domingo, 7 de novembro de 2010

Gente esperta demais





 
Eu tava aqui pensando, hoje à tarde, enquanto a chuva caía, primeiramente fininha e depois um toró de dar medo, que algumas coisas nessa vida não têm o menor sentido... Meus botões concordaram comigo - e entre si. Lembrei de um velho amigo (ou um amigo velho, rs) que tinha mania de nunca ver novidade em nada; era assim: não importava o que trouxéssemos a ele, ele sempre já havia visto, sabido ou conhecido. Se achava, naturalmente, o máximo: "Nossa, como eu sou esperto! As pessoas devem ficar admiradas comigo!" ou " Nossa, como eu sei das coisas... Que privilégio gozam todos so meu redor ao ter-me por perto!"... Mal sabia que pé no saco ele era! Como era chefe, ninguém falava nada na frente mas o povo todo retorcia o focinho mal o coitado virava as costas. E pense numa chatice que é conviver com alguém que "sabe tudo"! Insuportável!!! E tem que, ache que conhecimento é brevê pra pisar nos outros. Nem me conte...

Eu imaginava o que é que uma pessoa tão entendida (ainda) ainda estava fazendo por aqui, na terra dos mortais... Pensava no quão útil o camarada poderia ser no céu (?); sei lá, vai que Deus resolve tirar umas férias e precisa de alguém pra administrar a criação com um conhecimento à altura... Ou quem sabe lá no paraíso não se precise de um governador. Ou poderiam colocar uma cadeira ao lado esquerdo de Deus (já que, conforme as Escrituras, o lado direito Jesus já ocupa). (...)

O fato, ou o pensamento que deu à luz essa reflexão, é que não se deve confundir conhecimento, sabedoria e inteligência. Nisso eu estive pensando! São três coisas distintas, de natureza e finalidades diferentes. Conheço muita gente sábia que não possui conhecimento (formal); são ignorantes academicamente falando mas em compensação, diplomados na escola da vida. E dá-lhe admiração da minha parte! Por outro lado, a minha lista de pessoas com potencial conhecimento científico, institucionalizado, acadêmico, não sei o que acontece mas ao que me parece que ao desenvolver as faculdades mentais de cunho cognitivo, outras, não menos importantes, atrofiam! E dá-lhe de conviver com gente diplomada, graduada, altamente qualificada (...), porém, néscios!!! De uma falta de cortesia e sensibilidade tamanhas!

E das coisas que mais me irritam nessa vida, conte pontos para a falta de modéstia. Paciência encurta rápido diante do exibicionismo alheito, seja de quem for. E olha que eu me considero bem esperta, mas guardo prudentemente as devidas proporções... Não importa (e tantas vezes eu disse isso ao meu amigo, mesmo sendo eu subordinada profissionalmente a ele, na época) quão esperto se é - sempre vai aparecer alguém mais esperto cedo ou tarde... Quer queira ou não queira. Mas não, neste caso eu tive que roer a corda! Não aguentei e os outros tripulantes foram pulando do barco logo em seguida, tamanha a pressão, tamanho o desconforto...

Quem sabe se o custo de ser (ou se considerar) muito "esperto" não seja ficar sozinho tendo que contar só com a própria esperteza? Não sei. Nisso eu ainda não pensei.



2 comentários:

Carol Venturini disse...

perfeitamente...

bjos.

R. Santiago disse...

impagável! só de imaginar vc narrando isso aqui eu rolo de rir...

bjos.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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