sábado, 31 de março de 2012

É isso!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Macanudo

*Liniers (tem nos favoritos ali ao lado)

terça-feira, 27 de março de 2012

Me deixa ser magra: eu tenho direito!

Das situações mais incômodas que passo nesta vida, eis a que mais me intriga: encontro uma criatura que não vejo há dias, meses ou anos e ela não repara na tatuagem de pentagrama que fiz na testa nem no meu cabelo recém-pintado de azul turquesa - não (!) - ela repara em o quanto estou magra!!!!! Primeiramente o tom de desdém: mas como, por que essa magreza toda!!??? (aconteceu bem assim hoje) ...para logo em seguida cintilar em seus olhos a inveja absoluta e o desejo latente de um dia me ver pesando uma tonelada!

Que me lembre, nunca tive quilinhos a mais: magrelice sempre foi a minha marca registrada, aliada à altura incomum às garotas da minha idade, na adolescência. Da fase anterior à lembrança, umas fotos de quando ainda bebê - rechonchudinha, guardadas as devidas proporções. É isso: sempre fui alta e magra; magra e alta. "Poderia ser modelo" - não, não poderia. "Poderia jogar vôlei, basquete" - sim, joguei por uns tempos, na escola mas a carreira não foi adiante. "Tem algum problema hormonal" - não, não tenho. Há casos na família mas os MEUS exames não acusaram nenhum tipo de disfunção do gênero. "Deve ser anêmica, anoréxica, sofrer de bulimia..." Sim, a maldade humana e o veneno da língua alheia não tem limites... E não, eu não sofro de distúrbios alimentares, sou exímia levantadora de garfos e por sinal, a minha saúde vai muito bem, obrigada.

Por um tempo nutri certa esperança... Me disseram que eu engordaria depois dos vinte anos... Depois dos vinte e cinco... "Ah, mais quando você completar trinta anos é batata!" Hã? Quê? Estou esperando até hoje e já se passaram dois da data limite. Não consigo acrescentar ao meu peso. Já tentei... já desisti. Depois desencanei.De uns tempos pra cá, um amigo pegou a mania de me chamar de "Angel", fazendo referência às modelos da Victoria's Secrets... Não sou de acompanhar esse mundo de moda e glamour mas confesso que, vendo o desfile do ano passado pelo Youtube, fiquei bastante envaidecida. Há o seu charme em ser magricela.

Passadas as paranoias comuns às jovens, feitas as devidas ressalvas em favor das inseguranças típicas das mulheres por conta dos picos hormonais, me considero bem resolvida com relação a esta e outras questões. Estes dias uma figura muito querida me sussurou ao ouvido a seguinte pérola: "Detesto essas mulheres altas e magras, que não têm nem sinal de barriga." Era brincadeira, claro. Era (?). Pelo que respondi prontamente: "E eu detesto as baixinhas coxudas e bundudas."

Pra falar verdade, eu acho que atributos físicos não deveriam servir de pretexto para constranger ninguém. Nem pra nivelar. Nem pra classificar, como se faz com as peças de carne no açougue; sei que nao há novidade no que estou falando. Mas veja bem, se manifesto dissabor, é falando "de dentro" da situação: quero ter direito a ser magra sem ter que prestar contas a ninguém! Não escolhi a embalagem antes de vir ao mundo e espero que quem me cerca tenha a decência de se aceitar como é, assim como me aceito como sou.

Era (só) isso.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Paixão por livros

Recebi via correio eletrônico agorinha há pouco dois trechinhos de livro. A Rafa* enviou. Penso que se uma pessoa que me conhece há tão pouco tempo emprega tempo e gentileza para selecionar trechos de livros e enviar-me por e-mail, há probabilidade grande de esta pessoa ser alguém muito especial. Ou ela me considera alguém especial. Ou as duas coisas.
 
Sábado passado vivi uma saga em busca de dois livros para dar corpo às argumentações do relatório de estágio da Pós-Graduação, até aí nada de estranho... O problema é que meu estado não favorecia melhores interações e ainda tive que rodar metade do Distrito Federal até encontrar os benditos volumes. Para minha sorte eu tenho amigos (no caso, amigas: a Poli e a Rafa) que me acompanharam durante a odisseia. Dentro de uma livraria badaladíssima daqui de Brasólia, eu e Rafa conversávamos sobre a fascinação que os livros exercem sobre nós...
 
Sono, cansaço, esgotamento físico e nervoso: sem elas eu não sei se teria concluído a jornada! O que sei é que uns tempos pra cá tenho me sentido deveras uma criatura muito especial. Cercada de amigos especialíssimos, todo dia é uma alegria levantar-me da cama e saber que as horas serão preenchidas em companhia de quem me acrescenta muito. Não tem dia ruim; ando numa fase muito boa! Sem mais delongas, seguem trechos.

* Rafa(ela) é (minha) colega de curso.
 
FOME

De repente senti muita fome. Não de comida, mas de todas as palavras escondidas naquelas estantes. Mas eu sabia que, por mais que eu lesse por toda a minha vida, nunca conseguiria ler um milésimo de todas as frases que já foram escritas. Sim, pois há tantas frases no mundo como há estrelas no céu. E elas se multiplicam e se expandem continuamente, como o espaço infinito.
Mas ao mesmo tempo eu sabia que a cada vez que eu abrisse um livro, eu veria um pedacinho desse céu. Sempre que lesse uma frase, saberia um pouco mais do que antes. E tudo o que leio faz o mundo ficar maior, ficando maior eu também. Por um momento, eu contemplei o fantástico, o mágico mundo dos livros.
 
Jostein Gaarder e Klaus Hagerup in A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken
 
"Passeio pelas estantes da biblioteca. Os livros me dão as costas. Não para me rejeitar, como as pessoas: são convidativos, querendo apresentar-se a mim. Metros e mais metros de livros que nunca poderei ler. E sei: o que aqui se oferece é a vida, são complementos à minha própria vida que esperam ser postos em uso. Mas os dias passam rápido e deixam para trás as possibilidades. Um único desses livros talvez bastasse para mudar completamente a minha vida. Quem sou eu agora? Quem eu seria então?”

domingo, 25 de março de 2012

Aquarela de Toquinho

Peripécias de uma ilustradora fora de forma. Sim, porque fazia um tempão que eu não mexia com Canson e giz de cera. Daí que um belo dia a minha coordenadora pede a música do Toquinho em sequência de desenhos para uma dinâmica com a equipe docente. Eis a obra. Fiz meio que às pressas, o tempo era curtinho mas saiu.

 Numa folha qualquer eu desenho um Sol amarelo...

 E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo...

 Corro um lápis em torno da mão e me dou uma luva

 E se faço chover, com dois risco tenho um guarda-chuva.

 Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel...

 Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.

 Vai voando, contornando a imensa curva Norte-Sul
Vou com ela viajando o Havaí, Pequim e o Istambul.

 Pinto um barco a vela branco, navegando
É tanto céu e mar, num beijo azul.

 Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo com suas nuvens a piscar.
Bata imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
E se a gente quiser ele vai pousar...

 Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida.

 De uma América a outra eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num segundo eu faço um mundo.

 Um menino caminha e caminhando chega num muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está.

 E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar

 Sem pedir licença muda a nossa vida
E depois convida a rir ou chorar.

 Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguem sabe bem ao certo onde vai dar.

Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Além do limite

Talvez a minha vida seja um ode (interminável) ao cansaço; talvez.

Talvez antes do cansaço, um esforço absurdo para dar conta de coisas, dar conta das coisas...

Não tenho limites nem cobranças além das que eu mesma imponho; hoje a liberdade que conquistei é justamente o que furta o que eu gostaria.

Estar bem, fazer o bem são coisas que trazem uma enorme satisfação mas custam muito caro... Não, não é de dinheiro que estou falando.

São dias como o de hoje que me impulsionam a continuar a fazer o que faço; são também os que me fazem pensar (e repensar) também se é isso mesmo que quero para a minha vida ou o que ainda resta dela: dias, meses ou anos.

(...)

Cansada. Sem mais.

terça-feira, 20 de março de 2012

O que há com os humanos?

Linguagem é algo extraordinário mesmo, não é verdade? São caminhos insondáveis que uma mensagem deve percorrer até chegar ao destinatário, enfrentando perçalços e atravessadores mas nem assim tendo sua fiel compreensão assegurada. Desde o dia em que aprendi a falar, já falei muito (menos que a maioria da mulheres, provavelmente, pois sou assumidamente de pouca conversa) mas ainda me falta habilidade; desde o dia em que aprendi a escrever, já escrevi bastante e melhorei vários aspetcos mas ainda me são necessárias: a prática e a crítica - tenho interesse em me aperfeiçoar. A despeito de tudo isso, todo esforço em se fazer compreender (oralmente ou via escrita) é, de certo modo, ineficaz pois cada um que lê ou ouve, entende como lhe apraz e a responsabilidade sobre a apropriação da significação da coisa é pessoal. Por isso eu digo sempre que não gosto de "dar explicações"; é procedimento que cabe a técnico de time que perdeu partida (ou campeonato). O que eu disse está dito e era justamente o que queria dizer. Você que (se) entenda!

Sei que talvez não faça muito sentido o post mas também não vou pedir desculpas ao amigo leitor; aproveito para lembrá-lo que muita coisa também não faz o menor sentido nesta vida! Sem pudores ou ressentimentos.

Dia destes eu olhava as atualizações de uma rede social: tinha uma imagem postada por uma comunidade de ateus (?): era uma foto muito mal editada de um tribunal com uma imagem de Oxóssi pregada na parede. Não, não é só isso, tinha também uma legenda assim: "Eu também sou a favor da utilização de imagens religiosas em repartições públicas". Acho que tinha mais coisa mas até aqui está bom pra eu não ter que estender muito a reflexão. Me passaram várias questões e vários pensamentos pela cabeça, cheguei a sentir uma indignação muito forte, não por causa do Oxóssi mas uma repulsa profunda de pensar que tipo de mentalidade absolutamente infantil apresenta provocação deste teor?

Veja bem, já faz muito tempo que não levanto bandeira de movimento nenhum. Nenhum deles faz o menor sentido na minha cabeça: feministas, cristãos, ateus, gays (e a sigla toda), negros, etc, etc não ganham a minha adesão se eu não perceber que a reivindicação é comprometida com o bem comum e não de UMA comunidade. Sabe, eu ando muito cansada de certas discussões infrutíferas, principalmente as que se destilam no meio acadêmico (mas este é um assunto para outra postagem mais adiante). O que "quero dizer" é que se tem UMA minoria realmente operante no Brasil e no mundo, ela se constitui de pessoas ricas, milionárias e megamilionárias: elas são em menor número em qualquer lugar do globo e eu faria questão de lutar pelos seus (nossos) direitos acaso eu fosse uma delas. Mas não sou, mas não somos e então eu te pergunto: que palhaçada é essa de agora todo guetozinho se ajuntar para declarar guerra contra outros guetozinhos e todo o resto do mundo?!

Voltando à imagem da comunidade dos ateus na rede social: o que se ganha incitando ódio e debates que não agregam nenhum valor social ou moral a quem participa nem em quem eventualmente tem o (des)prazer de acompanhar, mesmo que em parte, a discussão? Penso que tanto ateus quanto religiosos ferrenhos compartilham justamente o que há de pior: a estupidez humana. A cruz nas repartições públicas não (me) ofende; a imagem de Oxóssi não me choca - o que me entristece mesmo são tantos rumores em torno de um assunto que é tão simples quanto uma criança pode compreender:simbolos sagrados representam sentido e significado somente a quem comunga da crença; porém, também penso que não deveriam posar em repartições públicas. Assim como penso que muita coisa não é do jeito que deveria ser mas enfim, esse tipo de atitude nem de longe engrandece a quem tomou a iniciativa; tampouco serve de argumento. É infantilidade! Do tipo provocativo, de criança mimada que não admite que a outra criança tenha um brinquedo que julga melhor que o próprio, entendem? É isso.

Cada um se curva diante do deus que bem lhe parece - e que não seja motivo ou desculpa para desfilar uma pseudosuperioridade sobre outros. Muitos que empregam energia rejeitando a Deus (não necessariamente o dos teólogos mas uma consciência superior que une e sustenta todas as coisas) acabam se curvando ao xamanismo moderno dos psiquiatras e da indústria farmacêutica. Veja você  que o exercício da espiritualidade é pauta de inúmeros estudos em diversas áreas do conhecimento e é absolutamente saudável, se cultivado de maneira equilibrada. Para falar verdade, em matéria de crença e fé, gosto mesmo é de lembrar da minha avó, a Dona Maria que toda tarde, pontualmente às 18h se ajoelhava para rezar. Eu mesma, seria capaz de me ajoelhar diante de qualquer outro deus que não fosse a pura e simples teimosia, característica de quem quer sempre levar a melhor e ter razão nestes e noutros assuntos...

Poderia encher páginas e páginas com o que perturbou a minha mente nas últimas 48 horas a respeito deste assunto mas vou parar por aqui. Não antes de declarar que ou eu sou uma pessoa muito evoluída ou o meu nível de exigência anda muito alto com relação à espera de atitudes nobres dos seres humanos - há uma epidemia histórica de imbecilidade sem tamanho; para todas as outras doenças ainda há esperança de cura.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reflexão do dia

Resumão da ópera

Eu ando feliz à beça! Feliz. Não porque não tenha motivos para me preocupar ou me aborrecer; os tenho: vários, todos mas cá pra nós, essa "vibe" de andar reclamando da vida, lamentando e resmungando há muito tempo não faz parte da minha lista natural de procedimentos e atitudes. Sinto que as dores e os dramas parecem um tanto menores se eu os encaro de maneira mais firme e positiva, se tenho bons amigos com quem dividir as lutas mas também comemorar vitórias. Sei que soa muito clichê o que estou postando mas para falar a verdade, não me importo tanto com o que quem lê vai entender e sim com as lições práticas que têm sido acrescentadas à minha própria experiência de vida - e que de alguma forma apresento resumidamente por aqui.

Eu estou feliz. E não pense que não tenho contas a pagar, viu? Pois tenho. Não imagine que não tem ninguém doente na família com quem eu deva me preocupar - tem mais de uma pessoa, por sinal! Não passe pela sua cabeça que os meus dias são desfrutados debaixo de uma palmeira com eunucos me abanando e dando uvas na boca... não é nada disso! A demanda de produção é bem superior à minha capacidade de supri-la.  De tempos em tempos eu paro e engulo o nó atravessado na garganta, seguro o choro. São as pernas que me doem mas o incômodo não é propriamente a dor e sim o acordo velado que fiz comigo de respeitar limites: de parar mesmo tendo vontade de continuar, pra poder conseguir chegar mais longe. Hoje faço escolhas tendo em vista algo bem maior do que pensava há dez anos.

Esses dias encontrei por-acaso-não-por-acaso uma grande amiga de longa data: a Mary. Almoçamos juntas, passamos não mais que meia hora conversando mas quando levantei da mesa me dei conta de que aquela conversa edificou minha vida de uma maneira muito especial. Lá pelas tantas do nosso encontro ela perguntou: "Mas por que você faz todas estas coisas ao mesmo tempo!?" - pelo que respondi: "Por que eu não me conformo com o menos - quero tudo!". Eu quero tudo. Eu quero tudo!

Saí com a dona da escola onde trabalho ontem para comprar alguns materiais. Tenho uma grande admiração por ela - sem ressalvas. Azar o de quem não consegue estabelecer boas relações. Ponto. Voltando: saí com ela às compras! E que companhia interessante. E que pulso, que classe, que fibra! Meu professor de legislação de trânsito essa semana me disse que devemos nos cercar dos maiores, andar com os melhores! Eu olhava aquela senhora pequenininha caminhando com passinho miúdo naquele centro comercial gigantesco e só conseguia acrescentar admiração à admiração - andar com os melhores: é isso! Lá pelas tantas sentamos para tomar um suco, enquanto conversávamos: era o suco, a vida pessoal, a escola, os estudos , a música clássica... Eu ouvia e aprendia. Tenho muita sorte na vida mesmo!

(...)

Cheguei da aula há pouco e me sentei aqui para tentar organizar alguns materiais de estudo. Quem disse!? Passa tanta coisa pela mente... Já quase chorei umas três vezes de uma hora para cá ao constatar a minha pequenez. Estou cansada e não consigo me concentrar. Nem por isso a sensação de bem-estar passa! Agora enxergo o mundo com cores muito mais vivas e não é por causa de nenhuma motivação externa; algo mudou de dentro para fora radicalmente e olhando para trás, as escolhas que fiz, as decisões que tomei, o que considerei como perda, meio mundo de temores e frustrações (...) sob o prisma do hoje me parecem insignificantes perto da maturidade e experiência que adquiri. Eu estou muito feliz. Desculpa repetir mas é que não tem como guardar pra mim só...

É como se o cerco fosse se fechando, como se as coisas realmente cooperassem juntamente para o meu bem - mesmo o mal! É como se depois de anos semeando e regando com lágrimas, finalmente conseguisse enxergar alguma coisa brotar que não fosse erva daninha. É como se tudo começasse a fazer sentido agora, mesmo tendo amargado anos de confusão e isolamento anteriormente. Sensação de estar no lugar certo, na hora certa e cercada das pessoas certas. Não tenho como explicar melhor mas eu sinto que sei que sou um tanto bem maior... Deixo esta música que talvez inspire, forme uma imagem aí na sua mente sobre o que estou tentado ilustrar.

Bom dia, boa tarde ou boa noite - depende da hora em que você está lendo. E até breve! =D

sábado, 10 de março de 2012

Genialidade em três atos





 Liniers... Gênio!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Macanudo (Liniers) e outras coisas


(...)

Me sentei aqui para escrever e as palavras foram embora. Engraçado como não me acostumei com isso. Dizem que a gente só sente conforto no silêncio se o interlocutor nos é caro. Se o sujeito não está à vontade em presença de alguém fatalmente dispara a falar, a contar história sem pé nem cabeça para não deixar nenhuma lacuna. Acho que é isso: aqui me sinto tão à vontade que, talvez me passe pelo insconsciente que as palavras não são necessárias.

A tirinha acima parece que foi feita sob medida para mim. A mudança súbita de ânimo e a borboleta amarela. Quem me conhece assim, intimamente, sabe desta minha fixação (não sei se a palavra é bem essa mas vá lá) por borboletas. Por borboletas e joaninhas. Vira e mexe alguma destas criaturinhas adoráveis resolve pousar em mim. E eu faço farra! Se bem me lembro, da última, eu e uma amiga caminhávamos perto de um hipermercado longe-longe de casa quando uma joaninha pousou no meu braço. Era uma preta com bolinhas vermelhas - nunca tinha vista destas e fiquei abestalhada olhando... Não tinha árvore no lugar nem nada, ela apareceu fanfarronamente e desapareceu do mesmo jeito, obviamente depois de me arrancar muitos sorrisos e exclamações.

As borboletas me alegram o dia. Só vivem em lugares onde a qualidade do ar é boa, por isso quando as vejo respiro fundo - se está bom para elas deve estar bom pra mim também. E sigo em frente. Acho altamente motivador saber que serezinhos tão frágeis vivem um bocado de dias apenas (quiçá de horas) mas ainda assim honram o propósito e a oportunidade de estar vivo, passar por aqui, contribuir de alguma forma depois ficar para a história... Melancólico isso? Não acho. Acho inspirador...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Hoje vamos de Coldplay

Coisas Que Eu Não Entendo

Como as marés controlam o mar,
e o que acontece comigo?
Como as coisas pequenas podem escorregar das suas mãos?

Com que frequência as pessoas mudam?
duas não continuam as mesmas
Por que as coisas não saem sempre como você planejou?

Estas são coisas que eu não entendo
sim, estas são coisas que eu não entendo

Eu não posso (e eu não posso)
decidir
Errado
ou certo
Dia
ou noite
Escuridão
ou luz
Eu amo, (mas eu amo)
esta vida.

O quão infinito é o espaço?
E quem decide seu destino?
Por que tudo vai se dissolver em areia?

Como evitar a derrota?
Onde a verdade e a ficção se encontram
Por que as coisas nunca saem sempre como você planejou?

Estas são coisas que eu não entendo
sim, estas são coisas que eu não entendo

Eu não posso (e eu não posso)
decidir
Errado
ou certo
Dia
ou noite
Escuridão
ou luz
Eu amo, (mas eu amo)
esta vida.


domingo, 4 de março de 2012

As cobras

sábado, 3 de março de 2012

Surtose cíclica: fim

Tudo que existe tem nome. Assim como as coisas que não existem devem ter também, eu acho assim. Semana que passou coincidiu com inícios e términos de ciclos na minha vida e na vida dos ao meu redor. Me dei conta disso hoje, ao dobrar as sacolinhas plásticas recém-chegadas do supermercado: meu pai e minha mãe acabavam de chegar das compras em casa, bem na hora em que eu (também recém-chegada em casa, só que do estágio da pós-graduação) abria a panela para saborear um mexido que a minha irmã mais nova acabara de preparar. Mudança de planos: ao invés de matar a fome, descarregar as compras do carro e ajudar a guardá-las. Em seguida, dobrar as sacolinhas.

Foi nesta hora (a das sacolas) que parei para pensar em algumas coisas, acontecimentos corriqueiros da semana. Por exemplo, o fato de eu ter levantado cedo para ir ao meu primeiro atendimento clínico (supervisionado) e o guri não ter dado as caras. Paciência.

Descobri que o surto que me assalta de quando em vez tem nome: surtose cíclica. Não, não tem nada a ver com os manuais de Psicologia antiga nem  moderna, tampouco contemporânea. Inventei o nome mesmo. Reparando bem, algumas coisas na vida da gente seguem um padrão cíclico interessante - e é isto que me deixa intrigada. O bom mesmo é que o ciclo passou. O surto me rendeu subtração de alguns objetos pessoais: roupas, sapatos, etc. Por outro lado, obtive ganhos na área não-material. Toda situação traz sua cota de perdas e compensações... É a vida.

Eu pensava nas vantagens e desvantagens de morar na casa do pai e da mãe. Inegavelmente tem suas maravilhas! Em compensação, em alguns momentos paro e me pergunto: o que deu errado na ordem das coisas? Que diabos ainda estou fazendo aqui?! Viver em comunidade é coisa que demanda dose reforçada de paciência e tolerância. Paciência até tenho mas sou fraca de tolerância. Obviamente esse papo de tolerânciaXpaciência não tem nada a ver com o relacionamento (meu) com meus pais!!! Que fique bem claro! A aprendizagem maior, não só com relação a eles mas à convivência com as pessoas nos mais variados ambientes é que, se eu começar a eliminar pessoas dos meus círculos de conviência tendo como critério as "chaticezinhas" particulares (que todo mundo apresenta), em pouquíssimo tempo ficarei só (fatalmente)! E como a intenção não é bem esta, toca a fazer vista grossa às implicâncias e hábitos irritantes das pessoas ao redor (a começar pelos meus pais)...

A semana foi densa: teve teatro (prestigiando o trabalho dos amigos), um trabalho de ilustração (depois posto as fotos) , aniversário da mãe, muita coisa acumulada dos dois cursos de especialização... A cada dia o cerco vai se fechando e pra falar verdade, estou lutando contra um vício: o ativismo! Fazendo força para não cair na besteira de preencher (novamente) todos os horários livres e ter que arcar com as consequências depois da falta de tempo para descanso, lazer ou até mesmo ócio produtivo. Às vezes pagamos caro por não conseguir manter o limite saudável da arte do produzir coisas: muito fácil cair na tentação de estar em todas, participar de tudo, saber "de tudo"... Eis algo que realmente me preocupa!

Sei que não tem nada a ver o que vou escrever mas enquanto digito, meu vizinho toca bateria. É, ba-te-ri-a! Dessas que têm pedal, bumbo, caixa, tons, pratos, etc, etc. Não sei exatamente quem é. Quando souber tratarei de recomendar ao mancebo que procure (com certa urgência) um instrutor profissional. Sim, porque se é para ouvir (por livre e espontânea pressão) os recitais do rapaz nas escaldantes tardes do Planalto Central, que seja com um mínimo de técnica, ora bolas!

Enfim, esqueci os outros assuntos. Sem mais por hora.

 

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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