domingo, 17 de fevereiro de 2013

Estátua de sal

A postagem é de hoje mas estou ruminando o assunto desde ontem cedo. Mais exatamente quando essa música tocou na rádio. Meu pai sempre escuta rádio quando está em casa. Em volume alto. Sorte que, via de regra ele escolhe bem e temos o privilégio de escutar repertório de excelente qualidade. Talvez seja o maior legado que o pai deixou pra gente,ainda em vida: o gosto musical mais refinado - já mencionei isso por aqui.

Já mencionei também que algumas músicas, algumas vezes, podem nos "transportar" às sensações vividas. O passado meio que volta, emocionalmente. Enquanto ouvia essa, em alto e bom som vindo lá da sala, voltei a um tempo em que eu me encolhia na cama e chorava desesperadamente, retorcendo o corpo de dor. Mas não era uma dor física, era uma dor que não permite identificar exatamente de onde vem, nem conseguimos apontar com o dedo, como criança: "dói aqui"!

E como doía! Vivendo momentos bons, como os de agora, consegui dimensionar bem o reverso da moeda. Recordei dias em que sentia a alma dilacerada, rasgando-se toda por dentro, numa dor sem remédio. Muitas vezes, encolhida num canto qualquer, desejava que a vida me abandonasse. Desejava não ter nascido ou ter nascido bicho a ter que sofrer os dramas existenciais - e como sofri! Era um tormento com causa e sem causa ao mesmo tempo. Talvez as nossas maiores angústias sejam derivadas da nossa expectativa irreal sobre a vida, sobre as coisas, sobre as pessoas...

Foi extremamente difícil ajuntar todos os meus cacos e remendos, procurar onde cada parte encaixava-se uma à outra. Ir olhando cada pedacinho e revivendo a cada momento o motivo de a minha alma ter ficado assim, tão estraçalhada... Foram dias muito difíceis, de muito choro e de muita solidão.

Passou. Eu sei que passou. Onde haviam trevas, hoje brilha o Sol do meio-dia. Onde havia dor, hoje há alegria e tranquilidade sem fim. Mas as marcas e cicatrizes ficaram todas aqui. Fazem parte de tudo que eu sou e a cada dia cumprem o papel de me situar diante da vida. Tudo tem um porquê, tudo tem um pra quê; hoje eu compreendo alguns, descompreendo outros...

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