sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Ambiguidade

Acordei com a mesma sensação que tem me acompanhado há alguns dias; meses para ser mais exata. É uma saudade forte, latente, mas ao mesmo tempo tranquila, serena, longe de qualquer vestígio de loucura ou insensatez. Hoje estive pensando em muitas coisas e ao mesmo tempo divagando como que não tendo compromisso de pensar em coisa alguma. Triste saber que o que é fácil de ser transmitido em matéria (e através de) de sentimentos, não necessariamente o é através da linguagem escrita. Por aqui (pelo blog) só através desta, e essa é razão da angústia de ter que dar mil voltas, fazer alegorias para enfim tentar levar o leitor a compreender uma ponta do que se passa em algum ponto entre o físico e o não-físico de tudo quanto constitui a mim, em parte ou em muitas partes.

Em determinado momento do dia me flagrei pensando sobre ser e não-ser; sobre ser; sobre não ser,  ser-não-ser ao mesmo tempo... Gosto de quando os pensamentos embolam assim na minha mente. Geralmente, quando desembolam, deixam-me em posição mais elevada de maturidade (intelectual, emocional, psíquica, espiritual - depende do ângulo pelo qual se observa). Vieram à mente alguns trechos de um livro que estou em processo de devoramento nos últimos dias; algumas palavras sobre o que pode vir a ser ambiguidade, as quais transcrevo agora.

Ambigüidade é a capacidade de chorar pelo que se é, e a esperança de ser o que se sabe que se precisa ser. Ambigüidade é o estado de existência entre o bem e o mal, é a consciência de perdição e de redenção que habita os humanos. Ambigüidade é como nossa alma se percebe e percebe os outros. Eu sei que sou ambíguo como ser humano. Mas sou humano, e isto em mim não é ambíguo. (...) para distinguir a ambigüidade tem-se que ser algo inteiro em sua própria natureza. Note: inteiro, mesmo que sem integridade absoluta. (In: Nephilins; Caio Fábio; página 122).

Aprecio a ideia. E lembro-me do famoso poema de Camões a respeito do que pode vir a ser o amor, com todas as suas implicações de ser e ao mesmo tempo não ser tal e tal coisa; tão palpável e ao mesmo tempo impossível de ser limitado em um cerco de palavras que explicam sensações para além das sensações. Recordei também, do desenho do número oito, que ao girá-lo 90º temos o laço de Moebius, que não tem início nem fim é comumente é chamado de símbolo do "infinito".

É... Contei hoje pela manhã oito meses ao sentir saudades. São oito meses de uma saudade que se estende à frente e sobre o que ficou para trás. Oito meses de uma contagem de tempo que nem cabe nem faz sentido tendo como parâmetro o calendário gregoriano. Oito meses do que é temporal e ao mesmo tempo eterno e infinito. Um encontro que aconteceu antes de ter acontecido e que carrega em si a marca da ambiguidade. Há exatos oito meses aconteceu um milagre na minha vida! Um acréscimo não planejado de graça, alegria e esperança. Algo que eu esperava sem nem saber que esperava mas ao mesmo tempo sabia que a seu tempo aconteceria.

(...)

Hoje, ao acordar, senti a saudade que ao mesmo tempo oprime e move em direção do que nos falta. Lembrei-me de ter acordado, dias atrás (em La Paz), olhado para o corpo meio-homem-meio-anjo  adormecido ao meu lado e recobrado a consciência do que aquilo tudo significava para mim: PAZ. Fez todo o sentido. Oito meses e eu tenho apenas a agradecer ao céu todos os dias de paz e pelo favor imerecido, por olhar para trás e para frente ao mesmo tempo sabendo que é aqui e agora mesmo que eu quero estar.

Sem mais.

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