terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A questão é...

"DIPROMA DE POETA" - SÉRGIO VAZ
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Povo lindo, povo inteligente, como a poesia não pode parar nesta sexta-feira fui promover um sarau com a turma do EJA Modular na Escola Aracy, em Taboão da Serra, numa parceria com a Secretaria de Educação, e intitulada "Caminhos poéticos da educação". E que vem se juntar com os saraus nas escolas que faço às terças-feiras.
Fico muito feliz quando vou falar de poesia para esses alunos, primeiro porque acho que voltar a estudar depois de tanto tempo longe da escola exige muita coragem, além de muita humildade e disposição. Porque se a gente analisar friamente é muito mais fácil ficar em casa assistindo novela, jogando baralho no bar, ou simplesmente vendo o tempo passar. E o tempo passa. Mesmo se você, ou eu, escrevê-lo com "N" ou com "M".
Dizem que para ser alguém na vida é preciso ter um, ou vários diplomas, coisa que não concordo muito, lógico que não sou louco de ser contra o canudo e acho que todo mundo na periferia devia ter condições de estudar em uma universidade para conseguir um, e sei que é fundamental a gente ir mais além do que o ensino médio, mas para ser alguém na vida de verdade a gente devia conquistar também o conhecimento. E se ele vier acompanhado de um diploma então...
Diploma tem a ver com estudar para as provas e conhecimento com estudar para a vida, e não termina nunca. Por isso acho que os dois deveriam vir juntos, assim quando a gente se sentasse numa roda para trocar idéias, e não fatos, a gente não falaria só das nossas profissões. Não existe nada mais chato do que um profissional, seja de qualquer área, exercendo sua profissão na mesa de bar.
Conheço poeta que não lê, jornalista que não gosta de notícia, professores que não estudam justamente porque acham que se formaram, como se sabedoria se medisse por grau, ou degrau.
Ninguém sente saudade do histórico escolar, mas das histórias dos tempos de escola, da faculdade, do recreio, dos professores, dos amigos, do aroma indescritível da infância e da adolescência. Só por isso, já vale muito a pena estudar.
Um senhora uma vez me disse, com um sorriso e uma dignidade divina estampada no rosto, que tinha voltado a estudar porque não queria morrer sem saber ler nem escrever, pois tinha medo de chegar no céu e não conseguir ler as placas que indicavam o caminho a Jesus.
Na época não disse nada, mas pensei, que se alguém quisesse encontrar algum tipo de deus, qualquer um, devia segui-la. Pessoas humildes acendem luzes no fim do túnel.
Diploma e conhecimento, por falta dos dois me tornei poeta, que é a forma mais bela que achei pra dizer que sou analfabeto.
 

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