domingo, 30 de maio de 2010

Machado de Assis III + eu mesma

"Não é a verdade que convence, é a convicção. Convence-te de uma idéia, e morrerás com ela. Nem é outra a grandeza dos sacrifícios, mas se a verdade se acerta com a convicção, então nasce o sublime."

Tava aqui lendo e pensando na vida. Certas coisas são tão sérias e têm uma relevância tão grande na minha vida que sobre as quais prefiro nem falar. São sagradas, são coisas a serem ditas aos sussurros e apenas a quem de direito. Mas sei que por aqui passam pessoas que nutrem algum tipo de curiosidade de saber a quantas anda a minha vida espiritual.
Primeiramente gostaria de traçar algumas linhas acerca das minhas convicções a respeito do que vem a ser o "reino espiritual" e as coisas ligadas a ele. Vou logo dizendo que não me apego a rótulos. Quando alguém me pergunta se sou cristã, digo apenas que creio em Cristo - e se isso me enquadra no conceito, a pessoa entenda e rotule como bem entender. A vida é mais que os rótulos e os muitos nomes que damos às coisas.... O fato é que depois de viver 10 anos da minha vida dentro (e isso quer dizer exatamente DENTRO) da Igreja (evangélica), eu cansei das liturgias, dos dogmas, das programações, dos rituais e principalmente: da falta de coerência entre o que se fala e o que se vive. Não é culpa de ninguém - eu nuca disse isso! E também nunca atribuí a minha frustração com a vida religiosa às atitudes de B ou C. Não gosto de acusações, nem de eleição de culpados pra simples desencargo de consciência de outros.
Mas voltemos à minha crença a respeito do mundo espiritual. Pra mim ele é mais real que o mundo físico. Existem muito mais coisas inexplicáveis do que a nossa mente consegue alcançar (tá, tá bom, eu quase parafraseei o Hamlet, não era bem essa a intenção). A explicação teológica do homem tripartite é a melhor a meu ver: corpo, alma e espírito. Como Deus é três e também é um (essa parte eu só consegui "entender" depois de ler um livro chamado A Cabana, que ilustra a coisa de maneira mais acessível). O corpo é a parte material, o espírito, a parte imaterial. E a alma (também imaterial), faz uma espécie de "ponte" entre os dois. Existe o mundo físico (este "visível", que obedece as leis físicas) e um mundo paralelo a este, o espiritual, onde estão as coisas "do além". Mesmo que não possui alguma orientação religiosa, reconhece que alguns fenômenos não são explicáveis pura e simplesmente pelas leis naturais, apreendidas empiricamente e catalogadas pelos cientistas ao longo dos séculos. Abro mão aqui de maiores explicações. Prefiro conversar sobre este assunto pessoalmente, que daí você vê o brilho dos meus olhos simplesmente porque é um assunto que me empolga (obviamente, se você tiver coragem de conversar com alguém que não tem pretensão de convencê-lo de coisa alguma, mas tão somente de compartilhar algumas inquietações - ou convicções. E nem tiver pretensão de me convencer também, o que é muito importante. Eu disse, certa vez que a gente precisa aprender a ter cá a nossa maneira elegante de discordar sem ter que romper com quem quer que seja por causa de entender determinados assuntos de forma diferente). Ponto.
E sim, eu também creio em Deus (s. m. Ente infinito e existente por si mesmo; a causa necessária e fim último de tudo que existe / Em teol. cristã, ente tríplice e uno, infinitamente perfeito, criador e regulador do universo)! Desse jeitinho mesmo, que eu copiei do dicionário on-line por pura preguiça de procurar os meus manuais de Teologia. Deus é espírito. Não pertence ao mundo físico e não adianta tentar entendê-Lo através da nossa mentalidade limitada porque está além das definições e das representações que desejamos fazer (pura pretensão). Eu faria algumas perguntas aqui mas prefiro ir adiante... Eu sou um espírito que habita em um corpo. E é essa parte espiritual que está capacitada a interagir com Deus (não querendo dizer que a alma e o corpo não participem do processo). Cheguei onde eu queria.
Foram dez anos de militância cristã. Um terço da minha vida. Muito tempo, levando em consideração que grandes amizades minhas iniciaram treze ou catorze anos atrás. Fui muito feliz na Igreja. Muito. Aprendi muito. Devo aos meus líderes muito do que sei e do que sou hoje. Foram pastores, músicos, ministros em todas as áreas de atuação... muitas oportunidades de crescer, de aprender, de conviver com gente equilibrada e com gente absolutamente descompensada (mas que acrescentaram lições importantíssimas na minha vida). Enfrentei muita luta e muita perseguição (dentro de casa, entre os amigos mais antigos, na faculdade...) por ter optado viver um estilo de vida diferente da maioria. Sofri, chorei e apanhei (literalmente) muito durante muito tempo. Amarguei crises sozinha e outras acompanhada. Ajudei muita gente, de diversas maneiras e recebi ajuda. Amei, briguei, me arrependi, reconciliei, e chorei, chorei, chorei... Sonhei muito, realizei muitas coisas mesmo sem ter condições para tais façanhas. Muito jovem cheguei a ser líder e referência dentro da Igreja mas com o passar do tempo a gente vai percebendo que as motivações vão mudando e de repente você não se reconhece mais como aquela pessoa apaixonada do início.
Era o meu maior medo: cair na rotina, me conformar com algumas coisas que sempre me incomodaram. E quando eu tinha a oportunidade de conviver com os "crentes mais antigos", já gagás no ambiente eclesiástico, o discurso deles era que o tempo ia passar e eu ia acabar me tornando como um deles: frustrados e conformados com o sistema. Eu dizia que não! Mas comecei a perceber há três anos atrás que a paixão que me consumia nos primeiros anos havia meio que morrido. Certas coisas já não me incomodavam mais e eu CAÍ NA ROTINA RELIGIOSA!
(...)
Continua.

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