segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Esquisitice minha de cada dia

Sou uma atenta observadora de mim mesma: das coisas orgânicas e psíquicas, dos tempos e dos ciclos, dos pensamentos e das (re)ações. É comum ir ao médico e dizer a ele, baseado no conhecimento empírico, qual o problema e quais as alternativas de tratamento. Da última vez não deu muito certo: acertei o diagnóstico mas errei a causa (era uma faringite viral e suspeitei que fosse bacteriana), teimei com a doutora mas segui as orientações (na medida do aceitável). Reconheço que é um terço de paranoia mas não consigo confiar totalmente em quem se associa com a indústria farmacêutica. Suspeito fortemente viver sob o mesmo teto que uma hipocondríaca mas agradeço a Deus não ter herdado por carga genética nem cultural tal particularidade.

Hoje escrevo porque ando incomodada. Meus dilemas mais íntimos têm o poder de me empurrar à produção do que quer que seja. Há um espinho na alma que de tempo em tempo inflama e não me deixa dormir ou descansar. Se não venho aqui certamente saio a caminhar horas com mil vozes ao mesmo tempo jorrando ideias e desideias, não deixando a menor chance de captar uma só que seja, confusas, desembestadas - os meus pensamentos me levam a um lugar além da linha da loucura, às vezes. E tem outra coisa: quando em vez me assalta uma tristeza sem motivo aparente; não mata mas incomoda. Especialmente agora, perturbam-me o incômodo e a tristeza.

Questionava agora há pouco, que tipo de ironia (ou bruxaria) leva um ser humano a sentir-se absolutamente desalentado mesmo estando tudo bem ao redor? Olhei as contas (pagas), a família reunida, o dia perfeito de sol pleno, a água, o alimento, os amigos, a música e toda a beleza desfrutável por alguém que goza de saúde... (...) Suspirei fundo e fiquei sem resposta. Falta alguma coisa. Abro parêntese. Estou bem. Dias atrás, ouvi de alguém que "estar bem não significa necessariamente 'estar feliz'". Que seja mas o post não é depressivo: e reflexivo. Estou buscando as (minhas) respostas e talvez escrever-ler-escrever me ajude. Fecho parêntese.

O coração dando piruetas dentro do peito durante todo o dia e só me ocorria cortar a cafeína. Ou quem sabe voltar ao Dr. Rodrigo (o clínico que me atendeu há dois anos atrás na crise mais dura dessa tal "coisisse" que me assalta). Andei de um lado para o outro dentro de casa - não há lugar onde os pensamentos não alcancem, principalmente para alguém que tem ojeriza à televisão. Não há música ou mantra que acalme. Devem ser os hormônios! Sim, sim: hormônios e o "ataque de mulherzinha" mensal ... Pilhas de roupa sobre a cama e algumas horas depois, 30% delas em uma sacola para doação. Santo Cristo! Por que é que de tempos em tempos eu surto??? Olhada debaixo da cama: todos os tênis, sapatos e sapatilhas. Devo ficar com um ou dois pares - o restante nem consigo olhar! É uma necessidade do novo que sufoca, comprime os pulmões! E pra chegar o novo, abrir mão do que é velho, ultrapassado.

Passou a segunda-feira e a sensação ruim não. Nem sono nem cansaço - descobri não dormindo (sequer bocejando) durante o dia. Que não era fome descobri depois que comi. Alguma coisa me desestabiliza e ainda não descobri o que é. Vasculhei os arquivos de música - mesmo a mais inspiradora das pastas (que em dias normais eu amo tanto) não me provocou menor suspiro. Estou chata hoje, insuportável e irritadiça. Boca fechada: mal completei centena de palavras. Normalmente sou silenciosa, falo pouco - hoje menos ainda.

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