segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sobre Janis Joplin e eu

Tenho ouvido muito algumas músicas da Janis Joplin nestes últimos dias. É uma coisa qualquer de vibrante e envolvente que não me deixa mudar de playlist. Por influência de uma amiga de adolescência, via postagem em rede social. Alíás, essa amiga especial sempre foi referencial em matéria de música desde quando estreitados os primeiros laços de amizade. Foi ela quem gravou para mim a minha primeira fita cassete com o álbum Dookie, do Green Day. Eu escutava isso quase que todo o tempo num walkman de segunda mão que por sinal nem me lembro mais de que mão veio, mas enfim, ela sempre me inspirou trilhas sonoras desde os tempos em que eu (ainda) tinha (muitas) espinhas no rosto.

Particularmente, nunca antes havia me debruçado sobre as canções de Joplin com tamanha atenção e avidez pelo conteúdo. Talvez por considerá-la muito "porra louca", por tê-la condenado por morrer cedo demais; aliás, eu tenho birra com quem se vai cedo demais, com quem procura a morte com as próprias mãos seja lá de que maneira... Os bons morrem jovens? Será mesmo? Eu não acho não! Minha (vã?) filosofia me diz que é melhor um cão vivo que um leão morto. Mas nem era sobre isso que eu queria falar, era sobre o timbre vibrante, a voz rasgada e a intensidade de alma que Mrs. Joplin empregava ao cantar! Eu, que conhecia duas ou três interpretações da moça, acabei por ampliar bastante a lista nesta última semana e meia. E como fiquei feliz; é viciante!

E eu que costumava evitar as pessoas loucas na tentativa infeliz de esconder a minha própria loucura! Encontrei com um amigo hoje, não o via há muito tempo - nosso contato é na maioria das vezes via internet - durante alguns minutos trocamos algumas palavras e amenidades. Enquanto conversava com ele mais uma ficha caiu, justamente enquanto eu confessava (inconscientemente talvez) a minha própria "porra louquice". Era isso e outras coisas; a minha irmã sempre me disse, como que um mantra ou uma profecia que "a gente atrai (fatalmente) o que transmite". Foi essa ficha que caiu: a minha tentativa inútil de me aproximar de tudo o que eu achava certinho e ortodoxamente "desejável" caiu por terra justamente porque era um esforço em conter o alto percentual de maluquez latente em mim.

Perdi. Perco todos os dias porque olhando ao redor, não consigo perceber absolutamente nada de "normal" na minha rotina nem nas pessoas que convivem comigo nas mais variadas instâncias. Me considerei adulta hoje por ter tido coragem de confessar isso a um certinho ortodoxo cujas convicções andaram por muitos anos (e muitas discordâncias) entaladas na minha garganta; não por falta de amizade, de respeito, de afeto mas por perceber que de alguma maneira, me fortaleço como "ser" quando desisto de lutar contra "a maneira que sou". Acho que é isso.

Mas vamos à música. Eu tenho pensado nessa demais! E ouvido repetidamente também. É como uma fala sufocada que achou voz na interpretação da Janis. Enfim... Vamos de Trust me.

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