terça-feira, 15 de novembro de 2011

Saint sadness

Estive hoje observando o comportamento de um jovem. O mundo para mim é um grande laboratório, como o da clínica onde estagio, em escala maior. A diferença é que não há espelhos falsos separando que observa e quem é observado. Observo atentamente e os outros sabem. Pois então... estive a observar de ontem pra hoje.

É um semblante triste. Uma expressão de dor que ao mesmo tempo repele e atrai. Não posso ajudar em nada. Disse algumas palavras (apenas gracejos), sorri de lado, tapinha nas costas... Acho que está sofrendo por conta de algum desencontro amoroso. Coitado! Essas malditas dores doem mesmo! Eu ri agora... Não por vê-lo sofrendo mas pela ironia do que acabei de pensar e escrever: "dores que doem" - de verdade! Se eu fumasse cigarro, fumaria um em homenagem a ele. Mas nem isso... Nem cigarro nem nada.
Contemplar dor alheia não me incomoda mais. Mais do que resiliente, tenho me tornado insensível a algumas mazelas das quais sofrem os meros mortais (categoria da qual ainda faço parte, infelizmente). Peraí, talvez 'insensível' não seja bem a palavra adequada a empregar em tal situação mas... também não me ocorre outra agora!

Coço a cabeça e a orelha. Olho pra ele se contorcendo de dor e soluçando. É muito estranho ver um marmanjo daquele tamanho chorando por causa de mulher - e implorando. Meu Deus, o guri tá implorando e ela ne dá a mínima! Na verdade também não dou essa importância toda! Já passei por isso algumas vezes e não morri. Muito provável que ele não morra também - não por esta causa mas eu, hein! Que choradeira... "Já chorei assim, também, filhote..." E me passam algumas cenas (da minha própria história pela cabeça). "Para de chorar, cacete! Olha o seu tamanho, FDP!!!"

Que nada, o garoto só chora. Daí eu penso, que se bem canalizada, essa momentânea fossa até que pode ser bem útil. Não foi o carinha lá daquela rede social que levou um toco, criou a tal rede e hoje está megamilionário? Olhaí... É a sua chance! Mas o choro não cessa. Nem vai cessar agora. Essa merda dói demais!
Diacho é que só eu mesma é que vejo oportunidade na desgraça. Beleza na tristeza alheia. Nunca vi gente muito feliz, alegrinha, produzir coisa valorosa. É com o espinho fincado na carne que filhodamãe rebola e se vira. E no mais o moleque é bem bonitão, novo, inteligente e talz... o que vai ter de donzela querendo por no colo pra consolar, vai ser uma festa! Hahaha...

Ah, tá bom, não era pra eu estar rindo dessas coisas! E o que eu estava até agora querendo escrever, não escrevi... É que, penso eu, há algo de sagrado na tristeza. Mais do que na alegria - ou talvez seja a justa medida dela, o outro lado da balança. É que quando vejo alguém muito triste fico pensando que a tristeza dá a profundidade da alegria que você experimenta: a tristeza cava o buraco onde a alegria será plantada depois. Quanto mais profunda então...

É isso (por hoje). Eu acho.

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