domingo, 18 de janeiro de 2015

Enquanto ela sonha...

Minha vida de um ano pra cá deu mais uma daquelas reviravoltas desconcertantes, com as quais eu já havia meio que desaprendido a lidar. Tomo fôlego a cada manhã e escrevo. Ou me aplico a remoer os segundos ligeiros das horas do dia. Ligo o piloto automático. Mais um sol que se põe; vencemos.

Tive filho. Uma filha, para ser mais exata. Completei a obra da vida de um ser humano qualquer: a árvore, o livro, o filho; posso morrer em paz. Mas não! Agora mesmo o instinto de sobrevivência e autopreservação falam muito mais alto às minhas orelhas: é preciso viver muito, e quando for o bastante, mais um pouco...

Tenho uma filha! E um assombro sem tamanho toma-me a alma e faz-me estremecer o corpo quando percebo um bebê de quase quatro meses aninhado em meus braços: é minha! Na verdade sou dela. E a descrição da maternidade que poderia fazer não atenderia às expectativas de uma reflexão convencional do que vem a ser ter uma criança nascida das próprias entranhas dormindo ali no quarto ao lado.

Enquanto ela sonha eu mal durmo. Enquanto ela chora eu esqueço as minhas dores. Por hora eu posso dizer que ter um filho coloca as coisas todas da vida numa esfera mais profunda de experimentação. Há uma classificação que supera o "bom" e o "ruim" que comumente usamos para enquadrar os acontecimentos. Não é bom nem ruim. Nem é algo entre os dois; simplesmente não se encaixa em uma definição que caia bem, que realmente traduza a sensação.

E era nisso, exatamente, que eu pensava: na impossibilidade de declarar, sem titubear, o que tenho achado dos acontecimentos da maternidade. É confuso, é trabalhoso, é castrador (...) mas ao mesmo tempo é gratificante, traz amadurecimento e um sentido mais claro pra vida. Coço a cabeça. Faço pausa.

Enquanto ela sonha, agarro-me firme à realidade e encerro mais um dia de desbravamento do que há de doce e amargo na vida de alguém que acabou de ter o primeiro filho.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Primeiro limpa do ano

Eis-me aqui. Comecei a fazer uma triagem e limpeza nas postagens do blog. Entre uma mamada e uma troca de fraldas. Entre um chorinho e uma soneca... A vida de quem tem criança pequena em casa não é muito programável.

Pois bem, dei uma passada de olhos nos posts de dezembro de 2008. Reli alguma coisinha rapidamente e deletei o que tinha de link quebrado dos vídeos do Youtube que não existem mais.

Não lembro bem do que se passava naquela época. Recordo vagamente que tinha sido um ano muito produtivo e ao mesmo tempo difícil no trabalho, o que me fez pedir demissão logo que encerraram-se as atividades da escola (mesmo sem ter ainda nada em vista para o ano seguinte).

Do que me recordo bem: naquele período eu me dei conta de uma característica que não sei sempre apresentei ou desenvolvi com o tempo - a total falta de empatia com a espécie humana. Na verdade, procurei uma palavra melhor do que empatia mas não encontrei uma que definisse o imenso desconforto que sinto em presença dos meus companheiros espécimes. Talvez misantropia defina.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, a minha vida mudou substancialmente em conteúdo e forma mas o mais marcante dessa época foi realmente o surgimento dessa aversão às pessoas. Talvez eu retome o assunto em ocasião oportuna. É isso.

Sejam bem-vindos!

Mi casa, su casa...
 
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