segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Novo ano


Última postagem do ano. Daqui a pouco o fogos anunciarão que mais uma contagem terminou - outra logo inicia-se, assim, sem tempo para (re)pensar ou (re)fazer o que quer que seja. Bem assim também é a vida, que não dá muita escolha: somente ficar ou seguir em frente. Sem saber quanto tempo ainda temos, tendo (ou não) a consciência de que começamos a morrer tão logo nascemos, segue a nossa árdua tarefa de atravessarmos cada dia de existência como barqueiros entre densas brumas.

Passou-se mais um ano. Sem mágoas ou nostalgias. Só escolhas, atitudes e consequências... Tudo bem quando termina bem. Descanse em paz 2012. Cai pra cá, 2013, com 365 novas oportunidades de fazer essa loucura toda aqui valer a pena.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Shhhh...

Amanhã


Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria que se possa imaginar.
Amanhã, redobrada a força prá cima que não cessa há de vingar.
Amanhã, mais nenhum mistério acima do ilusório o astro rei vai brilhar.
Amanhã, a luminosidade alheia a qualquer vontade, há de imperar!
Amanhã está toda a esperança por menor que pareça, existe e é prá vicejar.
Amanhã, apesar de hoje, será a estrada que surge pra se trilhar.
Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar.
Amanhã, ódios aplacados, temores abrandados, será pleno!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Comentando um comentário

Dias atrás a minha amiga borboleta, Rafaela Pires andou comentando um post meio malcriado que deixei escapar por aqui. Sei que exagerei nas palavras mas a intenção era justamente essa: digitar o que me passava pela mente do jeito que ia pensando, sem tentar enquadrar (muito) as minhas palavras ao politicamente correto, ao nível do aceitável de diplomacia.

Posto abaixo as palavras de Rafa mais os tantos muitos e demasiados questionamentos que seguiram borbulhando em minha mente com o passar dos dias.

Vivi, suas angústias são totalmente condizentes,pois por mais que amemos viver a alienação não nos habita. Pelo que percebi você está enxergando os lados menos desejáveis dos seres humanos, inclusive em você (provavelmente por estar se deixando incomodar tanto com o outro, algo que não é típico seu). Digo de carteirinha que vai passar e você vai voltar a se indignar somente em níveis normais,o que é desejável.O cansaço contribui para isso. E logo suas lente vão se focar para as coisa maravilhosas que muitas pessoas fazem. Não devemos nos alienar , mas contemplar o belo nos sustenta nos faz melhor. Por isso somos amantes da arte , da natureza , das crianças,das boas amizades. Beijos!

As minhas angústias, as tenho como cabeceira do leito, todas as noites, desde que me entendo por gente. Mais do que condizentes, são insistentes e não me abandonam. Quando abandonam, corro atrás e as trago de volta. Sou amante mesmo, sem vergonha, das (minhas) angústias. Viciada nessa convivência. Não sei como é ser diferente, sempre estou incomodada com alguma coisa, franzindo a testa enquanto meus olhos contemplam o absurdo cotidiano da vida, enfim... Como bem disse Rafaela, a alienação não nos habita. Olhar o mundo e não reconhecer um lar é algo muito meu e não vem de agora.

Sim, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. Desculpe a citação clichê mas acontece que não me ocorre nada melhor neste exato momento em que digito. E há coisas que sinto ou nas quais penso, que simplesmente não encontram expressão exata na linguagem escrita - ou falada!  Consigo delinear talvez a ponta de um iceberg com as palavras. Quando a Rafa diz que essa coisa de incomodar-se (tanto) com os outros não é coisa "minha", isso é bem verdade. Geralmente os surtos alheios não conseguem lesionar a minha integridade emocional (ou física, ou...). Sei Separar bem as coisas: o que é "meu" e o que é propriamente "do outro". Mas tem horas, confesso, que não há como fazer vista grossa ao que acontece ao redor.

Meus incômodos são sintomáticos, fortíssimos! Já cheguei a sair correndo de lugares com ânsia de vômito, por conta dos assuntos da roda. Eu olho a vida, as pessoas e acho tudo muito estranho, absurdo - e eu não sei bem explicar nem como nem porquê. Acho mais estranho ainda a multidão na direção contrária (ou eu é que ando na contramão, o que é mais provável!), caminhando como se tudo fosse normal, fosse natural. Poxa, abram os jornais, assistam os noticiários, conversem com as pessoas nas ruas, nos locais de trabalho... Será que só eu percebo?

Sim, o (meu) cansaço contribui (muito) para o aparecimento desses surtos de desesperança que me acomentem vezenquando. Mas não é só isso - as minhas indignações não se resumem a cansaço e nem se encerram com noites bem-dormidas. E sim, essas fases críticas de aborrecimento com tudo à minha volta passam. Sempre passam. Enquanto estão, no entanto, sacrificam os humores de todos ao redor. Que tenham paciência - ou não. Enfim...

Rafa sugere a mudança de foco. Talvez. É que olhei o mundo sob as lentes cinzentas da falta de esperança. Demora para limpar o olhar novamente. E confesso que eu tenho convivido com tanta feiura humana nessa vida (inclusive crianças já estragadas pelo mundo adulto) que até eu conseguir reajustar o foco, haja poeira da estrada e horizonte. Não é tão simples assim mas é a ordem natural das coisas e uma hora isso tudo passa, tudo se aquieta, tudo se equilibra.

(...)

À Rafa, deixo o meu carinho e agradecimento. Suas palavras soaram como farfalhar suave de uma borboleta aos meus ouvidos.

À vida, deixo a minha perplexidade.

Sem mais (por hoje).

sábado, 22 de dezembro de 2012


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sem licença para lamentar

Eu gostaria muito de esparramar todo dia um carregamento de esperanças, como que de pétalas das mais perfumadas flores pelos caminhos por onde passo. Mas a esperança toda desvanece entre os cansaços e aborrecimentos do dia-a-dia. Meu mundo anda bem, o mundo é que não anda bem! Certas coisas que vão simplesmente acontecendo têm o poder de ir minando as forças, as energias... Queria ir pra algum lugar onde houvesse trégua.

Quando parei pra pensar hoje, não sem muito esforço, constatei meio que contrariada que o nível de cansaço ( o "meu" cansaço) - físico, emocional, mental - alcançou níveis talvez irreversíveis. É querer levantar-se para ir e fazer algo mas não ter ânimo. Preciso de férias. Mas são férias do meu corpo, de ser eu. Preciso abandonar, quem sabe, essa casa para passar um tempo em uma outra. Mudar de cidade, de nome, de telefone, de cara, de sexo, sei lá...

É que tem dias em que a gente simplesmente se dá conta de que ser humano não tem lá essa graça toda, esse glamour, todo. A gente olha os seres ao redor e vê, que mesmo tão diferentes, são tão desesperadamente (e medíocremente "?") parecidos - e que avançando um tiquinho mais o pensamento, dá para perceber o quanto inserido nessa mediocridade toda nós estamos... Tenho o defeito de pensar demais. Piora bastante porque também tenho a mania de reparar na "feiura" de/do "ser-humano" (estou inclusa na categoria).

Sei que o post não tem sentido, que eu não posso reclamar da vida, que foi um ano feliz... Mas também não posso deixar de deixar claro que eu não alimento uma visão especialmente utópica a respeito de como as coisas dessa vida são e de como acho que poderiam ser (melhores).  Hoje foi dia de pisar no chão e remoer a realidade. Só isso.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Assim


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

Bem, eu sei que o ano nem acabou ainda. Sei também que por uma hora dessas, no ano passado, eu já estava com toda a retrospectiva escrita, os fatos ruminados emocionalmente e os planos para o ano seguinte na ponta do lápis pra botar pra arrebentar! Pois é... esse ano foi diferente e mereceu uma rememoração diferente também. Resolvi colocar em forma de imagens alguns acontecimentos por aqui. 
Por exemplo, a foto aqui ao lado é de Janeiro: eu estava de férias no Sul do Brasil, mais especificamente na serra gaúcha dando um rolézinho. Foram os 21 dias de carregar as minhas baterias para suportar o que viria nos próximos meses. Quando voltei de viagem, a minha intenção era unicamente estudar e ficar quietinha no meu canto... Mas não, mas não! A minha fase de recolhimento acabou de vez e esse ano foi O ANO dos eventos sociais brotando pelas folhas do calendário. 

A fotografia seguinte foi tirada em Fevereiro, em uma edição do Jogo de Cena aqui em Brasília. Um grupo de Teatro composto por grandes amigos, gente da mais alta qualidade; tive que ir prestigiar... Quanto aos planos de ficar quietinha apenas estudando... bem, eu havia pedido demissão do emprego para me dedicar à vida acadêmica mas acabei cedendo à compulsão hiperativa que me acompanha desde que me entendopor gente. Voltei ao trabalho com carga (horária) reduzida mas o trabalho... Há!!! Melhor nem comentar agora...

Aliás, a próxima foto (Março) representa bem como  foi o ano em matéria de produção profissional: um caminho à frente e um muro a escalar todos os dias. Muito, mas muito trabalho: de produção, de criação, de articulação. Não sei bem dizer como foi que eu dei conta de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Essa habilidade, mesmo para mim, é um mistério. Só posso garantir que rende um esgotamento físico e nervoso intensos, capazes de me jogar na cama sem vontade de fazer absolutamente nada por alguns dias, logo quando termino algum trabalho importante. Enfim...

Em Abril realizei um grande sonho: conheci pessoalmente a trupe do Teatro Mágico. Foi uma ocasião inesperada, um acontecimento inusitado que me rendeu uma alegria intensa! Não esperava. Sinceramente, foi uma peça que o acaso me pregou: a diretora da escola onde trabalho me convidou por acaso para acompanhar os alunos do Ensino Médio a uma gravação de um programa na TV Câmara e eu fui assim, no escuro. Chegando lá, mal pude me equilibrar em minhas pernas ao saber que a atração do programa era o tão querido grupo orquestrado pelo menestrel Fernando Anitelli. Só alegria! Ah, teve também a produção de uma peça para o público jovem. O É Desse Jeito esteve em curta temporada mas muito importante para o nosso amadurecimento como atores, produtores, roteiristas. Com o meu primeiro dinheiro ganho com o  teatro (atuando) comprei a minha pimeira máquina fotográfica que filma em HD. Hahaha... Pode parecer pouco mas foi um passo e tanto para quem anda nessa vida mambembe, fazendo as coisas maior parte das vezes por amor ou pura diversão...

Em Maio a minha vida mudou substancialmente. Adquiri e consolidei novas (e preciosas amizades). Saí do ostracismo emocional e dei uma chance a mim mesma. Pela primeira vez em alguns anos arrisquei me interessar por alguém novamente. Não sem susto, não sem reservas, não sem medo. As circunstâncias eram sim, todas desfavoráveis: muito trabalho, muita coisa para ler e estudar, cronograma apertadíssimo... Porém, o passo que eu dei naquele finalzinho de mês me levou a uma realidade completamente nova e maravilhosamente feliz. O ano de 2012, que já estava bom, começou a ficar ainda melhor e entrou pro rol dos anos mais felizes da minha vida com os acontecimentos de Maio.


Junho foi canseira e correria - como não poderia deixar de ser. Produzimos uma mega-festa temática na escola, aproveitando a comemoração do centenário de Luiz Gonzaga. Particularmente gosto muito de toda a trajetória musical do velho Lua, sempre ouvi em casa desde criança, por influência do meu pai. Uma loucura tremenda para dar conta de tanta coisa mas acabou acontecendo tudo tão lindamente que a gente até se esquece das dores... A essa altura do campeonato, o meu coração já estava balançado e eu tinha ao mesmo tempo, uma inspiração a mais para me entregar às produções e uma preocupação a mais martelando a minha cabeça: e agora, se eu me apaixonar, o que vai ser da minha vida? Enfim, os dias foram passando.

Em Julho derrubei o primeiro gigante: concluí (lindamente, em grupo) a monografia da especialização em Arte e Tecnologia. Hahaaaa, agora eu era pós-graduada e todos haveriam de me respeitar então. Bom, mas eu e você sabemos que as coisas não acontecem exatamente assim. Foi suor, esforço tremendo e muitas lágrimas para dar conta de mais essa etapa. Conseguimos! Parabéns para nós. Mais uma vez eu tive a plena consciência de o quanto sou feliz em alcançar as metas que venho traçando ao londo dos anos. Fiquei orgulhosa de mim como raramente consigo. Parêntese para confessar que sofro de um perfeccionismo crônico, que exijo muito de mim mesma, que me auto-flagelo frequentemente por conta de tantas cobranças e que, finalmente, não tenho nenhum orgulho disso (de ser perfeccionista). Mas concluir um trabalho sabendo que ao longo da produção a vontade de desistir foi muito grande é uma imensa satisfação. Só tenho a agradecer a Deus e à minha terapeuta (hehehe) por me ajudarem a dosar a paranoia de modo a não "morrer" quando as coisas não saem exatamente da maneira como eu havia imaginado (muitos risos)..

Em Agosto eu tive a sensação de ter parido o meu primeiro filho. E derrubado o segundo gigante! Essa ideia de cursar duas especializações ao mesmo tempo só poderia ter saído da minha cabeça psicopata e compulsiva mesmo. Mas consegui - mais uma vez consegui! Apresentei um texto que brotou literalmente das minhas entranhas, das minhas inquietações mais profundas a respeito de como as coisas são e de como acho deveriam ser na área de atuação que escolhi exercer na vida. Aprovada com louvor, fiquei feliz por um lado mas ao me depararar com um tempo livre para pesar nas minhas próprias mazelas, entrei em parafuso, surtei e quis desaparecer do mapa! Quase niguém percebeu - eu acho, mas logo em seguida da conclusão dos cursos, os meus olhos se viram fixos na realidade nua e crua, tal como estava. Fiquei perdida e confusa, sem saber direito o que queria da vida, depois de ter lutado e conquistado o que eu tanto queria.
 
Setembro foi o tempo de exorcizar as neuroses e aproveitar o momento. Viajei com aquele que a essa altura já havia se tornado indispensável na minha vida. O tempo a dois, os ares da Chapada dos Veadeiros, as situações vividas me fizeram perceber o quando as minhas inquietações eram desnecessárias. Eu tive certeza do que queria da vida, e era aquilo ali mesmo: pura e simplesmente a paz de um amor tranquilo. Foi o tempo de agradecer a Deus por ter permitido um encontro de tamanha grandeza. Sim, porque eu sei reconhecer quando surge, em meu caminho, uma pessoa especial. Essas, faço questão de cultivar com carinho e cuidado para que permaneçam pelo tempo que assim desejarem. E que seja longo esse tempo...


Em Outubro começamos a viver as angústias do cronograma apertadíssimo! Eu, que havia assumido as turmas de Inglês das crianças da escola, topei assumir algumas turmas de Artes dos adolescentes também e foi todo um período de adaptação, de tensão porque tudo se acumulava freneticamente - e simultaneamente - aos eventos, cuja participação (minha) era efetiva e necessária. Quase morri do stress que começou bem nessa época. A parte boa: fui madrinha de casamento de um casal que ajudei a unir. Uma históira muito peculiar que eu reconto mentalmente algumas vezes e me acabo de rir: as coisas mais sem lógica geralmente são aquelas que dão mais certo!

Novembro... Tão recente e tão distante ao mesmo tempo. Fui ao fundo do poço em matéria de cansaço. Sinceramente, perdi um pouco da graça que eu via em fazer tudo o que eu faço. Senti frustração pela primeira vez neste ano. Me dei conta de que não dou conta de tudo. Muito do que eu sonhei (profissionalmente) não se concretizou porque as coisas não dependem só de mim. Os meus sonhos foram meio que atropelados pela dura realidade e eu entristeci bastante. Perdi a vontade de levantar cedo para trabalhar. Em algumas ocasiões cheguei até a murmurar e reclamar da vida... Veja bem, eu não estive reclamando do salário  nem das condições de trabalho! Não, não era nada disso: era a birra que eu tenho do mundo, do absurdo cotidiano que se apresenta nas atitudes ilógicas dos seres humanos em redor. Sei que não consegui me fazer entender mas... enfim, deixa pra lá. Essa parte da neura já passou. O mundo é muito complicado e ponto final - era isso mesmo que eu queria deixar registrado.

Dezembro! "Olhei pra trás" hoje e tive a absoluta confirmação de como vivi um ano bom! Conquistei grandes coisas... Experimentei sensações maravilhosas e indescritíveis! Escrevi um editorial de revista! Tive até uma noite de performance como DJ (essa é pra rir mesmo)... Quando abro os olhos pela manhã, todos os dias, é um sorriso que brota dos lábios. Sempre sonhei em viver dias assim sem nem mesmo saber exatamente como seriam "esses dias assim". Não me lembro de ter vivido antes um ano tão intenso e ao mesmo tempo tão tranquilo. Só tenho motivos a agradecer a Deus, aos céus, ao Universo, ao infinito ou quem quer que seja que controla essa bagunça toda (que se a gente olhar bem de pertinho, percebe que nem é tanta bagunça assim, e que as coisas têm sim uma certa lógica, um certo encadeamento dos fatos...). Estou muito feliz e é uma satisfação muito grande poder escrever uma retrospectiva com o coração e a alma cheios de esperança.

Foi um ano bom - e ainda não terminou. Faltam alguns compromissos, alguns protocolos, alguns ajustes a fazer mas já valeu a pena cada minuto e segundo vivido. Se o mundo não acabar nos próximos dias (coisa que eu bem duvido que aconteça), entrarei no próximo ano sabendo que para preciso sonhar sonhos ainda maiores e realizar feitos ainda mais significativos para superar em qualidade tudo o que foi feito e vivido em 2012.

E que venham novos dias e novas realizações!

sábado, 8 de dezembro de 2012

É hoje ^_^

  
***
  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pra hoje é isso


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O eterno e o hoje


Uma imagem tão simples... Diz muito. É que eu estava aqui organizando os pensamentos antes de finalmente entrar no mundo de Morpheu. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, como sempre foi e talvez seja para sempre nessa minha vida absolutamente incomum.

Hoje foi dia de hospital, de medicação, de matar serviço e de atestado médico. Nada demais. Uma faringitezinha viral chateou um pouquinho mas depois de tanto dengo e medicação correta está em processo de superação. Foi dia também de surpresas (boas e ruins): foi dia para chegar ao quarto do doente e descobrir com o coração sobressaltado que este acabou de ser transferido para a UTI, foi dia de visitar uma UTI descobrir desolada que as pessoas não estão nem aí com o estado de saúde (ou de doença alheios). Foi dia de reconhecer que muitas vezes, mesmo sabendo "o que fazer", não podemos tomar a frente das ações; é necessário também deixar que as outras pessoas vivam intensamente as suas dores, tenham as suas próprias experiências com as situações desfavoráveis.

E foi dia também de descobrir que eu esperaria o tempo necessário, que dedicaria a minha vida e os meus dias para fazer feliz quem me tem feito tanto bem... Foi dia de olhar assombrada novamente e ter a sensação de o estar vendo pela primeira vez. Foi dia de me apaixonar de novo pelo simples e extraordinário jeito de ser. Foi dia de ficar brava e ao mesmo tempo enternecida por causa da capacidade de se doar, de cuidar, de se fazer presente nos momentos (bons e maus). Não gosto que faça "sacrifícios" por minha causa mas reconheço que é infinitamente melhor tê-lo por perto.

Foi dia de abraçar e falar bobagens; também de conversar coisas sérias. Dia de tirar uma segunda via do documento de identidade pra poder viajar tranquilamente em Janeiro. Dia de tomar chá de cadeira, eperar-esperar-esperar-esperar; foi dia de passar perrengues em trânsito, de ver estragos feitos por acidentes de trânsito... Dia de ir ao teatro, de almoçar juntos, de caminhar pela rua de mãos dadas...

(...)

Foi de me ver ainda mais envolvida. E mais agradecida ainda, por estar vivendo um momento assim tão especial.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sábado de sol


Tentando organizar aqui os pensamentos para postar alguma coisa. Hoje eu me dei ao luxo de acordar bem tarde e não me ocupar absolutamente de nada. Abandonei-me ao ócio e aos devaneios aqui, esticada sobre a minha cama (ou o que sobrou dela, pois recentemente concluí que aquele catatau imenso ocupava espaço demais entre as quatro paredes; dei um fim à dita cuja).

Pensei em tanta coisa, refiz os acontecimentos da semana em câmera lenta, depois em câmera acelerada, voltei e adiantei o filme da minha vida algumas vezes, vi e revi repetidamente até esgotar a minha calma. Quanta coisa, quanto cansaço... Tem horas em que desejo ardentemente ter uma vida normal - tem horas que não. Falar verdade, maioria das horas não!

O meu trabalho esgotou as minhas forças e roubou um pouco da minha alegria durante a semana. E nem tive chance nem coragem (nem direito, bem dizendo a verdade)  de protestar ou reclamar - a escolha foi minha. Estive sem forças e sem ânimo; ao mesmo tempo, precisando ser firme, ser forte para cumprir todo o protocolo, todo o cronograma sem chiar. Engolir alguns sapos também pra colocar pra fora em forma de choro algumas horas depois.

Faltou paz em alguns momentos. Mais (e pior) do que isso, faltou esperança em dias melhores... Não sei se às vezes me coloco em um ponto de vista demasiado arrogante para achar que a minha filosofia de bem-viver-bem é altamente recomendável a qualquer habitante deste planeta mas é que a desesperança em certos momentos alcança a minha alma com uma força muito grande. Tenho uma certa noção de como fazer com que as coisas sejam melhores para mim, para todos mas os tempos em que vivemos, as atitudes das quais os seres humanos são capazes me cansam de modo tão extremo que às vezes sinto um desejo muito grande de ver logo tudo isso aqui acabar.

Não é novidade por aqui a minha falta de esperança para com a humanidade, bem sei. O problema é que eu olho a vida, as coisas, as pessoas e percebo todos como que correndo indiferentes contra o tempo, correndo atrás do vento e dando a mínima para a falta de paz, de cortesia, de amor latentes no mundo. Eu enxergo coisas que (quase) ninguém consegue enxergar. Isso é sinal de loucura! No meu caso, tanto pior porque é uma loucura consciente da loucura. Enfim...

E por falar em amor, quero mudar o foco do assunto. Ontem, depois de um dia exaustivo - sequência de uma semana megaexaustiva, eu parei cinco minutos para olhá-lo nos olhos e agradecer tanto cuidado, tanta atenção. Sempre tive vontade de ser uma pessoa melhor, sempre lutei com todas as forças - e ainda luto - para ser uma pessoa melhor, para me superar em todos os sentidos, para me aperfeiçoar em habilidades, em gentileza, justiça, em conhecimento, em espiritualidade... Eu quero ser melhor - para mim e para os outros!

De seis meses para cá toda essa vontade foi potencializada, foi catalisada pela simples presença de um ser humano absolutamente comum e ao mesmo tempo absolutamente único, especial. Agradeci, como agradeço todos os dias por ele simplesmente existir na minha vida, pois tem acrescentado tanto, talvez sem sequer notar... É por ele que o meu coração se agita dias e noites ininterruptamente. Hoje eu sei que sou melhor e muito mais feliz por causa dele. Simples assim.

domingo, 25 de novembro de 2012

Pensando

Sabe, a vida tem me ensinado coisas. Ensinado, por exemplo, a dar valor a quem ou a o que realmente tem valor. E nem precisa observar tanto, não precisa grande esforço para descobrir a diferença entre o que (ou quem) tem e o que (ou quem) não tem.

Também tenho aprendido a fazer as coisas quando há uma combinação perfeita entre "querer" e "poder". Um ou outro, isolados, não movem a minha vontade.

Hoje passei o dia envolvida nas coisas do meu trabalho. Adiantei bastante o serviço. No início da jornada, meio que a contra-gosto. Reclamei um pouquinho, chiei não poder dedicar o meu tempo à diversão, ao descanso ou ao ócio mas depois relaxei. Também tenho aprendido a enfrentar as responsabilidades com um mínimo de dignidade (risos); é o mínimo necessário. Confesso que eu mesma fico bastante irritada com gente resmungona - não posso me dar ao luxo de estar entregue aos deleites da vida comum-sem-graça-da-maioria.

Fiz o que dei conta de fazer. Parei agora e me peguei pensando em coisas que ficaram para trás. Ouvindo umas músicas aqui e lembrando das circunstâncias em que eu as ouvia há alguns anos. Parei para agradecer a Deus porque os tempos difíces deram lugar a outros tempos, menos difíceis e com alguma esperança a mais. Tenho vivido dias especiais.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vida offline, flores, chocolates e outras coisas...

Nada como uma semana sem telefone nem internet em casa para colocar em ação habilidades soterradas pela vida totalmente afetada pela tecnologia. Pareceu mesmo uma eternidade, só que não; tem jeito para tudo e nem tive tempo de sentir pena de mim mesma (por causa do serviço acumulado) ou raiva da situação desconfortável.

Era a falta da vidinha virtual e a consciência da pequenez humana forçosamente salientada pelas chuvas de novembro. Quanto estrago! Nem me incomodo tanto com essas coisas; tomo banho de chuva (muito a contra-gosto, bem verdade) mas chego em casa pronta para um banho quentinho, muda de roupa limpa e a comidinha da mamãe. Como bem dizia a canção dos Guns'n Roses: "nada dura para sempre, nem mesmo a chuva de novembro".

A net voltou, as águas deram trégua, consegui atualizar as pendências de maneira a adiar as rugas de preocupação e ainda por cima, entrei numa fase em que as pessoas inventaram de me presentear. Ontem ganhei flores de uma aluna - hoje, chocolates de uma amiga. Saí do trabalho pisando em nuvens e me perguntando por que raios a vida resolveu ser generosa comigo de uma hora para outra?

(...)

Falar verdade, não tenho certeza se quero realmente saber "os porquês" da coisa toda mas posso adiantar que ando feliz demais da conta por esses dias. Tem motivo especial e não tem ao mesmo tempo - todos os motivos são especiais. Simples assim. E fim.

domingo, 18 de novembro de 2012

Só para constar

Casamento, para mim, é aquilo que só acontece no coração de dois seres humanos; casamento para ele(s) é uma cerimônia principesca, medieval, católica, que não existiu a vida inteira e que foi instituída pelo Catolicismo e adotada pelo Protestantismo, quando toda camponesa tem direito a uma noite de princesa. (pausa) Com documento cartorializado e com um oficiante pagãmente profissional realizando o ato. Casamento para eles é paganismo.

(...)

(Caio Fábio)

Do que me encanta

Fabuloso mundo das imagens. Eu meio que parei de ler alguns tipos de livros de dois meses para cá. Leitura obrigatória só se for imprescindível para resolver algum enigma de ordem profissional; doutra sorte, entreguei-me totalmente à poesia, à literatura e às novelas gráficas (HQs). Estou cada vez mais impressionada - e apaixonada pela maneira ímpar de dizer muita coisa, grandes coisas, transmitir ideias complexas através da simplicidade da linguagem das histórias em quadrinhos.

O desenho combinado (ou não) com as palavras causam-me uma espécie de êstase dificil de explicar. Tenho que organizar o meu tempo, desenhar e pintar mais... Comprei uma pá de materiais depois que terminei os dois cursos mas ainda a onda de inspiração que eu nenho esperando não me atingiu; espero que venha logo!

A obra aí logo abaixo eu encontrei numa dessas comunidades em rede social. Assim como a da postagem anterior. A diferença é que essa aqui não tem nenhuma referência autoral - uma pena isso! Ás vezes, quando tenho a oportunidade de ver algo veramente belo, dá vontade de saber quem foi que "fez", quem sabe ir até a pessoa, apertar-lhe a mão, dar-lhe um abraço e agradecer por trazer a beleza das regiões etéreas até o alcance dos meros mortais como eu e você.

É isso. Sem mais por hora.


sábado, 17 de novembro de 2012

É isso!


Então...

Transtorno bipolar, também conhecido como psicose maníaco depressiva, é uma desordem cerebral que causa alterações incomuns no humor, energia e capacidade de desempenhar funções. Diferente das variações normais de humor que todas as pessoas têm, os sintomas do transtorno bipolar são severos e podem resultar em danos aos relacionamentos, performance ruim no trabalho e estudo, e até suicídio. Porém há boas notícias, porque pessoas passando por psicose maníaco depressiva podem ser tratadas e levar uma vida produtiva.

AMORas e abacates

Esqueci o pacote com os abacates dentro do carro dele. Foi um dia quente, corrido, e a gente passou um tempinho juntos conversando sobre coisinhas à toa, nem por isso menos importantes. O meu amor sempre me surpreende: dessa vez preparou uma torta com calda de amoras - pessoas que amo muito nessa vida sabem demonstrar carinho através dos dotes culinários: minhas avós (uma delas já se foi), minha irmã do meio, agora ele!

A torta meio que desandou, receita desencontrada: a massa ficou solada, endurecida. A calda ficou boa, mas sem o equilíbrio com a massa, ficou meio enjoativa. E isso, por acaso, diminuiu a grandeza do gesto?! Não, absolutamente! Eu fiquei ali sem fala, olhando pra ele enquanto servia a torta nas tigelinhas. Admiração é pouco! Gestos muito simples são capazes de causar em mim um impacto, um espanto muito grandes. Talvez tenha sido a melhor torta que eu já comi.

Depois os abacates. Ora, mas por que eu fui esquecer os abacates dentro do carro?! Hoje eu entendi que, mesmo a minha distração, essa minha mania incorrigível de ser muito "desligada" pode até mesmo colaborar para a minha felicidade, em algum momento qualquer. Ele veio trazer os abacates. Junto com eles, a voz, o sorriso, o abraço, o carinho que só tem graça se for assim do jeitinho dele pra me fazer tão feliz.

Amanhã talvez eu faça uma vitamina. Ou decida viajar pra bem longe (se ele for junto, claro). O que vai ser eu não sei - sei do que já é.

(...)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Enquanto as unhas secam

Aproveitei o feriado para fazer jejum de palavras - e ajeitar as unhas. Enquanto isso, penso na vida. Muito bom poder trancar a língua dentro da cavidade bucal vezenquando para dar vazão à produção farta de pensamentos. Dá pra medir a quantas anda a espiritualidade; dá pra avaliar mesmo do que a mente e o coração estão cheios antes de sair por aí azedando o dia dos outros com os nossos reclames.

Falar verdade, não tenho tido muito do que reclamar: guardadas as devidas proporções, tenho experimentado dias de colheita das sementes que venho plantando ao longo dos parcos anos de vida que (já) acumulei. É bom olhar pra vida e para as pessoas em redor com a consciência tranquila. Aliás, acho que já postei aqui, certa vez, que essa vida "certinha", regrada, sem tirar nada de ninguém, em última instância deve servir apenas para isso mesmo: dormir com a consciência tranquila. Isso porque os benefícios de tentar viver uma vida íntegra não aparecem assim, de uma hora para outra - então, frequentemente podemos ser assaltados por uma sensação assim, de que nada vale a pena, de que somos muito injustiçados, "que eu poderia estar roubando, estar matando", etc, etc.

Hoje eu tenho uma consciência e um coração tranquilos. Tenho aprendido lições valiosas a cada dia. E tenho refeito as minhas maneiras de pensar sobre a vida, sobre as coisas... Não existe sensação melhor do que a de viver em paz - é ela que busco e é a companhia dela me é mui grata todas as manhãs: a Paz. Dizia isso mesmo noite passada a uma amiga querida que fez-me visita. E penso agora em tudo isso enquanto olho as unhas recém-pintadas de rosa.

Coisa boa poder dedicar o corpo a certas futilidades enquanto entrega-se a mente às reflexões profundas acerca da própria existência. Coisa boa essa, reconhecer e reafirmar a existência através do exercício de pensar - e quem sabe, nesse meio-termo, conseguir levar outros a(o) pensar também.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Doce novembro

domingo, 11 de novembro de 2012

Para quê mesmo?

AMORas

Ontem ele me trouxe um mimo: um saquinho transparente com uma porção de amoras. Saí pulando feito criança, contente da vida mas depois fiquei matutando. Por que tanta alegria, tanta festa?! Eram só umas frutinhas mínimas cuidadosamente lavadas e acomodadas numa embalagem plástica! Depois de raciocinar um pouco acabei descobrindo que o encanto está justamente em ser muito simples e singelo. Há todo um significado!

Lembrei que eu mesma ajudei a colhê-las (as amoras) algumas horas antes, depois de termos almoçado juntos, num intervalo entre um turno e outro do trabalho inusitado de sábado. Lembrei-me dele escalando a grade para alcançar os galhos mais altos da árvore enquanto eu aparava as frutas recém-colhidas com uma vasilha.

Tentamos conciliar a nossa agenda com muito esforço e alguma agonia. Há uma pressa, uma urgência em encaixar os compromissos na tentativa de otimizar o tempo de interseções. Essa é a nossa vida!

E foram as amoras, depois a nossa saída de sábado à noite - veja bem: saímos "pra nada"! Sim, sem lugar certo pra ir nem protocolo a seguir. Saímos pra conversar, pra olhar um pro outro, pra sentir o cheiro e o calor da pele, desfrutar de alguns momentos a sós, mesmo com as centenas de pessoas passando minuto a minuto ao nosso redor.

Meus dias têm corrido assim: com simplicidade e paz. Coisinhas tão à toa me trazem uma sensação de alegria e deslumbramento tão maravilhosas que pressinto não haver realidade melhor, há um traço próximo da perfeição delineando tudo a nosso respeito.

Amar é simplesmente colher amoras no quintal. Sem mais.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sabedoria de NOIZ


domingo, 4 de novembro de 2012

Todo sábado

Excesso de compromissos mata. Final de ano já é canseira com as suas costumeiras programações, tanto mais se agravadas pelo volume de eventos que se acumulam na agenda, fazendo a gente perder a tranquilidade. Queria ter o direito de escolher para onde ir ou vir. Não é que eu não goste de festas e ajuntamentos familiares e/ou fraternais; o que acontece(u) de uns tempos para cá foi um avolumado de festejos capazes de fazer inveja às socialites, aos políticos, aos diplomatas...

Contem-se os (incontáveis) casamentos, noivados, chás (de fraldas, de lingerie, de casa nova, de panelas), aniversários, batizados, bodas, jantares e almoços de confraternização (profissional), formaturas, etc. "Não lembro mais da última noite de sábado que fiquei em casa à toa ou fui dormir um pouco mais cedo" - essa frase não saiu da minha boca mas foi uma materialização da minha sensação mais profunda; essa, incômoda, de não mais ser proprietária do próprio tempo, da própria vontade, de estar sempre tentando corresponder às expectativas alheias: comparecendo sempre às reuniões às quais sou convidada.

Fui contar os sábados realmente, retrocedi no tempo e contei nos dedos, nomeando cada evento. Poxa vida, é verdade! Quando a memória falhou e não consegui mais especificar o que fizemos em determinado dia (ou noite), me dei conta de que o protocolo venceu por nocaute a nossa tentativa de viver uma vida semi-hippie, desapegada às rotinas dos mortais comuns habitantes da Terra.

Sinto falta dos tempos de misantropia. Sonho com um mundo menos infectado de protocolos. E olha que eu restrinjo bastante o meu círculo social, senão já estaria tomando tarja preta.

Caro leitor, compreenda a minha resignação! É que haja sorriso atarrachado na cara pra "enfrentar" com bravura todos os ajuntamentos sociais de final de ano, esquecendo sempre (ou não) que a roupa ficou em casa por lavar, que há trabalho acumulado por fazer, enfim... Lamento muito não poder (em tese) dar às minhas noites de sábado a finalidade que eu bem entender, sem ter que me fazer entender na segunda-feira por não ter comparecido a tal ou tal.

(...)

Fica, pelo menos aqui o meu protesto. Por um mundo menos protocolo e mais relacionamentos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Shhhh...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Num dia como esse

Era um dia assim como hoje; retrocedamos as voltas do tempo há mais ou menos um ano atrás. Não sei exatamente a data, só que era Novembro. Sei que estávamos no horário de verão: era fim de tarde, quase noite, por volta das 18h40. Lembro que desci do carro pra deixar a pessoa que estava no banco de trás descer - ela foi buscar uma coisa qualquer lá dentro de casa, voltaria rápido. Nesse meio-tempo, conversinha à toa com quem estava no volante.

Lembro ter olhado a minha imagem refletida no vidro: "nossa, como esse uniforme deixa a gente feia!" - e ainda reparado os cabelos sujos, desgrenhados. Quem sabe as olheiras de quem não conhecia significado de boa noite de sono há tempo significativo. Me vi sorrindo por uma piada qualquer, e sem sequer imaginar que o que se passaria dali a alguns segundos, mudaria os meus planos dali a alguns meses.

Voltei-me para ver quem saía pelo portão. Ainda sorrindo, olhei para o moreno de cabelos encaracolados que me sorriu e cumprimentou de maneira simpática - pelo que apenas devolvi a gentileza: "boa tarde". Foi isso e só. Duas palavras que dali a algum tempo e alguns desencontros se tornaram corriqueiras e absolutamente especiais. A rotina nossa de cada dia: cuidar e devolver o amor num ciclo autossustentável. Simples assim.

Um dia comum, atitudes comuns podem surpreender a ponto de deixar-nos em estado de deslumbramento.

(...)

domingo, 28 de outubro de 2012

"Calma, pra contar com os dedos..."

Há aproximadamente cinco meses minha vida mudou (completamente). Não foi mudança brusca não; mudou serenamente, sem alarde, sem grandes impactos ou explosões; mudou para melhor, como não achei que fosse possível acontecer um dia. Mudou de dentro para fora, mudou e vem sofrendo transformações a cada dia, de maneira que ao examinar-me, noto que ainda sou muito a mesma só que uma versão melhorada - experimentando amadurecimentos.

Repare bem que tão alma cansada que eu era, em matéria de amor, já havia perdido as forças e as esperanças de porventura viver realidade nova tal qual agora. Andava meio calejada de tanto levar pancada, de tanto sonhar-esperar-desejar e não alcançar nada - eu não queria mais nada em matéria de relacionamentos, só investir em mim, gostar de mim e ver a vida passar sem sobressaltos. Nada quero tanto quanto viver tranquila, em paz.


Dia desses, lia uma besteirinha ou outra enquanto navegava na rede. Fiquei "sabendo" que as pessoas descompromissadas, as que não estão envolvidas em nenhum relacionamento amoroso, geralmente se enveredam por um de dois caminhos opostos: ou tentam encontrar alguém na expectativa de que tal criatura seja capaz de acrescentar-lhe a felicidade ou então consomem-se em ojeriza aos apaixonamentos de maneira a desprezar as atitudes românticas e engajadas dos seres humanos em redor. Pois bem que eu, apesar de não fomentar extremismos em nenhuma área da vida, confesso que estava cento e um por cento enquadrada na segunda categoria. Não pensava nem queria conhecer ninguém. Gostava da solidão. Mas não era aquela solidão sofrida porque bem sei entreter e fazer companhia a mim mesma - eu me bastava e não desejava correr riscos. Fecha parêntese.

Daí que quando por completo descartei a possibilidade, um gesto simples desmancha toda estrutura de pedra, vence a resistência.

Foi um acontecimento desses assim que gera desconfiança logo no começo, que estranha-se muito por ser novo e bom demais (pra ser verdade). E pra quem tinha a capa do ceticismo já aderida à pele como era o meu caso, mais difìcil ainda deixar a poeira assentar e se conformar com a nova situação, com a nova possibilidade. Demorei mesmo para desativar o freio de mão, relaxar de vez e deixar correr livre. Era pra ser só um tira-teima, um encontro pra saciar a curiosidade e colocar uma pedra sobre o assunto de vez, reafirmar a certeza de que essas coisas não existem, não dão certo, não pra mim. Mas tudo foi simplesmente acontecendo.

E veio o dia após dia, uma vontade que cresce conforme o tempo passa; vontade de acelerar e parar o tempo ao mesmo tempo. Não tinha desespero e o próprio tempo passou a ter novas importâncias e significados. Veio a pressa para ver onde isso ia acabar. Veio o medo terrível de acabar antes de ver até onde poderíamos ir. Veio um pavor de viver os mesmos dramas do passado, assistir reprise dos filme de terror que já estiveram em cartaz na minha vida. Veio uma vontade louca de fugir, de sumir, de não-ser, de negar tudo e dizer que foi um grato engano antes de ver a mim mesma envolvida em mais uma história que não daria em nada (era o que eu pensava).


Mas aí veio também uma amizade e um carinho capazes de tranquilizar o coração mais apavorado. Veio uma habilidade de rir juntos e uma sintonia capaz de solucionar problemas em parceria em questão de minutos; um querer bem e uma vontade de fazer o bem que dissolve as diferenças: de crenças, de temperamentos. Somos tão diferentes mas regulados numa mesma frequência - algo mágico! Todo dia é dia de celebrar deslumbrados como o Universo (ou coisa qualquer que interfira diretamente nos destinos - se é que ele existe!) foi absolutamente generoso ao permitir um encontro de tamanha grandeza. Hoje, sem dúvida, o meu nome encontra-se no rol das pessoas mais felizes que já pisaram na Terra!

A despeito de alguns meses que se passaram, o impacto de olhar nos olhos (ainda) é o mesmo da primeira vez. E eu, demorei dias para escrever esse texto porque não encontrava palavras... Não há como definir. O tempo, os sentimentos, as palavras hoje têm um peso maior - é preciso escolhê-las com cuidado! O que posso dizer é que amo, e o meu jeito de amar não tem nada com juras para um futuro próximo ou distante. Conto os dias como um HOJE. Amo desde que haja um hoje! E cada risco no calendário quer dizer simplesmente que mais um dia passou, limitado e infinito quanto a própria eternidade.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cestinha de flor

São tantas coisas... Mas muitas coisas mesmo! Eventos, aulas, provas, trabalhos, notas, chamadas e trabalho-trabalho-trabalho-trabalho. Estranho se fosse diferente! Quando eu pensava que a minha complicação de fim-de-ano já estava com a agenda fechada, que eu poderia sofrer em paz com a carga pesada das coisas a fazer, eis que surge a possibilidade de aplicar o projeto de Novela Gráfica (recém-parido) com quatro turmas de Ensino Fundamental na escola onde trabalho. O professor regente saiu de cena e eu acumulei mais essa carga. Sem mais. Trabalho e habilidade para improvisar postos à prova: mas é claro que eu topei a parada!!!

Daí que não-nada satisfeita, durante essa semana eu vinha recebendo uns emails estranhos sobre um curso de capacitação de tutores para cursos à distância. Confesso que apaguei uma porção deles achando que o Gmail estava abrindo a guarda da minha caixa de entrada para Spams ou coisas do gênero. Já irritada com a oferta, abri e li atentamente até o final para saber do que se tratava. Ah, sim, fui selecionada como tutora de um curso à distância e preciso concluir as (muitas) horas de formação até o dia 28 próximo. É claro que eu poderia recusar a oferta, só que não! Comecei a estudar ontem, dormi tarde mas feliz. É mais uma experiência para o currículo e uma adrenalinazinha a mais na corrente sanguínea (risos, claro).

E pra finalizar o post, "todo mundo" resolveu casar esse ano, já que o mundo vai acabar! Ou casar ou ter filhos! Toda semana é um chá: de fraldas, de lingerie, de panelas... Ou noivado ou cerimônia... Haja figurino, sorriso e disposição pra tanta festa, pra tanto choro e fotografia, pra tanta gente amando e querendo o bem. Tá certo! Felicidade é pra quem corre atrás mesmo... Próximo sábado casam-se duas joias preciosas na minha vida - eu mesma os apresentei e fico naquela mistura de alegria e responsabilidade porque o negócio ficou bastante "sério" - vão subir no altar!

Minha contribuição foi a ornamentação da cestinha da florista cujas fotos seguem abaixo. Eu bem que levo jeito pra coisa, rs! A foto de divulgação quem fez foi o meu amigo-irmão, Diogo Hamlet. Valeu, parceiro!

E a semana  está só na metade!


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Novela gráfica

domingo, 21 de outubro de 2012

That's it!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Dois cafés



Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai

Priorizar
Se comportar

Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar

Ter ou não ter
Ter ou não ter
Ter ou não ter
O tempo todo livre pra você

O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar

Sair pra algum canto, leva na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer

Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai

Priorizar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar

O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar

Sair pra algum canto, leva na brincadeira
Se enfia no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer

Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal

Dramas a mais

Tem horas que paro e (re)penso a vida toda e essa realidade nova que experimento. O tempo que chamo de hoje apresenta tantas - e tantas histórias para contar que nem se eu me sentasse aqui e digitasse pelos próximos quinze ou vinte dias, sem descanso. Aliás, descanso mesmo é palavra que não tem significado claro para mim, faz tempo! Agora mesmo, minhas pálpebras estão pesadas, insistem em fechar mas o cérebro não permite, não deixa...

Antigamente - ou não tão antigamente assim - eu me perguntava com frequência sobre o por que de tanto drama na  minha vida; hoje aprendi que as situações dramáticas são parte da própria coisa à toa e ao mesmo tempo esplendorosa que chamo de vida! Por aqui tudo tem que ter um chorinho, uma dorzinha (e o sufixo diminutivo denota não a pequenez da coisa em si, mas de um certo desprezo diante dessa confusão toda que me assola de tempos em tempos).

Muita coisa mudou de uns anos para cá; mas muitas coisas mesmo! E por mais que tudo vá bem (essa parte eu já observei, experimentei e comprovei) - há sempre uma complicaçãozinha antecedendo cada acontecimento bom, cada conquista. Isso não muda! Mas o que mais tem me impressionado ultimamente, para além dos acontecimentos, é que os dramas e as dores não têm mais o mesmo impacto que antigamente causavam: cresci e amadureci em vários aspectos. Em certo sentido posso até dizer que estou orgulhosa de mim.

Fim da fase melancólica e das lamentações. O tempo abriu espaço para um novo tempo e o próprio sentido da palavra T E M P O meio que tem se modificado a cada situação vivida - seja "drama" ou conquista. Pausa. Deixe-me explicar o que quero expressar quando menciono "drama": é que existem situações absolutamente comuns, corriqueiras a serem vividas diariamente; isso assim, na base da simplicidade, sem complicações. O problema - ou o "drama" acontece quando o imprevisto (e improvável) faz com que a coisa toda desande, frustrando as suas expectativas de ter um dia tranquilo por exemplo. Os "dramas" são as complicações que aparecem assustadoramente e indesejavelmente nas circunstâncias mais simples. É isso.

Com drama ou sem drama, eu tenho vivido bem (e melhor). Não sei precisamente desde quando mas os acontecimentos mais recentes só têm acrescentado alegria sobre alegria. Estou cansada? Sim. Mas o cansaço ainda é muito menor que a saudade, que o amor, que a felicidade que eu tenho experimentado. E por falar em felicidade, há que se inventar todo dia um significado para ela; é o que tenho feito. Sem mais.

domingo, 7 de outubro de 2012

Tempo de paz

Vai virar filme, vai virar livro, vamos ter que contar essa história. É impressionante como não precisamos nos explicar tanto para compreender e fazer-nos compreendidos; as pessoas precisam saber que isso existe, e crer que essa realidade pode acontecer, mesmo com quem menos espera, quando menos se espera. Eu já havia considerado caso perdido, desistido de tentar, de procurar, de entender mas maravilhosamente aconteceu: a paz que eu tanto esperava chegou à minha vida com uma força avassaladora e ao mesmo tempo uma serenidade capaz de fazer adormecer os medos, dissolver os nódulos que o tempo e as más experiências foram deixando ao longo dos anos.

(...)


domingo, 30 de setembro de 2012

Tudo igual, mesma coisa...

"... e quando vier o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá."
(1 Coríntios 13:10)

Foi o verso que me ocorreu de ontem para hoje. Nada mais. Estamos falando de perfeição e intensidade nunca vividas. Minha vida é um assombro! A fase que estou vivendo me encanta e assusta ao mesmo tempo; nunca foi assim antes, nunca. Eu tento silenciar e disfarçar mas os meus olhos radiantes e o meu sorriso acabam denunciando, entregando o jogo. Tudo faz todo sentido agora, cada dia é um novo dia, uma nova emoção, um novo encontro. Passou o tempo da solidão e desesperança; agora, olho para o lado e adiante - sempre tenho um bom motivo para viver bem, estar feliz, dormir em paz. São dias de regar o amor com lágrimas de alegria... E tudo isso é muito bom!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Editorial? Olha!

Sou eu aqui buscando informações e reunindo inspiração para escrever um editorial para uma revista. O convite veio hoje cedo. Ponto. Fazia tempo que eu não escrevia nada do gênero nem recebia proposta do tipo. Estou destreinada. Aliás, estou mesmo é em "estado de espera". Quase dois anos habituada com a escrita nos moldes acadêmicos, uma atividade assim me fez meio que tremer nas bases; não estava esperando. Enfim... Falar verdade, eu ando é bem preguiçosa mesmo, sem querer nada com a dureza da escrita. Me dou ao luxo de estar cansada e evitar certo tipo de compromissos, de atividades mas por outro lado a vaidade e essa mania meio kamikaze de ser falam mais alto de vez em quando. Por isso a sensação de satisfação e ao mesmo tempo de incômodo, ansiedade com a escrita do editorial. Acho que não estou em condições de apresentar postagem coerente mas, em poucas palavras: é isso.

domingo, 23 de setembro de 2012

As árvores*


Pintei um painel decorativo de uns 8m de largura para a entrada da Feira de Ciências lá da escola onde trabalho. Era pra ser uma floresta, que virou uma árvore, que virou um jardim... Enfim, depois do trabalho concluído (com colaboração, é claro), fiquei bem contente com o resultado! Não era para ser assim tão coincidentemente significativo; olhando pra árvore fiquei imaginando e ruminando tanta coisa, tanta ideia: a de fertilidade, de "dar frutos", de "ser fruto"... Uma pessoa me perguntou o porquê dos espelhos. Respondi que eram para representar os frutos de maneira não-convencional. Era mesmo para as pessoas passarem e olharem-se refletidas nos frutos - naquela hora a pessoa seria o próprio fruto, sentiria que faz parte da árvore... Muita viagem!


Eu sei que o dia da árvore já passou e eu nem sou ligada a essas coisas de datas comemorativas, mas  é que a semana foi tão corrida e só agora tive tempo de dar uma paradinha para registrar alguns acontecimentos. Andei trabalhando pesado esses dias: exercitando a criação, brincando de Deus! Parece absurdo mas é que quando penso nessas coisas de "imagem e semelhança", a primeira impressão que tenho é a de ter herdado um cadinho do potencial criativo do próprio Criador. Estou postando algumas fotos para deixar registrado o momento. E a música do Arnaldo (Antunes) que é pura poesia.

 As árvores são fáceis de achar
Ficam plantadas no chão
Mamam do sol pelas folhas
E pela terra
Também bebem água
Cantam no vento
E recebem a chuva de galhos abertos
Há as que dão frutas
E as que dão frutos
As de copa larga
E as que habitam esquilos
As que chovem depois da chuva
As cabeludas, as mais jovens mudas

 

 As árvores ficam paradas
Uma a uma enfileiradas
Na alameda
Crescem pra cima como as pessoas
Mas nunca se deitam
O céu aceitam
Crescem como as pessoas
Mas não são soltas nos passos
São maiores, mas
Ocupam menos espaço
Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor.

 * Arnaldo Antunes

Youhuhu

(...)
Ai, ai, ai, moreno,
Desse jeito você me ganha,
Esse teu chamego,
O meu dengo e a tua manha.
Ai, ai ai, moreno,
Tua pele não há quem negue,
Cor de quente, coração,
Toda estrela e sol te seguem.


Só vou se for com ele,
Eu tenho medo de avião,
Se eu fico longe dele
Eu perco o norte e o chão.
Só quero saber dele
E nada mais importa.
Eu vou ficar com ele,
Que ele pega a minha mão
E nunca mais me solta.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Antiguidade nova



É que costumeiramente eu tenho a mania de parar e pensar na vida. De tanto pensar, acabo me perdendo das conclusões e me afundando tanto mais nas confusões, nas confissões, enfim... Cansaço novamente pesando sobre os ombros, um frenesi de coisa acontecendo, de situações a administrar. A minha vida segue firme equilibrando a balança entre dois pratos de conteúdos divergentes: de um lado a felicidade transbordante e do outro o eterno e absurdo drama de quem (parece que) nasceu para sofrer (todas) as dores antes de, finalmente, experimentar alguma satisfação.Ando de um jeito que (quase) nada me abala. Já vi um bocado nessa vida e entendi bem menos. Não importa, estou bem viva (ainda) e isso basta!

domingo, 16 de setembro de 2012

Eu penso sempre nessas coisas...

Domingo é dia

Eu estava aqui pensando na vida, enquanto o sol escaldante do Planalto Central consome o que ainda tenho de juízo. Tem feito um calor angustiante aqui no DF! A temperatura alta e a secura do ar causam vários efeitos (bem indesejáveis, por sinal) à nossa saúde: um deles é essa preguiça infinita, essa moleza no corpo que tira a vontade de fazer - das coisas mais simples às mais complexas.

Essa semana decidi levar a sério uma promessa que fiz a mim mesma. É que depois de terminar os dois cursos (simultâneos) de pós-graduação, tracei a meta de ler apenas coisas leves e despretensiosas até o final do ano. Confesso que não foi fácil (nem está sendo) de me desarraigar dos cânones acadêmicos; parece-me que é uma espécie de vício ou nódoa que se aprega (é, foi isso mesmo o que quiz dizer: se aprega) intimamente à nossa essência e quando se vê, caminha-se novamente em direção ao rigor das normas e técnicas. Eu é que sei...

Separei umas leiturinhas básicas aqui e espalhei ao alcance dos olhos e das mãos. Já que não assisto TV, me sobram as ondas da internet ou do rádio e os livros. Bem penso eu que o que me sobra é a melhor parte, mas não vamos discutir tal assunto por agora. Basta dizer que na melhor fase da minha vida (esta) tenho o prazer de me dar ao luxo de fazer escolhas melhores. Ando muito feliz e é só isso, não há muito o que declarar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Então assim tudo tanto...

São duas sombras e a água transparente. O calor e a sequidão do estio do Centro Oeste às vésperas da Primavera. O Sol escalda, o vento é morno mas os pés estão geladinhos, mergulhados confortavelmente no pocinho enquanto a gente conversa como velhos amigos e tira foto. É, nunca poderia imaginar uma cena assim mas maravilhosamente aconteceu. Tem coisa que a gente espera tanto que até esquece do que estava esperando, aceita outra coisa qualquer ou simplesmente deixa de esperar. Foi assim comigo. Nem mais sabia o que queria da vida até a própria vida trazer até mim o que está muito além das minhas expectativas. E ela (a vida) segue em frente, firme. Seguem os dias em que se trabalha, produz, cansa e descansa (na verdade, mais cansa...). Ah, dias em que a gente ama e sente saudade e mais saudade! É isso. Sem mais por hoje.

domingo, 2 de setembro de 2012

Dormir

"Às vezes é preciso dormir, dormir muito. Não pra fugir, mas pra descansar a alma dos sentimentos. Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira."

Esse texto circula pelas redes sociais já faz um tempo; assina: Marla de Queiroz, que eu não sei quem é e nem posso afirmar se realmente lavrou o ditame, visto que internet é lugar impróprio para se reclamar autoria de alguma coisa. Caiu na rede, é peixe - como reza o dito popular que a minha mãe recitava quando eu era ainda (mais) criança!

Mas é isso aí mesmo que eu escreveria hoje: "às vezes é preciso dormir, dormir muito"... Dormir como dormi hoje praticamente durante todo o dia. Fazia tempo que não passava tanto tempo na cama, remoendo a vida, repensando escolhas e dormindo, dormindo, dormindo, dormindo. Revendo conceitos, assistindo os últimos capítulos de uma série de TV, um filme antigo e mais dormindo. Não sei se dormia nos intervalos das visualizações ou as próprias visualizações eram o intervalo do sono. Sei que dormi muito. Talvez não o bastante.

sábado, 1 de setembro de 2012

Quando entrar setembro...

Passou um trator por sobre mim de ontem para hoje. Ou o trator simplesmente ficou passando por sobre o meu corpo, ida e volta, durante toda a semana. Quando cheguei do trabalho em plena sexta-feira, meus planos eram necessariamente: banho, organizar minimamente a desordem do quarto e me afundar entre os meus travesseiros - queria dormir uma eternidade; dormir para DES-CANSAR, dormir para esquecer, simplesmente dormir... Até a claridade do dia seguinte. Mas não, há sempre um drama escondido atrás das cortinas.

Enrolada na toalha, tentei me arrastar até o banheiro quando o telefone tocou. Era a minha irmã que mora em outro estado. Começamos pelo celular, em seguida o fixo, a ligação se estendeu por mais de uma hora de lágrimas, risadas e palavrões. Mais lágrimas e palavrões, bem dizendo a verdade. Era tanta história, era tanto absurdo acumulado com saudade e outras coisas mais... Vez ou outra a gente se perguntava por que tanto drama, se a única coisa que a gente quer e busca é estar em paz, estar bem, fazer o bem, essas coisas... E era tanta história e tanta saudade. Misturaram-se todas as sensações com o cansaço intenso (...). Tudo dói: até ser (muito) feliz!

Fiquei refletindo enquanto conversávamos ao telefone e cheguei mesmo à conclusão que há algo mágico nos relacionamentos, há um potencial curador fortíssimo envolvido quando o assunto é "pessoas que amamos". Todas as dores da semana foram se dissipando em lágrimas à medida que os minutos se passavam na nossa conversa. Estar distante do que nos faz bem é que estraga a nossa vida interior, de alguma forma - acho que é isso! Já estive em posição de ganhar (algum) dinheiro, de ter (algum) status, ando acumulando títulos acadêmicos, me chamam de "especialista" em uma porção de coisas e tenho um milhão de habilidades "desejáveis"... Tudo isso, simplesmente não basta! Nem satisfaz. Uma conversa simples ao telefone faz perder de vista todas as riquezas do mundo por um motivo muito simples: o que temos de mais valioso é a alma (seja qual for a o significado atribuído a esta).

Amor é cura pras dores mais profundas. É sério! O telefonema foi interrompido pela visita de um casal que eu ajudei a unir. Corrida para vestir uma roupa decente para recebê-los. Ainda com a "cara" inchada de tanto chorar, a mana ainda na linha, recebi o abraço dos amigos aqui na sala de casa: vieram fazer o convite formal: serei madrinha do casamento. Essa é outra história cômico-dramática (que fica para outra ocasião, quem sabe). Minha vida dá um roteiro de filme; só não sei em que categoria entraria (risos, muitos risos...).

Mal me despedi dos dois (visita rápida), sentei-me na cama novamente para dar continuidade ao plano inicial, lembra? Eu só queria tomar um banho e dormir... Teve mais: o telefone tocou novamente. Era ele, que completa a minha felicidade, que enche de alegria os meus dias desde a primeira vez que nos encontramos. Depois de tanta emoção, eu nem tive como me expressar adequadamente, acho que embolei um discurso psicodélico ao telefone nos poucos minutos que tínhamos de disponíveis. O fator tempo, de uns tempos para cá, tem sido cruel e crucial na minha vida. O próprio significado do que vem a ser "tempo" tem sofrido variações de acordo com o impacto emocional que causa. Era pouco - o tempo - mas o sentimento... de proporções não-mensuráveis.

Não sei se consegui me fazer clara mas depois de ter um (breve) contato com o que me faz feliz, a noite de sexta-feira foi de paz e descanso. O stresse maluco da semana, a angústia, a tristeza, a insegurança... ficaram todos para trás. Voltamos ao plano inicial, à estaca zero: de viver bem, e melhor a cada dia... Sem mais por hoje.

Pode ser cruel a eternidade, eu ando em frente por sentir vontade.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Poemando


Eu vivo de ausências;
me alimento de uma saudade
que parece não ter cura.
Não têm cura não, minha gente...

Há dias em que o coração aperta tanto
que parece que quer
expulsar alguma coisa.

É essa coisa que incomoda,
que eu não sei descrever nem nomear
mas faz com que de vez em quando
eu olhe para o calendário
com uma vontade terrível
de eliminar alguns dias.

Dias como o de hoje, por exemplo:
amanheci
com um monte de motivos
para estar alegre, mas
simplesmente
uma força maior do que eu
insiste em me achatar,
me comprimir o peito.

Olho o céu e respiro,
penso na vida e nas coisas todas
Caminho sempre
em frente, seja devagar ou ligeiro.
Sinto falta...

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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