terça-feira, 20 de março de 2012

O que há com os humanos?

Linguagem é algo extraordinário mesmo, não é verdade? São caminhos insondáveis que uma mensagem deve percorrer até chegar ao destinatário, enfrentando perçalços e atravessadores mas nem assim tendo sua fiel compreensão assegurada. Desde o dia em que aprendi a falar, já falei muito (menos que a maioria da mulheres, provavelmente, pois sou assumidamente de pouca conversa) mas ainda me falta habilidade; desde o dia em que aprendi a escrever, já escrevi bastante e melhorei vários aspetcos mas ainda me são necessárias: a prática e a crítica - tenho interesse em me aperfeiçoar. A despeito de tudo isso, todo esforço em se fazer compreender (oralmente ou via escrita) é, de certo modo, ineficaz pois cada um que lê ou ouve, entende como lhe apraz e a responsabilidade sobre a apropriação da significação da coisa é pessoal. Por isso eu digo sempre que não gosto de "dar explicações"; é procedimento que cabe a técnico de time que perdeu partida (ou campeonato). O que eu disse está dito e era justamente o que queria dizer. Você que (se) entenda!

Sei que talvez não faça muito sentido o post mas também não vou pedir desculpas ao amigo leitor; aproveito para lembrá-lo que muita coisa também não faz o menor sentido nesta vida! Sem pudores ou ressentimentos.

Dia destes eu olhava as atualizações de uma rede social: tinha uma imagem postada por uma comunidade de ateus (?): era uma foto muito mal editada de um tribunal com uma imagem de Oxóssi pregada na parede. Não, não é só isso, tinha também uma legenda assim: "Eu também sou a favor da utilização de imagens religiosas em repartições públicas". Acho que tinha mais coisa mas até aqui está bom pra eu não ter que estender muito a reflexão. Me passaram várias questões e vários pensamentos pela cabeça, cheguei a sentir uma indignação muito forte, não por causa do Oxóssi mas uma repulsa profunda de pensar que tipo de mentalidade absolutamente infantil apresenta provocação deste teor?

Veja bem, já faz muito tempo que não levanto bandeira de movimento nenhum. Nenhum deles faz o menor sentido na minha cabeça: feministas, cristãos, ateus, gays (e a sigla toda), negros, etc, etc não ganham a minha adesão se eu não perceber que a reivindicação é comprometida com o bem comum e não de UMA comunidade. Sabe, eu ando muito cansada de certas discussões infrutíferas, principalmente as que se destilam no meio acadêmico (mas este é um assunto para outra postagem mais adiante). O que "quero dizer" é que se tem UMA minoria realmente operante no Brasil e no mundo, ela se constitui de pessoas ricas, milionárias e megamilionárias: elas são em menor número em qualquer lugar do globo e eu faria questão de lutar pelos seus (nossos) direitos acaso eu fosse uma delas. Mas não sou, mas não somos e então eu te pergunto: que palhaçada é essa de agora todo guetozinho se ajuntar para declarar guerra contra outros guetozinhos e todo o resto do mundo?!

Voltando à imagem da comunidade dos ateus na rede social: o que se ganha incitando ódio e debates que não agregam nenhum valor social ou moral a quem participa nem em quem eventualmente tem o (des)prazer de acompanhar, mesmo que em parte, a discussão? Penso que tanto ateus quanto religiosos ferrenhos compartilham justamente o que há de pior: a estupidez humana. A cruz nas repartições públicas não (me) ofende; a imagem de Oxóssi não me choca - o que me entristece mesmo são tantos rumores em torno de um assunto que é tão simples quanto uma criança pode compreender:simbolos sagrados representam sentido e significado somente a quem comunga da crença; porém, também penso que não deveriam posar em repartições públicas. Assim como penso que muita coisa não é do jeito que deveria ser mas enfim, esse tipo de atitude nem de longe engrandece a quem tomou a iniciativa; tampouco serve de argumento. É infantilidade! Do tipo provocativo, de criança mimada que não admite que a outra criança tenha um brinquedo que julga melhor que o próprio, entendem? É isso.

Cada um se curva diante do deus que bem lhe parece - e que não seja motivo ou desculpa para desfilar uma pseudosuperioridade sobre outros. Muitos que empregam energia rejeitando a Deus (não necessariamente o dos teólogos mas uma consciência superior que une e sustenta todas as coisas) acabam se curvando ao xamanismo moderno dos psiquiatras e da indústria farmacêutica. Veja você  que o exercício da espiritualidade é pauta de inúmeros estudos em diversas áreas do conhecimento e é absolutamente saudável, se cultivado de maneira equilibrada. Para falar verdade, em matéria de crença e fé, gosto mesmo é de lembrar da minha avó, a Dona Maria que toda tarde, pontualmente às 18h se ajoelhava para rezar. Eu mesma, seria capaz de me ajoelhar diante de qualquer outro deus que não fosse a pura e simples teimosia, característica de quem quer sempre levar a melhor e ter razão nestes e noutros assuntos...

Poderia encher páginas e páginas com o que perturbou a minha mente nas últimas 48 horas a respeito deste assunto mas vou parar por aqui. Não antes de declarar que ou eu sou uma pessoa muito evoluída ou o meu nível de exigência anda muito alto com relação à espera de atitudes nobres dos seres humanos - há uma epidemia histórica de imbecilidade sem tamanho; para todas as outras doenças ainda há esperança de cura.

1 comentários:

Diogo Hamlet disse...

Ufaaa, 10 segundos em outro mundo... Voltei... ainda não enxergando o teclado direito, catando as letras e percebendo quem minha alma está bem devagar voltando ao corpo, percebo e compreendo sua indignação, sua repulsa que de fato é absolutamente relevante. Ótimo texto...

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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