ela e não abro! Confesso que só tem um jeito de EU ser feliz nessa vida: vendo gente feliz ao meu redor, rindo à toa, não desistindo diante das dificuldades, se apaixonando e se emocionando, gente pensante e "sentinte". Nada mais, nada menos. Enquanto o sonho não se realiza, a gente estuda e mais estuda que é pra ter o que falar entre os doutores. Quem tem o dinheiro quer ouvir falar bonito não importa quão bom seja o seu trabalho. E enfia a cara nos livros, estuda pra tirar certificado, pra falar Inglês, pra escrever bem, pra conhecer o que se anda fazendo por aí no ramo...
O Patch me exorcisou daquele sonho romântico-utópico de que somente regando o chão com lágrimas a gente consegue cultivar um jardim; não, não! Eu percebi que muitas vezes a gente vai ter é que derramar sangue mesmo (porque suor do meu rosto já tem caído juntamente com as lágirmas dioturnamente) - o meu! É "dar o sangue", literalmente. Não é ser bonzinho nem complacente: é entrar nos lugares, nem que seja metendo o pé na porta pra se abancar e fazer a diferença la dentro! E isso na Igreja, no Congresso Nacional, no meu trabalho, dentro da minha própria casa! Outra coisa que ele desmistificou (e eliminou da minha lista de preocupações) é a do "trabalho social" vinculado a alguma atividade religiosa... Séculos de História já provaram que isso não dá certo, nem vamos discutir, OK? Não dá certo e se você tiver alguma dúvida procure algum livro sobre História das Religiões e só depois de examinar com cuidado venha conversar comigo, pra gente não perder tempo...
Das minhas (poucas) conclusões, posso ir adiantando que a opção de viver em prol de uma vida melhor (enquanto ainda há planeta Terra habitável) tem muito pouco a ver com opção religiosa, sexual, política... tem mais a ver com cárater, coerência, competência e essas coisas que não se veem nem se colocam rótulos mas que dá pra perceber facilmente se uma pessoa tem ou não tem. E eu tenho visto nessa vida uma turma de gente que auto-denomina "cristã" mas que é néscia e se comportam como uns boçais... Do contrário também acontece, de ateus e espíritas darem exemplo de fidelidade e amor. Não custa repetir: também acerca dessas coisas, examine bem o que você anda fazendo pelos outros, o impacto que vem causando nas pessoas ao seu redor... depoooooooooooooois, venha conversar comigo. Muita gente que fala demais sofre de pura falta de assunto mesmo. E no mais, sempre acreditei que AMOR (ah, o amor...) é uma AÇÃO e não combina com contemplações abstracionistas, com teologismo baseado em letra morta: mostra-me a sua fé que eu te mostrarei a minha refletida nas minhas obras, na impressão que eu posso causar numa vida. Vamos ler a Bíblia mas praticar o que de mais importante ela tem a ensinar. Vamos ler os Poetas mas abraçar e acolher mais aqui na vida real também. Vamos falar mal do sistema, da política, do salário, do chefe, da economia mas vamos também deixar claro que cruzar os braços e soltar o verbo, simplesmente, não ajuda em nada e muitas vezes só atrapalha. E ponto final.
Tenham todos uma linda semana...
Shalom (e vai procurar também o que significa Shalom antes de sair por aí dizendo "amém" e "aleluia" pra tudo, ora bolas.

1 comentários:

Angel disse...

Viviane, um dos textos mais intensos que já li aqui, se não o mais. Dou a cara pra bater e digo: não faço nem 1/3, talvez nem 1/5, do que eu DEVERIA fazer pelos outros. A maioria das pessoas, e me incluo, está tão focada em suas vidas, trabalho, estudo, melhorar a vida, fazer isso, fazer aquilo, que se esquece de quem está ao lado.

Sua idéia é ótima, e ficarei na torcida para que você consiga dar cabo, e torná-la real. Torço também para que a idéia me contamine, e eu faça mais pelos que me cercam

Abraços, minha amiga!

P.S.: Obrigada pelo comentário no meu post de retorno... :)

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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