segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vida vide verso

São meus, são meus - os versos! Há tanto que não componho,
não desenho,
não amo, não como,
não durmo,
não sonho;
e não e não e não...
apenas por prazer! Há um peso de compromisso - quase que de obrigação - sobre os meus ombros. Que quer que faça ultimamente há de ser por encomenda a troco de uma pataca ou duas! Não se vive assim, meu amor; artista não (se) vive assim. Enquanto as mãos trabalham sôfregas me burbulham na alma as vontades e as ideias. Não sou eu quem vos escreve - é outra: menos faceira e menos leve que outrora. Remeto-me às estações passadas e recordo-me que há muito não escrevo (nem leio) poemas. Suicídio da parte humana que em mim insiste sobreviver! Tudo são as demandas de quem manda e desmanda. Ou enlouqueço ou me viro do avesso. Vontade de não. De não-estar, de não- pensar, de não-ser, de não-querer: abstinência total das vontade que apressam aquilo que não quer andar, não quer andar, não quer não!
Hoje escrevi um soneto. Primeiro, que me recordo. Rascunhado em papel abandonado fluía e olhava para mim como quem diz: "eis-me aqui, sou obra tua! olha-me e reconhe-te!" Triste sina o dom de criar - o desconforto de Deus, de ser requerido na dúvida de se por amor ou por interesse nas Suas (belas) obras.
Sem mais, segue soneto.

Soneto (quase) proparoxítono

Um sufoco súbito
Comprime o resto
Arrasta o séquito
Dilata o fôlego.

Uma angústia louca
Rompe rápido
Destrava o ávido
E alavanca o óbvio.

Desmanchadas em mim
Estão a vista e a víscera
A peça e a péssima!

Resta, um pouco lógico
Do que rege a lépida
E que tece a retórica.

1 comentários:

Anônimo disse...

Tá certo que poesia não se explica mas em especial gostaria de compreender melhor o que te fez escrever algo assim.

Saudade infinita!

R. Santiago

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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