domingo, 10 de junho de 2012

Sobre ciclos, repetições, medos e coragens

Uma semana que começou com uma perseguição policial não poderia ter sido mais tensa. Às vezes me esqueço de que o funcionamento atípico do meu cérebro transforma cenas comuns do dia-a-dia em verdadeiros filmes a la Tarantino. Sim, eu enxergo as cores em outras tonalidades, em matizes diversas da maioria das pessoas e presto muita atenção nos ciclos das coisas - acredito que na nossa vida acontece um "vale a pena ver de novo", pois algumas situações se repetem (em outro tempo, com outros personagens talvez mas aqui quero dar ênfase na palavra SITUAÇÃO) indefinidamente  até que (quem sabe) aprendamos alguma lição ou descubramos alguns porquês e enfim consigamos quebrar o ciclo, vencer a fase, passar para uma próxima, amadurecer, tirar conclusões... Enfim...

Não sou afeita a repetições. Principalmente as que roubam o sono, roubam a paz. E a semana foi assim: angustiante, "sem paz"; era alguma coisa interior sinalizando que havia algo errado como quando uma gotinha de água numa rachadura do concreto denuncia a fragilidade da represa em vias de desabamento. Eu era uma represa prestes a desmoronar. Ora, que droga: Mastercard não resolve as minhas mais importantes questões! Fiz planos que não se concretizaram e a semana passou, cada dia trazendo as suas delícias e dores: pensei em tanta coisa e me recriminei mil vezes por pensar demais. Confessei coisas inconfessáveis em conversas informais, depois me peguei imaginando se as pessoas perceberam, sequer deram-se conta do tamanho e do significado das palavras. Era o momento catártico de expulsar aquilo que incomoda de uma maneira sutil mas nem por isso menos dolorosa.

Disse e repito: crescer dói; amadurecer custa - mas é das melhores coisas das quais pode desfrutar o ser humano. Quando me dei conta, lá pelo meio da semana, que estava vivendo uma reprise de filme de terror, confesso: me assustei, me apavorei, quis sumir do mapa, quis voltar quem sabe, ao ventre da minha mãe, onde estivesse livre destes conflitos absolutamente desconcertantes. Mas, desculpem a linguagem chula, meu superego é muito forte, é muito foda! O meu id geralmente é mais criativo, mais sedutor (e sinceramente gostaria que ele desse conta de se impor mais vezenquando), porém, o superego sempre alcança os melhores resultados. Jamais conquistei nada pela força nem me debatendo ou fazendo biquinho. Também nunca recebi nada "de graça", tudo nessa vida tem um preço e via de regra eu pago muito caro pelas minhas escolhas, por manter firmes as minhas convicções, por ser (muito) teimosa.

A minha parte pé no chão prevaleceu mais uma vez, o filme é meu (ainda que reprise) e eu mantive a minha posição a despeito das opiniões alheias para no final das contas descobrir o óbvio (que geralmente se esconde bem, é mais difícil de ser encontrado): o problema é comigo, ou o problema é meu, ou o problema está em mim. A "sensação de reprise" tem a ver com a minha maneira de sentir as coisas e não com o que fazem ou deixam de fazer. Eu gostaria de ser mais clara mas a minha habilidade com as palavras é limitada, minha escrita é reducionista. O que preciso deixar registrado é que do mesmo jeito que as confusões instalaram-se na minha mente, assim mesmo foram-se em um intervalo de sete dias deixando umas coragens, umas resoluções e uns medos bobos que não podem faltar na existência de um ser cujo superego é dominante.

E que quando abri os olhos hoje (nem tão cedo), domingo, era um novo dia, uma nova semana e uma nova maneira de lidar com as circunstâncias. A paz voltou a reinar em meu interior e isso tem a ver comigo e só comigo. Era isso (eu acho).

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