terça-feira, 27 de março de 2012

Me deixa ser magra: eu tenho direito!

Das situações mais incômodas que passo nesta vida, eis a que mais me intriga: encontro uma criatura que não vejo há dias, meses ou anos e ela não repara na tatuagem de pentagrama que fiz na testa nem no meu cabelo recém-pintado de azul turquesa - não (!) - ela repara em o quanto estou magra!!!!! Primeiramente o tom de desdém: mas como, por que essa magreza toda!!??? (aconteceu bem assim hoje) ...para logo em seguida cintilar em seus olhos a inveja absoluta e o desejo latente de um dia me ver pesando uma tonelada!

Que me lembre, nunca tive quilinhos a mais: magrelice sempre foi a minha marca registrada, aliada à altura incomum às garotas da minha idade, na adolescência. Da fase anterior à lembrança, umas fotos de quando ainda bebê - rechonchudinha, guardadas as devidas proporções. É isso: sempre fui alta e magra; magra e alta. "Poderia ser modelo" - não, não poderia. "Poderia jogar vôlei, basquete" - sim, joguei por uns tempos, na escola mas a carreira não foi adiante. "Tem algum problema hormonal" - não, não tenho. Há casos na família mas os MEUS exames não acusaram nenhum tipo de disfunção do gênero. "Deve ser anêmica, anoréxica, sofrer de bulimia..." Sim, a maldade humana e o veneno da língua alheia não tem limites... E não, eu não sofro de distúrbios alimentares, sou exímia levantadora de garfos e por sinal, a minha saúde vai muito bem, obrigada.

Por um tempo nutri certa esperança... Me disseram que eu engordaria depois dos vinte anos... Depois dos vinte e cinco... "Ah, mais quando você completar trinta anos é batata!" Hã? Quê? Estou esperando até hoje e já se passaram dois da data limite. Não consigo acrescentar ao meu peso. Já tentei... já desisti. Depois desencanei.De uns tempos pra cá, um amigo pegou a mania de me chamar de "Angel", fazendo referência às modelos da Victoria's Secrets... Não sou de acompanhar esse mundo de moda e glamour mas confesso que, vendo o desfile do ano passado pelo Youtube, fiquei bastante envaidecida. Há o seu charme em ser magricela.

Passadas as paranoias comuns às jovens, feitas as devidas ressalvas em favor das inseguranças típicas das mulheres por conta dos picos hormonais, me considero bem resolvida com relação a esta e outras questões. Estes dias uma figura muito querida me sussurou ao ouvido a seguinte pérola: "Detesto essas mulheres altas e magras, que não têm nem sinal de barriga." Era brincadeira, claro. Era (?). Pelo que respondi prontamente: "E eu detesto as baixinhas coxudas e bundudas."

Pra falar verdade, eu acho que atributos físicos não deveriam servir de pretexto para constranger ninguém. Nem pra nivelar. Nem pra classificar, como se faz com as peças de carne no açougue; sei que nao há novidade no que estou falando. Mas veja bem, se manifesto dissabor, é falando "de dentro" da situação: quero ter direito a ser magra sem ter que prestar contas a ninguém! Não escolhi a embalagem antes de vir ao mundo e espero que quem me cerca tenha a decência de se aceitar como é, assim como me aceito como sou.

Era (só) isso.


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