terça-feira, 30 de abril de 2013

Graça, sutileza, liberdade


Tenho cá pra mim que, quanto maior a minha convicção a respeito de algo, menos eu preciso "esfregá-las na cara dos outros". Quanto mais seguro, mais discreto e menos preocupado com o que os outros vão pensar. Cada um que arque com as próprias expectativas (que eu arco com as minhas escolhas com todo o prazer).

Muito tempo sem escrever - pouco tempo para escrever. Acho que passei um bom período da vida remoendo, digerindo, regurgitando, catalisando e/ou vomitando (não necessariamente na mesma ordem ou intensidade) as coisas da minha vida. Muitas delas foram despejadas meio que fora da métrica, fora das convenções comuns à norma culta. Diga-se de passagem: costumo reler repetidamente o que escrevo por aqui; corrigir, nem sempre.

Hoje parei aqui em frente ao PC, em um momento de total esgotamento físico não-raro. Minha mente a mil e o corpo pedindo cama e travesseiro. Tanta coisa a fazer e falta tempo-tempo-tempo-tempo... Sempre me remonto na fala do grego Zorba: "um homem (uma mulher) como eu deveria viver duzentos anos"! E é bem assim mesmo que me sinto todos os dias ao acordar.

Enquanto a minha mente se movimenta, o corpo para. Refaço as cenas dos dias que se passaram recentemente. Se houve tempo de remoer, descontruir para erguer o que está de pé agora, atualmente vivo um tempo de não dar tempo de registrar muito as coisas que acontecem. É a era do viver-mais-importante-que-postar. Vivo a contramão geral da sociedade judaico-cristã ocidental. Nada mal para mim, rs. Tenho sugado a realidade até a última gota!

Quando me dispus a digitar algumas linhas aqui hoje, não me ocorria nenhuma necessidade de entender nada. Aliás, ultimamente assim eu ando: compreendendo tudo sem entender absolutamente nada; vivendo apenas, intensamente. O que me ocorria agora há pouco era uma sensação simples e pura de gratidão. É isso. Quero deixar registrado, momento em que me sinto imensamente grata.

Sem mais.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Depois do último post

Eu entristeci e recuperei a alegria diversas vezes - depois do último post, há uns dias atrás - pra entristecer e voltar a me alegrar em seguida por mais algumas vezes; minha vida parece uma montanha russa de emoções.

Por vezes abri o editor de texto do Blogger na intenção pura e legítima de desaguar aqui as minhas angústias mas não houve escrita que desse jeito nas minhas mazelas. O cérebro que não sincronizava com a mão de jeito nenhum e eu acabo achando isso aqui para mim se tornou uma espécie de "geladeira", que a gente abre sem estar procurando nada para comer, só para pensar mesmo, rs...

É isso. Hoje foi um dia "daqueles"... tenso como ele só! Cansativo e cheio de complicações e saudades. Quando cheguei em casa agora há pouco, em meio a um temporal fora de época, lembrei-me de parar um pouco, fazer pequena pausa que fosse e escrever alguma coisa.

Dias bons e dias ruins se passaram, se alternaram e uma coisa apenas não mudou: a minha total falta de disposição, inspiração, vontade (ou seja lá que nome for) para escrever. Estranho... Será que está na hora de abandonar isso aqui?

A seguir, capítulos de uma nova cena.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Suspiro de um dia ruim

O estresse e as pressões do dia-a-dia têm, por vezes, o poder de nos deixar prostrados. Hoje eu me senti assim, meio desenergizada, meio esmagada pelas circunstâncias sobre as quais não tenho controle. Há dias em que tudo chateia - absolutamente tudo! E ao passar pela colega de trabalho hoje umas duas vezes, em meio às confusões e dissabores comuns à minha doce-amarga profissão eu deixei escapar um: "eu quero morrer". Claro que foi força de expressão! Claro que eu disse isso da boca para fora! Claro que esse não é o desejo sincero do meu coração!

(pausa)

...Será? Tem horas em que contemplo a humanidade e seus festivais de estupidez misturada com loucura e realmente dá uma vontade muito forte de pular fora do barco. É muita confusão, é muito terremoto por pouca movimentação tectônica. Tenho por certo que há dias em que fica um pouco  mais fácil escapar dessa triste constatação: a de que viver aqui não tem essa graça toda; são dias mais leves e de muitos sorrisos. Em compensação, em outros dias eu fico como hoje: estática, gélida, olhando para um ponto para além do horizonte para fugir (ao menos em parte) da dura realidade da qual muitas vezes não posso nem quero dar conta. Hoje foi um dia ruim, chorar sequer eu consegui.

Há muito o que eu gostaria de deixar registrado aqui mas os meus pensamentos me escapam líquidos e mais velozes do que a capacidade de digitação. Quando digo que "quero morrer", não é que eu tenho desejos suicidas. Não é que eu tenha necessidade de arrebanhar gente complacente e solidária às minhas mazelas. O que eu realmente quero (ou queria, gostaria) é viver uma outra realidade diferente dessa que ando vivendo. Tenho a impressão de que a demanda de energia que essa forma de existência exige de mim é mais do que posso dispender, dispensar. A vida (essa modalidade de vida) me consome e me tira (muitas vezes) a esperança e a vontade de lutas por dias melhores, por pessoas melhores.

Esses dias eu ouvi um teólogo falando (um dos poucos que ainda tolero ouvir sem ânsia de vômito). Ele dizia que existem duas constatações impactantes que precisam chegar ao coração das pessoas: uma e que a existência humana é algo pueril, frágil e absolutamente sem-graça. "Tudo é vaidade e correr atrás do vento", como bem disse o sábio do Eclesiastes. A segunda, é a própria Graça revelada a nós, é a convicção que vem de um lugar além da compreensão lógica, cerebral de que existe uma força superior que de alguma forma rege o caos físico e metafísico do Universo. Essa "força" que "governa" eu chamo de Deus. Há quem o conheça por outros nomes mas a sensação de estar no mundo por uma razão - e reconhecer essa razão pelo nome de amor - é inconfndível e não tem preço.

Já passei por esses dois momentos de espanto: o da transitoriedade e futilidade da vida e do reconhecimento de fazer parte de um plano superior, de ter uma nacionalidade não-terrena (no sentido do valor material das coisas). Confesso que não tenho bem certeza do momento exato em que se deu uma ou outra mas elas são (hoje) interdependentes: quando o asco de ser humana me assola, a identidade celestial acaba me consolando; por outro lado, quando a tentação de "querer ser mais que os demais" ronda o meu coração, a fragilidade humana está aqui para me situar da realidade da coisa toda.

O que eu sei é que hoje foi um dia ruim, bem no sentido humano. E sei que precisava registrar isso de alguma forma, lançar para fora de mim de forma catártica o me atrapalharia o sono esta noite. Eis-me aqui, sinto-me melhor agora. Sem mais.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lampejo

De tempos em tempos eis que ouço uma voz suave a me chamar, a me guiar. Não é voz audível, assim, pelos canais naturais da audição humana. É como um sussurro suave captado pela alma, algo discernível somente na camada mais profunda entre a matéria e o espírito. Não tenho como explicar. É como se as coisas se explicassem assim, sem explicação e nem palavra.

Hoje, numa distração lampejante distraída eu ouvi assim essa tal voz - e mais: visualizei causa e razão pras coisas; enxerguei passado-presente-futuro numa fusão de sentidos e destinos. Fui feliz completamente por um segundo, sabendo num lugar entre a loucura e a razão que há tempo, hora e ocasião para tudo, que tudo tem um porquê e que as pessoas não se encontram em vão nessa vida.

Por um segundo a mais então, fui feliz.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
Copyright 2009 Viviane Zion. Powered by Blogger
Blogger Templates created by Deluxe Templates
Wordpress by Wpthemescreator
Download Royalty free images without registering at Pixmac.com