sexta-feira, 5 de abril de 2013

Suspiro de um dia ruim

O estresse e as pressões do dia-a-dia têm, por vezes, o poder de nos deixar prostrados. Hoje eu me senti assim, meio desenergizada, meio esmagada pelas circunstâncias sobre as quais não tenho controle. Há dias em que tudo chateia - absolutamente tudo! E ao passar pela colega de trabalho hoje umas duas vezes, em meio às confusões e dissabores comuns à minha doce-amarga profissão eu deixei escapar um: "eu quero morrer". Claro que foi força de expressão! Claro que eu disse isso da boca para fora! Claro que esse não é o desejo sincero do meu coração!

(pausa)

...Será? Tem horas em que contemplo a humanidade e seus festivais de estupidez misturada com loucura e realmente dá uma vontade muito forte de pular fora do barco. É muita confusão, é muito terremoto por pouca movimentação tectônica. Tenho por certo que há dias em que fica um pouco  mais fácil escapar dessa triste constatação: a de que viver aqui não tem essa graça toda; são dias mais leves e de muitos sorrisos. Em compensação, em outros dias eu fico como hoje: estática, gélida, olhando para um ponto para além do horizonte para fugir (ao menos em parte) da dura realidade da qual muitas vezes não posso nem quero dar conta. Hoje foi um dia ruim, chorar sequer eu consegui.

Há muito o que eu gostaria de deixar registrado aqui mas os meus pensamentos me escapam líquidos e mais velozes do que a capacidade de digitação. Quando digo que "quero morrer", não é que eu tenho desejos suicidas. Não é que eu tenha necessidade de arrebanhar gente complacente e solidária às minhas mazelas. O que eu realmente quero (ou queria, gostaria) é viver uma outra realidade diferente dessa que ando vivendo. Tenho a impressão de que a demanda de energia que essa forma de existência exige de mim é mais do que posso dispender, dispensar. A vida (essa modalidade de vida) me consome e me tira (muitas vezes) a esperança e a vontade de lutas por dias melhores, por pessoas melhores.

Esses dias eu ouvi um teólogo falando (um dos poucos que ainda tolero ouvir sem ânsia de vômito). Ele dizia que existem duas constatações impactantes que precisam chegar ao coração das pessoas: uma e que a existência humana é algo pueril, frágil e absolutamente sem-graça. "Tudo é vaidade e correr atrás do vento", como bem disse o sábio do Eclesiastes. A segunda, é a própria Graça revelada a nós, é a convicção que vem de um lugar além da compreensão lógica, cerebral de que existe uma força superior que de alguma forma rege o caos físico e metafísico do Universo. Essa "força" que "governa" eu chamo de Deus. Há quem o conheça por outros nomes mas a sensação de estar no mundo por uma razão - e reconhecer essa razão pelo nome de amor - é inconfndível e não tem preço.

Já passei por esses dois momentos de espanto: o da transitoriedade e futilidade da vida e do reconhecimento de fazer parte de um plano superior, de ter uma nacionalidade não-terrena (no sentido do valor material das coisas). Confesso que não tenho bem certeza do momento exato em que se deu uma ou outra mas elas são (hoje) interdependentes: quando o asco de ser humana me assola, a identidade celestial acaba me consolando; por outro lado, quando a tentação de "querer ser mais que os demais" ronda o meu coração, a fragilidade humana está aqui para me situar da realidade da coisa toda.

O que eu sei é que hoje foi um dia ruim, bem no sentido humano. E sei que precisava registrar isso de alguma forma, lançar para fora de mim de forma catártica o me atrapalharia o sono esta noite. Eis-me aqui, sinto-me melhor agora. Sem mais.

1 comentários:

Sr. Sete disse...

Dias ruins são sempre dias ruins. Não há o que fazer. Nem Deus, ou Jah, ou Alá, ou Tupã, ou o cosmos ajudam, porque o ruim é a forma humana que se manifesta. E é justamente esta forma humana que trabalha mais arduamente que a forma divina da qual temos conhecimento (ou não). OI

Sejam bem-vindos!

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