terça-feira, 24 de abril de 2012

Das últimas 48 horas

Saí pra dar uma volta, cheguei há pouco. Semana começou plena de emoções, tanto de carga quanto de descarga. Tenho dito que este ano talvez seja o mais feliz da minha vida - está sendo. E fazendo. E acontecendo (...). Que muitas coisas ocorrem ao mesmo tempo sem que eu tenha a chance de refletir, digerir os fatos, as emoções, os ganhos e perdas acho que não é novidade por aqui; sempre mencionei essa falta de coerência dos acontecimentos em minha vida. Pra falar a verdade, se isso já me pareceu incômodo outrora, hoje é realidade na qual me apoio. Não posso controlar nem planejar os eventos - ciente disso, me preparo como posso e me lanço ao que vier. Sempre foi assim.Tenho que repetir: estou muito feliz - uma constante equacionada por fatores internos. Não tem a ver com as tempestades lá fora e sim com a calmaria aqui dentro. É isso! Amadurecer é um processo tão duro e tão dolorido que em meio aos "ajustes" não se dá conta de que os benefícios são maiores que os dissabores.

Ontem, início de mais uma temporada do Teatro (temos crescido): três apresentações em um único dia, coisa para quem sofre de excesso de maluquice. Eu sofro de maluquice crônica (ou "maluquismo", como diz a Camila). Topo sempre as coisas mais doidas, mais insólitas. Então, eram três apresentações; uma superprodução preparada em curtíssimo tempo. Não gosto de sentir orgulho mas fiquei muito orgulhosa do nosso trabalho! Consegui exercitar o meu olhar crítico, como que de fora, e constatei que "levamos jeito pra coisa". Arte é coisa que consome mais do que energia física - consome "alma" (eu comentava com o amigo-irmão, hoje cedo). Eu sempre digo que uma coisa é o cansaço do estivador, cuja energia é reposta com alimentação e horas de sono. No caso da produção artística é diferente! Há um desgaste maior, um esvaziamento que eu não tenho como explicar (por hora) mas posso garantir que existe e é como se parte de nós simplesmente se "derramasse" irreversívelmente... O que foi não volta mais; o reabastecimento é possível, mas lento.

Final de segunda-feira, cheguei em casa cheia de planos: banho, jantar, conversinha com a mãe e tal... só depois sono. O esgotamento físico, mental e emocinal me obrigou a inverter a ordem das prioridades. Puxei a toalha do gancho, me sentei na cama e o corpo tomado de vontade própria foi escorregando até se acomodar perfeitamente sobre o colchão. Apaguei para acordar somente quatro horas depois com a casa em silêncio absoluto: era tarde. Me ergui da cama ainda meio zonza pra olhar o relógio de parede. Refiz os planos: banho, jantar e cama novamente - "conversinha" ficou pra outra ocasião!

Cada um tem a sua forma e ritmo de reabastecer-se daquilo que foi "derramado". Eu pensei tanto em tanta coisa hoje, o dia foi tão tenso e ao mesmo tempo tão desesperadoramente incrível, por tantas constatações felizes e tantas conclusões infelizes... Descobri muito sobre mim e sobre os outros. Descobri que se todos ao redor apresentam o mesmo problema - e eu não - o problema sou eu! Descobri também que sou atraída mais pelas mazelas  que pelas virtudes humanas. Faz muito sentido agora. E por falar em "agora", me passou pela cabeça mesmo que a sensação de urgência latente que me assola, que incomoda de tempos em tempos é a justa vontade de viver plenamente o presente; a minha agonia é nada mais que um apelo inconsciente por uma vida mais consciente, menos comprometida pelo passado e menos preocupada com o futuro. Acho que andei divagando...

Num momento de sensibilidade potencializada pela fragilidade pós-espetáculo, o dia de hoje proporcionou-me extremos de sentimentos contraditórios e confusos: perplexidade e compaixão; raiva, descontentamento e misericórdia. Vontade de ir e de ficar, alternadamente, irresistíveis. Estive no limite da tolerância e da resistência humanas. Para piorar a situação, só me entupindo de cafeína - e foi o que fiz agora há pouco. O exato momento em que se descobre completamente sem sono - quando mais necessário era simplesmente dormir.

(...)

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