domingo, 4 de novembro de 2012

Todo sábado

Excesso de compromissos mata. Final de ano já é canseira com as suas costumeiras programações, tanto mais se agravadas pelo volume de eventos que se acumulam na agenda, fazendo a gente perder a tranquilidade. Queria ter o direito de escolher para onde ir ou vir. Não é que eu não goste de festas e ajuntamentos familiares e/ou fraternais; o que acontece(u) de uns tempos para cá foi um avolumado de festejos capazes de fazer inveja às socialites, aos políticos, aos diplomatas...

Contem-se os (incontáveis) casamentos, noivados, chás (de fraldas, de lingerie, de casa nova, de panelas), aniversários, batizados, bodas, jantares e almoços de confraternização (profissional), formaturas, etc. "Não lembro mais da última noite de sábado que fiquei em casa à toa ou fui dormir um pouco mais cedo" - essa frase não saiu da minha boca mas foi uma materialização da minha sensação mais profunda; essa, incômoda, de não mais ser proprietária do próprio tempo, da própria vontade, de estar sempre tentando corresponder às expectativas alheias: comparecendo sempre às reuniões às quais sou convidada.

Fui contar os sábados realmente, retrocedi no tempo e contei nos dedos, nomeando cada evento. Poxa vida, é verdade! Quando a memória falhou e não consegui mais especificar o que fizemos em determinado dia (ou noite), me dei conta de que o protocolo venceu por nocaute a nossa tentativa de viver uma vida semi-hippie, desapegada às rotinas dos mortais comuns habitantes da Terra.

Sinto falta dos tempos de misantropia. Sonho com um mundo menos infectado de protocolos. E olha que eu restrinjo bastante o meu círculo social, senão já estaria tomando tarja preta.

Caro leitor, compreenda a minha resignação! É que haja sorriso atarrachado na cara pra "enfrentar" com bravura todos os ajuntamentos sociais de final de ano, esquecendo sempre (ou não) que a roupa ficou em casa por lavar, que há trabalho acumulado por fazer, enfim... Lamento muito não poder (em tese) dar às minhas noites de sábado a finalidade que eu bem entender, sem ter que me fazer entender na segunda-feira por não ter comparecido a tal ou tal.

(...)

Fica, pelo menos aqui o meu protesto. Por um mundo menos protocolo e mais relacionamentos.

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