sábado, 7 de abril de 2012

Semana santa e TV

Pena eu não ter escrito semana santa entre aspas, no título da postagem. Até deu vontade de apagar e reescrever mas não - essas coisas "entre aspas" dão a entender que há ironia da parte de quem escreve. Particularmente gosto de aspas. De aspas e parênteses, de apóstrofos, travessões e reticências. Escrever é um privilégio. Ter quem leia então... Mas eu me referia à "semana santa"; pois bem, a cada dia experimento a estranheza dessas datas comemorativas. Deixei de "gostar" do Natal, de "comemorar" Ano Novo, de "desejar" chocolates na Páscoa, de tentar arrumar namorado antes de Junho pra poder trocar presentes (se bem que é mais fácil terminar o namoro às vésperas pra escapar da obrigatoriedade dos presentes). Acho tudo isso muito chato. E fazendo as contas aqui, comecei a achar essas coisas muito chatas desde que parei de assistir TV... Mas deixemos o assunto televisivo para mais adiante, voltemos à Semana Santa.

A celebração da Páscoa não me incomoda. Via sacra não me incomoda (já passei por algumas). O jejum da quaresma não me incomoda (são muitos católicos ao meu redor). Ovo de chocolate não me incomoda, se me oferecem uma lasca, preto ou branco, será muito bem-vinda! Sabe o que me incomoda? Feriado me incomoda. Ficar em casa muitos dias me incomoda - profundamente! Mas até então, eu sei, só falei de coisas muito particulares - tudo bem, mas se você teve paciência para ler até aqui talvez se depare com a melhor parte em seguida (ou não). Boa lição de teologia se aprende se você parte do particular para o geral. Já disse e repito: experiência religiosa é pessoal e intransferível. O que posso fazer é descrever a minha mas nem assim há garantia de que você vai contemplar o mesmo horizonte que eu (e é bom que seja assim).

Da minha experiência com a Páscoa, posso dizer que ela se repete dia após dia. Não tem nada a ver com o coelho nem com chocolate mas também não exclui obrigatoriamente nenhum dos dois. Quando pequena, a história que eu ouvia na Catequese (sim, eu cursei a Catequese mas reprovei três semestres seguidos até desistir - ou seja, nunca "fiz" Primeira Comunhão) a história do povo hebreu: de Abraão até Moisés e a saída do Egito (a primeira Páscoa). Quando aterrissei na igreja Evangélica, a história da Páscoa que recebia destaque era outra: do Cristo crucificado. Conforme rezam os manuais de Teologia, o sacrifício de Jesus Cristo foi uma espécie de aperfeiçoamento da Páscoa que marcou a saída do povo hebreu da escravidão no Egito. Se você acredita ou não nas histórias bíblicas, a bem da verdade, isso não faz muita diferença porque a sua vida é afetada de alguma forma por estas convenções (se isso é bom ou ruim também não é hora nem lugar pra discutir). O fato é que eu me percebi mais atenta aos comportamentos dos diversos tipos de pessoas que me cercam durante essa semana e percebi que há uma espécie de "misticismo" rondando os ares quando se fala a respeito de Páscoa em todos os lugares. Especialmente os que se denominam cristãos (católicos, evangélicos, kardecistas) se cobrem com um manto que (ao que me parece) lhes confere certo ar etéreo. Engraçado isso.

Algo curioso ocorre comigo: ao observar outros, consigo "decantar" o que há em mim - durante essa semana, ao me deparar com as mais diversas manifestações de piedade, me apareceram claros os meus valores com relação à Páscoa e outras mais... Descobri por exemplo, que não é muito inteligente pagar por um ovo de páscoa cinco vezes a mais do valor cobrado pela mesma quantidade (em gramas) de chocolate em barra. Me pergunto: onde estava o meu cérebro durante estes anos que se passaram?! Me certifiquei das minhas convicções cristianescas ainda mais tirando as provas dos nove entre as minhas atitudes e o meu discurso. Fiquei feliz comigo mesma! Ratifiquei a minha fé: nisso mesmo creio - o Cristo crucificado (já não mais crucificado) vive em mim através das minhas atitudes para com os outros. Quando alguém me pergunta sobre o significado da Páscoa, sempre respondo com algo relacionado com a necessidade de reflexão; embora muitas vezes a conversa tenha um tom sóbrio, o que passa pela minha cabeça é sempre luz, cor e alegria! Um ato único e já consumado cujos resultados reverberam em uma esfera atemporal. Fantástico...

E a respeito da TV: desde que a abandonei por completo, passei a realizar elaborações mais profundas a respeito do significado das coisas; eu não vejo televisão. Nada. Quando algo de passagem me chama à atenção procuro na internet (bendita seja). Não vi a propaganda comercial das fábricas de chocolate. Não vi nenhum filme mega-antigobregapracacete com temas bíblicos. Passei ilesa por todos os apelos; salto qualitativo indiscutível na minha vida essa decisão de não mais ver TV.

Feliz Páscoa a todos.


1 comentários:

Rozane Suzart disse...

muito bom texto! Me identifiquei bastante com ele! =) bjss

Sejam bem-vindos!

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