segunda-feira, 25 de junho de 2012

Arma para caçar elefante

Pausa nos estudos. Enquanto isso reflito. No player uma canção que há alguns meses atrás tocou solitária e repetidamente por semanas. Sim, eu tenho essas inclinações obsessivas; não me orgulho disso - nem me envergonho. Elephant Gun, este é o nome. Quando ouvi a introdução agorinha, bem alto, no fone de ouvido, em meio a uma árdua tentativa de domar sono e cansaço para assim, bravamente, concluir a leitura de um livro (leitura obrigatória, pois fundamenta o meu projeto de conclusão de curso), memórias emergiram dos tempos não tão distantes em que eu a ouvia e ouvia e ouvia incessantemente entre, ora lágrimas, ora suspiros...

Essa música traz uma carga dramática, melancólica muito forte - e me remonta lembranças de dias para lá de doloridos: lembro-me que ela tocava no player (assim como hoje) quando recebi notícia de um acidente que levou de nós um aluno muito querido. Eu ouvia e chorava, chorava e ouvia. Por muitos dias me "tranquei" em silêncio remoendo resignadamente o absurdo que é viver neste mundo. Inconformada com "as coisas como são" (jeito que sempre fui) consumi energia e juízo tentando arrumar jeito de reagir, de extrair algo belo de tanta situação extremamente desconfortável que aconteceu - e aconteceu. Enquanto isso, Elephant gun tocava e tocava.

Não sei porque lembrei disso agora. Não sei porque toquei neste assunto agora. Talvez seja uma reafirmação do que já declarei por aqui em algum tempo: a música (assim como as Artes em geral) têm o poder de evocar (e invocar) o que é imaterial - e por isso mesmo atemporal. Pesca lembranças perdidas em mares turvos, traz à tona cheiros e sabores que ficaram perdidos nos recônditos das memórias (julgadas) esquecidas e soterradas. Ouvindo-a agora há pouco, me fiz consciente da temporalidade das coisas (e atemporalidade das sensações), enxerguei em profundidade que algumas coisas mui particulares dentro de nós não mudam: esse estranhamento muito meu, essa ânsia quando se me deparo com as coisas brutas e ilógicas deste mundo, por exemplo...

1 comentários:

VERINHA disse...

Oi querida amiga,a musica tem disso de marcar momentos em nossa vida. Esta semana postei sobre a morte violenta de uma grande amiga, fiquei muito abalada. Muitas vezes as pessoas são arrancadas de uma maneira violenta e o choro é necessário para lavar a alma.Você lembrou porque em algum lugar ele também lembrou de você. Te desejo uma feliz sexta feira de muita paz e harmonia, Beijinhos.Vou deixar o link do texto, " Ela já estava em paz"

http://eternamentevv.blogspot.com.br/2012/06/ha-muito-tempo-atras-conheci-uma-pessoa.html

Sejam bem-vindos!

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