segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Além do céu azul


Algumas coisas são especialmente difíceis de se definir, de se explicar. Em matéria de fé A questão da fé é destes assuntos escabrosos sobre os quais muito se diz exatamente para não dizer coisa alguma. Não sei se fui clara; penso que não... OK, vamos tentar de novo: fé é um assunto difícil de se comentar. É algo íntimo, pessoal e intransferível - por isso, inexplicável. Depois do meu (quase) acidente, andei colocando na balança os meus valores: espirituais e religiosos (principalmente), materiais, morais, etc, etc... Não mudei muito de ideias de dez anos pra cá; mudei sim, de atitudes com relação às mais variadas situações. Veja bem, as bases das minhas convicções espirituais foram muito bem lançadas, por isso não vejo nenhuma dificuldade em conviver com as mais variadas manifestações e crenças religiosas. Sou cristã. Creio em Cristo, ou melhor, na salvação da alma pela fé em no Cristo não apenas crucificado mas, especialmente, ressurreto! Este, na verdade é o pilar da minha fé e o que realmente me interessa no além-vida (que eu creio que existe). As demais religiões propõem uma espécie de "aperfeiçoamento" ou aqui nesta carcaça ou voltando em "outras carcaças" até conseguir chegar em algum lugar que nem eles mesmos sabem explicar direito nem como nem quando nem onde... Jesus Cristo não! Ele é "o cara" de fala fascinante, um excelente marketeiro das coisas celestes! E como era direto, do tipo: "quem crê em mim, ainda que morra viverá"! Cara, quando eu recem-adepta das Boas Novas (Evangelho quer dizer exatamente boas novas), lia essas passagens na Bíblia, entrava em êxtase - de pé, sentada ou deitada onde estivesse... Que proposta! Era (e é) isso mesmo que eu quero! Tenho predileção pelas coisas impossíveis, ilógicas, inalcançáveis. Como já disse anteriormente: "eu tenho pacto com a vida" - não quero morrer tão cedo, mas quando isso acontecer, sinceramente, que eu também não tenha que ficar voltando nesta terra porque pra falar bem a verdade, esse mundo aqui não tem tanta graça e vivendo uma vez tá bom demais. Depois quero algo novo.
Andei pensando. Me afastei de um bocado de coisas e de gente que dava sentido e alimentava o meu senso de religiosidade. Como já citei certa vez, a religiosidade é o maior veneno para uma vida de fé produtiva e satisfatória. Quer me ofender é só me chamar de "pessoa religiosa". É motivo pra briga! Por mais que eu queira disfarçar, hoje eu vivo uma qualidade de vida infinitamente superior à que eu vivia presa numa estrutura eclesiástica. Os Teólogos geralmente "me odeiam". Porque eu prefiro a companhia das pessoas simples à deles. Porque eu não me preocupo (mais) em apenas responder perguntas que satisfaçam a curiosidade dos que querem (realmente) saber, e sim instigar ainda mais questionamentos - porque eu creio piamente que não é a dúvida que impede as pessoas de conhecerem a Deus e sim o MEDO. Medo de errar, de fracassar e de não corresponder às expectativas e às metas alheias que NUNCA representaram realmente a vontade de Deus até porque vontade de Deus (paradoxal e divino) é ao mesmo tempo pessoal (eu), coletiva(nós) e atemporal (fora do tempo e em todos os tempos). De tão complicado é impossível a compreensão através da lógica humana. Ponto pra Ele! talvez Ele não queira necessariamente decifrado e sim, DES-coberto (mas isso é especulação minha)... por isso o Carpe diem tem um sabor (sim, sabor) especial para mim! Porque eu descobri que Ele me vê não pelas lentes das minhas falhas mas considera a minha trajetória completa de vida - também por isso os Teólogos me detestam! E igualmente porque eu estou livre das pretensões, das metas, das estratégias e das programações vazias. Quando eu entro hoje em um templo (a menos que seja alguma catedral histórica, as quais eu amo visitar), me passam pela cabeça pensamentos do tipo: "quanto tempo eu perdi dentro de um lugar como esse..." ou "porque eu não dei ouvidos à essa voz que tanto tempo falou aqui dentro de mim que o meu lugar era aqui fora voando e não dentro de uma gaiola..."
Hoje enquando eu voltava pra casa, ouvia uma música que o Zeca Baleiro gravou: Heavy Metal do Senhor. Pra mim, é um grande tratado de Teologia. Simplifica muito as "imagens' que eu tenho acerca do que seja o Reino de Deus, de Deus, do diabo, da humanidade, do Apocalipse, etc... Eu vinha imaginando e rindo: o diabo - grande plagiador das obras divinas; Deus, um "papai" aparentemente  bondoso e fanfarrão, a humanidade querendo comprar Deus com bajulações e o triunfo da Luz sobre as Trevas no final: "o mundo inteiro vai pirar com o Heavy Metal do Senhor"... daria um excelente tema pra sermão e eu tocaria a canção do Zeca ao final do culto... Mas não! Voltemos à vida real. Às reais possibilidades. E eu voltando pra casa depois de um dia cheio, pensando em "a quantas anda a minha fé". Depois volto pra desenvolver melhor a teologia da canção.

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