terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vingança?

Eu e ela revirando uns papeis dia desses. Num dado momento, para e pergunta:
- Viviiii...
- Fala.
- Você é uma pessoa vingativa?

Pausa.

- Sou não. Por quê?
- É porque tem horas que você me lembra a Noiva, do filme do Tarantino... rsrsrs (ela ainda ri, meu-Deus-do-céu!)
- Hehe... engraçadinha...

Pra ela me comparar com a madame do filme Kill Bill deve ter lá seu fundamento... Daí pra frente foi viagem pura, meu amigo! Entrei em outra dimensão. Realmente não sou uma pessoa vingativa, mas por que mesmo hein!????
(...)
Ah sim... Lembrei que da última vez que resolvi me vingar de alguém a sensação que veio depois foi tão ruim que não compensou a momentânea alegria e me fez prometer a mim mesma nunca mais despender energia por uma causa fútil. Lembrei que havia uma vizinhança muito bizarra no luger onde eu morava, tinha um playboy insuportável que era um boçal mas achava que fazia (algum) sucesso só porque desfilava de "carrão". Noite daquelas eu voltava pra casa de um dia intenso de trabalho, abarrotada de coisas nos braços, chovia pra caramba e mal dava conta de equilibrar o guarda-chuva, a bolsa, sacola, livros, cadernos, etc, etc...
Percebi que vinha carro atrás de mim (por causa do farol) e afastei pro canto por causa da pista molhada (explicações são dispensáveis no momento, eu acho). Tudo o que menos queria era tomar um banho de lama e... foi exatamente o que a simpatia que estava no volante (sujeito digno de uma cela 5 estrelas no Zoológico) fez: acelerou e passou bem coladinho, espirrando lama em mim e nas coisas todas que eu estava carregando. So não xinguei a criatura de "santo nem de rapadura" (haha, lembrei o Santiago agora)!!! FDPFDPFDPFDP...
Surpresa eu fiquei mesmo ao observar que o moço parou o carro exatamente algumas casas à frente e (parece) ficou esperando eu chegar mais perto - o que fiz sem cerimônia, afinal morava naquela rua e precisava (mais do que nunca) voltar pra casa. Em frente à minha casa percebi quem era., pois o sujeito desceu do carro e ficou olhando de lá de onde estava, na chuva mesmo, enquanto eu abria o portão com a maior dificuldade, toda encharcada de lama, calculando a perda total do material que trazia em mãos...
Olha, demorou um bom tempo pra eu abrandar a fúria, viu... Dias se passaram e eu quase havia esquecido. Belo dia saí com a minha irmã pra lanchar na padaria (a gente tem o costume de fazer essas coisas, sabe, quando se quer um pouco de privacidade nas conversações). Ao passar em frente à caserna do cidadão... olha! O carrão do rapaz bem ali na minha frente, recém-lavado e cheirando a xampu! Meu, foi automático: de repente o chaveiro com as chaves de casa saltaram da minha mão, parecia que estavam anunciando, relembrando a presença dele ali naquele instante mágico em que a adrenalina subiu às alturas e o sangue foi "no olho"... Olhei pra minha irmã e pras chaves, ela, claro, percebeu, sorriu de lado mas não falou nada. "Agora não - eu disse. Tem muita gente na rua. Na volta tá mais tranquilo".
Bem, bem, bem... Quem disse que eu consegui lanchar em paz, seu menino!!? Era um  comichão que subia e descia e eu queria mesmo era voltar pra casa rápido que era pra não correr risco de passar por lá e o dito-cujo ter saído com o possante e nada de eu poder fazer maldade com o carango do prêibói...
Valeu a espera! Voltamos, o carro ainda lá e a rua limpa, deserta!!! Preparei a chave e respirei bem fundo... Risquei o carro dele da traseira até a dianteira, um lado inteirinho enquanto destilei um ódiozinho que nem eu mesma sabia que existia aqui guardado. Sensação boa! Lavei a alma. Minha vontade era de deixar um recado "carinhoso" pro rapaz agradecendo aquele dia em que ele me deixou "molhadinha". (Filho da p#ta!!!!) Mas achei perigoso dele descobrir.
(...)
A sensação boa durou pouco. Foi cedendo espaço a uma vergonha muito grande, misturada com remorso e arrependimento. Dizem que quem não tem vocação pra malandragem nem adianta inventar moda, que de uma forma ou de outra, sempre que aprontar acaba se dando (muito) mal. E foi assim: fiquei mal pra caramba, dias seguidos. Pensei até em ir lá pedir desculpas pro moleque e tudo, pagar a pintura do carro e encerrar o assunto. Foi muito feio o que eu fiz. O pior que eu "sei" que um erro nunca-jamais-em-hipótese-alguma repara nem justifica outro e a sensação péssima que veio depois da feiura não compensou nem de longe a (breve) euforia de ter riscado o carro do playboyzinho da minha rua. Na falta de coragem de ir até lá reparar o dano, pus uma pedra (grande) sobre o assunto. Não tenho nenhum orgulho da minha atitude.
Uma m#rd# isso mas daí por diante eu decidi não fazer mais nada parecido nem de longe. Deixa que cada um receba o troco da vida pelo mal que fizer! Eu é que não vou fazer papel de palmatória do mundo. A troco de quê? Nunca mais fiz. Consciência anda tranquila, levinha, levinha.


Quanto ao filme: a-do-ro! Kill Bill é dos melhores filmes que já vi (considerando o 1 e o 2). Se eu pareço a Beatrix... pode até ser mas vingativa não sou não!

5 comentários:

gil disse...

VIVIANE,
esbarrei no seu blog por acaso. E acabei lendo sobre a sua vingança meio às avessas! Desculpe, mas morri de rir!! VC NÃO É MESMO UMA BEATRIX!!!
Como tem gente cretina nesse mundo, meu! C'est pour ça que je m'étonne!!Bom, existe um ditado muito bom que diz o seguinte:Cada um dá o que tem. Muito boa a sua estória...

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

vc ainda lembra disso?????

'Miguinha du cuore, já faz muito tempo que aconteceu essa cena onde travamos esse diálogo! hoje a minha opinião é bem outra... penso que vc parece mais com o hannibal lecter naquela cena em que ele prepara uma refeição com o cérebro do carinha lá (acho que o nome do ator é ray liota) como ele ainda vivo e provando do próprio miolo!!! kkkkkkkkkk...

desculpe a comparação tosca mas é que vc possui, digamos, uma "elegância criminosa" ao fazer as coisas... não sei se consegui me fazer entender...

beijão flor! SP e eu sentimos falta de vc.

Carol Venturini

Anônimo disse...

pra vc lembrar de mim com carinho... essa hora deve estar puuuuta da vida comigo!!!

http://www.youtube.com/watch?v=noupHDxmUTE

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


bj.

VENTURINI, Carol.

Viviane Zion disse...

Primeiramente, obrigada Gil, pela visita e considerações... volte sempre!

Segundamente... meus amigos vão acabar com a minha reputação dessa maneira! Olha com quem a energúmena da Carolina me compara, minha gente!!!!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...


Carol, vc é impagável! Confesso q Hannibal Lecter nunca havia passado pela cabeça. Mas venha cá: o que vem a ser mesmo "elegância criminosa"????? Não consegui visualizar a definição na cena! Aliás, (re)vi durante o jantar (a cena) e no caso, estou mais pra agente do FBI do que pra Dr. Lecter.

Grande bj, florzinha!!! Brasília e eu sentimos saudades, rs.

R. Santiago disse...

Diálogo interessante!

Essa coisa de "elegância criminosa" não me parece muito a Vivi, Carolina! Elegante, si. Criminosa é que eu não entendi. É mister que vossa senhoria apresente maiores explicações! haha

Saudade de vocês duas: a minha ruiva e a minha loura preferida.

Beijos.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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