sábado, 1 de setembro de 2012

Quando entrar setembro...

Passou um trator por sobre mim de ontem para hoje. Ou o trator simplesmente ficou passando por sobre o meu corpo, ida e volta, durante toda a semana. Quando cheguei do trabalho em plena sexta-feira, meus planos eram necessariamente: banho, organizar minimamente a desordem do quarto e me afundar entre os meus travesseiros - queria dormir uma eternidade; dormir para DES-CANSAR, dormir para esquecer, simplesmente dormir... Até a claridade do dia seguinte. Mas não, há sempre um drama escondido atrás das cortinas.

Enrolada na toalha, tentei me arrastar até o banheiro quando o telefone tocou. Era a minha irmã que mora em outro estado. Começamos pelo celular, em seguida o fixo, a ligação se estendeu por mais de uma hora de lágrimas, risadas e palavrões. Mais lágrimas e palavrões, bem dizendo a verdade. Era tanta história, era tanto absurdo acumulado com saudade e outras coisas mais... Vez ou outra a gente se perguntava por que tanto drama, se a única coisa que a gente quer e busca é estar em paz, estar bem, fazer o bem, essas coisas... E era tanta história e tanta saudade. Misturaram-se todas as sensações com o cansaço intenso (...). Tudo dói: até ser (muito) feliz!

Fiquei refletindo enquanto conversávamos ao telefone e cheguei mesmo à conclusão que há algo mágico nos relacionamentos, há um potencial curador fortíssimo envolvido quando o assunto é "pessoas que amamos". Todas as dores da semana foram se dissipando em lágrimas à medida que os minutos se passavam na nossa conversa. Estar distante do que nos faz bem é que estraga a nossa vida interior, de alguma forma - acho que é isso! Já estive em posição de ganhar (algum) dinheiro, de ter (algum) status, ando acumulando títulos acadêmicos, me chamam de "especialista" em uma porção de coisas e tenho um milhão de habilidades "desejáveis"... Tudo isso, simplesmente não basta! Nem satisfaz. Uma conversa simples ao telefone faz perder de vista todas as riquezas do mundo por um motivo muito simples: o que temos de mais valioso é a alma (seja qual for a o significado atribuído a esta).

Amor é cura pras dores mais profundas. É sério! O telefonema foi interrompido pela visita de um casal que eu ajudei a unir. Corrida para vestir uma roupa decente para recebê-los. Ainda com a "cara" inchada de tanto chorar, a mana ainda na linha, recebi o abraço dos amigos aqui na sala de casa: vieram fazer o convite formal: serei madrinha do casamento. Essa é outra história cômico-dramática (que fica para outra ocasião, quem sabe). Minha vida dá um roteiro de filme; só não sei em que categoria entraria (risos, muitos risos...).

Mal me despedi dos dois (visita rápida), sentei-me na cama novamente para dar continuidade ao plano inicial, lembra? Eu só queria tomar um banho e dormir... Teve mais: o telefone tocou novamente. Era ele, que completa a minha felicidade, que enche de alegria os meus dias desde a primeira vez que nos encontramos. Depois de tanta emoção, eu nem tive como me expressar adequadamente, acho que embolei um discurso psicodélico ao telefone nos poucos minutos que tínhamos de disponíveis. O fator tempo, de uns tempos para cá, tem sido cruel e crucial na minha vida. O próprio significado do que vem a ser "tempo" tem sofrido variações de acordo com o impacto emocional que causa. Era pouco - o tempo - mas o sentimento... de proporções não-mensuráveis.

Não sei se consegui me fazer clara mas depois de ter um (breve) contato com o que me faz feliz, a noite de sexta-feira foi de paz e descanso. O stresse maluco da semana, a angústia, a tristeza, a insegurança... ficaram todos para trás. Voltamos ao plano inicial, à estaca zero: de viver bem, e melhor a cada dia... Sem mais por hoje.

Pode ser cruel a eternidade, eu ando em frente por sentir vontade.

0 comentários:

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
Copyright 2009 Viviane Zion. Powered by Blogger
Blogger Templates created by Deluxe Templates
Wordpress by Wpthemescreator
Download Royalty free images without registering at Pixmac.com