quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

De boa intenção...

Das coisas que mais me incomodam, me irritam, me deixam intrigada (...), com certeza, a mania que certas pessoas têm de fazer perguntas "bem-intencionadas" merece destaque. Veja bem, numa relação normal de amizade ou de trabalho, familiar ou o que seja, é comum que os pares se interessem pela vida uns dos outros e mantenham-se, até certo ponto, informados acerca dos assuntos alheios.

Problema é quando um encontro casual é motivo para o bombardeio das perguntas clichês. Está bem, eu às vezes exagero na crítica e há quem diga que me irrito por pouca coisa... mas veja bem: tem gente que possui um repertório limitado e repetido de perguntas. Tipo: 'E aí, tudo bem?' - 'Bem!'... 'Já casou?' - Pronto! Chegamos so ponto crítico da questão.

Vivemos numa sociedade democrática, em que seus direitos (de escolha) são respeitados. Será? Mentira. Existe uma pressão externa ao mesmo tempo sutil e esmagadora que empurra as pessoas a corresponderem às expectativas do meio. Que meio? Família, por exemplo. Amizades. Ambiente de trabalho... Quem nunca foi "vetado" em algum evento por não se encaixar em algum padrão ou pré-requisito? Ano passado, por exemplo, quase tive a minha participação censurada (rs) em um evento porque só entravam "casais". WTF? E não podia levar amiga não, tinha que ser casalzinho hetero. Xiii...

Tenho um tio que toda ceia de Natal me fazia a mesma pergunta: "Cadê??? (e alisava o dedo da aliança, na mão esquerda)" Ele é uma pessoa ótima mas a pergunta, confesso, me chateou por anos seguidos. Depois passei a não dar importância e depois que a gente passa a não dar importância, as coisas realmente deixam de ser importantes (ficou redundante mas era isso mesmo que eu queria dizer). É só "desencanar".

Alíás, se alguém deseja viver em função das exigências externas, dura tarefa tem pela frente! As pessoas ao redor geralmente são vorazes em se meter na vida alheia e nunca se dão por satisfeitas! Se está solteiro, exigem que você namore; se está namorando, que fique noivo; se está noivo, que case (LOGO!). Quem nunca passou por esse tipo de situação, que atire a primeita pedra (em quem perguntar, não em mim).

Um amigo me contou dia desses, que a irmã (dele) estava namorando há um bom tempo e sempre que as pessoas a encontravam nos lugares, questionavam sobre a data do casório, dando a entender que "estava passando da hora" Numa destas, ela, cansada de tentar satisfazer a curiosidade mórbida dos outros respondeu: "NUNCA"! E foi só. Hoje ela está casada e feliz.

Conversando sobre isso ontem, e lembrando que a minha irmã mais nova têm passado por esse tipo de situação, chegamos à conclusão de que uma resposta malcriada tem o poder de cortar pela raiz essa síndrome de pergunta bem-intencionada. Talvez não seja a maneira politicamente correta mas quem recebe uma resposta assim dificilmente tem coragem de perguntar de novo...

2 comentários:

Kézia disse...

Sabe, eu passo por isso..
Acho que o meu tom de voz ao responder "nunca" deve ser doce demais, porque depois da minha resposta sempre vem o sermão que diz: você diz isso agora, mas daqui a um tempo vai mudar de ideia, todo mundo tem de se amarrar a alguém um dia.

É tão difícil assim aceitar a minha opção?!
Certa vez, duranto a análise, consegui deixá-la sem argumentos com essa pergunta.. mas essa é uma história para o blog =)

Beijo!

V.V eternamente disse...

Boa noite Viviane,

Amei seu texto,ouvi um dia esta frase e complemento: de boas intenções o inferno já esta pavimentado.É como vc disse que de alguma forma não nos encaixamos na sociedade dos curiosos e dos que se importam com a vida da gente. Já passei por isso sim.
E vc não imagina o que acontece quando a gente se separa é bem pior.
Mas vivendo e suportando,rsrs
Um grande abraço.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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