sábado, 22 de agosto de 2015

Espiando fora da caverna

Quanto tempo não escrevo! Aproveito enquanto a pequena cochila preguiçosamente nos braços do papai. Reviro os olhos, suspiro e me espanto: tem um bebê ali na sala que daqui a dois dias completará 11 meses de nascida. Nada demais se o bebê não fosse... meu! Sim, eu tenho uma filha linda, esperta e saudável! Creio que, de uma vida cheia de reviravoltas, o aparecimento de Melina (o nome dela) em minha vida foi a maior. Suspiro e volto às teclas do laptop: estou escrevendo após meses ruminando ideias e acontecimentos dos mais variados e imprevisíveis...

É que de uns dias para cá, tenho sido assaltada por uma onda de gratidão. Olho tudo ao meu redor e descubro, em lágrimas, que há muito mais a agradecer do que a lamentar. Coisa que na hora da crise a gente não enxerga muito bem; talvez não enxergue mesmo nada! Quantas vezes lamentei profundamente os contratempos do ano em curso? Quantas vezes pedi ao Universo que o relógio do tempo simplesmente adiantasse direto para dezembro e este ano (que começou insuportável, passou para dificílimo, evoluiu para "o que não tem remédio, remediado está" e agora encontra-se num período imprevisível de trégua) terminasse logo?

O fato é que estamos vivendo dias menos pesados. Estou sentido o ar um pouco mais leve. Enquanto o chicote não estala no lombo dá tempo de sonhar e olhar ao redor. Estender a mão. Voltar a fazer as coisas do jeito bom e alegre que fazia antes. Quando voltei a trabalhar, por exemplo, após quase sete meses de licença para lamber a cria, achei que morreria, e nunca mais voltaria a ser aquela profissional com brilho (e sangue) nos olhos. Que bom que me enganei! Estou redescobrindo o prazer de ter prazer em fazer o que escolhi fazer...

Quando olhei o meu corpo pós-maternidade no espelho e me deparei com as tantas mudanças (algumas nem um pouco desejáveis), achei que nunca mais teria a minha autoestima e autoimagem restaurada, sendo alguém que fisicamente nunca fui. Que bom que o tempo passou e mais uma vez os meus pavores não se confirmaram. A imagem que vejo no espelho agora é melhor do que antes. Com acrescidas marcas mas também com triunfo de memórias e histórias que jamais teria como contar se não tivesse gerado um outro ser em minhas próprias entranhas.

Trocando em miúdos: quando me vi mãe, achei que tinha estragado a minha vida. O tempo tem me convencido de que aquela vida não era mais minha, agora tenho uma nova com todas as implicações e papeis que eu sinceramente achei que não daria conta de desempenhar mas agora, a cada pequena vitória, tenho acrescentado à minha bagagem experiências muito mais profundas.Por isso tanta gratidão! Por isso tanta vontade de aproveitar o tempo de cochilo da minha pequena para deixar registrado que nós (agora não mais EU) vencemos.

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