quinta-feira, 10 de junho de 2010

Isso lá é coisa que se faça?!

"A vida gira com suas rodas naturais, mesmo que "gastemos" neurônios?", pelo blogueiro Ives.


Bendita seja a habilidade de se fazer perguntas!
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Detesto responder perguntas. Detesto! Não é novidade por aqui. Mas eu nunca disse que perguntas não devessem ser feitas. Muito pelo contrário: perguntas devem ser feitas. Mas que importa se não tenham resposta ou se transformem em outras perguntas, se desdobrem em outros tantos questionamentos que se espiralem até onde a imaginação não alcance? Perguntar é uma arte. Um talento para poucos fazer perguntas pertinentes.
Eu tive um professor de Filosofia na Faculdade que nos pregou uma peça: aplicou uma prova surpresa, prova esta que não cabe em nenhum molde ou manual moderno das correntes pedagógicas ou seja lá como chamem essa parafernália toda que serve mesmo para nos mostrar o quão distante é a realidade da teoria. A prova consistia em elaborar uma questão, uma pergunta relevante, tendo como base o conteúdo estudado até então na disciplina. Pense em uma classe de futuros pedagogos estáticos, gélidos, pasmos! Era a minha comigo incluída, obviamente. Era o caos! Passamos uma aula inteira tentando elaborar a malfadada pergunta. Uma tortura que fez os cinquenta minutos se arrastarem feito tartarugas sonolentas até que finalmente, com os papeizinhos devidamente "perguntados" e assinados em mãos, nos dirigíamos à mesa do Dr. em Filosofia da Educação para entregá-los.
A cena seguinte foi ainda mais aterrorizante. Ele simplesmente disse: "Não, não! Não me entreguem. Vocês agora vão levar as próprias perguntas para casa e respondê-las em papel A4, digitar em fonte e espaço assim e assado, tantas e tantas laudas. Tchau para vocês e até a próxima."
A explicação: aula seguinte, futuros pedagogentos indignados (claro!) com a atitude do tal Doutor Professor bombardearam-no com questionamentos sem fim sobre a didática - e não sobre o conteúdo em questão. Passamos outra aula inteira discutindo relação (outra coisa para a qual eu não tenho a menor paciência) em vez de irmos aos "finalmentes". A justificativa que ele nos deu foi a seguinte: qualquer pessoa qua faz uma pergunta, já faz alguma idéia da resposta. Por isso ele estava nos ajudando a formular as nossas próprias "teses" e defendê-las. Em uma lição muitíssimo simples, nos mostrou o caminho das pedras no sentido de fundamentar o nosso ponto de vista. Desmascarada foi a nossa hipocrisia na nossa cara! Dificilmente alguém faz uma pergunta "no escuro", sem saber realmente o que vai (ou espera ouvir) como resposta. Daí eu entendi tudinho! E tirei cá outras tantas conclusões.
Por essas e outras é que eu detesto responder perguntas. Nem sempre (na verdade quase nunca) estou muito "antenada" no que a pessoa quer ouvir e literalmente me complico, meto os pés pelas mãos, falo o que não devo. Hoje mesmo, uma colega de trabalho me fez uma perguntinha capciosa, dessas de deixar a gente em saia justa - ou eu falo pra mostrar que sei ou saio pela tangente. Fui categórica: "Essa, minha cara, ainda que eu soubesse a resposta, não responderia"! E fim de assunto.
Mas voltemos à pergunta do Ives. Balancei. Gosto desse tipo de pergunta exatamente porque não tem resposta. Não assim, resposta certinha, redondinha como os colegas mais ortodoxos gostariam certamente. Me fez pensar e o simples ato de pensar abre uma porção de novas possibilidades, de novos questionamentos... Êta coisinha boa essa de pensar! É o que faço de melhor - de pior. Não arriscaria responder mas apenas compartilhar uma pontinha do que passou ligeiramente pela minha cabeça...
Sim, a vida gira com suas rodas naturais e não há nada que possamos fazer para detê-la! Ao mesmo tempo isto assusta e seduz, provoca indignação e conforto. Talvez eu gaste toda uma vida e todos os meus neurônios pensando em uma resposta que satisfaça. Talvez.

5 comentários:

osvjor disse...

vc não gosta de responder a perguntas porque fica tentando adivinhar o que a pessoa quer ouvir? É isso? Não é? De onde tirou essa idéia? De onde viemos? Pra onde vamos? Qual o sentido disso tudo aqui?

Viviane Zion disse...

hahahahahahahahahahahahaha (e faltariam agás e ás no meu teclado)!!! rolei de rir!

mas quem foi que disse que eu fico tentando adivinhar o que as pessoas querem ouvir??? eu fico mesmo é tentando decifrar o que as pessoas REALMENTE queriam perguntar! e como quem pergunta nem sempre quer mesmo saber, qualquer resposta que eu dê, satisfaz.

aff...

Viviane Zion disse...

continuando...

é isso que me irrita: a falta de objetividade e de profundidade de quem pergunta. pra me estimular a responder tem que ser um troço fora do comum... tem horas que eu penso que as melhores perguntas são essas mesmo, que "parecem" não ter resposta! elas é que duram mais tempo na memória, martelando, "coçando", doendo e corroendo as idéias. são as melhores... eu acho.

shalom.

osvjor disse...

pelo q entendi então são três coisas:

1) vc fica tentando adivinhar QUE PERGUNTA está por trás DAQUELA pergunta. então, não deixa de ser uma forma de tentar adivinhar o que aquela pessoa está REALMENTE querendo saber, já que uma pergunta OCULTA estará ocultando um desejo de conhecimento não expresso.

2) ... (esqueci, droga)

3) pra se sentir estimulada a responder, vc quer perguntas profundas. então, te perguntar as horas na rua nem pensar.

já o meu problema não são NECESSARIAMENTE as perguntas, mas o esforço muitas vezes necessário pra RESPONDER às perguntas. porque eu simplesmente muitas vezes não quero falar, um defeito de nascença, que eu, aliás, não costumo aturar muito nos outros, embora deva admitir que gostaria que MUITA GENTE fosse muda -- e parasse também de falar em "caixa alta", como eu estou ridiculamente escrevendo algumas palavras neste comment...

Viviane Zion disse...

Hahahahaha...

então você entende o meu dilema!
"porque eu simplesmente muitas vezes não quero falar"; - é isso!!! o silêncio, até quando se está (bem) acompanhado pode ser bastante interessante!

À sua análise: quanto mais profunda a pergunta, melhor, mas tb não tenho neura de responder "as horas" a quem pergunta. Aliás, há algum tempo atrás eu nem saberia responder quantas horas são porque eu comecei a usar um relógio de pulso há apenas 1 mês (antes, não usava). Isso porque eu achei um reloginho lindo com o desenho de uma personagem de desenho animado que eu adoro...
Enfim...
E tem também o fato (observado ao longo da minha vida) de que maioria das vezes em que eu abro a boca, arranjo alguma confusão. Aprendi empíricamente que melhor mesmo é manter a minha boquinha bem fechada pra escapar das situações "chatas" que insistem em me acontecer...

Abs...

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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