quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Da urgência da vida cotidiana



"(...) As coisas óbvias e simples passam despercebidas muitas vezes diante de nós e a gente perde a poesia, a poesia do cotidiano, a poesia do nosso teatro mágico; ontem: 'cabou, passou, já foi! Daqui a pouco nem existe, ainda nem começou - e a gente só tem AGORA pra poder se declarar, pra poder criticar, pra poder olhar no olho, pra poder se confessar, pra SER e ESTAR (...)"
Fernando Anitelli





 

Sozinha em casa em plena quarta-feira. Cheguei da rua há pouco. Quem não estava ainda não chegou, quem estava já saiu e eu fiquei aqui pensando e lembrando. Passou pela minha cabeça o filme de um dia bom (que foi o de hoje), a viagem próxima (assim que formalmente me declararem "de férias"), a mana e a falta que ela me faz. Tava aqui lembrando dessas e outras coisas e me veio essa música à mente. Ela me trouxe algumas constatações de dias atrás: remoí a ideia de que o que me incomoda não é o passado nem o presente; um já está resolvido e o outro segue bem-vivido. Meu problema é que eu tenho uma parte que não se encaixam nem no antes e nem no agora: a minha urgência é "como uma saudade de um tempo que ainda não passou" (aqui cito Lenine). Por hora o consolo dos dias bons (pra exorcisar de vez a minha treimosia em afirmar que os derradeiros meses do ano são ruins) e uma expectativa profética do que vem pela frente. É como se eu tivesse (já) vivido os anos que se seguem, tivesse consciência de que há algo melhor pela frente (apesar de não compreender tal sensação nem saber explicar) e de de alguma forma ter sido "transportada" para um passado que hoje chamo presente.
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Estranho isso.
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Acho que estou com fome!

 

1 comentários:

Angel disse...

Seria isso o que chamamos de esperança, Zion? Aquela coisinha insistente que tenta nos fazer acreditar, a todo momento, que algo bom virá? Que o futuro é doce, é bonito, é bom?

Sabe, ler este seu post me fez um bem danado... Hoje acordei um tanto sem vida, um tanto sem forças, pensando em coisas que já deviam estar enterradas faz tempo... Não entendo essa minha necessidade de autoflagelação, sabe? É como se eu ficasse procurando, remexendo, até encontrar o que me deixe triste... Devia fazer isso pelo contrário, né não? Procurar, procurar, até encontrar um motivo, bobo que fosse, para ser feliz. Enfim... e o teu post? Me fez despertar para o presente, mais uma vez. Vou juntar o passado, colocar na bela caixa dourada que tenho aqui, e deixá-lo onde merece estar, no fundo do armário.

E viva o presente! Com um gosto bom de futuro também.

Abraço, amiga Zion!

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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