segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Novo ano


Última postagem do ano. Daqui a pouco o fogos anunciarão que mais uma contagem terminou - outra logo inicia-se, assim, sem tempo para (re)pensar ou (re)fazer o que quer que seja. Bem assim também é a vida, que não dá muita escolha: somente ficar ou seguir em frente. Sem saber quanto tempo ainda temos, tendo (ou não) a consciência de que começamos a morrer tão logo nascemos, segue a nossa árdua tarefa de atravessarmos cada dia de existência como barqueiros entre densas brumas.

Passou-se mais um ano. Sem mágoas ou nostalgias. Só escolhas, atitudes e consequências... Tudo bem quando termina bem. Descanse em paz 2012. Cai pra cá, 2013, com 365 novas oportunidades de fazer essa loucura toda aqui valer a pena.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Shhhh...

Amanhã


Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria que se possa imaginar.
Amanhã, redobrada a força prá cima que não cessa há de vingar.
Amanhã, mais nenhum mistério acima do ilusório o astro rei vai brilhar.
Amanhã, a luminosidade alheia a qualquer vontade, há de imperar!
Amanhã está toda a esperança por menor que pareça, existe e é prá vicejar.
Amanhã, apesar de hoje, será a estrada que surge pra se trilhar.
Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar.
Amanhã, ódios aplacados, temores abrandados, será pleno!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Comentando um comentário

Dias atrás a minha amiga borboleta, Rafaela Pires andou comentando um post meio malcriado que deixei escapar por aqui. Sei que exagerei nas palavras mas a intenção era justamente essa: digitar o que me passava pela mente do jeito que ia pensando, sem tentar enquadrar (muito) as minhas palavras ao politicamente correto, ao nível do aceitável de diplomacia.

Posto abaixo as palavras de Rafa mais os tantos muitos e demasiados questionamentos que seguiram borbulhando em minha mente com o passar dos dias.

Vivi, suas angústias são totalmente condizentes,pois por mais que amemos viver a alienação não nos habita. Pelo que percebi você está enxergando os lados menos desejáveis dos seres humanos, inclusive em você (provavelmente por estar se deixando incomodar tanto com o outro, algo que não é típico seu). Digo de carteirinha que vai passar e você vai voltar a se indignar somente em níveis normais,o que é desejável.O cansaço contribui para isso. E logo suas lente vão se focar para as coisa maravilhosas que muitas pessoas fazem. Não devemos nos alienar , mas contemplar o belo nos sustenta nos faz melhor. Por isso somos amantes da arte , da natureza , das crianças,das boas amizades. Beijos!

As minhas angústias, as tenho como cabeceira do leito, todas as noites, desde que me entendo por gente. Mais do que condizentes, são insistentes e não me abandonam. Quando abandonam, corro atrás e as trago de volta. Sou amante mesmo, sem vergonha, das (minhas) angústias. Viciada nessa convivência. Não sei como é ser diferente, sempre estou incomodada com alguma coisa, franzindo a testa enquanto meus olhos contemplam o absurdo cotidiano da vida, enfim... Como bem disse Rafaela, a alienação não nos habita. Olhar o mundo e não reconhecer um lar é algo muito meu e não vem de agora.

Sim, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. Desculpe a citação clichê mas acontece que não me ocorre nada melhor neste exato momento em que digito. E há coisas que sinto ou nas quais penso, que simplesmente não encontram expressão exata na linguagem escrita - ou falada!  Consigo delinear talvez a ponta de um iceberg com as palavras. Quando a Rafa diz que essa coisa de incomodar-se (tanto) com os outros não é coisa "minha", isso é bem verdade. Geralmente os surtos alheios não conseguem lesionar a minha integridade emocional (ou física, ou...). Sei Separar bem as coisas: o que é "meu" e o que é propriamente "do outro". Mas tem horas, confesso, que não há como fazer vista grossa ao que acontece ao redor.

Meus incômodos são sintomáticos, fortíssimos! Já cheguei a sair correndo de lugares com ânsia de vômito, por conta dos assuntos da roda. Eu olho a vida, as pessoas e acho tudo muito estranho, absurdo - e eu não sei bem explicar nem como nem porquê. Acho mais estranho ainda a multidão na direção contrária (ou eu é que ando na contramão, o que é mais provável!), caminhando como se tudo fosse normal, fosse natural. Poxa, abram os jornais, assistam os noticiários, conversem com as pessoas nas ruas, nos locais de trabalho... Será que só eu percebo?

Sim, o (meu) cansaço contribui (muito) para o aparecimento desses surtos de desesperança que me acomentem vezenquando. Mas não é só isso - as minhas indignações não se resumem a cansaço e nem se encerram com noites bem-dormidas. E sim, essas fases críticas de aborrecimento com tudo à minha volta passam. Sempre passam. Enquanto estão, no entanto, sacrificam os humores de todos ao redor. Que tenham paciência - ou não. Enfim...

Rafa sugere a mudança de foco. Talvez. É que olhei o mundo sob as lentes cinzentas da falta de esperança. Demora para limpar o olhar novamente. E confesso que eu tenho convivido com tanta feiura humana nessa vida (inclusive crianças já estragadas pelo mundo adulto) que até eu conseguir reajustar o foco, haja poeira da estrada e horizonte. Não é tão simples assim mas é a ordem natural das coisas e uma hora isso tudo passa, tudo se aquieta, tudo se equilibra.

(...)

À Rafa, deixo o meu carinho e agradecimento. Suas palavras soaram como farfalhar suave de uma borboleta aos meus ouvidos.

À vida, deixo a minha perplexidade.

Sem mais (por hoje).

sábado, 22 de dezembro de 2012


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sem licença para lamentar

Eu gostaria muito de esparramar todo dia um carregamento de esperanças, como que de pétalas das mais perfumadas flores pelos caminhos por onde passo. Mas a esperança toda desvanece entre os cansaços e aborrecimentos do dia-a-dia. Meu mundo anda bem, o mundo é que não anda bem! Certas coisas que vão simplesmente acontecendo têm o poder de ir minando as forças, as energias... Queria ir pra algum lugar onde houvesse trégua.

Quando parei pra pensar hoje, não sem muito esforço, constatei meio que contrariada que o nível de cansaço ( o "meu" cansaço) - físico, emocional, mental - alcançou níveis talvez irreversíveis. É querer levantar-se para ir e fazer algo mas não ter ânimo. Preciso de férias. Mas são férias do meu corpo, de ser eu. Preciso abandonar, quem sabe, essa casa para passar um tempo em uma outra. Mudar de cidade, de nome, de telefone, de cara, de sexo, sei lá...

É que tem dias em que a gente simplesmente se dá conta de que ser humano não tem lá essa graça toda, esse glamour, todo. A gente olha os seres ao redor e vê, que mesmo tão diferentes, são tão desesperadamente (e medíocremente "?") parecidos - e que avançando um tiquinho mais o pensamento, dá para perceber o quanto inserido nessa mediocridade toda nós estamos... Tenho o defeito de pensar demais. Piora bastante porque também tenho a mania de reparar na "feiura" de/do "ser-humano" (estou inclusa na categoria).

Sei que o post não tem sentido, que eu não posso reclamar da vida, que foi um ano feliz... Mas também não posso deixar de deixar claro que eu não alimento uma visão especialmente utópica a respeito de como as coisas dessa vida são e de como acho que poderiam ser (melhores).  Hoje foi dia de pisar no chão e remoer a realidade. Só isso.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Assim


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

Bem, eu sei que o ano nem acabou ainda. Sei também que por uma hora dessas, no ano passado, eu já estava com toda a retrospectiva escrita, os fatos ruminados emocionalmente e os planos para o ano seguinte na ponta do lápis pra botar pra arrebentar! Pois é... esse ano foi diferente e mereceu uma rememoração diferente também. Resolvi colocar em forma de imagens alguns acontecimentos por aqui. 
Por exemplo, a foto aqui ao lado é de Janeiro: eu estava de férias no Sul do Brasil, mais especificamente na serra gaúcha dando um rolézinho. Foram os 21 dias de carregar as minhas baterias para suportar o que viria nos próximos meses. Quando voltei de viagem, a minha intenção era unicamente estudar e ficar quietinha no meu canto... Mas não, mas não! A minha fase de recolhimento acabou de vez e esse ano foi O ANO dos eventos sociais brotando pelas folhas do calendário. 

A fotografia seguinte foi tirada em Fevereiro, em uma edição do Jogo de Cena aqui em Brasília. Um grupo de Teatro composto por grandes amigos, gente da mais alta qualidade; tive que ir prestigiar... Quanto aos planos de ficar quietinha apenas estudando... bem, eu havia pedido demissão do emprego para me dedicar à vida acadêmica mas acabei cedendo à compulsão hiperativa que me acompanha desde que me entendopor gente. Voltei ao trabalho com carga (horária) reduzida mas o trabalho... Há!!! Melhor nem comentar agora...

Aliás, a próxima foto (Março) representa bem como  foi o ano em matéria de produção profissional: um caminho à frente e um muro a escalar todos os dias. Muito, mas muito trabalho: de produção, de criação, de articulação. Não sei bem dizer como foi que eu dei conta de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Essa habilidade, mesmo para mim, é um mistério. Só posso garantir que rende um esgotamento físico e nervoso intensos, capazes de me jogar na cama sem vontade de fazer absolutamente nada por alguns dias, logo quando termino algum trabalho importante. Enfim...

Em Abril realizei um grande sonho: conheci pessoalmente a trupe do Teatro Mágico. Foi uma ocasião inesperada, um acontecimento inusitado que me rendeu uma alegria intensa! Não esperava. Sinceramente, foi uma peça que o acaso me pregou: a diretora da escola onde trabalho me convidou por acaso para acompanhar os alunos do Ensino Médio a uma gravação de um programa na TV Câmara e eu fui assim, no escuro. Chegando lá, mal pude me equilibrar em minhas pernas ao saber que a atração do programa era o tão querido grupo orquestrado pelo menestrel Fernando Anitelli. Só alegria! Ah, teve também a produção de uma peça para o público jovem. O É Desse Jeito esteve em curta temporada mas muito importante para o nosso amadurecimento como atores, produtores, roteiristas. Com o meu primeiro dinheiro ganho com o  teatro (atuando) comprei a minha pimeira máquina fotográfica que filma em HD. Hahaha... Pode parecer pouco mas foi um passo e tanto para quem anda nessa vida mambembe, fazendo as coisas maior parte das vezes por amor ou pura diversão...

Em Maio a minha vida mudou substancialmente. Adquiri e consolidei novas (e preciosas amizades). Saí do ostracismo emocional e dei uma chance a mim mesma. Pela primeira vez em alguns anos arrisquei me interessar por alguém novamente. Não sem susto, não sem reservas, não sem medo. As circunstâncias eram sim, todas desfavoráveis: muito trabalho, muita coisa para ler e estudar, cronograma apertadíssimo... Porém, o passo que eu dei naquele finalzinho de mês me levou a uma realidade completamente nova e maravilhosamente feliz. O ano de 2012, que já estava bom, começou a ficar ainda melhor e entrou pro rol dos anos mais felizes da minha vida com os acontecimentos de Maio.


Junho foi canseira e correria - como não poderia deixar de ser. Produzimos uma mega-festa temática na escola, aproveitando a comemoração do centenário de Luiz Gonzaga. Particularmente gosto muito de toda a trajetória musical do velho Lua, sempre ouvi em casa desde criança, por influência do meu pai. Uma loucura tremenda para dar conta de tanta coisa mas acabou acontecendo tudo tão lindamente que a gente até se esquece das dores... A essa altura do campeonato, o meu coração já estava balançado e eu tinha ao mesmo tempo, uma inspiração a mais para me entregar às produções e uma preocupação a mais martelando a minha cabeça: e agora, se eu me apaixonar, o que vai ser da minha vida? Enfim, os dias foram passando.

Em Julho derrubei o primeiro gigante: concluí (lindamente, em grupo) a monografia da especialização em Arte e Tecnologia. Hahaaaa, agora eu era pós-graduada e todos haveriam de me respeitar então. Bom, mas eu e você sabemos que as coisas não acontecem exatamente assim. Foi suor, esforço tremendo e muitas lágrimas para dar conta de mais essa etapa. Conseguimos! Parabéns para nós. Mais uma vez eu tive a plena consciência de o quanto sou feliz em alcançar as metas que venho traçando ao londo dos anos. Fiquei orgulhosa de mim como raramente consigo. Parêntese para confessar que sofro de um perfeccionismo crônico, que exijo muito de mim mesma, que me auto-flagelo frequentemente por conta de tantas cobranças e que, finalmente, não tenho nenhum orgulho disso (de ser perfeccionista). Mas concluir um trabalho sabendo que ao longo da produção a vontade de desistir foi muito grande é uma imensa satisfação. Só tenho a agradecer a Deus e à minha terapeuta (hehehe) por me ajudarem a dosar a paranoia de modo a não "morrer" quando as coisas não saem exatamente da maneira como eu havia imaginado (muitos risos)..

Em Agosto eu tive a sensação de ter parido o meu primeiro filho. E derrubado o segundo gigante! Essa ideia de cursar duas especializações ao mesmo tempo só poderia ter saído da minha cabeça psicopata e compulsiva mesmo. Mas consegui - mais uma vez consegui! Apresentei um texto que brotou literalmente das minhas entranhas, das minhas inquietações mais profundas a respeito de como as coisas são e de como acho deveriam ser na área de atuação que escolhi exercer na vida. Aprovada com louvor, fiquei feliz por um lado mas ao me depararar com um tempo livre para pesar nas minhas próprias mazelas, entrei em parafuso, surtei e quis desaparecer do mapa! Quase niguém percebeu - eu acho, mas logo em seguida da conclusão dos cursos, os meus olhos se viram fixos na realidade nua e crua, tal como estava. Fiquei perdida e confusa, sem saber direito o que queria da vida, depois de ter lutado e conquistado o que eu tanto queria.
 
Setembro foi o tempo de exorcizar as neuroses e aproveitar o momento. Viajei com aquele que a essa altura já havia se tornado indispensável na minha vida. O tempo a dois, os ares da Chapada dos Veadeiros, as situações vividas me fizeram perceber o quando as minhas inquietações eram desnecessárias. Eu tive certeza do que queria da vida, e era aquilo ali mesmo: pura e simplesmente a paz de um amor tranquilo. Foi o tempo de agradecer a Deus por ter permitido um encontro de tamanha grandeza. Sim, porque eu sei reconhecer quando surge, em meu caminho, uma pessoa especial. Essas, faço questão de cultivar com carinho e cuidado para que permaneçam pelo tempo que assim desejarem. E que seja longo esse tempo...


Em Outubro começamos a viver as angústias do cronograma apertadíssimo! Eu, que havia assumido as turmas de Inglês das crianças da escola, topei assumir algumas turmas de Artes dos adolescentes também e foi todo um período de adaptação, de tensão porque tudo se acumulava freneticamente - e simultaneamente - aos eventos, cuja participação (minha) era efetiva e necessária. Quase morri do stress que começou bem nessa época. A parte boa: fui madrinha de casamento de um casal que ajudei a unir. Uma históira muito peculiar que eu reconto mentalmente algumas vezes e me acabo de rir: as coisas mais sem lógica geralmente são aquelas que dão mais certo!

Novembro... Tão recente e tão distante ao mesmo tempo. Fui ao fundo do poço em matéria de cansaço. Sinceramente, perdi um pouco da graça que eu via em fazer tudo o que eu faço. Senti frustração pela primeira vez neste ano. Me dei conta de que não dou conta de tudo. Muito do que eu sonhei (profissionalmente) não se concretizou porque as coisas não dependem só de mim. Os meus sonhos foram meio que atropelados pela dura realidade e eu entristeci bastante. Perdi a vontade de levantar cedo para trabalhar. Em algumas ocasiões cheguei até a murmurar e reclamar da vida... Veja bem, eu não estive reclamando do salário  nem das condições de trabalho! Não, não era nada disso: era a birra que eu tenho do mundo, do absurdo cotidiano que se apresenta nas atitudes ilógicas dos seres humanos em redor. Sei que não consegui me fazer entender mas... enfim, deixa pra lá. Essa parte da neura já passou. O mundo é muito complicado e ponto final - era isso mesmo que eu queria deixar registrado.

Dezembro! "Olhei pra trás" hoje e tive a absoluta confirmação de como vivi um ano bom! Conquistei grandes coisas... Experimentei sensações maravilhosas e indescritíveis! Escrevi um editorial de revista! Tive até uma noite de performance como DJ (essa é pra rir mesmo)... Quando abro os olhos pela manhã, todos os dias, é um sorriso que brota dos lábios. Sempre sonhei em viver dias assim sem nem mesmo saber exatamente como seriam "esses dias assim". Não me lembro de ter vivido antes um ano tão intenso e ao mesmo tempo tão tranquilo. Só tenho motivos a agradecer a Deus, aos céus, ao Universo, ao infinito ou quem quer que seja que controla essa bagunça toda (que se a gente olhar bem de pertinho, percebe que nem é tanta bagunça assim, e que as coisas têm sim uma certa lógica, um certo encadeamento dos fatos...). Estou muito feliz e é uma satisfação muito grande poder escrever uma retrospectiva com o coração e a alma cheios de esperança.

Foi um ano bom - e ainda não terminou. Faltam alguns compromissos, alguns protocolos, alguns ajustes a fazer mas já valeu a pena cada minuto e segundo vivido. Se o mundo não acabar nos próximos dias (coisa que eu bem duvido que aconteça), entrarei no próximo ano sabendo que para preciso sonhar sonhos ainda maiores e realizar feitos ainda mais significativos para superar em qualidade tudo o que foi feito e vivido em 2012.

E que venham novos dias e novas realizações!

sábado, 8 de dezembro de 2012

É hoje ^_^

  
***
  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pra hoje é isso


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O eterno e o hoje


Uma imagem tão simples... Diz muito. É que eu estava aqui organizando os pensamentos antes de finalmente entrar no mundo de Morpheu. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, como sempre foi e talvez seja para sempre nessa minha vida absolutamente incomum.

Hoje foi dia de hospital, de medicação, de matar serviço e de atestado médico. Nada demais. Uma faringitezinha viral chateou um pouquinho mas depois de tanto dengo e medicação correta está em processo de superação. Foi dia também de surpresas (boas e ruins): foi dia para chegar ao quarto do doente e descobrir com o coração sobressaltado que este acabou de ser transferido para a UTI, foi dia de visitar uma UTI descobrir desolada que as pessoas não estão nem aí com o estado de saúde (ou de doença alheios). Foi dia de reconhecer que muitas vezes, mesmo sabendo "o que fazer", não podemos tomar a frente das ações; é necessário também deixar que as outras pessoas vivam intensamente as suas dores, tenham as suas próprias experiências com as situações desfavoráveis.

E foi dia também de descobrir que eu esperaria o tempo necessário, que dedicaria a minha vida e os meus dias para fazer feliz quem me tem feito tanto bem... Foi dia de olhar assombrada novamente e ter a sensação de o estar vendo pela primeira vez. Foi dia de me apaixonar de novo pelo simples e extraordinário jeito de ser. Foi dia de ficar brava e ao mesmo tempo enternecida por causa da capacidade de se doar, de cuidar, de se fazer presente nos momentos (bons e maus). Não gosto que faça "sacrifícios" por minha causa mas reconheço que é infinitamente melhor tê-lo por perto.

Foi dia de abraçar e falar bobagens; também de conversar coisas sérias. Dia de tirar uma segunda via do documento de identidade pra poder viajar tranquilamente em Janeiro. Dia de tomar chá de cadeira, eperar-esperar-esperar-esperar; foi dia de passar perrengues em trânsito, de ver estragos feitos por acidentes de trânsito... Dia de ir ao teatro, de almoçar juntos, de caminhar pela rua de mãos dadas...

(...)

Foi de me ver ainda mais envolvida. E mais agradecida ainda, por estar vivendo um momento assim tão especial.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sábado de sol


Tentando organizar aqui os pensamentos para postar alguma coisa. Hoje eu me dei ao luxo de acordar bem tarde e não me ocupar absolutamente de nada. Abandonei-me ao ócio e aos devaneios aqui, esticada sobre a minha cama (ou o que sobrou dela, pois recentemente concluí que aquele catatau imenso ocupava espaço demais entre as quatro paredes; dei um fim à dita cuja).

Pensei em tanta coisa, refiz os acontecimentos da semana em câmera lenta, depois em câmera acelerada, voltei e adiantei o filme da minha vida algumas vezes, vi e revi repetidamente até esgotar a minha calma. Quanta coisa, quanto cansaço... Tem horas em que desejo ardentemente ter uma vida normal - tem horas que não. Falar verdade, maioria das horas não!

O meu trabalho esgotou as minhas forças e roubou um pouco da minha alegria durante a semana. E nem tive chance nem coragem (nem direito, bem dizendo a verdade)  de protestar ou reclamar - a escolha foi minha. Estive sem forças e sem ânimo; ao mesmo tempo, precisando ser firme, ser forte para cumprir todo o protocolo, todo o cronograma sem chiar. Engolir alguns sapos também pra colocar pra fora em forma de choro algumas horas depois.

Faltou paz em alguns momentos. Mais (e pior) do que isso, faltou esperança em dias melhores... Não sei se às vezes me coloco em um ponto de vista demasiado arrogante para achar que a minha filosofia de bem-viver-bem é altamente recomendável a qualquer habitante deste planeta mas é que a desesperança em certos momentos alcança a minha alma com uma força muito grande. Tenho uma certa noção de como fazer com que as coisas sejam melhores para mim, para todos mas os tempos em que vivemos, as atitudes das quais os seres humanos são capazes me cansam de modo tão extremo que às vezes sinto um desejo muito grande de ver logo tudo isso aqui acabar.

Não é novidade por aqui a minha falta de esperança para com a humanidade, bem sei. O problema é que eu olho a vida, as coisas, as pessoas e percebo todos como que correndo indiferentes contra o tempo, correndo atrás do vento e dando a mínima para a falta de paz, de cortesia, de amor latentes no mundo. Eu enxergo coisas que (quase) ninguém consegue enxergar. Isso é sinal de loucura! No meu caso, tanto pior porque é uma loucura consciente da loucura. Enfim...

E por falar em amor, quero mudar o foco do assunto. Ontem, depois de um dia exaustivo - sequência de uma semana megaexaustiva, eu parei cinco minutos para olhá-lo nos olhos e agradecer tanto cuidado, tanta atenção. Sempre tive vontade de ser uma pessoa melhor, sempre lutei com todas as forças - e ainda luto - para ser uma pessoa melhor, para me superar em todos os sentidos, para me aperfeiçoar em habilidades, em gentileza, justiça, em conhecimento, em espiritualidade... Eu quero ser melhor - para mim e para os outros!

De seis meses para cá toda essa vontade foi potencializada, foi catalisada pela simples presença de um ser humano absolutamente comum e ao mesmo tempo absolutamente único, especial. Agradeci, como agradeço todos os dias por ele simplesmente existir na minha vida, pois tem acrescentado tanto, talvez sem sequer notar... É por ele que o meu coração se agita dias e noites ininterruptamente. Hoje eu sei que sou melhor e muito mais feliz por causa dele. Simples assim.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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