domingo, 23 de dezembro de 2012

Comentando um comentário

Dias atrás a minha amiga borboleta, Rafaela Pires andou comentando um post meio malcriado que deixei escapar por aqui. Sei que exagerei nas palavras mas a intenção era justamente essa: digitar o que me passava pela mente do jeito que ia pensando, sem tentar enquadrar (muito) as minhas palavras ao politicamente correto, ao nível do aceitável de diplomacia.

Posto abaixo as palavras de Rafa mais os tantos muitos e demasiados questionamentos que seguiram borbulhando em minha mente com o passar dos dias.

Vivi, suas angústias são totalmente condizentes,pois por mais que amemos viver a alienação não nos habita. Pelo que percebi você está enxergando os lados menos desejáveis dos seres humanos, inclusive em você (provavelmente por estar se deixando incomodar tanto com o outro, algo que não é típico seu). Digo de carteirinha que vai passar e você vai voltar a se indignar somente em níveis normais,o que é desejável.O cansaço contribui para isso. E logo suas lente vão se focar para as coisa maravilhosas que muitas pessoas fazem. Não devemos nos alienar , mas contemplar o belo nos sustenta nos faz melhor. Por isso somos amantes da arte , da natureza , das crianças,das boas amizades. Beijos!

As minhas angústias, as tenho como cabeceira do leito, todas as noites, desde que me entendo por gente. Mais do que condizentes, são insistentes e não me abandonam. Quando abandonam, corro atrás e as trago de volta. Sou amante mesmo, sem vergonha, das (minhas) angústias. Viciada nessa convivência. Não sei como é ser diferente, sempre estou incomodada com alguma coisa, franzindo a testa enquanto meus olhos contemplam o absurdo cotidiano da vida, enfim... Como bem disse Rafaela, a alienação não nos habita. Olhar o mundo e não reconhecer um lar é algo muito meu e não vem de agora.

Sim, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. Desculpe a citação clichê mas acontece que não me ocorre nada melhor neste exato momento em que digito. E há coisas que sinto ou nas quais penso, que simplesmente não encontram expressão exata na linguagem escrita - ou falada!  Consigo delinear talvez a ponta de um iceberg com as palavras. Quando a Rafa diz que essa coisa de incomodar-se (tanto) com os outros não é coisa "minha", isso é bem verdade. Geralmente os surtos alheios não conseguem lesionar a minha integridade emocional (ou física, ou...). Sei Separar bem as coisas: o que é "meu" e o que é propriamente "do outro". Mas tem horas, confesso, que não há como fazer vista grossa ao que acontece ao redor.

Meus incômodos são sintomáticos, fortíssimos! Já cheguei a sair correndo de lugares com ânsia de vômito, por conta dos assuntos da roda. Eu olho a vida, as pessoas e acho tudo muito estranho, absurdo - e eu não sei bem explicar nem como nem porquê. Acho mais estranho ainda a multidão na direção contrária (ou eu é que ando na contramão, o que é mais provável!), caminhando como se tudo fosse normal, fosse natural. Poxa, abram os jornais, assistam os noticiários, conversem com as pessoas nas ruas, nos locais de trabalho... Será que só eu percebo?

Sim, o (meu) cansaço contribui (muito) para o aparecimento desses surtos de desesperança que me acomentem vezenquando. Mas não é só isso - as minhas indignações não se resumem a cansaço e nem se encerram com noites bem-dormidas. E sim, essas fases críticas de aborrecimento com tudo à minha volta passam. Sempre passam. Enquanto estão, no entanto, sacrificam os humores de todos ao redor. Que tenham paciência - ou não. Enfim...

Rafa sugere a mudança de foco. Talvez. É que olhei o mundo sob as lentes cinzentas da falta de esperança. Demora para limpar o olhar novamente. E confesso que eu tenho convivido com tanta feiura humana nessa vida (inclusive crianças já estragadas pelo mundo adulto) que até eu conseguir reajustar o foco, haja poeira da estrada e horizonte. Não é tão simples assim mas é a ordem natural das coisas e uma hora isso tudo passa, tudo se aquieta, tudo se equilibra.

(...)

À Rafa, deixo o meu carinho e agradecimento. Suas palavras soaram como farfalhar suave de uma borboleta aos meus ouvidos.

À vida, deixo a minha perplexidade.

Sem mais (por hoje).

1 comentários:

Rafaela Pires disse...

Vivi, acho que só podemos nos encantar com o belo tendo a clareza do que é inaceitável.Em seu novo post ficou nítido que além do cotidiano noticiado que muitos já veem como normalidade ,existem questões ainda mais próximas que são repudiáveis.Quem sabe na contramão a gente chega a lugar bem bonito? Onde possamos sonhar como um mundo idealizado por John Lennon?Image?

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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