quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quebrando o silêncio II

Começo esclarecendo o título da postagem: é "Quebrando o silêncio II" porque há uns dias eu sentei-me confortavelmente no sofá da minha nova casa, na minha nova vida para escrever (entre lágrimas) breves linhas a respeito do ano que está dando os últimos suspiros. O que era para ser um texto emocionante e memorável transformou-se em uma grande frustração - e raiva por conta do navegador, que travou, reiniciou e botou a perder todo um trabalho de hora e meia escolhendo bem as palavras. Enfim, vamos quebrando o silêncio e aprendendo a salvar os rascunhos de tempos em tempos, sob pena de ver a carreira de escritora (rs) por água abaixo.

Sim, eu ando mesmo sumida do blog; não por falta de assunto mas por falta de tempo e disposição (juntos). Quando tenho tempo, falta disposição - dormir me parece mais urgente; quando há disposição, saltam aos meus olhos a quantidade imensa de coisas a fazer - logo desisto. Pensei em deletar o blog, começar outro; pensei em deletar e não começar outro. Pensei em apagar algumas postagens, acabei desistindo por saber que vai dar um trabalhão... Ando farta de trabalho, estou terceirizando (risinho irônico no canto dos lábios).

O fato é que há muito eu gostaria de deixar registrado é que foi um ano de poucas postagens e muitos acontecimentos. Muitos mesmo; mais do que nos outros trinta e três anos riscados no calendário da minha vida. Nunca antes, em um período tão "apertado", tive tantas mudanças e tão profundas na rotina, no modo de viver. Talvez tudo (?) que esperei ansiosamente que acontecesse nos últimos dez anos, talvez todo o esforço e empenho nos estudos destes últimos cinco anos tenha finalmente rendido algum fruto! Sensação de realização e esforço compensado é muito boa!

Não que o ano tenha sido fácil, nada disso! Foram tantos os contratempos quantas as conquistas; houve momentos em que não se sabia se lamentava ou se comemorava: eram coisas boas e ruins acontecendo juntas e eu catando as lágrimas. Muitas lágrimas! Também outras vezes flagrei-me cantando "Ouro de tolo" (aquela, do Raul Seixas) pelos cantos mesmo embasbacada pelas circunstâncias: cheguei, fiz, conquistei, concretizei - e agora?! Me via em frente ao espelho meio "passada" com tanta coisa: saí do Brasil com uma mochila nas costas e alguns trocados no bolso (dias antes, pedi demissão na empresa em que passei quatro anos felizes), quando voltei mudei de emprego, troquei de estado civil e mudei de casa. Viajei dois mil quilômetros de carro pra voltar correndo depois, fugindo da neve.

São tantas as histórias que não caberiam em todo o cyberespaço... Lembranças de um ano duro, difícil e ao mesmo tempo bom. Não há arrependimentos ou lamentações. O cansaço já começa a dissipar-se, diluído nas horas ininterruptas de sono. Não há outro compromisso a não ser olhar para dentro de mim, cuidar de nós (que agora sou um e sou dois) e viver da melhor maneira que dermos conta. Depois de ter passado por tantas dores e depois ter conquistado tantas alegrias em tão pouco tempo, a maior certeza é a fragilidade e instabilidade da vida. Quebrei o silêncio para dizer que o meu lema está mais firme do que antes. Carpe diem. É isso.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Assim


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Doce rotina


terça-feira, 3 de setembro de 2013

FELICIDADE - SERGIO VAZ*

*Eu seeeeeeeeeei que já postei aqui esse texto, pelo menos uma vez (postei mesmo? será?) mas reli recentemente e me enxerguei nele novamente! Quis repostar.


As coisas não nasceram para dar certo, somos nós é que fazemos as coisas acontecerem, ou não.Acredito que a gente tem que ter um foco a seguir, traçar metas, viver por elas. Ou morrer tentando. Jamais queimar etapas e saber reconhecer quando é a sua hora.
O Acaso é uma grande armadilha e destroi os sonhos fracos de pessoas que se acham fortes.Procure não passar do tempo e nem chegar antes. Preparar o corpo, o espírito, estudar o tempo o espaço. Não ser escravo de nenhum dos dois.
Observe as coisas que interferem no seu dia e na sua noite. E saiba entender que há aqueles sem sol e sem estrelas e que a vida não deve parar só por isso.
Seja gentil com as pessoas e consigo mesmo. E gentileza não tem nada a ver com fraqueza, pois, assim como um bom espadachim, é preciso ter elegância para ferir seus adversários.
O que adianta uma boca grande e um coração pequeno. Nunca diga que faz, se não faz.
Ame o teu ofício como uma religião, respeite suas convicções e as pratique de verdade, mesmo quando não tiver ninguém olhando. Milagres acontecem quando a gente vai à luta.
Pratique esportes como arremesso de olhar, beijo na boca, poema no ouvido dos outros, andar de mãos dadas com a pessoa amada, respirar o espaço alheio, abraçar sonhos impossíveis e elogios à distância.
E, em hipótese alguma, tente chegar em primeiro. Chegar junto é melhor, até porque, o universo não distribuiu medalhas nem troféus.
Respeite as crianças, todas, inclusive aquela esquecida na sua memória. Sem crianças não há razão nenhuma para se acreditar num mundo melhor.
As crianças não são o futuro, elas são o presente, e se ainda não aprendemos com isso, somos nós, os adultos, é que tiramos zero na escola.
Ser feliz não quer dizer que não devemos estar revoltados com as coisas injustas que estão ao nosso redor, muito pelo contrário, ter uma causa verdadeira é uma alegria que poucos podem ter.
Por isso, sorrir enquanto luta, é uma forma de confundir os inimigos. Principalmente os que habitam nossos corações. E jamais se sujeite a ser carcereiro do sorriso alheio.
Não deixe que outras pessoas digam o que você deve ter, ou usar. Ter coisas é tão importante como não tê-las, mas é você quem deve decidir. Ter cartão de crédito é bom, porém, ter crédito nele tem um preço.
Se possível, aprecie as coisas simples da vida, vai que no futuro... Adeus pertences.
Esteja sempre disposto ao aprendizado, e não se esqueça que, quem já sabe tudo é porque não aprendeu nada.As ruas são excelentes professoras de filosofia, pratique andar sobre elas.
Procure desvendar as máscaras do dia a dia, pois o segredo está no minúsculo - assim como um belo espetáculo do crepúsculo-, no pequeno gesto das formiguinhas esconde a grandeza a ser seguida pela humanidade.Tenha amigos. Se não tem, seja. Eles virão.
Felicidade não se ensina, é uma magia, e o segredo está na disciplina de uma vida sem truques e sem fogos de artifícios.

E não acreditem em poetas. São pessoas tristes que vendem alegria

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Segue a vida a seco




A vida é tão curiosa às vezes... Estive ouvindo essa música nestes dias derradeiros. Apaixonei-me pela voz da Florence - isso tem acontecido mais raramente de uns tempos pra cá, antigamente eu me apaixonava com mais frequência pelas vozes, pelas coisas, pelas pessoas em geral. O que (em geral) acontecia também era o rápido desapaixonamento (risos). Hoje me apaixono menos mas sinto vivo as paixões de maneira mais intensa e duradoura.

Repetidamente clico no botãozinho que faz a música repetir e ela fica vagando em minha mente, em um espaço entre a consciência anestesiada e a inconsciência sensível: "never let me go, never, let me go..." Talvez alguma parte em mim precise ouvir, enquanto a outra se apegue desesperadamente no chamado, na súplica e resolva, de tempos em tempos, ficar mesmo querendo ir embora.

Rascunhei um texto esses dias entre um solavanco e outro que a vida repentinamente decide dar à minha carcaça; estive olhando, relendo há pouco e re-senti que poderia ter sido escrito exatamente a uma hora ou um minuto atrás, tamanha a atemporalidade sensorial à qual as palavras acabaram remetendo as minhas emoções. Segue o trecho.

"Tão enfraquecida, esbocei uma oração mesmo sem saber o que pedir
O peito, comprimido pela angústia, impedia a passagem do ar
E embotava os pensamentos.
As lágrimas secaram-se na noite anterior
E a essa altura da tarde típica
Da estação seca no cerrado,
A aridez interior parece, tornara-se tanto pior
Por conta das dores de desertos acumulados.
Não se aprende a lidar com o sofrimento na escola!
Não há cartilha para quem precisa aprender a conviver,
Relacionar-se é algo estranha-maravilhosamente prático,
Do ramo do faça-se!
Pouco ou de nada adianta a teoria nos momentos de crise
E o que se tenta, é apenas descrever
A absoluta e desconcertante sensação de ver
Que as coisas nunca saem exatamente
Do jeito que planejamos (ou desejamos)!"

Fim. Eis a radiografia do meu estado de ânimo hoje.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Reticente indagação

Às vezes fico me perguntando: qual é a fórmula para dar certo na vida? Depois fico me perguntando a respeito do que exatamente pode ser essa coisa de "dar certo na vida". Muita coisa que passa pela minha cabeça não tem nexo, são pensamentos tanto quanto confusos, tipo os livros que ficam pela casa implorando um canto confortável logo após a mudança de endereço. Ultimamente os pensamentos têm implorado um cantinho decente na mente. E tem me enlouquecido!

Muito e muito tempo depois




Segue a vida e eu com essa sensação de estar dentro de uma centrífuga todo o tempo. Muita coisa acontecendo, como não poderia deixar de ser. Ultimamente, de tanto ser dois e ao mesmo tempo ser um só, acabei perdendo a mim (um pouco, quem sabe). Não que isso possa ser classificado como "bom" ou "ruim", é apenas uma constatação - gosto de ser/estar consciente sobre tudo o que se passa dentro e fora de mim.

Olho em redor e vejo a terra prometida que sonhei há alguns anos atrás. Tenho vivido dias de uma leveza e sutileza muito grandes e ao mesmo tempo um fardo encurva os meus ombros. Não é nada, tudo está em paz, dentro e fora. Vivo o melhor do melhor que a vida poderia me oferecer - coisa que nem sabia que poderia acontecer, e assim, assim...

Tudo mudou com o curso dos anos. O que não muda nunca é o cansaço e essa ânsia pela eternidade, pelo que ainda está por vir - "essa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi". Não sei quanto tempo me resta mas posso garantir todo o tempo nunca vai ser suficiente para preencher a sede de vida que pulsa em mim, todo dia e a cada dia mais forte.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

En(triste)ser



Entristecer é um processo difícil. Difícil para quem entristece, árduo para quem assiste, muitas vezes de camarote, o entristecimento de quem muito se ama. É difícil prestar explicações a respeito de coisas com as quais mal se consegue lidar, sequer compreender, menos ainda explicar.

Ontem à noitinha eu entristeci. Tem, tem motivo sim, mas eu não quero falar sobre isso. Conheço bem os meus medos, os meus dramas interiores, por isso não vou alimentar paranoia. Não vou, não quero, não posso.

Preciso crescer e amadurecer em algumas áreas: faz parte da trajetória humana de auto-construção. É um processo individual e intransferível, digam o que disserem. Não abro mão disso; me refaço a cada dia... Mas ontem... Ontem voltei a sentir dores que há muito não sentia, voltei a ver um inimigo que é visível somente a mim e que insiste em visitar-me de tempos em tempos.

Passou um filme na minha mente. Pensei em fugir, correr para algum lugar, mas não há lugar seguro quando seus inimigos não obedecem às leis da lógica nem da física. Tive medo. Senti angústia profunda que foi desaguada em lágrimas logo depois. Amanheci com as marcas das longas lutas no corpo e na alma.

Vai passar. Tudo (sempre) passa.

domingo, 23 de junho de 2013

Sem sentido algum

 Tá, eu sei que são muitos dias sem escrever, sem postar nada por aqui. Sei também que quem passa por aqui pode ter a impressão de que o blog está abandonado, que eu larguei de mão essa história de registrar, mesmo que em modo totalmente nonsense as ideias que passam pela minha cabeça, às vezes acho até que escrever aqui é algo meio estranho do tipo "falar sozinha". Mas não é bem por aí, o blog é importante para mim e passo o olhar neste território aqui sempre que possível. Em certas ocasiões, chego a abrir o editor, algumas vezes esboço umas palavrinhas - mas acabo fechando sem concluir a ideia, o assunto e parto para os afazeres diários.

Muita coisa aconteceu (e está acontecendo) nestes últimos doze meses, o que por várias razões acaba interferindo no volume das postagens: mudei de planos, de nível de escolaridade, de emprego, de estado civil, de residência, de humor... Transformações profundas combinadas fizeram com que a escassez de tempo e de assunto rareassem as minhas contribuições. Sim, eu tenho assunto mas não tenho certeza se quero mesmo deixar aqui o registro. Atingi o máximo da perplexidade da vida (até aqui); não sei se o que estou vivendo tem uma tradução literal em palavras. Por isso é tão difícil passar por aqui e deixar rastro.

No mais, é sempre bom deixar no ar uma nuvenzinha que seja de existência calma para movimentar os ares da nossa trajetória curta chamada vida.

(Acho que estou com sono, rs. Com muito sono pra ser exata.)

E fim.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Agora, um poema

Quer falar de amor? Não me chame
Não sei o que significa, não mesmo
A melhor amiga que você se casou é amor?
O par perfeito que você sempre sonhou é amor?

O amor ele consistem em não consistir
O amor tem o poder de não ter poder
O amor nasce exatamente quando ele morre
O amor une as diferenças e separa os corações

O amor é rico em pobreza e pobre em riqueza
O amor dura pra sempre até depois de amanhã
O amor nasce aos 12 e morre aos 16
O amor é maduro aos 30 e idiota aos 20
O amor é... Que amor? Isso é amor? Amor se define?

O amor só é amor quando se sente
O amor só se assume amor quando não se tem ninguém para amar
Dizer que mulher é complicada, o amor é professor feminista
Se um dia descobrir o que é o amor, guarde pra você
Se um dia encontrar um grande amor, belisque –o
Acorde e vá trabalhar, por que amor não nasce em árvore
E não existe amor que resista a falta de dinheiro.

Diogo Hamlet

sábado, 1 de junho de 2013

Aliança

Curiosa a mania que os seres humanos têm de representar "coisas imateriais" através de objetos. Não é uma birra nem reclamação, nem crítica; apenas uma constatação da curiosidade do fato. Eis aí uma aliança que esboça uma representação daquilo que ainda não inventaram sequer palavra para representar o que é. Nossa caminhada humana não passa de tentativa. Maioria delas frustradas. Deixo aqui um registro do sublime ato de coragem que jamais poderá ser simplesmente ilustrado, representado por um papel, anel de precioso metal ou coisa (do mundo das coisas) qualquer.

sábado, 18 de maio de 2013

Quando abandonei o ninho

Amanheci com um pensamento fixo que não era bem um pensamento mas uma constatação. Era um filme em preto e branco exibido pela minha mente durante as tarefas costumeiras da sexta-feira pela manhã. Às segundas e às sextas não trabalho; ou melhor, trabalho, mentalmente, em casa ou outro ambiente que o valha. Bem nestes dias em que a concentração não está em produzir coisas para fazer jus ao ordenado minguado que o governo me cede ao final do mês, minha mente inicia a exibição de reprises das cenas da minha vida. Pois bem, hoje pela manhã, em cartaz os quatro ou cinco últimos anos vividos e uma decisão que fez toda a diferença: sair do círculo religioso. Sei que volta e meia essa pauta retorna aqui no blog mas é assim mesmo que acontece, o assunto sempre volta a ser moído e remoído aqui dentro em um lugar entre o coração e a razão.

Muita coisa aconteceu de cinco anos para cá, muita coisa "fiz acontecer" e mais outras tantas (coisas) não aconteceram, por mais que eu tentasse ou me debatesse com todas as forças neste sentido e intenção. E tudo isso está intimamente ligado à minha maneira de exercer a espiritualidade, de ser-sentir-fazer e refazer-me como ser ligado a uma consciência maior (esta que chamo Deus). Em 2009, em meio a uma crise pessoal terrível (iniciada bem antes), abandonei a rotina religiosa que vinha cultivando fervorosamente há dez anos: rompi com os rituais, com as ordenanças, com os dogmas e tabus. Saí sem dizer adeus nem olhar para trás.

Traidora, desertora, ovelha desgarrada, desviada, desviante, má influência, má companhia... Se não era o mundo exterior, era o interior a me proferir acusações. E foram-se as referências, foram-se as amizades. A tristeza que me consumia por dentro havia instalado-se muito antes desse embaralhamento mental que me fez desistir de tudo, jogar pro alto uma carreira (?) promissora (?)...

Não, espera! De que estamos falando afinal?!

Voltando um pouco no tempo, refiz o caminho das últimas aparições nas programações ritualísticas da igreja onde eu congregava. Naquela época não havia a menor possibilidade de compreender mesmo o que estava acontecendo mas hoje sento-me sobre o muro e observo cada cena. Sim, foi a maior e melhor decisão a ser tomada naquela época! Veja bem, a minha vida andava estagnada apesar de muito movimentada- paradoxalmente eu vivia numa contínua exposição às programações prescritas pela igreja, às multitarefas a desempenhar, às múltiplas reuniões a comparecer, aos relatórios a apresentar...Foi o que explicitei hoje ao escrever primeiro parágrafo: imersa nos compromissos e protocolos jamais temos tempo de sequer pensar sobre a nossa própria vida - imagine então, refletir sobre as nossas escolhas... Rompi com os protocolos. Cortei o cordão umbilical num único golpe, fatal.

Veja bem (abro aqui um parêntese necessário), não me vanglorio pelo que fiz. Corri riscos, sofri perdas, passei por dores e solidão sem tamanho. Não sou uma heroína! Fiz escolhas, assumi a consequência de todas elas e paguei caro por algumas. Sem mais. Não sirvo de exemplo a ninguém nem tenho a pretensão de servir, pois defendo que cada um deve trilhar o seu próprio caminho segundo as suas convicções e maneiras de entender as coisas. Sim, porque os pontos de vista divergem bastante, mesmo - e principalmente - no meio religioso. Passemos adiante.

O primeiro choque foi ter os finais de semana livres. Eu, que sempre levei a sério a coisa de "servir ao Reino de Deus", servia da melhor maneira que podia, com o tempo e demais recursos que tinha. Fui zelosa observadora da Lei e por muito tempo não enxerguei que era exatamente esse o problema. Agora, o problema eram os sábados e domingos lives de qualquer compromisso. Às vezes dormia os dois dias seguidos, outras tantas vezes saía caminhando ou pedalando sem rumo e sem hora para voltar. Foi bem nessa época que percebi que já não tinha mais nenhuma paciência para acompanhar a programação da TV (isso foi um ganho enorme, que acompanha os meus hábitos até hoje).

O segundo choque foi perceber que não tinha mais amigos: já que o meu círculo de amizade esteve todo esse tempo restrito aos membros congregacionais. Quão alienada eu estava da vida aqui fora! E que solidão sem tamanho eu sentia, já que na Igreja, vivia rodeada de gente (não estou falando necessariamente de qualidade mas de quantidade). Da multidão à solidão num piscar de olhos; não poderia nem queria permanecer com as mesmas amizades. À questão das amizades, retornarei em outra ocasião.

Terceiro choque, que se seguiram de outros tantos que não caberiam em muitas e muitas páginas de blogs infinitos: minha vida acadêmica e profissional havia se estagnado! Era o fim! Apesar de ter acompanhado de perto tanta mensagem de prosperidade, de auto-ajuda, auto-estima, auto-afirmação... ao sair, o que mais me atormentava era uma sensação de fracasso terrível! Havia falhado na minha missão como ser humano! Tanta coisa que eu desejava ardentemente fazer (no âmbito profissional), tantos cursos, tantos livros para ler, tantas investigações... Tudo isso congelado na geleira da indústria religiosa, que é uma modalidade muito sutil de escravidão.

Pois bem, o susto (ou o surto) inicial durou uns bons e longos meses. Completamente desnorteada, fui tentando daqui e dali me encaixar em outros grupos, outras tribos, mas sem perder a referência maior: o profundo amor e convicção que eu sempre tive com/por Deus. As lutas internas e extrenas foram de enlouquecer! Passei a visitar parentes, sair com pessoas com as quais não sairia antes (enquanto militante religiosa), retomei contato com antigas amizades. Daí aos poucos, um tantinho mais fortalecida, estabeleci metas pelas quais lutaria ferrenhamente, pois eram justamente o que queria alcançar àquela época: fui estudar Inglês, iniciei um programa de treinamento físico, fiz terapia, comecei a remodelar a minha maneira de ser - aproveitando o que era possível do passado mas abrindo mão do que já não mais servia para incorporar o que era novo e melhor.

Fechei a minha mente para os assuntos sentimentais; não estava em condições de me envolver com quem quer que fosse enquanto não passasse a limpo todas as histórias passadas, juntamente com as dores e cicatrizes que deixaram. Ocupei novamente o meu tempo e a minha mente: fui fazer pós-graduação - uma, duas... mais o Inglês, mais a prática física, mais as quarenta horas de trabalho semanal, mais a pilha de livros que li (especialmente nestes dois últimos anos). Uma longa, árdua mas frutífera caminhada!

Frutífera sim! Hoje, passado algum tempo, tenho vivido dias de muita paz e alegria, de companhias leais e conquistas impensáveis, caso eu tivesse continuado a trilhar aquele caminho. Poderia acrescentar inúmeras narrativas aqui mas o que quase me derreteu os miolos hoje pela manhã foi pensar outras possibilidades de acontecimentos, caso não tivesse tomado a decisão drástica de abandonar o ninho, de acreditar na vida pulsante dentro de mim avisando que havia mais, que o horizonte era (e é) bem maior do que aquela realidade micro que eu estava acostumada a ver...Talvez hoje, a cinco dias de abandonar o ninho outra vez (dessa vez outro ninho e outras circunstâncias), eu tenha começado a repensar o valor e o peso das minhas/nossas escolhas.

Abandonei o ninho há cinco anos atrás mas levei junto as minhas convicções, os rudimentos da minha fé - essa é a parte impactante. O "reino", que antes para mim era um conjunto de coisas palpáveis, passou a ser mais claro quando descobri que é constiuído justamente das coisas invisíveis. Sim, sou adepta das coisas que contrariam a lógica e não têm explicação: eu creio num Deus que por amor se fez humano e se submeteu à morte para garantir que eu tenha esperança de viver uma realidade superior a essa que tenho a oportunidade de viver hoje.

E conto (não nos dedos) com o coração cheio de alegria e gratidão quantos aprendizados, quantas conquistas, quanto crescimento (espiritual, material, emocional...) acumulei desde o dia em que decidi ser honesta comigo mesmo, admitir que a vida não estava boa da maneira que ia, tomar as rédeas da minha vida nas minhas próprias mãos, acreditar que Deus não precisa (necessariamente) de mensageiros para falar comigo e assumir os riscos e as consequências da decisão que mudou completamente o rumo da minha história: abandonar o ninho.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dá a mão?

Amanhece e as primeiras flechas de claridade penetram a vidraça do quarto. Daqui a alguns minutos o despertador vai tocar - sei que são poucos mas não tenho como precisar quantos. Quando toca, eis que me vem o primeiro questionamento: que dia é hoje? Quantos faltam?Como a musa diz na canção: "o tempo pirraça". É isso: pura pirraça quando quero que ele acelere (um pouco) para eu ver lá o que vem pela frente.

O que era impensável há um ano, hoje não me sai do pensamento. É o primeiro suspiro do dia ao verificar o calendário. É o maior salto em direção ao desconhecido que já dei até hoje, sem levar capacete nem paraquedas (é assim mesmo que se escreve?). É ápice do turbilhão emocional que me sacudiu nos últimos cinco anos: cheguei ao fim de uma "era" na minha vida e o início de outra.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Contando dias

O que há um ano era impensável...

Imagem: Claude Théberge

terça-feira, 30 de abril de 2013

Graça, sutileza, liberdade


Tenho cá pra mim que, quanto maior a minha convicção a respeito de algo, menos eu preciso "esfregá-las na cara dos outros". Quanto mais seguro, mais discreto e menos preocupado com o que os outros vão pensar. Cada um que arque com as próprias expectativas (que eu arco com as minhas escolhas com todo o prazer).

Muito tempo sem escrever - pouco tempo para escrever. Acho que passei um bom período da vida remoendo, digerindo, regurgitando, catalisando e/ou vomitando (não necessariamente na mesma ordem ou intensidade) as coisas da minha vida. Muitas delas foram despejadas meio que fora da métrica, fora das convenções comuns à norma culta. Diga-se de passagem: costumo reler repetidamente o que escrevo por aqui; corrigir, nem sempre.

Hoje parei aqui em frente ao PC, em um momento de total esgotamento físico não-raro. Minha mente a mil e o corpo pedindo cama e travesseiro. Tanta coisa a fazer e falta tempo-tempo-tempo-tempo... Sempre me remonto na fala do grego Zorba: "um homem (uma mulher) como eu deveria viver duzentos anos"! E é bem assim mesmo que me sinto todos os dias ao acordar.

Enquanto a minha mente se movimenta, o corpo para. Refaço as cenas dos dias que se passaram recentemente. Se houve tempo de remoer, descontruir para erguer o que está de pé agora, atualmente vivo um tempo de não dar tempo de registrar muito as coisas que acontecem. É a era do viver-mais-importante-que-postar. Vivo a contramão geral da sociedade judaico-cristã ocidental. Nada mal para mim, rs. Tenho sugado a realidade até a última gota!

Quando me dispus a digitar algumas linhas aqui hoje, não me ocorria nenhuma necessidade de entender nada. Aliás, ultimamente assim eu ando: compreendendo tudo sem entender absolutamente nada; vivendo apenas, intensamente. O que me ocorria agora há pouco era uma sensação simples e pura de gratidão. É isso. Quero deixar registrado, momento em que me sinto imensamente grata.

Sem mais.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Depois do último post

Eu entristeci e recuperei a alegria diversas vezes - depois do último post, há uns dias atrás - pra entristecer e voltar a me alegrar em seguida por mais algumas vezes; minha vida parece uma montanha russa de emoções.

Por vezes abri o editor de texto do Blogger na intenção pura e legítima de desaguar aqui as minhas angústias mas não houve escrita que desse jeito nas minhas mazelas. O cérebro que não sincronizava com a mão de jeito nenhum e eu acabo achando isso aqui para mim se tornou uma espécie de "geladeira", que a gente abre sem estar procurando nada para comer, só para pensar mesmo, rs...

É isso. Hoje foi um dia "daqueles"... tenso como ele só! Cansativo e cheio de complicações e saudades. Quando cheguei em casa agora há pouco, em meio a um temporal fora de época, lembrei-me de parar um pouco, fazer pequena pausa que fosse e escrever alguma coisa.

Dias bons e dias ruins se passaram, se alternaram e uma coisa apenas não mudou: a minha total falta de disposição, inspiração, vontade (ou seja lá que nome for) para escrever. Estranho... Será que está na hora de abandonar isso aqui?

A seguir, capítulos de uma nova cena.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Suspiro de um dia ruim

O estresse e as pressões do dia-a-dia têm, por vezes, o poder de nos deixar prostrados. Hoje eu me senti assim, meio desenergizada, meio esmagada pelas circunstâncias sobre as quais não tenho controle. Há dias em que tudo chateia - absolutamente tudo! E ao passar pela colega de trabalho hoje umas duas vezes, em meio às confusões e dissabores comuns à minha doce-amarga profissão eu deixei escapar um: "eu quero morrer". Claro que foi força de expressão! Claro que eu disse isso da boca para fora! Claro que esse não é o desejo sincero do meu coração!

(pausa)

...Será? Tem horas em que contemplo a humanidade e seus festivais de estupidez misturada com loucura e realmente dá uma vontade muito forte de pular fora do barco. É muita confusão, é muito terremoto por pouca movimentação tectônica. Tenho por certo que há dias em que fica um pouco  mais fácil escapar dessa triste constatação: a de que viver aqui não tem essa graça toda; são dias mais leves e de muitos sorrisos. Em compensação, em outros dias eu fico como hoje: estática, gélida, olhando para um ponto para além do horizonte para fugir (ao menos em parte) da dura realidade da qual muitas vezes não posso nem quero dar conta. Hoje foi um dia ruim, chorar sequer eu consegui.

Há muito o que eu gostaria de deixar registrado aqui mas os meus pensamentos me escapam líquidos e mais velozes do que a capacidade de digitação. Quando digo que "quero morrer", não é que eu tenho desejos suicidas. Não é que eu tenha necessidade de arrebanhar gente complacente e solidária às minhas mazelas. O que eu realmente quero (ou queria, gostaria) é viver uma outra realidade diferente dessa que ando vivendo. Tenho a impressão de que a demanda de energia que essa forma de existência exige de mim é mais do que posso dispender, dispensar. A vida (essa modalidade de vida) me consome e me tira (muitas vezes) a esperança e a vontade de lutas por dias melhores, por pessoas melhores.

Esses dias eu ouvi um teólogo falando (um dos poucos que ainda tolero ouvir sem ânsia de vômito). Ele dizia que existem duas constatações impactantes que precisam chegar ao coração das pessoas: uma e que a existência humana é algo pueril, frágil e absolutamente sem-graça. "Tudo é vaidade e correr atrás do vento", como bem disse o sábio do Eclesiastes. A segunda, é a própria Graça revelada a nós, é a convicção que vem de um lugar além da compreensão lógica, cerebral de que existe uma força superior que de alguma forma rege o caos físico e metafísico do Universo. Essa "força" que "governa" eu chamo de Deus. Há quem o conheça por outros nomes mas a sensação de estar no mundo por uma razão - e reconhecer essa razão pelo nome de amor - é inconfndível e não tem preço.

Já passei por esses dois momentos de espanto: o da transitoriedade e futilidade da vida e do reconhecimento de fazer parte de um plano superior, de ter uma nacionalidade não-terrena (no sentido do valor material das coisas). Confesso que não tenho bem certeza do momento exato em que se deu uma ou outra mas elas são (hoje) interdependentes: quando o asco de ser humana me assola, a identidade celestial acaba me consolando; por outro lado, quando a tentação de "querer ser mais que os demais" ronda o meu coração, a fragilidade humana está aqui para me situar da realidade da coisa toda.

O que eu sei é que hoje foi um dia ruim, bem no sentido humano. E sei que precisava registrar isso de alguma forma, lançar para fora de mim de forma catártica o me atrapalharia o sono esta noite. Eis-me aqui, sinto-me melhor agora. Sem mais.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lampejo

De tempos em tempos eis que ouço uma voz suave a me chamar, a me guiar. Não é voz audível, assim, pelos canais naturais da audição humana. É como um sussurro suave captado pela alma, algo discernível somente na camada mais profunda entre a matéria e o espírito. Não tenho como explicar. É como se as coisas se explicassem assim, sem explicação e nem palavra.

Hoje, numa distração lampejante distraída eu ouvi assim essa tal voz - e mais: visualizei causa e razão pras coisas; enxerguei passado-presente-futuro numa fusão de sentidos e destinos. Fui feliz completamente por um segundo, sabendo num lugar entre a loucura e a razão que há tempo, hora e ocasião para tudo, que tudo tem um porquê e que as pessoas não se encontram em vão nessa vida.

Por um segundo a mais então, fui feliz.

domingo, 24 de março de 2013

Com outro final...


segunda-feira, 18 de março de 2013

Cansaço feliz

Pessoas normais trabalham durante a semana e descansam no sábado e domingo. Essa coisa de ser normal, de ser ponderado e equilibrado ser-humanicamente falando obviamente não se aplica a mim, não me é personagem representável. meu corpo foi abatido por um cansaço que há muito não experimentava; está difícil levantar o pé do chão, trocar os passos, ir em frente enfim.

Resultado de uma maratona de sábado e domingo, procurando casa para morar, comprando materiais e investindo em mais uma insanidade que resolvi trazer ao mundo real, agora não mais solitária - tenho outro "louco" (tanto quanto eu) para sonhar e realizar em parcerias as coisas mais insólitas. 

E olha que apesar dos espirros, da pele um pouco queimada de sol ou de mormaço, dos músculos e ossos todos doendo a cada vez que eu respiro, confesso que a sensação  de realização se sobrepõe e é bem gostoso dar vida às coisas que antes só habitavam a imaginação.

O cansaço não ofusca o brilho da satisfação de fazer o que gosta em companhia mais do que gostosa! Eu ando mesmo muito apaixonada pela vida... e pelo que somos capazes de fazer mesmo duvidando ser mesmo capazes.

E fim. Termina como começou: estou cansadíssima mas muito feliz.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Melhor pra mim


quarta-feira, 6 de março de 2013

MENSAGEM TÂNTRICA À MULHER



A vida é linda quando se tem alguém ao lado, a quem se possa amar de verdade, sem reservas, entregando-se totalmente, corpo e alma. Alguém a quem possamos ofertar nossa vida, nosso coração palpitando de emoção. Alguém a quem possamos fazer pújá com as nossas lágrimas de felicidade e com as de dor. Alguém com quem possamos repartir o sofrimento, a solidão, o desespero, mas também as glórias de uma missão realizada lado a lado, de mãos dadas...
Pense bem: que lindo poder ter o privilégio de ser a escolhida entre milhares, entre milhões de pessoas, para viver momentos de paz e amor ao lado de alguém e, repetidas vezes pela vida afora, dissolverem-se ambos em êxtases de um gozo supremo, somente atingível com a pessoa amada! E, ano após ano de prazer, felicidade e realização pessoal, ter a alegria de envelhecer ao lado da pessoa certa! Sem, jamais, arrepender-se pelo que deixou de fazer – não há pior remorso que esse...
... E depois, juntos, marcarem a Humanidade e o Universo com a força gerada nos seus atos de amor.
Para algumas, a vida nem sequer ofereceu a oportunidade de um grande amor, um amor alquímico, capaz de transmutar a vidinha medíocre em uma vida brilhante, de ouro puro. Para outras, a chance foi oferecida, mas deixaram-na escapar por entre os dedos, na ilusão adolescente de que a juventude nunca se acabaria.
Você já imaginou que podemos morrer amanhã? Você partiria satisfeita por ter feito tudo o que desejava, por ter já vivido a sua vida?
Se um cometa pode acabar com a Terra a qualquer instante, eu quero viver e compartilhar esse tempo que me resta com quem eu amo.
Se o holocausto nuclear (ou qualquer outro) é uma realidade que nos espreita a cada alvorada, eu quero depositar o meu fervor no ventre da minha amada, como uma prece diária, reverente, até o dia do Juízo Final.
Se todas as profecias do bom-senso nos advertem para o fato inegável de que a vida pode se extinguir a qualquer momento, vencida pela constante conspiração das hordas de potenciais doenças, acidentes e crimes, então eu quero fazer do tempo que ainda me resta algo que me permitirá partir em paz: se não posso fazer toda a Humanidade feliz, quero fazer feliz uma pessoa, a partícula da Humanidade que está mais próxima de mim. Quero que essa seja a minha mais nobre razão para estar vivo.
Faça-o você também.

Retirado do livro> TANTRA, a sexualidade sacralizada.

terça-feira, 5 de março de 2013

A SUA CURA É O OUTRO

Os caminhos do coração humanos são indecifráveis... Você vê gente sofrendo de tudo, e vivendo como se tudo fosse normal. Você, por outro lado, vê gente sofrendo de nada como se sofresse de tudo... Na realidade, cada vez mais, minha experiência vai mostrando que não há escolas psicológicas capazes de atender a cada alma humana.

De fato, cada alma demanda uma psicologia pessoal e particular... Não dá pra dizer que Freud explica quase nada... Freud explica a si mesmo... e olhe lá... Sua Psicanálise é auto-analise, por mais “cientifico” que ele pretendesse ser, posto que por mais isento que fosse, a “ciência” que ele praticava só poderia ser verificada a partir dele mesmo, não apenas de sua interpretação, mas de sua própria/particular/existencial experiência psicológica.

Há pessoas que me procuram com crises de contornos “freudianos”. Para tais pessoas Freud parece funcionar bem... Outras, porém, nada têm a ver com o que o Freud pressupôs houvesse em todo homem, sem que haja... Nesses casos, tateio até ver a “porta de entrada” da pessoa, e, frequentemente, verifico que tal “entrada” não existe nas matrizes das linhas psicológicas clássicas ou pedagógicas, e, portanto, demanda uma psicologia singular, tecida entre você e a pessoa, até que o sistema esteja mais ou menos visível e, portanto, discernível.

Em outras palavras: tem que ser como Jesus praticava... A “psicologia” de Jesus era simples e se servia das metáforas que as pessoas traziam ou compreendiam. Tudo, porém, tinha ver com “aquela” pessoa, e não com uma matriz psicológica universal.

Assim, com Jesus não há padrões... O padrão é o individuo...

Desse modo, cada pessoa demanda uma psicologia singular, por mais que os modelos psicológicos possam ajudar aqui e ali. No entanto, depender exclusivamente deles é pura tolice... O modelo de Paulo, a confrontação, é o que vejo que melhor ajuda as pessoas, pois, de fato, trata-se de um método não metódico, é que busca discernir a essência da questão, e trata dela cara a cara, sem medo de afirmar, de indagar, de sugerir, de provocar, de perturbar mesmo... — até que a verdade vá aparecendo, e, assim, a pessoa vá se enxergando e tomando as decisões práticas quanto a debelar o vício do sintoma como mal a ser tratado como causa... sem que o seja.

Os pudores psicológicos atrasam em demasia a cura das pessoas... Vejo pessoas oito, dez, doze anos em um terapeuta, ruminando os mesmos bagaços, pagando caro para serem ouvidos sem que isto deslinde qualquer coisa em seus interiores, até que chegue o dia da verdade...   Então, sem pudor, atendo a tais pessoas; algumas já sabem tudo de tudo, até mais que a maioria dos psicólogos, de tão profissionais como clientes que vieram a se tornar...

A surpresa para elas é que o que durara anos, por vezes em uma, duas, três semanas, ou em poucos meses, cede...; e, então, começa a abrir o espaço interior para que, pela via da confrontação, a pessoa comece a parar de chocar seus quase/dramas; e, assim, sem pena de si mesmo, sem transferências de nada para ninguém, sem auto-piedade ou auto-comiseração, o individuo comece a reagir; e, em não muito tempo, comece a ficar perplexo com os resultados...; sem saber a razão de não ter que ser um processo necessariamente tão longo e demorado no atingimento dos desejados resultados...

Na realidade o que a maioria das pessoas necessita é do encaramento na e da verdade!

Noto o despreparo brutal da maioria dos chamados profissionais de Psicologia. Alguns nada dizem apenas porque não têm mesmo o que dizer... Outros gostam da lentidão... Ela é lucrativa... Há ainda os que são tão doentes que fazem psicologia para se distraírem de si mesmos ouvindo os outros... Mas poucos há com consciência do que seja a ajuda que as pessoas precisam...

Ora... isto sem falar naqueles que são pagos apenas para consentirem com o devaneio do individuo... São os Psicólogos do “vamos que vamos”... Sim, você o paga apenas para que ele diga que você tem razão em soltar todas as frangas e todos os bichos do seu zoológico particular... No meio disso tudo, há alguns profissionais da psicologia que são de fato muito bons, embora poucos.

O que me ressinto mesmo é do fato que se houvesse entendimento do Evangelho, e amor e limpidez de propósitos, todo verdadeiro pastor de almas naturalmente seria um psicólogo. Mas quase não há tal coisa... A maioria dos pastores está tão perdida que nem mesmo dá conta de sua própria alma, quanto mais da dos outros!...

A receita de cura de Isaías é simples [cap.58]: liberte os oprimidos, quebre cadeias nos outros, franqueia a vida ao próximo, não fuja dele; e mais que isto: abra a sua própria alma com o aflito [deslocando o foco do “si-mesmo” para o outro] — pois, então, se diz: A tua cura brotará sem detença!...

A melhor terapia desta vida sempre será o serviço em amor! Quem se esquece de si e arranja olhos para a vida, em geral ficará curado enquanto limpa feridas e cuida de angustias alheias... Aquele, porém, que apenas cuida de si mesmo, de suas supostas dores, e concentra-se exclusivamente em sua angustia como elemento pivotal da existência universal, esse pode contratar o melhor psicólogo para que lhe ande a tira-colo, pois, ainda assim, jamais ficará curado...

Ninguém sabe em que espírito o Samaritano vinha sem seu caminho... Entretanto, pouco importa se ele vinha cantando, alegre, feliz e grato, ou se vinha sofrendo, angustiado e infeliz... Sim, o que importa é que ele olhou para o outro, o outro pior do que ele, o outro sem autodeterminação, caído no caminho... E mais: fez isso sem que importasse quem ele ou o outro fossem um para o outro...

Sem que fosse significativo como o Samaritano estivesse se sentindo, o que valeu foi o ato, foi o feito, foi a parada e o levantar do homem... Sim, o importante não era a subjetividade, mas a objetividade da decisão... Digo isto hoje porque vejo que muitos dos que me escrevem jamais ficarão curados enquanto não se esquecerem de si mesmos, e, enquanto não transformarem sua auto-vitimização em ação pró-ativa em favor da vida...

Pense nisto; e pare de lamber adoecidamente as suas próprias feridas...

Caio Fábio (2009), in www.caiofabio.net

Avançando um pouquinho da Idade Media

Hoje estive pensando, que de uns tempos para cá, abri mão dos rituais; tenho procurado viver uma vidinha mais fluida, menos apegada às tradições e às exigências sociais. Não é tão fácil escapar dessas armadilhas, no entanto; por mais hippie que o sujeito possa ou pareça ser, algum contato (irremediável e inevitável) acaba tendo com o público capitalista em geral; daí surgem as complicações.

É curioso quando você decide "finalmente" o que vai fazer da sua vida, não satisfeito, resolve compartilhar com um e outro as suas resoluções, sempre chovem palpites a respeito de quando e como cada coisa deve ser feita. Resolvi casar. Nunca casei antes, não é de se espantar que não tenha nenhuma ideia de como são os trâmites da passagem da vida de solteira para a de não-solteira. E francamente, esse pacote de casamento: chás + cartório + cerimônia + festa é muito cansativo, custa caro e me chateia pra caramba!

"Tem que casar no civil!", "Tem que ter festa!", "Tem que casar na igreja!", "Tem que fazer chá de panelas!", "Tem que ter chá de langerri" (sim, eu escrevi langerri, assim mesmo - e de propósito!)... Por aí vão as sugestões de quem ouve as boas novas. O problema é que eu sofro de um distúrbio gravíssimo: não gosto de fazer as coisas exatamente do jeito que as outras pessoas fazem. Particularmente, nada em desfavor a quem gosta das cerimônias com todo o rigor circunstancial mas a maioria dessas coisa não é para mim. Não combinam comigo.

Algo que eu já disse por aqui, é que o casamento é um ritual de passagem com origens na Roma antiga, legitimado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Deus não tem nada a ver com isso, por isso descarto palpite de quem argumenta utilizando-se de porta-voz divino. Me espanta que a humanidade avance tanto em matéria de conhecimento mas retroceda com relação aos costumes desse porte. Mais ainda, que não perceba que o que sustenta a indústria casamenteira é pura e simplesmente o interesse comercial - casamento vende!

Eu até poderia continuar discorrendo sobre mas me limito a informar que quem me ajudou a descontruir essa sensação de cobrança (principalmente sobre a mulher) com relação às celebrações ritualísticas do matrimônio foi a minha avó que está beirando os oitenta anos. E a conversa nem é recente, foi há um bom tempo, numa ocasião informal, num tempo em que a possibilidade de eu tomar uma decisão assim tão importante era impensável, estava descartada.

Avançando um pouquinho a linha do tempo para os dias atuais, digo a vocês que moderno mesmo, realmente atual é fazer as coisas do jeito que a gente quer e dentro das nossas condições. Sim, eu abri algumas exceções e vou sim, festejar de alguma maneira toda essa passagem... mas do nosso jeito e o mais leve e livre dos protocolos possível. E que sejamos todos muito felizes!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Riqueza


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sobre os milagres de cada dia

Ontem à tarde ouvi a seguinte frase: "ficou aí, quieta a vida toda... agora é hora das coisas chegarem, todas de uma vez"! Quem disse, entende da vida, entende das coisas; tem bagagem suficiente para proferir afirmação de tal seriedade, de tal relevência - e eu não costumo descartar as opiniões de quem tem mais experiência, de quem já caminhou na vida léguas a mais.

Ontem andei pensando nos milages cotidianos que acontecem ou não durante a nossa existência. Pensando que talvez as pessoas em geral têm a mania de esperar sentados que algo de extraordinário aconteça. Esperar sentado é garantia de frustração cansada; vejo todos os dias gentes de todas as idades e tamanhos reclamando que o que elas tanto esperam parece que nunca chega.

Não é que eu não compreenda tal situação; durante um tempo andei também cabisbaixa, sem expetctativa de que as coisas boas acontecessem - mas nunca "sentada". Entenda que "sentada", digo esperando placidamente, de maneira acomodada. Nunca alimentei esperanças de conseguir o que quer que seja sem esforço: lutei muito com todas as forças, contra tantas coisas... Cada um tem a sua cota de obstáculos nessa vida.

Então assim, depois de tanta luta, de tanto investimento, finalmente estou vendo milagres acontecendo. Digo "milagres" porque apesar de ter dado os passos necessários, eu não tinha poderes para fazer tudo acontecer da maneira pacífica e sólida como tem sido. Tempo bom! Tempo de milagres! Tempo de viver um tempo fora do comum com um coração alegre e grato. É isso.

Milagres acontecem quando a gente vai à luta!

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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