domingo, 11 de novembro de 2012

AMORas

Ontem ele me trouxe um mimo: um saquinho transparente com uma porção de amoras. Saí pulando feito criança, contente da vida mas depois fiquei matutando. Por que tanta alegria, tanta festa?! Eram só umas frutinhas mínimas cuidadosamente lavadas e acomodadas numa embalagem plástica! Depois de raciocinar um pouco acabei descobrindo que o encanto está justamente em ser muito simples e singelo. Há todo um significado!

Lembrei que eu mesma ajudei a colhê-las (as amoras) algumas horas antes, depois de termos almoçado juntos, num intervalo entre um turno e outro do trabalho inusitado de sábado. Lembrei-me dele escalando a grade para alcançar os galhos mais altos da árvore enquanto eu aparava as frutas recém-colhidas com uma vasilha.

Tentamos conciliar a nossa agenda com muito esforço e alguma agonia. Há uma pressa, uma urgência em encaixar os compromissos na tentativa de otimizar o tempo de interseções. Essa é a nossa vida!

E foram as amoras, depois a nossa saída de sábado à noite - veja bem: saímos "pra nada"! Sim, sem lugar certo pra ir nem protocolo a seguir. Saímos pra conversar, pra olhar um pro outro, pra sentir o cheiro e o calor da pele, desfrutar de alguns momentos a sós, mesmo com as centenas de pessoas passando minuto a minuto ao nosso redor.

Meus dias têm corrido assim: com simplicidade e paz. Coisinhas tão à toa me trazem uma sensação de alegria e deslumbramento tão maravilhosas que pressinto não haver realidade melhor, há um traço próximo da perfeição delineando tudo a nosso respeito.

Amar é simplesmente colher amoras no quintal. Sem mais.

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